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Surf no lixo contemporâneo: a que ponto chegamos! E que mundo deixaremos de herança para Keith Richards?

quinta-feira, 25 de outubro de 2007


Espanha faz limpeza na memória do fascismo franquista

Na Espanha está sendo votada no Congresso a chamada Lei da Memória Histórica, que entre outras normatizações, obriga as administrações públicas a tomarem medidas para a retirada completa de escudos, insígnias ou placas e outros objetos ou menções comemorativas de exaltação, pessoal ou coletiva, da sublevação militar, da Guerra Civil ou da repressão da longa ditadura franquista (1939-1975).

O sindicato dos estudantes (lá, eles se organizam formalmente em sindicatos), o conhecido SE, está procedendo o levantamento completo de colégios públicos e privados cujos nomes homenageiam personagens que foram ligados ao fascismo franquista ou que exaltam o horror anti-republicano na Guerra Civil Espanhola. Já se constatou que onze centros de educação chamam-se José Antonio Primo de Rivera (o advogado fundador do partido fascista Falange Espanhola), por exemplo, ou que adulam o pai de Primo, Miguel Primo de Rivera. Abundam também os colégios Villar Palasí, ministro da Educação do franquismo de 1968 a 1973.

.......

Eis uma pauta para a UNE, hoje completamente atrelada ao governo Lula. Mas não só da UNE, de toda a sociedade civil democrática e cidadã. No Brasil também é preciso revisar e limpar essa má consciência que exalta de forma acrítica e subalterna alguns personagens execráveis do nosso passado.

Qual a grande cidade brasileira que não tem a avenida Castelo Branco? O colégio Emílio Médici? E tantas outras menções e adulações aos protagonistas (golpistas) da ditadura militar de 1964-85.

Foto: recente manifestação da FE, os falangistas fascistas espanhóis, organização fundada por Primo de Rivera.


8 comentários:

Carlos Eduardo da Maia disse...

Em tempo, a UNE não está atrelada ao governo Lula. Ela, a CUT e o PT estão atreladas ao governo do PT. Este governo que está ai não é do Lula e do lulismo, mas do PT. É o mesmo que dizer que o governo FHC não era governo dos tucanos ou o governo Médici não era governo da Arena -- que arrebanhava os mesmos votos que hoje arrebanha o governo do PT.

armando disse...

Sem falar no elevado Costa e Silva, esse monstrengo que destruiu parte da cidade de SP.

Além disso, aqui se homenageou vários generais fascistas, como, por exemplo, Dale Coutinho.

Realmente, é preciso passar a limpo a nossa história recente, retirando o lixo.

flics disse...

E aquela monstruosa "caixa d'agua" no parcão homenageia o ditador Castelo Sem Pescoço Branco.
Quem lembra quando se dizia que o Mug (também, quem lembra o que era isso?) era filho dele a da mamãe Dolores da novela O Direito de Nascer?

Marcelo disse...

E o degolador Moreira César?

Se for pra limpar, tem que limpar geral. Desde o descobrimento.

Incluindo alguns nomes de bandeirantes matadores de índios e outros a serviço do governo momentâneo.

Inclua-se também as homenagens a Antônio Carlos Magalhães.

E, futuramente, inclua-se também homenagens a alguns futuros-falecidos do atual governo que roubaram, sacanearam...

armando disse...

não sintam inveja, pois aqui temos uma estátua enorme, monstruosa, horrível do Borba Gato, matador de índios aí nas bandas do sul.

Carlos Eduardo da Maia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Carlos Eduardo da Maia disse...

Bah, o Flics desenterrou o Mug. ìdolos, herois, terroristas, fascínoras estão nas praças, nas esculturas de todo o lugar e isso faz parte da história. Da mesma forma tiraram Lenin da Praça Vermelha, Hussein do centro de Bagdad e por ai vai. Esteticamente, a escultura do Castelo Branco no parcão é bem interessante. É uma obra do Carlos Tenius, o mesmo que fez a escultura que está nos Açorianos.

Anônimo disse...

O Tenius, embora sendo um bom escultor era amigo do rei da época e recebeu uma boa bolada, agora em relação a interessante perspectiva artistica e uso da obra com fins politicos; são outros quinhentos.No caso do Carlos Maia, deve ser um dos saudosos da dita dura.

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