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Surf no lixo contemporâneo: a que ponto chegamos! E que mundo deixaremos de herança para Keith Richards?

terça-feira, 1 de abril de 2008


Editorial de "O Globo", em 2 de abril de 1964

“Vive a Nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os patriotas, independentemente de vinculações políticas, simpatias ou opinião sobre problemas isolados, para salvar o que é essencial: a democracia, a lei e a ordem. Graças à decisão e ao heroísmo das Forças Armadas, que obedientes a seus chefes demonstraram a falta de visão dos que tentavam destruir a hierarquia e a disciplina, o Brasil livrou-se do Governo irresponsável, que insistia em arrastá-lo para rumos contrários à sua vocação e tradições.

Como dizíamos, no editorial de anteontem, a legalidade não poderia ser a garantia da subversão, a escora dos agitadores, o anteparo da desordem. Em nome da legalidade, não seria legítimo admitir o assassínio das instituições, como se vinha fazendo, diante da Nação horrorizada.

Agora, o Congresso dará o remédio constitucional à situação existente, para que o País continue sua marcha em direção a seu grande destino, sem que os direitos individuais sejam afetados, sem que as liberdades públicas desapareçam, sem que o poder do Estado volte a ser usado em favor da desordem, da indisciplina e de tudo aquilo que nos estava a levar à anarquia e ao comunismo.

Poderemos, desde hoje, encarar o futuro confiantemente, certos, enfim, de que todos os nossos problemas terão soluções, pois os negócios públicos não mais serão geridos com má-fé, demagogia e insensatez.

Salvos da comunização que celeremente se preparava, os brasileiros devem agradecer aos bravos militares, que os protegeram de seus inimigos. Devemos felicitar-nos porque as Forças Armadas, fiéis ao dispositivo constitucional que as obriga a defender a Pátria e a garantir os poderes constitucionais, a lei e a ordem, não confundiram a sua relevante missão com a servil obediência ao Chefe de apenas um daqueles poderes, o Executivo.

As Forças Armadas, diz o Art. 176 da Carta Magna, "são instituições permanentes, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade do Presidente da República E DENTRO DOS LIMITES DA LEI."

No momento em que o Sr. João Goulart ignorou a hierarquia e desprezou a disciplina de um dos ramos das Forças Armadas, a Marinha de Guerra, saiu dos limites da lei, perdendo, conseqüentemente, o direito a ser considerado como um símbolo da legalidade, assim como as condições indispensáveis à Chefia da Nação e ao Comando das corporações militares. Sua presença e suas palavras na reunião realizada no Automóvel Clube, vincularam-no, definitivamente, aos adversários da democracia e da lei.

Atendendo aos anseios nacionais, de paz, tranqüilidade e progresso, impossibilitados, nos últimos tempos, pela ação subversiva orientada pelo Palácio do Planalto, as Forças Armadas chamaram a si a tarefa de restaurar a Nação na integridade de seus direitos, livrando-os do amargo fim que lhe estava reservado pelos vermelhos que haviam envolvido o Executivo Federal.

Este não foi um movimento partidário. Dele participaram todos os setores conscientes da vida política brasileira, pois a ninguém escapava o significado das manobras presidenciais. Aliaram-se os mais ilustres líderes políticos, os mais respeitados Governadores, com o mesmo intuito redentor que animou as Forças Armadas. Era a sorte da democracia no Brasil que estava em jogo.

A esses líderes civis devemos, igualmente, externar a gratidão de nosso povo. Mas, por isto que nacional, na mais ampla acepção da palavra, o movimento vitorioso não pertence a ninguém. É da Pátria, do Povo e do Regime. Não foi contra qualquer reivindicação popular, contra qualquer idéia que, enquadrada dentro dos princípios constitucionais, objetive o bem do povo e o progresso do País.

Se os banidos, para intrigarem os brasileiros com seus líderes e com os chefes militares, afirmarem o contrário, estarão mentindo, estarão, como sempre, procurando engodar as massas trabalhadoras, que não lhes devem dar ouvidos. Confiamos em que o Congresso votará, rapidamente, as medidas reclamadas para que se inicie no Brasil uma época de justiça e harmonia social. Mais uma vez, o povo brasileiro foi socorrido pela Providência Divina, que lhe permitiu superar a grave crise, sem maiores sofrimentos e luto. Sejamos dignos de tão grande favor”.

.....

Com licença, leitores, terei que ingerir uma cartela de Dramin. Fui...


18 comentários:

Daniel disse...

Mais uma vez, obrigado Feil.
Que o dia da "redentora" (ontem), não seja esquecido, para que possamos todos contar que o dia 1º de Abril é o dia do Golpe, o dia em que o país foi amputado. Mesmo 44 anos depois, o Brasil ainda não reencontrou seu caminho, nem sua história.

Ricardo Mainieri disse...

Como digo em um poema meu:

31 de março

Generais invadem as ruas
de minha infância
num único golpe.

Ou como sintetiza Marcos Rey no conto "Soy loco por ti América", onde bêbados saídos de uma festa burguesa vêem tanques e...pensam que são caminhões de lixo(rs)

E ainda tem alguns saudositas de plantão clamando pela "Ordem e Progresso"...

Barbaridade!!!

Ricardo Mainieri

Anônimo disse...

Que nooooooooojo!

Anônimo disse...

Ainda por cima esses fdp misturam Deus num negócio sujo desses.

Lu

Anônimo disse...

Não, o dia da redentora é hoje: 1º de abril, dia da mentira. Foi a grande mentira do século XX.

A democracia foi violentada em nome de predadores protegidos por covardes, feitos "vacas fardadas". Que não se esqueça esse trecho triste de nossa história, bem lembrada pelo Feil.

Licença que vou para o banheiro...

armando

Anônimo disse...

Tradição, Família & Propriedade: A tríade do reacionário! O mais impressionante é que esta corja está ainda aí posando de etíca e patriota!
Meu Deus do Céu!

Anônimo disse...

O golpe de 64 abortou um projeto de nação independente. O Brasil poderia ter outra cara sem Rede Globo. sveloso

itabajara disse...

Este é daqueles links que devem amplamente distribuídos. Não podemos deixar a história ser esquecida.
Conhecendo a História é que conhecemos as pessoas e instituições.

Gilmar da Rosa disse...

Ola Feil! É um teste para o estomago ler este editorial. Vou roubar tua postagem amanhã. Grande abraço.

Anônimo disse...

e esses cafagestes como diria o velho januario ainda rondam nossas vidas. energumenos diria nosso amigo parlamentar. corja de animais que destruiram o sonho de várias gerações. triste roberto marinho que arda no fogo do inferno (se é que ele existe). e qui os baba ovos da globo perfilados e obedientes tirando proveito do sangue brasileiro e criando as rosanes de oliveira da vida. papagaio de pirata da yedinha turista. grande toia!

Carlos Eduardo da Maia disse...

O golpe de 64 crucificou uma geração. A minha geração. Nos fizeram reféns do silêncio e da alienação. Que isso não ocorra mais no Brasil.

Anônimo disse...

Cala boca Maia!bianca

Anônimo disse...

Até hoje esse Pig se lambuza nas botas da ditadura. É o fim da picada! dpz

Anônimo disse...

Este Maia é um cara de Pau mesmo: O Golpe crucificou a minha geração.
Nos fizeram refens do silêncio e da alienação.

Não tenho a menor dúvida de que nesta parte de alienação o próprio Maia é o melhor exemplo.

Agora é esta alma candida e ingenua "crucificada! pela ditadura, que não poupa pedradas injurias e calunias contra aqueles que defenderam a liberdade com dignidade, amor e até a própria vida.

Ô Maia aqueles que ofendes com a vulgaridade habitual, são os que não aceitaram a alienação.

Claudio Dode

Carlos Eduardo da Maia disse...

Cláudio, existem alienados de direita e de esquerda.

Anônimo disse...

Maia:

Alieanção é pré requisito para a direita....

Claudio Dode

Carlos Eduardo da Maia disse...

Sei, sei, as pessoas conscientes, bem esclarecidas, cultas, dotadas da melhor moral, sabedoria, são sempre de esquerda. Quem pensa assim e acredita nesse reducionismo infantil também é alienado. Entende ou precisa soletrar?

Anônimo disse...

Grande Maia,

Eu acho que seria muito bom que as pessoas de esquerda fossem todas deste teu "modelito". Chic né? você chega num shoping e pede, o mercado atende, né mesmo?.

Mas eu estava só falando em pré requisito para a direita e alienação é um indispensável.Como é que consegues por na cabeça de um vivente que o Deus é o mercado, que a livre iniciativa e o escambau se ele tiver um pouco de cosnciencia dos problemas sociais.

Agora um bom pré requisito é a Crítica, não é mesmo? E este é fundamental, é como se pode dizer a mesma coisa que a alienação para a direita.

Claudio Dode

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