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Surf no lixo contemporâneo: a que ponto chegamos! E que mundo deixaremos de herança para Keith Richards?

domingo, 27 de abril de 2008


Dez mais sete

Um amigo me telefona, está lendo “Hiroxima”, livro do jornalista John Hersey, um dos expoentes do chamado jornalismo literário, muito cultuado pelo público norte-americano.

Ele, o meu amigo, conta que Hersey informa que em Hiroxima, lá pelos anos 80, tinham precisamente 753 livrarias. A cidade que foi destruída pelos norte-americanos no final da Segunda Guerra, hoje tem cerca de um milhão de habitantes.

Porto Alegre tem 1,3 milhão de habitantes. Aqui, o número de livrarias, que às vezes são papelarias, é dezessete, 17, o número cardinal logo acima de 16.

Isso pode explicar muita coisa.

19 comentários:

Anônimo disse...

Sim!
Significa que o povo de POA não está fazendo com que seja necessário o aumento de estabelecimentos desta natureza.

Gadelha

Anônimo disse...

Feil, você não sabe contar? Só na rua Riachuelo, no centro, já existem umas 17 livrarias. Ou sebo não vale, apesar de vender livros?

Anônimo disse...

Anônimo, não importa, mesmo que sejam 117 as livrarias de POA, o fato é que isso não significa nada para uma população de um milhão e meio de pessoas. Talvez isso explique porque se vota no Fogaça e na Yeda.

Jayr

Anônimo disse...

capital mundial do petismo

deve explicar também porque se vota no bigode-bossoroca, no pai da luciana, no cachorrão e naquele vereador que se veste de jisuis na pascoa.

não esqueça que o mestre-mor, o líder dos copanhêru, disse que se orgulha de chegar onde chegou sem gostar de ler e estudar

e a feira do livro não existe. é diversionismo da burguesia. é mais uma mentira do pígui.

Lulalelé

Daniel disse...

Acho que tem livraria demais... prá um povo que lê Paulo Coelho, L. Luft, Fernado Lucchesi, David Coimbra, entre outros, nem precisa de livraria alguma...
Aliás essa burguesia que o anônimo cita, que na verdade é uma iludida classe média anã, é que lê essas porcarias...
e não votam nos caras que ele cita, votam nessa gente que está na Prefeitura e no Estado.

Carlos Eduardo da Maia disse...

Essa arrogância de certa esquerda que acha que as pessoas intelectualmente cultas votam no PT ou na esquerda é de lascar. Essa fase já passou. Pessoas que lêem, têm cultura votam no Fogaça, votam na Yeda, votam no Olívio ou na Rosário. Uma coisa não tem nada a ver com a outra, pelo motivo simples de que não existe "pensée unique". Essas pessoas deveriam ler Luc Ferry.

Anônimo disse...

Mais arrogante que tu, Mala?

Daniel disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Daniel disse...

Nossa! Viram só? Não é só arrogância. E que essa classe média é tão iludida, que acha que pode ler essas porcarias, votar na Yeda e ainda se achar "intelectualmente culta"!
Não é de se admirar que assinem "Veja" e " ZH"...
Foi essa gente que escutava o Lacerda, marcharam com deus e familia pela liberdade, acreditou no "milagre econômico", "lutou" pelas Diretas Já que culminou com Sarney, elegeu o Collor e depois pintou a cara, deu "vivas" ao capital especulativo do FH, elegeu o Lula e agora anda de carrinho zero finaciado em 84 meses...

Mainieri@dmae.prefpoa.com.br disse...

Talvez sejam até mais de dezessete livrarias, mas que houve um empobrecimento cultural, isto é evidente.
Inclusive até as Bibliotecas Públicas funcionam precariamente.
Cresci em meio a leitura, comprando livros em sebos, retirando-os da Biblioteca Estadual, do Sesi, da Biblioteca Municipal e tenho orgulho de ter livros amarelados em casa, que, volta e meia, consulto.
Hoje, a gente fala com um jovem e ele confessa que pouco lê, no máximo literatura técnica ou de auto-ajuda.
Da década de 90 em diante, um certo obscurantismo cultural tomou conta do Brasil e está difícil reverter...
Aqueles senhores da Escola de Frankfurt, por muito menos, escreveram livros sobre a Cultura de Massa.,
Se vivessem hoje...

Ricardo Mainieri

Carlos Eduardo da Maia disse...

O J. Habermas está bem vivinho, Mainieri....

Franz Neumann disse...

Em conversa com um livreiro experiente desta praça fui informado que o Brasil tem o número exorbitante de 6oo livrarias, exatamente um terço das livrarias de Buenos Aires!Um deserto que talvez explique o amor desmedido das elites brasileiras e parte da classe média por Miami e pocilgas similares...

Anônimo disse...

Dizo Maia:

"motivo simples de que não existe "pensée unique".

O "Pensée unique" é do PIG, tu incluso, que acham que o mercado e todos as vigarices do neoliberalismo são as unicas verdades.

Quando tiverem respeito aos que pensam diferentemente poderão discutir e aprender alguma coisa.

Claudio dode

Claudio Dode

Carlos Eduardo da Maia disse...

Bem lembrado, Franz Neumann, Buenos Aires tem muito mais livrarias do que qualquer grande cidade brasileira, o mesmo ocorre com qualquer capital européia. Interessante que a livraria cultura do shopping Bourbon e a Saraiva do shopping Praia de Belas, redutos da classe média portoalegrense, estão sempre cheias - e muiiiiito cheias. Não vamos generalizar, apesar desse universo ser muito pequeno.... O livro é muito caro e a nova classe dominante, a classe C, pouco frequenta livrarias, prefere comprar tenis Nike (sem generalizar, of course).

Anônimo disse...

Of course, arrogante.

Cesar disse...

Na realidade, isso explica tudo...
Os poderosos agradecem.

Prestes disse...

Esse papo de "a esquerda é burra", ou "os burgueses são burros" é de uma tremenda infantilidade. Porque não tentar aqui pensar em conjunto os motivos que causam esse desinteresse pelos livros?

Acho que, em primeiro lugar, a educação brasileira em geral é péssima, mas não é só a pública não, a privada também é horrível. Basta ver o império do vestibular. Hoje em dia o ensino médio não passa de um preparativo para o este concurso. Além disso, os milicos transformaram a educação brasileira em algo extremamente técnico, onde a carga horária das disciplinas como física, matemática e química é muito maior que a de história, literatura e geografia, sem falar que a filosofia praticamente se extingüiu. Em vez do tradicional ensino de aritmética e geometria hoje aprendemos nas escolas matérias que extrapolam a necessidade do ensino escolar em matémática, como matriz, números imaginários, entre outras inutilidades. É para desenvolver o raciocínio, diz-se. Mas para raciocinarmos sobre o quê, se o conhecimento humano é reduzidíssimo? Isso sem falar no total esvaziamento das artes nas escolas, música, teatro, etc.

Prestes disse...

Tem vários outros problemas evidentemente: o fato de ser um país que vê muita televisão (não sei se é causa ou conseqüência), questão de dificuldade de acesso à leitura nos primeiros anos de vida (daí a importância de se difundir os gibis nas periferias), entre outros.

Anônimo disse...

Importante seria o Lulla distribuir livros junto ao bolsa-família. Podem ser aqueles seus preferidos (desenhos para colorir). Quem sabe um dia seremos melhores que os argentinos em termos de cultura.
Se for por falta de papel, não nos preocupemos, pois terem fartura com as empresas que estão se instalando no Rio Grande.

Professor Ludovico.

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