Você está entrando no Diário Gauche, um blog com as janelas abertas para o mar de incertezas do século 21.

Surf no lixo contemporâneo: a que ponto chegamos! E que mundo deixaremos de herança para Keith Richards?

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007


Os belgas

Principais características desses cidadãos que vivem nesse pedaço do Brasil, que convencionou-se chamar de Bélgica.

Renda

Eles têm renda acima de 20 mínimos, classe A, segundo as classificações, o que lhes dá acesso, como diria o professor Julio Groppa Aquino, ao pacote existencial: shopping, academia, condomínio fechado e escola privada. Eu acrescentaria ainda o plano de saúde, a TV paga e a internet banda larga.

Consumo

Embora tenham equipamentos sofisticados como TVs de plasma, home-theather, vídeo-games e computadores de última geração, não enxergam nenhum mal ao consumir CD, DVDs, jogos e softwares piratas.
Como são aspirantes da alta sociedade, são eles que compram os produtos de marcas de luxo falsificadas, como bolsas, relógios, jóias e roupas.

Impostos

Eles se acham os únicos que pagam impostos no país. Para dar uma aliviada, licenciam seus carros em outros estados, compram recibos médicos, omitem dados na declaração de IR e sempre conhecem algum doleiro.

Corrupção

Estão sempre indignados com a corrupção. São os primeiros a oferecer uma graninha para o guarda e a pagar "taxas de urgência" para burlar qualquer fila.

Trânsito

Para eles, esse é o maior problema do país. É difícil o tema não ser abordado em uma roda de amigos. Reclamam principalmente da "indústria de multas" que só serve para arrecadar. Quando elas chegam, o jeito é transferir os pontos para algum parente ou procurar uma "empresa especializada".
Como o rodízio atrapalha [em SP], alguns recorrem a uma fita isolante para adulterar a placa, mas só em casos urgentes.
Parar em fila dupla, cruzar o sinal vermelho, parar em cima da faixa de pedestres, fechar o cruzamento e estacionar em vagas reservadas são atitudes corriqueiras, plenamente justificadas pelo estresse.
Para equipar o veículo, admitem comprar peças no mercado paralelo, pois as originais são muito caras.
Quando em desespero, podem destruir o próprio carro ou pagar uma "taxa de sumiço" para obter o dinheiro do seguro.

Empreendedores

Alguns se tornam empresários. Como a competição é terrível, dizem que a carga tributária é um convite à sonegação. Daí nascem algumas necessidades básicas, como registrar a empresa em uma cidadezinha do interior, comprar produtos subfaturados, adulterar a mercadoria e vender sem nota.
Existem os que se arriscam a ter funcionários sem carteira assinada. A maioria acha que isso pega mal e recorre a artifícios como ter funcionários PJ, cooperativas de fachada e a pagar uma parte "por dentro" e outra "por fora".


Pescado integralmente
daqui.

12 comentários:

Anônimo disse...

Acho que é possível agregar outros gostos nesses belgas como tomar vinho tinto com gelo, ir para Miami, para brincar com o Mickey, e achar supimpa. Os belgas têm outros comportamento estranhos como: usar a furadeira, para fixar um quadro, no domingo às duas da tarde ou lavar o carro no estacionamento do edíficio com som a toda altura.

joca disse...

ou sentar em cadeiras de plástico sobre a caçamba de picapes tomando cerveja quente a todo o volume de som horroroso e caçando gurizinhos em cidades longe de sua terra natal... como o Feil relatou aqui esses dias.

Anônimo disse...

Quanto ódio, cara.

Carlos Eduardo da Maia disse...

Bom mesmo é uma sociedade cinza, como conheci na antiga Berlim Oriental, onde não havia nenhuma cor. E as filas eram incríveis atrás do escasso pão. E nos kneipes as câmeras da repressão estavam em todos os lugares, observando todo mundo. A contra-revolução deve ser sempre sufocada. Os inimigos estão em todas as partes, por isso o Estado conta com o auxílio da patrulha ideológica. Foi-se ai o sonho da minha utopia e passei a olhar o mundo com lentes mais coloridas. São as velhas minorias que insistem em construir um Brasil mofado, desabastecido e reprimido, como é característico de toda a sociedade que fez asneira de se deixar levar pelo socialismo real.

Anônimo disse...

Acho que o Maia adora Miami que o mlbec que toma é com gelo por isso ficou ofendido.

Anônimo disse...

Caro Maia, troco Sampa contigo por POA e ainda dou um troco. Topas?
armando

Anônimo disse...

Também acho que o Maia toma Angelica Zapata com gelo. É dose!
bianca

Carlos Eduardo da Maia disse...

Bianca, Angélica Zapata está muito além das minhas posses. Bem que gostaria, mas infelizmente não posso. Em dias muito quentes e mormacentos como é a POA de dezembro não há nada de errado de colocar um vinho tinto num baldinho de gelo. O que é absurdo -- e sinceramente nunca vi por ai -- é colocar gelo dentro do cálice de vinho. Nem meu avô -- que tomava cerveja com água para economizar -- fazia isso.

Bellini disse...

Eu já vi aquele ex-deputado da ditadura Victor Faccioni tomar vinho com uma pedra de gelo. Foi em Caxias há muitos anos.

Acho que ele viu algum milico fazendo o mesmo e certamente ficou sugestionado.

Que tal o nível do cara?

Carlos Eduardo da Maia disse...

Bellini, dependendo da qualidade do vinho, se ele for podre de ruim, é melhor colocar uma pedra de gelo mesmo.

Anônimo disse...

pior que emergente é loco que adora emergente. agora gelar vinho tinto é o auge da bovinice. parábens maia! não negas tua origem mesmo hein!?!

jag disse...

aos anonimos...
o certo é nem responder a uma pessoa que se esconde atras de um rótulo de anonimo, mas vinho se gela, sim, se a temperatura ambiente for maior do que 14 graus celsius... não é preciso chegar ao cúmulo de colocar pedra de gelo no copo, mas belga mesmo é aquele que diz que vinho tinto tem que ser tomado a uma temperatura ambiente, senod que o ar ao redor dele gira em torno de 30 graus. Poupe-me.

Contato com o blog Diário Gauche:

cfeil@ymail.com

Arquivo do Diário Gauche

Perfil do blogueiro:

Porto Alegre, RS, Brazil
Sociólogo