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Surf no lixo contemporâneo: a que ponto chegamos! E que mundo deixaremos de herança para Keith Richards?

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007


De escritores e livros

Quando lançou seu primeiro livro em 1946, o crítico literário Wilson Martins foi à rua do Ouvidor 110 entregar um exemplar com dedicatória a Graciliano, que imediatamente tirou um pente do bolso e começou a abrir as páginas. Wilson exultou, atribuindo a iniciativa ao vivo interesse que sua obra despertara em um dos escritores que mais admirava. Alguns minutos depois, Graciliano fez uma pausa, levantou os olhos e pôs fim à alegria do autor.

- Há pouco tempo, passei por um grande constrangimento. Um amigo meu, escritor, foi a minha casa, pegou um livro seu na estante e verificou que estava fechado. Desde esse dia abro todas as páginas de qualquer exemplar que recebo – disse.

E continuou a abrir o livro, sem mais palavra.


Graciliano e Joel Silveira:

Joel conheceu a livraria por apresentação de Jorge Amado "onde chegou cerimonioso, chamando os poucos escritores com quem se atrevia a falar de 'seu fulano', 'o senhor'. Foi nesses termos que, algum tempo depois de aparecer por lá quase todos os dias, dirigiu-se a Graciliano para, enfim, lhe mostrar um conto de sua autoria.

Graciliano leu, leu, leu, passou página, leu mais. Quando terminou rasgou o texto em pedacinhos. Parecia confete. Não fez comentário algum sobre o que havia lido. Quebrou o silêncio com um convite:

- Vamos tomar uma cachacinha?


Sérgio Buarque de Holanda e Drummond:

Sérgio tinha uma namorada que trabalhava com Drummond, no gabinete do Ministério da Educação. Um belo dia a moça teve a infeliz idéia de lhe dizer que estava sendo assediada pelo chefe.

Se era verdade ou invencionice para provocar ciúmes, nunca se ficou sabendo. O fato é que Sérgio acreditou e foi tomar satisfações com Drummond. Os dois acabaram rolando pelo chão, numa briga que teve de ser apartada.


José Lins do Rego:

Zé Lins era brincalhão, adorava implicar com os amigos. Mais de uma vez apoderou-se do uísque de algum deles, sempre com o mesmo argumento:

- O álcool é inimigo do homem. Amigo meu não bebe. Dá cá esse uísque.

O traço de união entre eles (Graça e Zé Lins) era o gosto pela bebida. Graciliano preferia a cachaça mesmo, enquanto Zé Lins era mais eclético. Ia da cachaça ao uísque sem nenhum problema, e gostava muito de cerveja.

Do livro de Lucila Soares,
Rua do Ouvidor 110: Uma História da Livraria José Olympio.
Rio de Janeiro, José Olympio/Biblioteca Nacional, 2006.


Pescado do blog Letteri Café.

Fotografia de Walter Firmo sobre exposição de Graciliano Ramos, 1993.

3 comentários:

Armando disse...

Grande Graciliano, aquele que dizia que nascemos oprimidos pela gramática e acabamos nas redes do DIP. Para mim, o maior escritor brasileiro, junto com o extraordinário Euclides da Cunha.

Questão de gosto, perdoem-me.

Mainieri@dmae.prefpoa.com.br disse...

Flashes interessantes e desconhecidos sobre grandes autores de nossas letras brasilis.
Depois desta "crítica" não-verbal de Graciliano, Joel resolveu mesmo ser jornalista.
E, de certa forma, já sabia da fama de come-quieto do Drummond, mas não sabia que ee era de briga...
Deve ter outros casos bem exclusivos este livro. Boa indicação natalina.

Abs.

Ricardo Mainieri

Anônimo disse...

O velho Graça é como eu, só toma Setembrina.

Hehehehehehehe....

juca

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