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Surf no lixo contemporâneo: a que ponto chegamos! E que mundo deixaremos de herança para Keith Richards?

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007


O Banco Central é uma conspiração anti-republicana

Não existe instituição mais anti-republicana no Brasil que o Banco Central. Por que anti-republicana? Ora, porque é um bloco hermético, autista, opaco (antônimo de transparente), e portador de um autoritarismo quase imperial. Se denuncia até na arquitetura do prédio matriz em Brasília (foto). O presidente Lula é presidente do Brasil, menos do Banco Central do Brasil. O BC é um enclave extraterriotrial brasileiro. É como o Vaticano, fincado na Itália, mas com mandatário próprio, religião própria, soberania total e território distinto e exclusivo. A religião do BC é a moeda e seus cardeais são os membros do Copom.

Ontem, o conselho cardinalício do Copom (Comitê de Política Monetária) reuniu-se e baixou a bula das taxas de juros básicos no país Brasil. Tudo permanece em 11,25%, a mesma taxa básica de juros da última reunião de suas santidades, em outubro último. Em novembro não houve concílio. Ninguém sabe o motivo, e tampouco o Vaticano, ops o Banco Central informou, que eles não são empregadinhos de ninguém para dar satisfação de seus atos sábios e sagrados. A bula papal do BC reduz-se a um comunicado telegráfico (quase insolente), seguido de uma ata autosuficiente, que é publicada vários dias depois do conciliábulo quase secreto dos prelados neoliberais.
Enquanto isso, os basbaques da mídia corporativa ficam especulando situações, tendências, ondas locais e internacionais sobre os motivos reais de decisões tão secretas. E o presidente Lula faz o quê? Olha, mas não vê e não diz nada. Mal sente que essa decisão do BC conspira de frente com as metas do PAC e da pretendida retomada do crescimento nacional, depois de quase três décadas de estagnação e hegemonia absoluta do capital financeiro.

Dizem que a ministra Rousseff tem forte e crescente poder no Planalto. Pode ser. Mas eu só vou acreditar mesmo, é quando Sua Excelência anexar o território do Banco Central ao Brasil, declarar nula a soberania do seu papa e cardeais sagrados, e ratificar a nossa condição constitucional de República laica, onde nenhuma divindade e nenhuma religião - profana ou sagrada - exerça poder regulatório sobre a cidadania brasileira.

Coisas da vida.

11 comentários:

Anônimo disse...

Taí uma grande oportunidade para a Dilma Roussef mostrar a que veio. Poderia nos brindar com essa rebeldia contra o "Vaticano" das finanças. É difícil, pois o lobby banqueiro é poderoso e não brinca em serviço, mas não impossível. Se Dilma desse esse grito de independência, teríamos esperanças que em 2010, tudo poderia ser diferente...

armando

Anônimo disse...

Se melhorar estraga. A economia não pode crescer mais ou ocorre inflação por demanda. Pelo menos no curto prazo. Tudo que foi falado está certo, mas para atacar esse enclave asqueroso é preciso isolá-lo mais, criar na sociedade o consenso de que é um enclave, de que é pernicioso e anti-brasil.

MASQUINO disse...

Se baixar os juros,Feil,diminui a bolsa-mercado que vai para cerca de 20.000 famílias.Essa turma da bufunfa é dona de cerca de 80% dos títulos da dívida pública brasileira e consome cerca de 150 bilhões de reais por ano,só com os juros para rolar essa dívida-que aumentou dez vezes no governo de FHC.Os juros para rolar esse troço consomem quase a mesma coisa que consome o orçamento da previdência social.Só que a previdência social sustenta 25 milhões de pessoas.Se contarmos que essas pessoas sustentam,na média,três outras,chegamos a 75 milhões de pessoas.Que modelo escroto é esse?Com 20.000 famílias,o que deve dar 100.000 pessoas,absorvendo o que outras 75 milhões de pessoas absorvem?Esse é o grande nó que FHC deixou.A chamada herança maldita.Isso é a chamada "estabilidade econômica".O cara vem investir no Brasil atrás dessa mamata.Se baixar os juros,diminui a renda do capital financeiro.Como os bancos remuneram a mídia com publicidade e os jornalistas e acadêmicos que defendem essa merda toda,vemos os jornais e telejornais tentando justificar o assalto aos cofres públicos que o setor financeiro faz desde que criaram,sequencialmente, o FEF,o FSE e a DRU.Na lei da CPMF,agora,os caras querem manter a DRU até 2011.Desrespeitando a Constituição e dando dinheiro para a turma da BUFUNFA.

MASQUINO disse...

Não precisamos de uma reforma tributária.Precisamos de JUSTIÇA TRIBUTÁRIA.De alguém que,me desculpem o termo,bote o pau pra fora,bata com ele em cima da mesa e diga:rico tem de pagar imposto neste país de merda!!!
Qeum quiser entender tudo,pode ir em:HTTP://DIPLO.UOL.COM.BR/2007-11,A2008
Também em:http://diplo.uol.com.br/2007-11,a2045
Fica-se com aquela sensação:TEM ALGUÉM COM A MÃO NO MEU BOLSO...

Omar disse...

É. Acho que a Dilma não poderia botar o pau prá fora.

Cristóvão Feil disse...

É isso, meu prezado piauiense, precisamente isso.

Abç.

Carlos Eduardo da Maia disse...

Praticamente todos os países desenvolvidos socialmente no mundo têm banco central autônomo e independente. Assim é o FED americano, assim é o BAnco Central Europeu que presta contas apenas ao parlamento europeu e os diretores têm mandato de 8 anos. Assim era na Alemanha, na França, na Espanha, em Portugal - antes do Mercado Comum Europeu. Assim é em praticamente todos os países latino americanos. Banco Central independente é fundamental para blindar a economia das políticas irresponsáveis dos caudilhos e demagogos.

Carlos Eduardo da Maia disse...

Pois é, Masquino, melhor mesmo era antes de FHC, quando havia inflação e cultura inflacionária que corroia os salários da população de baixa renda que não tinha acesso ao mercado financeiro para aplicar no over e no open market. O salário era consumido pelo dragão da inflação em dez dias. Pena que tem gente com memória curta. A esquerda dizia na época (vamos lembrar, gente!) que a classe dominante e os banqueiros não tinham interesse em baixar a inflação porque lucravam com ela. Ledo (ivo) engano. Essa catástrofe econômica, aquela impiedosa cultura inflacionária foi controlada com o plano de estabilização econômica que teve na alta dos juros e na paridade cambial seus alicerces. Mas todo o remédio tem efeito colateral, isso sempre ocorre em economia, mas o benefício foi para a grande maioria do povo, porque a inflação foi controlada. Não existe e nunca existiu um movimento monolítico empresarial, dos banqueiros, da classe dominante, como vcs dizem, para sustentar essa política iniciada com FHC e continuada com o governo do PT. A política é exatamente a mesma. Não se trata de renda de capital financeiro QUE DEVE SER SIM RENTÁVEL E DAR LUCRO, SENÃO O PAÍS VAI PARA A BANCARROTA. Sistema financeiro tem sim que ter credibilidade e dar lucro. É assim em qualquer país mundial com desenvolvimento social e com qualidade de vida.

MASQUINO disse...

Carlos Eduardo Maia:O FED é uma corporação privada,que imprime a moeda do governo americano e cobra juros por isso.Quem paga o papagaio,meu irmão,é o coitado do contribuinte americano.Veja a dívida enorme dos EUA,por causa,em grande parte,disso.No nosso caso,FHC apenas trocou inflação por juros estratosféricos.Para dizer que um real valia um dólar,teve de sustentar o câmbio vendendo títulos da dívida pública para especuladores que vivem até hoje com o bolsa-mercado.Daí o aumento estrondoso da dívida pública interna,que penaliza a produção e o emprego.Somos nós,consumidores,que sustentamos essa prostituição fiscal na qual os rentistas se refestelam.Somos nós que sustentamos o superávit primário,que é o VERDADEIRO GASTO PÚBLICO.É uma legítima cria de Everardo Maciel e FHC.Um sistema tributário fortemente regressivo,que transfere renda dos cidadãos brasileiros para pessoas que não geram nada;apenas vivem de juros.É por isso que os juros não caem.É por isso que defendem tanto esse ajuste.Lógico.Quem leva esse ajuste,nas costas,é o Zé Povinho.Enquanto isso,os professores-banqueiros, que fizeram o Real, trabalham em grandes bancos privados.Milionários.Recentente,inclusive,Armínio Fraga deu uma derrapada com a BRA.Investiu uma montanha de dinheiro lá e se deu mal.Depois estava querendo que o "antiquado" BNDES socorresse a empresa.Acho,meu amigo,que precisamos de capitalistas de verdade.O que temos,em larga medida,são parasitas de verbas públicas.Que não gostam de concorrência.Que gostam de ganhar dinheiro empurrando o prejuízo para as costas do Zé Povinho.É o Brasil:socialismo para os ricos,com o Estado dando dinheiro para a turma da bufunfa e capitalismo para o Zé Povinho,que tem de se virar no mercado livre vendendo mão de obra por salário vil ou na "livre iniciativa" brazuca,ou seja,em calçadas na frente de lojas de qualquer cidade brasileira.São os "informais".Sem auxílio do Estado.Os empresários tem desoneração fiscal,legislação sonegária,BNDES,BB,BNB,CEF,etc,etc,etc. Zé Povinho,coitado,é tributado no consumo.Se ficar o bicho pega;se correr o bicho come.Isso não é trilegal.

Carlos Eduardo da Maia disse...

Para início de conversa, Masquino, FED não é privado, é público e tem que prestar contas ao Congresso Americano. O contribuinte, coitado, sempre vai pagar a conta. Isso é o óbvio e, sobretudo, quando o Estado é mal administrado, ineficiente, corrupto e perdulário. Concordo que o sistema tributário é perverso e tem sim que ser mudado, mas o governo do PT - que está quase 6 anos no poder -- não quer mudar! Não quer mudar porque a União ganha bem, mas os Estados têm sérios problemas. Não interessa a União mexer no que está bom. Os juros vêm caindo, mas isso depende também das turbulências lá de fora. É com o sobe e desce dos juros que o Bacen protege a moeda. Isso ocorre em qualquer país mundial decente.

MASQUINO disse...

Eu concordo, Maia,que o governo não quer mudar o sistema tributário.Mas acho que não é só porque o governo está se dando bem.Para fazer isso,você tem de enfrentar parlamentares ligados ao sistema financeiro.Enfim,para manter a governabilidade,o governo aceita assistir sem fazer nada.
Repito que o FED é uma corporação privada.Isso foi aprovado pela Décima Sexta Emenda, no governo Woodrow Wilson, em 1913-á revelia do povo americano.Aqui estão os nomes dos donos, privados,do sistema de reserva federal dos EUA:
Rothschild Bank of London,

Warburg Bank of Hamburg,

Rothschild Bank of Berlin,

Lehman Brothers of New York,

Lazard Brothers of Paris,

Kuhn Loeb Bank of New York,

Israel Moses Seif Bank of Italy,

Goldman Sachs of New York,

Warburg Bank of Amsterdam,

Chase Manhattan Bank (Rockefeller) of New York.
Ainda tem a família que indica o diretor do FED.
Não é coincidência que eles sejam do lobby sionista dentro do congresso americano.Da Anti-Defamation League e outras associações que perseguem intelectuais americanos,como Noam Chomsky,que criticam o Estado de Israel por causa da política de extermínio do povo palestino.Não existe essa história de mercados livres que se auto-regulam,Maia.Os países,onde ficam os mercados,tem assimetrias de poder e as fazem valer na disputa por hegemonia econômica.Os monetaristas precisam aceitar isso.Não se conhece a quantidade de moeda que equilibra a oferta e a demanda no ponto de equilíbrio.Pergunte a qualquer um deles.Por isso,é mais fácil arrancar o dinheiro da mão do povão com o aumento da taxa de juros.Plano Real.Estabilidade.Queda da inflação.Zé Povinho não consome.Só que o poder de emissão da moeda fica nas mão do BC,que é independente do povo mas depende de interesses privados como acontece no FED.Não por coincidência,quando Vargas e Jango eram presidentes,a SUMOC imprimia o dinheiro e o mandava para os bancos.O governo ganhava com isso,óbvio.Depois de 1964,com a criação do BC,nosso congresso começa a autorizar a emissão de moeda.Mas um artigo da constituição atual(194) obriga a moeda a ir primeiro para o nosso banco central.E este não pode repassar para o governo o dinheiro,tendo ele de ir para instituições financeiras; podendo elas, então, repassar ao nosso governo a juros estrastosfericos o seu proprio dinheiro.Dizem eles que o governo aumenta a inflação emitindo dinheiro sem lastro.Aquele papo de populismo.E quando eles emitem desenfreadamente,como o FED fez, para financiar as guerras de Bush-o que desvalorizou o dólar e força mais guerras para manter essa hegemonia?.E aí?Isso é populismo político ou financeiro?O governo não pode emitir sem lastro,mas uma corporação privada pode.Que racionalidade econômica é essa?Não é racionalidade.É o que move o capitalismo.Acumulação de capital.Poder,colocado nas mãos dos EUA, em Bretton Woods,quando Henry Dexter White derrotou Keynes.Keynes não queria que a moeda de reserva do mundo fosse o dólar.Mas a Inglaterra estava destruída.Não tinha poder para impor sua moeda ou outra qualquer.

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