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Surf no lixo contemporâneo: a que ponto chegamos! E que mundo deixaremos de herança para Keith Richards?

sábado, 9 de fevereiro de 2008


Um Hussein na Casa Branca?

Obama é excelente orador. Parece falar uma língua diferente, tem o idealismo reformista de Martin Luther King e John F. Kennedy e por isso corre sério risco de ser assassinado. A sua campanha tem reminiscências da mobilização a favor da integração racial encabeçada por Luther King e chegou ao coração dos negros, muitos hispânicos, muitos brancos e até mesmo muitos republicanos jovens. Já houve quem comparasse as presidenciais 2008 com as de outros momentos de incerteza econômica e desencanto: 1932, quando Franklin Roosevelt expandiu as suas medidas sociais e 1960, quando John F. Kennedy ergueu a tocha de uma nova esperança e um novo idealismo.

Filho de um africano e uma branca do Kansas, de origem nórdica, Obama passou parte da infância na Indonésia, que abriga a maior comunidade muçulmana do mundo. Freqüentou Harvard, a melhor universidade do mundo, tal como sua mulher, Michelle. É advogado, mas em vez de fazer fortuna trabalhando numa firma de advogados de New York ou Boston, preferiu passar dez anos defendendo os direitos de marginais e indigentes nos bairros pobres de Chicago.

A questão racial é um tema espinhoso que os candidatos tratam com extrema cautela com medo de assustar eleitores dessa raça e daí a cor de Obama ainda não ter vindo à baila nos comícios, mas o mesmo já não se pode dizer da religião. Quando Obama viveu na Indonésia, freqüentou uma madrassa (escola religiosa islâmica), o que deu origem ao boato de que era muçulmano ou teria um passado muçulmano. Ainda por cima, chama-se Barack Hussein Obama Jr., muitos americanos temem nomes muçulmanos e islâmicos e parece impensável um Hussein na Casa Branca. Obama tem tentado corrigir a falsa idéia de que seja muçulmano, mas as suspeitas estão lançadas e não é difícil adivinhar quem espalhou o boato, constando que o senador Ted Kennedy puxou mesmo as orelhas de um tal Bill Clinton.

Se porventura Obama vier a ser o candidato democrata haverá grande rebuliço. É capaz de surgir logo um movimento para defender a candidatura da Oprah Winfrey, que além de ser mais rica do que todos os candidatos democratas e republicanos juntos, resolveria de uma vez por todas a questão da primeira mulher presidente e do primeiro presidente negro.

Trecho de um artigo do jornalista português Eurico Mendes, publicado no "The Portuguese Times" do Massachusetts, EUA.

4 comentários:

edu disse...

Agora q o pais esta quebrado eles colocam um negro islamico como presidente...

Pq quando tinham 400 bilhoes de reservas forçaram a eleiçao de bush?

Simples, o Obama vai governar um pais falido, vai apenas pagar contas e no seu governo o dolar vai virar(definitivamente) PAPEL PINTADO.

Se eu fosse ele nao pegava essa BOMBA.

joice disse...

Sei não. Meu palpite é de que se Obama for mesmo 'pras cabeças', será patrolado pelas forças de direita e ultra-direita, de um jeito ou de outro. Mas como em geral, e sobretudo em especial no que diz respeito a eleições estadunidenses (onde tudo (quase) pode acontecer), costumo dar muito palpite furado, então é só mais um devaneio mesmo. Veremos.

Anônimo disse...

Na presidência Obama será um Wilson, tal como todos o foram. No cargo, transforma-se num CEO de uma poderosa indústria de armamentos e invasões. Portanto, Roosevelt, Clinton, ou Bush pai e filho, foram todos executivos controlados por acionistas poderosos e que não perdoam deslizes. Que o diga Kennedy.

armando

Daniel disse...

Penso que o Eurico está tentando "pintar" um Obama que não existe. Ele é tão branco quanto Condoleezza Rice, o que ele vai fazer pelos negros será tão pouco quanto o que fez como senador. Os negros, bem como os cucarachas "legais" ocupam, salvo raras exceções, papéis secundários na sociedade, mão-de-obra barata e soldados para as guerras imperialistas. São a maioria, apenas, na maior população carcerária do planeta, onde tem lugar cativo. Que essa pseudo-democracia deixe de servir de modelo!

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