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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008


A escritora Doris Lessing diz que Obama não duraria muito como presidente

Riscos ignorados

Foi mais uma boa terça-feira para Barack Obama, e uma semana muito ruim para Hillary Clinton. O senador Obama venceu com facilidade as primárias nos Estados de Virgínia e Maryland, bem como no Distrito de Colúmbia, e agora passou à frente na disputa pela indicação democrata. Contrariando as chances históricas, um norte-americano negro se tornou um dos principais candidatos à Presidência dos Estados Unidos. O senador Obama baseou toda a sua campanha em uma suposição básica e consistente. Em suas palavras, "acredito que os Estados Unidos estejam prontos". Ou seja, prontos para eleger um presidente negro.

Mas será que estão de fato? Existe uma preocupação quanto a Obama que não vem sendo discutida. Ou pelo menos não vinha sendo discutida até que Doris Lessing, 88, ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura do ano passado, a expressasse em voz alta: "Ele provavelmente não duraria muito, um homem negro na posição de presidente. Eles o assassinariam", ela declarou em entrevista a um jornal sueco. Muitos afro-americanos compartilham dessa preocupação.

O que está em questão quanto a isso é menos a história racial dos Estados Unidos do que a história de violência política e a onipresença das armas de fogo no país. Desde 1865, houve nove assassinatos ou tentativas de assassinato contra presidentes norte-americanos.

Quatro delas obtiveram sucesso: contra os presidentes Lincoln, Garfield, McKinley e Kennedy. As cinco tentativas mal-sucedidas tiveram por alvo os presidentes Theodore Roosevelt, Franklin Roosevelt, Truman, Ford e Reagan.

Entre os líderes negros atacados, Martin Luther King e Malcolm X foram assassinados, e Vernon Jordan sobreviveu. Tentativas de assassinato durante campanhas presidenciais causaram a morte de Robert Kennedy e ferimentos graves a George Wallace, que sobreviveu, paraplégico.

O verdadeiro perigo de todos esses casos, porém, nunca foi uma conspiração; não estava na ameaça representada pelo "eles" indefinido, contra os quais Lessing alerta, e sim em um assassino isolado e obsessivo, que é quase impossível identificar com antecedência ou deter no momento em que decide atacar. A triste verdade é que conspirações são mais fáceis de detectar do que a ação de um atirador solitário decidido a conquistar um lugar na história. Os Estados Unidos produziram e continuam a produzir muitos indivíduos perturbados desse tipo. Por isso Doris Lessing tinha razão ao dizer o que disse.
Ninguém que conhece os Estados Unidos deveria subestimar o risco.

Artigo do historiador britânico Kenneth Maxwell, publicado hoje na Folha.

9 comentários:

Anônimo disse...

O risco existe. Mas só uma correção, o assassinato do JFK foi sim uma conspiração. Acho que do mano dele o Bob não foi.

Max

Anônimo disse...

Mirabolante. Na verdade, nesse cargo equivalente ao CEO de empresas multinacionais, não existe cor, raça, sexo, etc. Existe sim, simplesmente, a opção e a convicção pela condução dos INTERESSES do império. Por exemplo, Kennedy era do sistema, era um perfeito CEO, tanto que quase levou o mundo à destruição em 1962 com a crise dos mísseis, mas em seguida começou a vacilar na condução da empresa, digo dos EUA. Foi "corrigido" o rumo. E mais: na presidência, Hillary ou Obama, transformam-se em "Wilson" e vão buscar o próximo Iraque ou próximo Vietnã. É da essência do império. Não sou eu que o digo, mas um judeu norte-americano, N. Chomsky.

armando

Anônimo disse...

Prá mim o perigo já passou aquí no Brasil!! O FHC informante da CIA!! e mensalista da CIA. Esta organização que atua no mundo todo e matam o que querem!! A OTAN age e compra terroristas virulentos da direita prá "encenar" terrorismo da esquerda!! Voltando na história lembro do julgamento"farizeu" de SACCO e VANZETTI!! Uma triste trama da direita(sionista) contra estes dois sindicalistas!!

Anônimo disse...

Nesse império de lunáticos é impossível prever o desfecho.

Anônimo disse...

Gente,
o pior atirador lunático e solitário daquelas terras é o George Bush. O pior serial killer produzido por lá. Pobre Obama....

Carlos Eduardo da Maia disse...

Detesto essas "nostradamices", mas Doris Lessing não deixa de ter razão. Tem muito louco, tem muito maluco fascista nos EUA, com grana e sem grana. Se eu fosse o Obama -- que deve ser eleito, torço por isso, o próximo presidente dos EUA -- reforçaria e muiiito a segurança.

Anônimo disse...

Se eleito, Obama será o Kennedy do século XXI. Não porque será assassinado, mas porque não arredará um milímetro das políticas terroristas em relação à Cuba, à Venezuela, Iraque, Afeganistão, Coréia, etc, etc.

armando

edu disse...

Com certeza os "presidentes" na America toda e na Europa sao CEO. Triste...na verdade o q os proximos presidentes americanos farao ja esta escrito e decidido. Nao devemos ficar perdendo tempo querendo adivinhar "quem" sera, mas sim, o q devera fazer.

Carlos Eduardo da Maia disse...

Armando, tomara que Obama, se eleito, seja mais flexível com Cuba e libere o comércio com a ilha para não haver mais desculpas para o fracasso do sistema ali vigente que não deu certo em nenhum lugar.

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