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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008


Governo Lula segue premiando o latifúndio

A decisão do governo federal de acelerar o ritmo das desapropriações de terras para a reforma agrária, divulgada ontem (6/2) foi recebida com desconfiança pelos sem-terra. Segundo João Pedro Stedile, do Movimento dos Sem-Terra (MST), embora o governo faça estardalhaço em torno da quantidade de terras improdutivas desapropriadas, o seu principal meio de levar adiante a reforma tem sido a compra de terras. A informação está no Estadão, de hoje.

“O governo vem gastando mais de um bilhão por ano em compras à vista”, afirmou Stedile. “Isso é um prêmio ao latifúndio. Já as desapropriações, que estavam na faixa de um milhão de hectares por ano, caíram para 200 mil. Ridículo”.

Para o diretor de política agrária da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Paulo Caralo, as compras estariam sobrevalorizando a terra em algumas regiões do País. Tanto Stedile quanto Caralo querem que o governo altere os índices de produtividade rural, em vigor desde 1975 - o que permitiria aumentar as desapropriações. “O governo teme a bancada ruralista”, disse Caralo.

O ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, informou que só em janeiro e fevereiro o governo desapropriará 255 mil hectares - volume superior às desapropriações do ano passado, de 207 mil hectares.

Na opinião de Stedile, o governo não vê a reforma como parte de um projeto de mudança da estrutura fundiária. “O total de 200 mil hectares arrecadado no ano passado é menor que os 500 mil hectares que o banqueiro Daniel Dantas, com seu [banco] Opportunity, comprou no Pará”, observou. “O que está em curso é uma política de compensação social, que não tira os camponeses da pobreza”.


7 comentários:

Anônimo disse...

E o Hackbart, presidente do Incra, estradulando em restaurantes caros em Brasília com o cartão corporativo do governo.

Carlos Eduardo da Maia disse...

Interessante é que o PT criticava as compras de terra do governo FHC. Mas qual é, afinal, a diferença prática? Sim, está na constituição, o preço da desapropriação tem de ser justo. Ou seja, o de mercado. O valor da compra de terras também é o de mercado. Se o dono de terras quer vender para o governo, tem interesse nisso, que venda e de posse dessa terra, que se faça reforma agrária. É uma forma mais consensual de resolver a questão agrária. Por isso, por ser consensual, apenas por isso, Stédile é contra, porque consenso é uma palavra que ele não conhece.

malacara disse...

Maia, vc. não desconhece o mercado. Quando alguém anuncia ou fica sabendo que o governo federal está comprando glebas, vc. sabe que no mesmo instante a terra sobe de cotação no mercado. É velha lei da oferta & procura, mais velha que caminhar pra frente e sentar pra trás. O que Stedile reclama com razão é esse mecanismo de mercado prevalecer na tal "reforma agrária" do Lula.
O sr. quando lhe convém fica burrinho, né?

Anônimo disse...

Outro enrosco na Reforma Agrária, é o judiciário intervindo em favor dos fazendeiros, pois muitas das ações encaminhadas pelo Incra para desapropriação, ficam mofando nos autos (157 estão suspensas pela justiça).

armando

Anônimo disse...

E essa "compra" pelo governo é tão boa, que parte dos fazendeiros procuram a União para vender. Por quê? Filantropia repentina?

armando

Carlos Eduardo da Maia disse...

A CF determina que o preço da desapropriação deve ser justo. E preço justo é de mercado. A avaliaçaõ deve ser feita com base no preço da terra no local ANTES do interesse da União em adquirir a terra. E mais, o que geralmente ocorre é que uma terra desapropriada para fim de reforma agrária faz despencar o valor das terras vizinhas. Quer que soletre? Aproveitando: recomendo a leitura da entevista da chilena Marta Lagos do Latinobarómetro publicada na Veja desta semana e o artigo do Pochmann na Folha de hoje. Recomendoooo.

Anônimo disse...

Sem falar de "ocupações" armadas por alguns oportunistas e canalhas latifundiários. No interior de SP e MS, existem denúncias sendo avaliadas pelo MPF. Tudo para vender à União dentro de padrões "negociais".

armando

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