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Surf no lixo contemporâneo: a que ponto chegamos! E que mundo deixaremos de herança para Keith Richards?

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008


Agronegócio dita as regras do desmatamento e do trabalho escravo

Travada pela burocracia oficial há mais de dez anos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que determina a expropriação de terras onde for constatada exploração de trabalhadores em condições análogas às de escravidão poderá contribuir para a redução desse tipo de crime no país quando for aprovada. Entretanto, a força dos ruralistas impede que a PEC se transforme em lei. A informação está no Jornal do Brasil, de ontem.

Para Marcelo Campos, coordenador do Grupo Especial de Fiscalização Móvel do Ministério do Trabalho, a PEC ainda não foi aprovada pois existe um lobby muito forte da bancada ruralista no Congresso. Campos diz que o governo quer aumentar o número de operações para combater a mão-de-obra escrava. No ano passado, o Grupo Especial de Fiscalização Móvel bateu o recorde de operações desde 1995, com 114 ações e 5.963 trabalhadores libertados.

“A emenda tem valor simbólico, mas deve haver também funcionamento da Justiça” – protesta Xavier Plassat, da CPT. Para o ativista, falta uma política pró-ativa para quebrar de uma vez por todas o ciclo da escravidão no Brasil. Para isso, alerta, é preciso que se dê "outras alternativas e opções para o trabalhador sobreviver. A principal ação é libertar os trabalhadores, já que trabalho escravo não se erradica facilmente no país” - observa Plassat.

Há uma reincidência tanto na prática do trabalho escravo quanto no desmatamento, pois as condições que levaram a ambas condições continuam as mesmas e o ciclo recomeça.

Enquanto o agronegócio dita as regras do desmatamento e do trabalho escravo, a troca de farpas entre os ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente aumenta. “Cada ministério joga a culpa em outro, quando deveria haver um acordo. Tem de ser uma questão de política pública com o compromisso ambiental” – completa o militante da CPT.

A omissão e o descaso do governo Lula para com o trabalho escravo e o aumento geométrico do desmatamento indicam uma vitória das oligarquias do agronegócio, em duas questões tão antigas quanto a idade do Brasil.


5 comentários:

Anônimo disse...

Pois é, enquanto isso o poderoso lobie se movimenta. Hoje mesmo, está acontecendo aqui em SP, no suntuoso prédio da FIESP, reunião de produtores ligados ao agronegócio, inclusive com a presença de Roberto Rodrigues, gente do Ministério do Agronegócio, ops Agricultura e outros oportunistas. Um dos temas que discutiram é a importância de se manter a propriedade, para que haja aumento das fronteiras e investimentos no agronegócio (sic).

armando

Anônimo disse...

digo, discutirão.

Franz Neumann disse...

Interessante neste Estado de elites "muderníssimas" é a posição do órgão local do PIG (leia-se ZH) no que diz respeito a esta PEC. Em comentários, em particular da lobista Ana Amélia Lemos, a aprovação desta PEC permitiria que o MST (e isto foi insinuado)simulasse trabalho escravo em terras do agrobussines com o prósito de acelerar a reforma agrária. O argumento não está muito distante das elites escravocratas do século XIX que alegavam o desastre economico se a abolição fosse acelerada!Curiosamente a semana passada o Correio do Povo em editorial apoiou a PEC...Seria o caso de se perguntar qual a posição atual da ZH quanto a PEC, já que seu concorrente explicitou sua posição.Certamente seria um apoio cheio de senões, ressalvas, avaliação de prejuízos, a necessidade de se amadurecer a questão etc, etc. Albert Hirschmann escreveu um livro deslumbrante sobre os argumentos conservadores quando confrontados pela reforma real: A Retórica da Instransigência - recém reeditado. Alguns momentos os conservadores podem inclusive parecer mais à esquerda, falando sempre da insuficiências das medidads reformistas, para nada mudar. São chics-radicais encontráveis nos salões locais.

Anônimo disse...

Muito bom, herr Neumann!

Mari Riccordi disse...

Querido Cristóvão, acabei de encontrar esta nóticia: http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI2412705-EI306,00.html

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