Você está entrando no Diário Gauche, um blog com as janelas abertas para o mar de incertezas do século 21.

Surf no lixo contemporâneo: a que ponto chegamos! E que mundo deixaremos de herança para Keith Richards?

quarta-feira, 5 de setembro de 2007


O socialismo hoje no PT é uma flor de plástico

A presente discussão no PT sobre a questão do socialismo é como um raio riscando o céu azul sem nuvens. Não é um fenômeno natural como o raio, ao contrário, é tão artificial como flor de plástico, e tão inusitado como o raio no céu limpo. Por que motivo, então, o PT está discutindo este tema?

Por puro marquetim, interno e externo. Não há convicção nenhuma nesta idéia fora de lugar.

Internamente, a discusão puramente retórica sobre o socialismo serve para dois propósitos:

1) emular e estimular a militância de massa face ao desânimo depois da crise de 2005 e a frustração com os rumos do governo Lula;

2) discutir princípios gerais, como o tema do socialismo, ocupa o tempo de discutir a miséria atual e presente do PT como organização política que abriu mão da práxis e do fazer político, discutir princípios é uma maneira astuciosa e confortável de não criticar os descaminhos do lulismo no poder.

Externamente, é a confirmação meramente discursiva de uma velha bandeira de luta que está sendo pouco a pouco tomada por Chávez na Venezuela, o “socialismo do século 21” é uma consigna que está hegemonizando a esquerda latino-americana, outrora ocupada pela marcante presença pública do PT.

Se alguém ainda duvida do caráter postiço dessa discussão desviante, por favor, examine a tese do ex-Campo Majoritário agora rebatizado como “Construindo um Novo Brasil”. A espinha dorsal do grupo dirceuzista agora trata do tema do socialismo. Não é hilário?

É óbvio que as questões autenticamente socialistas estão longe de serem tratadas, eles nem sabem o que é isso. Os berzoinistas usam abundantemente o vocábulo “socialismo” e seus derivados, mas por pura astúcia taticista. Todo o programa que eles classificam como “socialista” seria perfeitamente exequível por medidas keynesianas clássicas.

O pragmatismo instrumental dessa gente é tão autêntico quanto a súbita proposta do adiposo mental Berzoini de sugerir o fim do Senado federal. É uma proposta, em si, correta, mas dada a situação e a conjuntura em que ela foi formulada é mais uma prova do artificialismo e do diversionismo do ex-Campo Majoritário.

O PT, dirigido por essa gente, é como um casarão vazio e sem vida, onde há uma mesa solitária e um vaso repleto de flores plásticas. A militância pára, olha e não se reconhece nesta natureza morta.

...

Alguém conseguiu entender o motivo de o 3º Congresso do PT ter dois sujeitos fantasiados de palhaço como recepcionistas vivos dos delegados e militantes convidados?

I-na-cre-di-tá-vel!

6 comentários:

armando disse...

É isso,natureza morta!

Anônimo disse...

Perfeito, Cristóvão.

Callado SP disse...

Eu também não entendi as "entrelinhas" daqueles palhaços na entrada do local do Congresso. Fiquei devendo. O Berzoini deve ter rido às pampas, só não entendemos a pegadinha. Deve ter um subtexto muito muito hilário nisso.

Claudia Cardoso disse...

Devem ter contratado uma empresa que organiza eventos e, no pacote, estava disponível "artistas" como recepcionistas, para dar um toque "especial"...

eugênio neves disse...

talvez seja um ato falho do pt: qtas coisas não estão sendo levadas a sério no partido... estão se traindo pelas atitudes.

eugênio neves disse...

ou vai ver, os petistas não tiveram infância, já nasceram militantes e enqto as outras crianças brincavam, eles distribuíam panfletos nas portas das fábricas. agora, querem recuperar o tempo perdido.

Contato com o blog Diário Gauche:

cfeil@ymail.com

Arquivo do Diário Gauche

Perfil do blogueiro:

Porto Alegre, RS, Brazil
Sociólogo