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Surf no lixo contemporâneo: a que ponto chegamos! E que mundo deixaremos de herança para Keith Richards?

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

As relações carnais entre o varejo e os bancos


Bancos ganham por todos os lados

Os bancos estão despejando bilhões de reais para reforçar parcerias com as redes de varejo, de olho no esperado aumento das vendas de fim de ano. O apetite se reflete em melhores condições de crédito ao consumo. A Casas Bahia está com pagamentos em 17 vezes sem juros no cartão, enquanto Ponto Frio e Extra chegam a 15 vezes. Por trás dessa guerra de prazos estão os dois maiores bancos privados do país, Bradesco e Itaú Unibanco, que sustentam os empréstimos dessas redes. "Temos alguns bilhões disponíveis para a área de cartões de redes de varejo", diz Wagner Aguado, do Bradesco, parceiro da Casas Bahia. Só no acordo com o Wal-Mart, o Itaú Unibanco colocou mais R$ 6 bilhões. A informação está no jornal Valor, de hoje.

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A humilde dona de casa Maria das Dores vai comprar um fogão novo em 17 dolorosas vezes no cartão. A loja garante que não tem acréscimo. E não tem. A partir da compra, não tem acréscimo nem juros, de fato. O acerto do grande varejista (Bahia, Ponto Frio, Magazine Luiza, Big, Carrefour, etc.) já está feito de antemão com o banco, a mercadoria chega à loja com a contabilidade repartida em três: a parte do fabricante, a parte do varejista e a parte do banco.

Maria das Dores vai remunerar cada um deles em 17 longos meses. O banco - o parasita do triângulo acima - ganha a sua parte com risco praticamente zero, não investiu na produção, não investiu no varejo e transforma o consumidor em cativo involuntário de seu business deletério.

3 comentários:

marcelo disse...

Esse modelo praticamente obriga as pessoas a tomarem empréstimos nos bancos.
Quem nao quiser pagar juros exorbitantes aos bancos tem que negociar um desconto na compra a vista, o que convenhamos é um saco...

jorjão disse...

Queiramos ou não, sabendo ou não todos nós pagamos o pedágio diário aos bancos, cada um dos brasileiros pinga uma moeda diária no pires dos bancos. Todo mundo sem distinção de cor, religião ou time que torce.

Depois a gente fala em virar a mesa, nos chamam de radicais, incendiários, porra lôcas.

Com esses parasitas viciados só no pau.

André Oliveira disse...

O banco em geral não sabe o valor do dinheiro... não tem a mínima idéia o quanto custa ganhar um real, dois. Qualquer coisinha, um extrato a mais, uma conta estourada, um empréstimo em atraso... e ele solta os cachorros... as vezes uma conta que fechava em 100...em 1000 ainda é pouco depois que se atrasa.
Bem fez a Igreja (não sou católico) em tornar a usura pecado, mas banco não vai a Igreja e se fosse, provavelmente seria para pegar o dízimo....

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