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Surf no lixo contemporâneo: a que ponto chegamos! E que mundo deixaremos de herança para Keith Richards?

sábado, 7 de novembro de 2009

O Sófocles da Bom Jesus garante que o RS está em "guerra civil"


Sim, o lumpesinato de colarinho branco está em guerra contra a cidadania

O Sófocles da Bom Jesus se manifestou - de ladinho, nunca de frente - sobre o que chamou de "guerra civil do Rio Grande do Sul". A entrevista do personagem em busca de um autor foi concedida à publicação "Jornal da Capital", edição de outubro/2009.

Intitulando-se o tempo todo, de forma insistente, repetida, reiterada e novamente, de "intelectual" que "leu tudo" ("Hoje, eu posso falar sobre os gregos, sobre Shakespeare, sobre Garcia Lorca, eu li tudo, absolutamente tudo"), o nosso Sófocles arrabaldino garante que há uma "fratura no Estado", que resulta de "uma intolerância que é recíproca".

Até aqui, o personagem enamorado de si próprio, faz parecer que encontra-se à distância dos fatos que narra. Entretanto, linhas adiante, ele se afofa no pântano yedeiro, sem nunca nomeá-lo, para representar-se mais cool e manter a pretendida "fala de autoridade" que persegue durante a entrevista: "É muito grande a quantidade de pessoas que eu conheço [...] que estão cansadas com essa situação política, que não ligam mais, não querem saber. [...] Você abre um jornal e tem que ler exatamente as mesmas denúncias de escândalos. São todas cotidianas, tão banais! A essa altura da minha vida eu não quero mais participar. [...] Há uma saturação desse clima de denuncismo".

Pronto, sob as vestes da dissimulação e o capuz da má consciência, agora ele é um missionário yedoso, mas que não ousa revelar a sua missão.

Esse texto cínico cairia como uma luva para outros personagens como Eliseu Padilha e Yeda Crusius, por exemplo. Chico Fraga também está apto a dizer, não sem o acento afetado de um tédio profundo:

- É tudo tão cotidiano, tão banal!

O autonomeado intelectual dos intelectuais guascas ainda consegue exalar um aroma de racismo e intolerância étnica que vem do fundo dos tempos, quando diz que "até os índios toscos dos Estados Unidos inventaram um instrumento para isso [a trégua, que ele chama de "instinto humano" (sic)], que era o cachimbo da paz".

Simone de Beauvoir escreveu, em 1955, uma pequena obra chamada "O pensamento de direita, hoje". Foi editado no Brasil pela extinta "Paz e Terra", com tradução do meu amigo professor Manuel Sarmento Barata, e lançado em 1967.

Muito bem, nessa pequena grande obra, Simone desmonta peça por peça o constructo ideológico que a direita estava formulando por ocasião do início da Guerra Fria. Já no início, ela cita Jules Romain, um intelectual que depois desbundou de vez, mas antes disso conseguiu sintetizar numa frase um flagrante de verdade inabalável ao se referir à direita, ele dizia: "Ser da direita é temer pelo que existe".

É o que faz o tempo todo, o nosso inseguro e reiterativo intelectual de bombachas, ele teme, se queixa, não aceita, esperneia, regurgita e devolve o que existe.

E o que existe, mesmo?

Ora, existe - no duro e no gelatinoso do real - um acirramento da luta de classes no Rio Grande provocado por duas motivações básicas e gerais, que por sua vez acabam derivando para um complexo de múltiplas outras variáveis, a saber:

1) diminuição do excedente econômico causado basicamente pela crise estrutural do arcaico modelo hegemônico regional;

2) crise política no bloco hegemônico, que deslegitima e fragiliza sucessivos governos, oportunizando assaltos criminosos aos bens públicos e que retroalimenta o circuito, tanto da crise de modelo, quanto da crise política entre as frações de classes hegemônicas.

Assim, o discurso da direita provincial procura justificar - através de seus porta-vozes, hoje, foi o Sófocles de si mesmo, ontem, foi um empresário de sobrenome Vellinho - a própria decadência, atribuindo a crise à Oposição, ou seja, ao Partido dos Trabalhadores e seus deputados na Assembléia.

Pobre PT! Como se todas as denúncias - integralmente - não tivessem a mesma origem: brigas intestinas entre os próprios agentes de confiança do yedismo envolvidos em suspeitas de fraudes, improbidade administrativa, prevaricação, desvio de recursos públicos, enriquecimento ilícito, etc. Não há uma só denúncia, ou fração dela, que tenha origem na chamada Oposição. Esta cumpre tão-somente, estritamente, o seu papel constitucional formal. Formalíssimo.

E o que propõem, então, de fato, esses sub-intelectuais, sub-empresários e o próprio yedismo de fracassos, para além das justificações infantis que consideram os interlocutores como tolos passivos? Três coisas: Nada. Nada. Nada.

Eles preferem condenar a humanidade ao absurdo, ao nada, como diz Simone de Beauvoir, do que pôr-se a si mesmo em discussão.

22 comentários:

Anônimo disse...

Intelequitual, pra esquerda, só é bom quando é... de esquerda! Basta manifestar uma posição divergente para já ser desmoralizado na hora e deixar de ser intelequitual. Ai, como são previsíveis...

Luís Guedes disse...

Caro Pfeil, descontando a indigência da intelectualidade guasca,vale o antigo dito: cada um dá o que tem! Por falar em intelectual, os poucos intelectuais pra valer com que topei pediam briga se chamados de ... intelectuais. Saudações e parabéns por seu trabalho. Luís Guedes.

gurgel disse...

Feil, como é que vc aprova um comentário em que o cara escreve "intelequitual"?
Anônimo COVARDE, analfabeto funcional, certamente pobre como rato e ainda por cima de direita.

DOSE PRA MAMUTE LOUCO!!!!!!!!!!!!!

Anônimo disse...

quem é essa nulidade aí?

Anônimo disse...

Luciano o quê?

Anônimo disse...

O cara é a personificação da decadência, credo! Vade retro

Cristiano Freitas disse...

A resposta ao "silêncio dos intelectuais" da direita guasca, foi criar um pseudo-intelectual?

Anônimo disse...

Ora, eu até gostei. Descobri que eu já me posso me apresentar como intelectual, tal como o "Sófocles da Bom Jesus". Se para atingir esse status basta ter lido tudo, então já posso mandar confeccionar novos cartões de visita: Anônimo, Intelectual. :)

Anônimo disse...

Por acaso é da mesma escola de um tal de Olavo de Carvalho que andou por essas paragens?
Carlos

Udo disse...

Não, não é da escola do Olavo de Carvalho, ele foi cria do PT na Prefa de Poa, depois pra manter o empreguinho ficou no governo Fogaça 1 e Fogaça 2, agora se acha o Ó do Borogodó dos intelectuais.
Um bom lambe saco dessa burguesia escrota.

Piriporó disse...

Eu li Shakespeare, Garcia Lorca e alguns Gregos. Logo sou um intelectual também????

marcos disse...

Ele já leu tudo...certamente lê também o imbecilóide Diogo Mainardi!

van-poa-rs disse...

Acompanhei durante vários anos (+ou- 20 anos), o PIG e seus jornaleiros em sua campanha contra o PT! O resultado disso é este clima de guerra, no qual vivemos! Ultimamente, até na transmissão de partidas de futebol, os narradores aproveitam para "espinafrarem" o PT, "da qui e de lá"!

Anônimo disse...

Querido Tóia, "as árvores crescem até a altura que atigem..." lembra disso? Pois é..ele chegou lá, bem rasteirinho...Cada um tem o Sófocles que merece...Abraço, Lúcia Medeiros

Eduardo Simch disse...

Sófocles da Bom Jesus, hahahahahahahahaha, muito bom!
E o comentário do anônimo
"inteleQUItual", hahahahahahaha, das 14:27 ta demais!

elektrofossile disse...

Esse cara saiu correndo/corrido da Usina do Gasômetro porque a falcatrua era espinhosa. Isso lá por 2001.

Alice disse...

Nietzsche tem como inspiração para sua formação o "homem ideal de Schopenhauer" que seria filósofo, artista ou santo. Seja qual for a opção, o intelectual vai estar presente e transpor a outra margem. Este senhor burocratizado, contemporâneo e até amigo de Caio Fernando Abreu. demonstra que não aprendeu os princípios fundamentais que libertam o homem do reino animal.

Daniel disse...

O Lasier e Mendelski são intelectuais??

Anônimo disse...

Isto não foi entrevista, foi mais um chilique pós parada.

Anônimo disse...

ele antes de ser cria do Pt na prefeitura, ele trabalhou para o GBOEX, sim , militares.

Cíntia Barenho disse...

Caro Feil
Confesso que chorei de rir, literalmente, quando no primeiro paragráfo me deparo com "Sófocles da Bom Jesus se manifestou - de ladinho, nunca de frente ..." realmente, tal comentário rendeu altas risadas por aqui.Muito perspicaz

renato disse...

que interesse esse baba ovo tem em discutir injustiças ? ele mesmo elitizou a cultura e marginaliza quem não dá os seus ovos pra babar também lá no Parque da Redenção ... eu hein ?

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