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Surf no lixo contemporâneo: a que ponto chegamos! E que mundo deixaremos de herança para Keith Richards?

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

O apocalipse de Charles Kiefer


Muito barulho por nada

Considero um exagero o pequeno artigo do professor Charles Kiefer publicado hoje no jornal Zero Hora (aqui). O escritor e ex-patrono da Feira do Livro de Porto Alegre, denuncia de forma alarmada que o evento literário-comercial irá acabar um dia, quando vender poucos volumes. Kiefer garante que a queda nas vendas mostram "números apocalípticos".

"Em 2005, a Feira do Livro - diz Kiefer - vendeu 530.980 exemplares; em 2006, vendeu 472.348 exemplares; em 2007, vendeu 459.521 exemplares; e, em 2008, vendeu 424.046 exemplares. Uma retração, em quatro anos, de 106.934 exemplares! É pouco? Vinte por cento de queda nas vendas é pouco? Arrisco um palpite: em menos de 10 anos, estaremos vendendo, no máximo, 200 mil exemplares por edição da Feira!"

Admira que um escritor - um bom escritor - fique tão abichornado com apenas uma das dimensões da festa dos livros de Porto Alegre, precisamente aquela que deveria preocupar menos um intelectual sério como ele, a dimensão do volume de vendas. Isso é preocupação para os comerciantes, os editores e os banqueiros.

O que pode e deve preocupar o intelectual Kiefer é a qualidade desses milhares de livros vendidos a cada ano. Ninguém desconhece que os campeões de vendas são os Paulo Coelho, o sujeito da tevê que repete receitas surradas, o cardiologista tolo que ensina truques aos obesos, sem esquecer a indefectível Lya Luft e as interessadas "recomendações" da Veja, ou seja, o lixo literário de sempre.

14 comentários:

Anônimo disse...

E ainda, é evidente que esses são totalmente inventados, o Kiefer poderia voltar a escrever sobre o degolador

Anônimo disse...

Esse volune, inclusive de "lixo" é o suporte da atividade eocnômica e intelectual moderna.
Aí tem parte importante da infraestrutura que passa a existir para quem quer publicar coisa boa.
De minha parte confesso que passeio pelas bancas e não encontro títulos que me interessem, e encontro os balaios de saldos desvirtuados, com preços exageros ou qualidade muito abaixo do aceitável.
Quem vai ao encontro do leitor vende, essa fórmula consagrada ninguém defende ?

Anônimo disse...

A RBS, sem dúvida, "apropriou-se" da Feira do Livro. É um tal de um jornalista elogiar a "obra" do outro....um jogando confete no outro.

Parece que a Feira foi criada pela empresa da Azenha. Nos últimos anos, os patronos, quase todos, são de lá.

(Será isto que explica a progressiva decadência comercial).

Anônimo disse...

Concordo Feil!

Anônimo disse...

Na paleta !!!!!!

Sueli-Porto Alegre disse...

Faz Anos que não vou !

Vou nas livrarias direto.

Abraço no blog

Anônimo disse...

Feil, fico impressionado contigo. Até parece que o fenômeno da má qualidade é exclusividade da Feira do Livro de Porto Alegre. Literatura de segunda e terceira categoria é a mais vendida em qualquer parte do mundo, amigo. Não por acaso, a droga do Paulo Coelho é um estouro de vendas até na Europa. Logo, meu caro, não seja tão tacanho e impiedoso com o mercado editorial do RS. Ele não é melhor nem pior que os outros. É apenas igual. Com uma diferença em relação a outros grandes centros urbanos brasileiros: há décadas leva os livros para a praça, espaço dos mais democráticos. Que precisa melhorar, ninguém duvida. Assim como deves refletir sobre a má vontade e o mau humor que cercam as análises das coisas que não gosta

Anônimo disse...

A feira virou "ponto de badalação" de promoção das rb(o)s(tas) dos pagos.

Flics

Anônimo disse...

A Feira parou de divulgar os mais vendidos. Mas nos últimos cinco levantamentos o Paulo Coelho nunca apareceu. Tinha outras porcarias, mas nada tão ruim quanto o Mago hehe.

Oscar T. disse...

Gigantismo da feira, preços altissimos por livros que se pode comprar por menos em sebos virtuais, desconforto geral e livrarias interessantes nao estão por la e horarios pessimos.
Até que durou muito. Nao vou desde 2006 e nao sinto falta.

Francisco Goulart disse...

O Sr. Kiefer faz uma análise apenas quantitativa do desempenho da Feira, ou seja, a preocupação dele é apenas com a quantidade de livros vendidos, isto é, com o lucro ou prejuízo das editoras e livrarias. Um sério estudo qualitativo ainda está por ser feito, porém acho que não há muito interesse nisso...

Natanael disse...

A Mídia deveria ficar na dela e não querer misturar "alho com bugalho"! O que há na realidade é uma misturança lamentável! Quem é que não nota a decadência dessa feira!! Faz dois anos que não vou mais e nem minha família! Não sinto falta dessa feira que aí está!!

elektrofossile disse...

Trabalhei com Charles e sei o empenho dele em divulgar e ensinar o hábito da leitura por todo o Estado. Creio que daí a preocupação do Kiefer.

Acredito até que ele perceba a chatice que está a Feira do Livro, repetitiva e mercadológica. Possivelmente chame a atenção para apontar a necessidade de reconceituar esse que virou um megaevento.

Vende-se muito papel higiênico como livro mas a perfeição ... apenas a celestial.

guaranidasmissões disse...

Não é somente o livro que está em "desuso".O jornal, a TV e o rádio irão pelo mesmo caminho. Agonizam algumas mídias. É o ocaso da era Gutemberg. A catedral está em escombros.Viva a Internet, lugar da opinião e da diversidade. Todos podem ser escritores de acordo com a sua capacidade...Estes que vociferam serão os novos apocalípticos ou os ex-integrados.

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