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sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Dubai se dissolve no ar


Desanda mais uma fraude neoliberal

O paraíso na Terra, a nova Xanadu, um lugar dos sonhos, o mel correndo nas ruas - todos os clichês são nada para definir o que foi Dubai. Foi - pretérito perfeito do verbo ser.

Um país pequeno (83 mil quilômetros quadrados), com pouca gente (4,7 milhões de pessoas) e com algum petróleo, Dubai parecia fadado a ser mais uma das ditaduras árabes em que uma minoria usufrui dos petrodólares e a massa da população vive na miséria das tendas. Esse script, porém, não valeu.

Os Emirados não apenas atingiram um elevado padrão de vida como também conseguiram algo raro para um país árabe. Sua economia reduziu a dependência do petróleo. Hoje, Dubai depende em apenas 15% da renda do petróleo. As faraônicas construções não são palácios reais, mas hotéis e sedes de bancos.

Mais do que tijolos e concreto, Dubai conseguiu firmar-se como um centro financeiro regional, ao oferecer um ambiente favorável aos negócios e uma sociedade islâmica aberta. Por isso a forte repercussão da notícia que circulou nesta madrugada, segundo a Reuters, de que a holding Dubai World estava tentando postergar o pagamento dos 59 bilhões de dólares em dívidas.

Com cerca de 80 bilhões de dólares em ativos, a Dubai World é o veículo de investimentos do governo do emirado que permite aos investidores internacionais participar, por exemplo, da construção de hotéis, resorts e marinas às margens do Golfo Pérsico. Julgava-se que as reservas em moeda forte de Dubai tornavam sua economia tão sólida quanto seus hotéis.

A rigor, Dubai se sustentou até o momento porque resulta da combinação de dois fatores favoráveis ao capitalismo de cassino: 1) licença ilimitada para depositar qualquer moeda ou valor nos bancos locais, sem ter que explicar a origem do recurso; 2) sossego absoluto para milionários de qualquer parte do mundo, não importando a origem - legal, criminosa ou mista - da fortuna de seus hóspedes.

Admira que essa fraude monumental tenha durado quase trinta anos.

9 comentários:

Anônimo disse...

Faltou um mix de investimentos em ciência, uma Dubai científica, onde todo dinheiro cafageste do mundo fosse despejado em pesquisa numa espécie de keynesianismo científico.
Mas esse tipo de investimneto e trabalho é incompatível com a economia de cassino, são temperamentos incompatíveis.
O camarada compra cota de um hotel em um lugar inservível e impraticável (Dubai) onde as pessoas são aconselhadas a não se expor ao ar livre mais de 50 minutos por dia no verão.
O imóvel do cidadáo é uma aposta de alto risco, quase um prejuízo certo, pois está sujeito a todo tipo de flutuação política e econômica que sustenta os ares condicionados, elevadores, serviçais e aeroportos da cidade funcionando. E custa os olhos da cara, custa o valor subjetivo de conviver com as outras pessoas que comprariam imóvel lá.
Porque então ele não gasta isso com ciência? Com um investimento especulativo no conhecimento ?
Incompatibilidade de gênios.
O cara "ganhador", muitas vezes beneficiário de dinheiros mal-havidos, prefere dizer "tive um apartamento em Dubai mas perdi quando veio a crise sem nunca ter ido lá ...." do que dizer "dei dinheiro para um camarada da Embrapa pesquisar a largura do folha do araçá e o rendimento das abelhas africanas em Erechin".
Ladrão e especulador não investe jamais em algo que traz benefícios tão abstratos e futuros.

Milton Ribeiro disse...

A Pérola do Deserto...

Suzie disse...

Mais uma "casa" que caiu!
Ficarão as paredes?
Como/onde farão a "reconstrução"?
Espero... que bem longe daqui!

Suzie disse...

Mais uma "casa" que caiu!
Ficarão as paredes?
Como/onde farão a "reconstrução"?
Espero... que bem longe daqui!

Ricardo disse...

Dubai era a terra dos novos ricos, eu dúvido que eles esperassem ter lucros com aquelas construções megalomaníacas, antes de descobrirem petróleo no Oriente Médio eles viviam em tribos, quando acabar o petróleo eles vão voltar a viver em tribos

carlos disse...

salve, cristovão,

realmente, caiu mais uma embromação neoliberal.

só uma pequena retificação: "ao oferecer um ambiente favorável aos negócios", não permitiu "uma sociedade islâmica aberta" e importou em torno de trezentos mil trabalhadores estrangeiros da índia, paquistão, filipinas, bangladesh e outros menos votados que foram transformados em escravos. os jornais the guardian e the independent da inglaterra denunciaram esse tráfico desde há muito.

Job disse...

Pessoal, o blog FBI, que havia sido retirado do ar reapareceu aqui:


http://festivaldebesteirasnaimprensa.wordpress.com/

Anônimo disse...

E o DF tucano pefelista, também...

Nada mais tuicano pefelista que o Arruda, sócio do ACM e afilhado do Maia, play-demo-boy.

Claudio Dode

Pablo Vilarnovo disse...

Falta agora mostrar algum liberal que seja a favor de endividamente governamental. Falta mostrar em algum ponto da teoria econômica liberal, seja austríaca ou mais contemporânea, onde estes defendam que o governo assuma compromissos que não consigam pagar.

Falta mostrar agora algum teórico liberal defendendo a capacidade do governo de imprimir moeda, falta mostrar agora algum liberal que defenda a alavancagem governamental exponencial.

Só assim, queridos esquerdistas sem a menor idéia do liberalismo, vocês poderão dizer que é uma crise neoliberal.

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