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Surf no lixo contemporâneo: a que ponto chegamos! E que mundo deixaremos de herança para Keith Richards?

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

GM começa a demitir em massa


Governo Lula não negociou com montadoras nenhuma contrapartida

A GM demitiu ontem 744 empregados temporários de sua fábrica de São José dos Campos (SP). É a primeira demissão em massa entre as montadoras de carros instaladas no Brasil registrada depois do agravamento da crise financeira internacional, em setembro de 2008.

Em nota, a empresa informou que a medida acontece "em decorrência da diminuição da atividade industrial em geral e, particularmente, no setor automobilístico", reflexo da crise global. E justificou que, "diante dessa nova conjuntura de mercados", precisa adequar os níveis de produção com a demanda prevista. A informação está em vários portais de notícias de hoje.

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A perversidade das montadoras lembra a fábula do escorpião e o sapo. O escorpião, provisoriamente generoso, acaba sucumbindo à sua insopitável natureza de picar e envenenar a todos com os quais se relaciona.

No início de dezembro passado, o governo Lula, penalizado pelas crescentes quedas nas vendas de automóveis, concedeu uma drástica redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) sobre veículos novos: até 31 de março de 2009, os carros (mal) denominados "populares" não serão taxados, os carros equipados com motor até 2.0 a gasolina, que pagavam imposto de 13%, pagarão 6,5%, e os bicombustíveis tiveram redução de 11% para 5,5%.

Agora, o escorpião que há dentro da GM pica os seus próprios empregados, demitindo-os sumariamente, alegando motivações abstratas de que está sendo atingida pela crise internacional, que furou o pneu do trem, que blá-blá-blá-blá – o novíssimo álibi tamanho-único que serve de pretexto para qualquer coisa ultimamente.

É isso que dá a política de unilateralidade das medidas de combate à crise propostas pelo lulismo de resultados. A concessão do benefício da redução (e até isenção) do IPI não foi acompanhada de contrapartidas por parte dos principais beneficiários, as montadoras de veículos. Estas ficaram livres para fazer o que bem entendessem dos seus destinos, ou seja, continuaram especulando com os recursos líquidos auferidos pelos mega lucros do biênio 2007/2008 e igualmente liberadas para desencadear um processo perverso de demissão em massa quando o caixa acusar a primeira dificuldade operacional à vista. Os balanços das montadoras são inflexíveis: não se gasta gordura acumulada e que pode gerar resultados não-operacionais extras, mas se demite empregado, sim, como único método de regulação ótima das taxas de lucro.

O que acontecerá, agora? É possível prever os seguintes desdobramentos:

1. As montadoras seguem demitindo, obedecendo apenas à inflexibilidade de seus próprios balanços econômico-financeiros (afinal, estão tranquilas, já que tem um ministro na Esplanada, o senhor Miguel Jorge);

2. O governo Lula mantém, e talvez amplie, os benefícios às indústrias de automóveis;

3. As centrais sindicais, hoje, completamente imobilizadas por compromissos promíscuos com o lulismo de resultados, lançarão tímidas notas de protesto, para constar, e seguirão suas rotinas despolitizadas, meramente burocráticas, marcadas pelo peleguismo mais desavergonhado.

Como se vê, o escorpião sempre pica o sapo. É da sua natureza.

Coisas da vida.

9 comentários:

Izolde disse...

Isto é apenas uma marolimha. Não dá nem para surfar!

Ary disse...

Por mim, toda a cadeia(im)produtiva do automóvel e da carne poderia falir definitivamente. O planeta agradece.

Carlos Eduardo da Maia disse...

Se fosse no tempo do Farol da Alexandria, FHC, o Brasil já teria quebrado. Agora os "Izoldes" da vida surfam graciosamente...

Anônimo disse...

Meu Deus, e nós, gaúchos, que deixamos escapar a Ford? Automóveis, a indústria do futuro!

pedalante disse...

Feil,

e em dezembro de 2008 - o zé Vampir, governador de SP e candiato à presidência em 2010 - liberou R$ 4 bilhões, dos imposto$ para as montadoras, usar diretamente na capitalização ( leia-se remessa de lucros para as matrize$)...cada coisa em terras brasilis, não é mesmo.

Cel disse...

É a marolinha que o cachaceiro
previu!
Sempre meteram grana nas montadoras por causa dos sindicatos.
O pedalante deve conhecer a história, que levou o Lula a ser, este grande presidente do Brasil.
Nunca trabalhou. Só fez política e manobras através do sindicato. Agora vamos ter que botar dinheiro nas montadoras para não aumentar o desemprego.
Depois recuperamos com IPI.
Este Brasil tem tudo para ser o melhor pais do futuro!

Cel

Anônimo disse...

O que o Cel et caterva esqueceram rápidamente, que queriam matar o Olivio porque ele quis controlar o assinte da apropriação dos recursos do Rio Grande do Sul, disponibilizados para as montadoras pelo des-governo Britto.

Quem faz muita política e manobras com as montadoras não eram os sindicalistas e sim os lesa-patria enquadrilhados na liga tucano pefelista.

Claudio Dode

ALPO disse...

Engraçado...
É como se a corrupção fosse um assunto alheio aos brasileiros.
1º Poucos e bem poucos dos políticos já foram operários.
Os que foram ficam maravilhados com a facilidade de tirar "algum".
2º Os sindicalistas são a parte podre da massa operária, que não podem ser demitidos e pouco se importam com os que podem ser.
Ao contrário dos pelegos que podem ser demitidos, e são. Não param em lugar nenhum e vivem exigindo "direitos" absurdos.
3º Toda empresa visa lucro. Lucro na base do 'Custe o Que Custar.
Mesmo que isso tire os sonhos de qualquer trabalhador.
Não importa a quem vai doer.

Conclusão: É óbvio que em um acordo como esse muita gente sai ganhando:
Políticos, Empresários, Sindicalistas e Cúmplices.

Anônimo disse...

"Perversidade da montador", ora, por favor... Você não tem noção do ridículo?

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