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Surf no lixo contemporâneo: a que ponto chegamos! E que mundo deixaremos de herança para Keith Richards?

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

A apropriação indébita já deu até guilhotina



O relativismo da originalidade na criação artística

O blogueiro e cartunista Kayser é que lembrou, a propósito de termos publicado a foto promocional da WWF, ontem. A idéia de representar o Tarzan caindo no vazio é genial. O mito do homem criado por animais é muito antigo e já foi contado em diversas narrativas, sendo a mais conhecida a dos irmãos Rômulo e Remo, amamentados e criados por uma loba, e depois foram fundadores de Roma. A história de Tarzan é do início do século 20 e atravessou o século sendo contada pela literatura, pelo cinema e pelos quadrinhos.

Neste cartum de 1978, Santiago achou o ponto certo entre o humor nonsense e a reflexão aguda sobre o limite da destruição dos sistemas naturais. O cartunista, premiado naquele ano com o primeiro lugar no falecido Salão de Humor de Piracicaba (que cidade agradável!), foi tão genial que está sendo copiado até hoje. O Veríssimo diz que o plágio é uma forma de homenagem. Pode ser, mas também é uma forma de usurpação, uma esperteza da razão. Caso o esperto seja pego no saque à idéia alheia ele apenas dirá “desculpa, foi mal, eu estava querendo te homenagear”, essas coisas.

Acima, nós reproduzimos a fotografia (ótima) veiculada em 2007 pela ong WWF que incorpora o argumento do Santiago, mas sonegando o crédito ao criador.

Mas também tem coisas que fica difícil creditar a toda hora, o Tarzan, por exemplo, é criação imortal do escritor norte-americano Edgar Rice Burroughs, e ficaria muito aborrecido sempre lembrar disso em qualquer referência que se faça ao seu mais famoso personagem literário.

Neste caso, também na Cultura vale o que consagra a lei de Lavoisier para a Natureza: nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.

No atual relativismo da geléia geral cultural, afinal, quem é mesmo original?

Em Tempo: Lavoisier foi guilhotinado pelos jacobinos da Revolução Francesa por crime de apropriação ilegal de dinheiro público.

4 comentários:

Ary disse...

Entendo que o crédito deva ser dado a algo realmente relevante ou que envolva recursos financeiros, projeção pessoal, fama, etc. Imaginem se fôssemos dar o devido crédito a todas as expressões(escritas ou faladas) que diuturnamente usamos. Exemplo: "nós cuidamos de nossas crianças". Crimonoso de tal. Seria enfadonho.

panoramix disse...

Como já dizia o extraordinário Abelardo Barbosa: "Nada se cria, tudo se copia". A invenção da frase foi dada ao velho guerreiro, mas existem controvérsias, já que ele poderia ter copiado também. No caso da charge em questão, se copiou porque não dar o crédito? É simples: charge inspirada em mais um genial trabalho do magnifico Santiago. Simples!

Anônimo disse...

Santiago é o cara!!!
Genial na simplicidade. Seus recados são claros e alguns devastadores no significado que carrega ou propõe.
Dinca

Jean Scharlau disse...

Lembrei de Noé, o humano a quem foi dada a responsabilidade divina de preservar cada uma das espécies animais.

Quanto às espécies vegetais, suponho que tenha sido poupado do imenso trabalho porque elas resistiriam por si próprias, eventualmente através de suas sementes, a 40 dias de água.

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