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Surf no lixo contemporâneo: a que ponto chegamos! E que mundo deixaremos de herança para Keith Richards?

quarta-feira, 24 de outubro de 2007


Leitura para quem acha que o Capitão Nascimento tem a chave para reprimir a criminalidade no Brasil. Mas e os criminosos da Cisco e do grande crime organizado, de colarinho branco e Rolex no pulso?

Os crimes dos com-Rolex


A Polícia Federal conta: 70% das importações de produtos de informática e telecomunicações realizadas pela Cisco eram subfaturadas. A manipulação dos preços de transferência, com o propósito de burlar o fisco, era perpetrada, de acordo com o relatório da PF, na matriz americana. Digo manipulação porque as mercadorias entravam no país abaixo do custo de produção, incluída a margem de lucro da empresa.

Quem paga a diferença? A resposta é fácil: o Estado brasileiro não recolhe os impostos devidos, os concorrentes nativos ou estrangeiros são bigodeados pelos espertalhões e, finalmente, os trabalhadores brasileiros (com uma taxa cambial mais favorável) poderiam estar empregados na produção dos equipamentos, peças e componentes importados, o que geraria mais receita fiscal. Certo Mark Smith, diretor-gerente para o hemisfério ocidental da Câmara Americana de Comércio, declarou que "o subfaturamento é comum no Brasil".


No Brasil e no mundo, diria o empresário Raymond Baker, autor do livro "Capitalism's Achilles Heel", com o subtítulo "Dirty Money and How to Renew the Free Market System". Baker declara-se um entusiasta do livre comércio. Manifesta, no entanto, sua decepção e preocupação com as práticas das grandes empresas transnacionais que deformam o sadio exercício do intercâmbio de mercadorias.


Ele diz que aproximadamente 65 mil empresas internacionalizadas realizam operações transfronteiras. As transações entre matrizes e filiais representam, segundo Baker, de 50% a 60% das trocas internacionais. Uma fração importante das transações é feita com preços falseados. "Isso serve para eliminar impostos, evitar controles aduaneiros e acumular dinheiro secretamente. A falsificação de preços é realizada diariamente, em todos os países, numa larga fração das operações de importação-exportação."


"Essa é a técnica mais comum para gerar e transferir dinheiro sujo, dinheiro que viola a lei na sua origem, em seu movimento e em seu uso. A falsificação de preços é um conluio entre os poderosos do mundo para lesar os mais fracos. O fato é que para cada dólar, euro, libra, peso, rublo ou outra moeda qualquer que se move para fora dos países mais pobres, há um produtor ou financista do Primeiro Mundo que facilita a operação."


Baker é impiedoso: a combinação entre falsificação de preços de transferência, paraísos fiscais, empresas fantasmas, jurisdições secretas pode ser comparada "ao tráfico de drogas, ao crime organizado, ao terrorismo e aos funcionários corruptos". Os executivos das múltis contribuem para a manutenção desse sistema.


Imagino que, à semelhança da controvérsia Huck-Ferréz, o deplorável episódio Cisco vá provocar um maremoto de indignação contra as malfeitorias dos "correrias" do Primeiro Mundo. Os impostos surrupiados aos brasileiros talvez servissem para financiar a educação, a saúde e a segurança dos cidadãos de Pindorama, fossem eles os "correrias" do Terceiro Mundo ou os legítimos e indefesos usuários de relógios Rolex.

Artigo de Luiz Gonzaga Belluzzo, professor titular de Economia da Unicamp. Este artigo foi publicado domingo no jornal Folha, com outro título. Somente o título foi alterado.



O DEM (ex-pefelê) entrou na Justiça contra a constituição de uma televisão pública no Brasil. Alguém tem um palpite sobre os interesses que estão por trás desta ação?


Para visualizar melhor o cartaz, clique sobre a imagem.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Tem, Glauquito! No Rio Grande do Sul temos, sim! Ele se chama Pedro Jorge Simon! Pode levar...




























Contabilidade macabra

Já é senso comum considerar como uma tragédia espantosa e absurda o ataque às torres gêmeas de Nova York, em 11 de setembro de 2001. Senso comum construído, montado e mitificado pela mídia corporativa unidimensional de todo o chamado mundo democrático liberal.

Em Nova York foram exatos 2.993 mortos, incluindo os 19 seqüestradores dos aviões e os 24 desaparecidos, conforme www.michaelmoore.com

Já no Iraque, as vítimas dos terroristas invasores norte-americanos do governo Bush Júnior (onde o senso comum ainda não foi moldado para classificar como “tragédia espantosa e absurda”), a contabilidade macabra já conta com 80.116 mortos, na maioria crianças e civis iraquianos (fotos), até o momento.



O candidato Cardozo concede o inexistente e sonega o necessário

A carta do candidato José Eduardo Cardozo menciona - muito de passagem - três bandeiras, entre outras: “desenvolvimento, democracia participativa, construção de uma nova ordem internacional...”. Como presidente do PT, que ele aspira ser, não se sabe bem o que o deputado Cardozo pretende com essas consignas. Ou seria apenas para influenciar pessoas e fazer amigos?

O candidato Cardozo – ao PED de dezembro – esteve neste final de semana circulando pelo interior do Rio Grande do Sul em campanha eleitoral. Prometeu que vai implantar o Orçamento Participativo (OP) no Partido dos Trabalhadores.

No justo afã de influenciar pessoas e fazer amigos, Cardozo – voluntária ou involuntariamente – está induzindo a militância ao erro. Confunde OP com democracia participativa. Ora se refere a um conceito, ora se refere a outro. E não são a mesma coisa. A diferença entre OP e democracia participativa é a diferença entre o excedente e o necessário. O OP só é possível se estabelecer no reino do excedente econômico. A democracia participativa é condição essencial na república do necessário (precisamente o caso do PT, hoje).

O PT, deficitário, economicamente insolvente, com saldos devedores agudos, quer - na proposta de Cardozo – implantar o orçamento participativo, mas não se menciona a democracia participativa. Ou seja, concede o que não tem e sonega o que ainda lhe resta – a necessidade. José Eduardo veio prometer o que Cardozo não pode cumprir. Prometeu participação nas decisões de um déficit orçamentário brutal, mas sonegou menção à participação democrática nas decisões políticas da legenda.

OP e democracia participativa podem ser a mesma coisa, mas, no caso referido por Cardozo, não são. O significante de Cardozo não corresponde ao significado de José Eduardo. E nessa diferença mora a astúcia, mãe da retórica ligeira e dissimulada. O OP se justificaria, como gatilho da expansão dos espaços democráticos, se o Partido fosse um ente de produção ou uma autoridade de política macroeconômica, como é o Estado liberal. Mas não, o Partido é mero agente microeconômico (insolvente), onde o OP faria escassa ou nenhuma diferença.

A democracia participativa no Partido dos Trabalhadores implicaria – de plano – em desatrelar o Partido do governo do presidente Lula. Por isso Cardozo não fala de democracia participativa, mas astutamente fala em OP, fazendo crer que sejam consignas convergentes. Não são convergentes, neste caso, são paralelas.

O Banco Central do Brasil desfruta de mais autonomia no governo Lula do que o próprio Partido dos Trabalhadores. Eu já vi o presidente Lula chamar o presidente do PT, Berzoini, de “aloprado”, e também vi a reverência com que ele trata o presidente do BC, o tucano Meireles. Caso Cardozo estivesse de fato imbuído da implantação de uma autêntica democracia participativa deveria começar a falar sobre isso – a heteronomia do Partido ao Planalto. A degenerativa incapacidade de reagir frente ao óbvio ululante.

Por exemplo, já que o candidato Cardozo fala em “desenvolvimento” na sua carta à militância: dias atrás o BC decidiu estancar a queda da taxa de juros, mantendo-a em irresponsáveis 11,25%. Uma atrevida conspiração contra o PAC. O sistema financeiro se incomoda com o PAC e com o desenvolvimento, por isso se insurge contra o próprio núcleo estratégico do governo Lula. Eu, nem ninguém que não seja deficiente auditivo, jamais escutamos o deputado Cardozo usar a tribuna da Câmara para protestar contra o BC.

Por exemplo, já que o candidato Cardozo fala em “construção de uma nova ordem internacional”, o que fazem as tropas militares brasileiras no Haiti? Até se admite que estivesse lá, durante a anomia do Estado e de Governo, mas agora que o país tem um governo constituído e soberano? É incompreensível! Os brasileiros estão lá de maneira absolutamente acrítica, como um exército de ocupação na terra de miseráveis. Para quê? Para agir como uma Tropa de Elite nas vielas pobres de Porto Príncipe? Os cubanos e venezuelanos também estão lá, mas estão de forma solidária e internacionalista, com contingentes de médicos e educadores, tratando o mais alto índice de HIV do mundo, 5,6% da população, alfabetizando e ensinando cidadania à massa de miseráveis e excluídos (onde quase todos são excluídos). A cobertura vegetal do Haiti não chega a 2% do território, eles precisam de florestas nativas e de água. O governo Lula deveria retirar os militares e mandar geólogos e engenheiros florestais para, aí sim, prestar ajuda humanitária efetiva.

Recentemente o ministro Nelson Jobim esteve no Haiti. Se supôs que iria modificar a atuação brasileira por lá, mas nada, foi fantasiar-se de farda alheia e desfilar empertigado e como mangolão que é. Também sobre esse tema importante não escutei o deputado Cardozo fazer um grão de crítica. Mas ele insiste – retoricamente – pela “construção de uma nova ordem internacional”. Words, words, words! – já dizia o vate de Stratford-upon-Avon.

Por todas essas, e muito mais, é que considero o próximo consulado petista a ser eleito em 16 de dezembro como o mais semelhante ao de Leonid Brejnev no PCUS. Como se sabe, Brejnev foi portador das esperanças de desestalinização do PCUS [no caso do PT seria a desdirceusização], especialmente depois de Nikita Khrushchov ter feito as graves denúncias dos crimes do Guia Genial dos Povos, mas não só frustrou a todos, como ainda cometeu os desatinos de Praga, em 1968, e no Afeganistão, em 1979. Sem falar no “balaio de gatos” (nas palavras de Che) que era o Comecon, no fenômeno do expansionismo soviético, de trocas desiguais, de concorrência e de submissão do Leste europeu à URSS, etc, etc.

Como signatário da “Mensagem ao Partido” sinto-me no direito (e dever) de fazer essas breves observações. Não faço o mesmo com os demais candidatos ao PED porque acho-os ou inconsistentes eleitoralmente ou perdidos para a causa estratégica das transformações sociais – como é o caso do “aloprado” (palavras de Lula) e liberal Berzoini.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007


Um novo Brejnev

Recebo aqui uma correspondência dos meus amigos do PT, mais precisamente daqueles que assinam a “Mensagem ao Partido”. O grupo acaba de escolher o deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP) para concorrer à presidência da legenda quando do PED (Processo de Eleições Diretas do PT), que acontece nos dias 2 e 16 de dezembro.

Leio uma carta do deputado Cardozo endereçada à militância. Uma carta incolor, inodora e sem sabor. Uma coisa plástica que serve para qualquer um. Aposto como o Berzoini (aquele que Lula chamou de aloprado) assinaria a carta do seu Cardozo.

Dia 16 de dezembro teremos, então, um Leonid Brejnev à frente do Partido. Que tal?

[Voltaremos ao tema.]



Os críticos de cinema – também – estão perdendo a credibilidade?

Com a proposta de discutir a crise da cinefilia – “Nós, críticos, estamos perdendo a credibilidade", disse Leon Cakoff –, a 31ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo está exibindo cerca de 400 filmes entre 19.10 e 01.11.

Já a cerimônia de encerramento acontecerá no Memorial da América Latina, dia 01.11, às 21 horas, com a primeira exibição no Brasil de No country for old men, o novo filme dos irmãos Joel e Ethan Coen. Entre as novidades, está que o escritor, crítico e atual diretor da Cinemateca Francesa, Serge Toubiana, é quem vai coordenar os debates em torno da questão da crise da cinefilia (muito manifesta na última semana). Da programação, farão parte, além dos títulos novos, as retrospectivas: Jia Zhang-Ke, Claude Lelouch e Jean-Paul Civeyrac.

Saiba mais no saite oficial.



Protesto contra pacotaço de Yeda em Passo Fundo

Sindicatos de trabalhadores, bancários e de professores, entidades e movimentos sociais protestam neste momento em frente à Associação Comercial e Industrial de Passo Fundo, onde a governadora Yeda Crusius irá apresentar o seu plano econômico de reestruturação do Estado. A reunião da governadora com entidades de classe e com parlamentares inicia às 10h.

As organizações civis querem mostrar à governadora que a população gaúcha não é favorável às medidas sugeridas por Yeda para combater o déficit econômico do Estado, como o aumento de ICMS. Elas também criticam o projeto de OSCIPs que tramita atualmente na Assembléia Legislativa, o qual sugere que a TVE e a FM Cultura, entre outros entes públicos, sejam geridos pela iniciativa privada.

Participam do protestos a CUT, Cpers, MST e bancários, entre outras entidades de movimentos sociais da região.

O governo Yeda Crusius (PSDB) autodenomina a campanha itinerante em favor do pacotaço tucano de road show.



Globo fará “crítica ácida” ao sistema

Leio num jornal dominical que a Globo vai lançar em breve uma minissérie no gênero histórias rebeldes, com personagens rebeldes, cabelos rebeldes, tudo rebelde, como pede o figurino publicitário a fim de servir de veículo para venda de valores de troca voltados para um consumidor também “rebelde” (seja lá o que isso signifique hoje em dia).

Uma das roteiristas da história rebelde, que deverá se chamar O Sistema, é a rebelde de carteirinha Fernanda Young – a revoltada mais certinha do Rio de Janeiro e arredores.

A Young – que nome batuta! – explica que “investiu na idéia de criticar o sistema porque também se considera vítima do mundo moderno”, segundo destaca o tal jornal dominical, e completa:

- Meu cartão já ficou preso em máquinas e me sinto vigiada. O homem hoje vive essa paranóia de sentir-se punido a todo o momento, diz queixosa a roteirista vítima.

Mal posso esperar por essa revolução global.


Foto: Escultura ao vômito do artista Klaus Weber.


Pistoleiros da Syngenta deixam mortos e feridos

Durante o ataque de uma milícia com cerca de 40 pistoleiros ao acampamento do campo de experimento da multinacional sementeira Syngenta Seeds, em Santa Teresa do Oeste (PR), às 13h30, de ontem (domingo, 21), o militante da Via Campesina, Valmir Mota foi executado a queima roupa com dois tiros no peito, seis trabalhadores ficaram gravemente feridos e há suspeitas de que um pistoleiro foi morto.

Os feridos Gentil Couto Viera, Jonas Gomes de Queiroz, Domingos Barretos, Isabel Nascimento de Souza e Hudson Cardin, foram encaminhados para os hospitais da região. Isabel está em coma e corre risco de morte.

A área da Syngenta foi reocupada na manhã de ontem (21), por cerca 150 pessoas da Via Campesina. O campo de experimento da empresa havia sido ocupado pelos camponeses em março de 2006, para denunciar o cultivo ilegal de reprodução de sementes transgênicas de soja e milho. A ocupação tornou os crimes da transnacional de sementes conhecidos em todo o mundo. Após 16 meses de resistência no dia 18 de julho, deste ano, as 70 famílias desocuparam a área, se deslocando para um local provisório no assentamento Olga Benário, também em Santa Teresa do Oeste.

Na reocupação os trabalhadores rurais soltaram fogos de artifício e os seguranças, que estavam na fazenda abandoram o local. Por volta da 13h30, um micro ônibus parou em frente ao portão de entrada, uma milícia armada com aproximadamente 40 pistoleiros fortemente armados, desceu atirando em direção as pessoas que se encontravam no local. Arrombaram o portão, executaram o militante Valmir Mota com dois tiros, balearam outros cinco agricultores e espancaram Isabel do Nascimento de Souza, que encontra-se hospitalizada gravemente ferida.

A Syngenta contratava serviços de segurança que atuavam de forma irregular na região, articulados com a Sociedade Rural da Região Oeste (SRO) e o Movimento dos Produtores Rurais (MPR). Uma das diretoras da empresa de segurança NF, foi presa e o proprietário fugiu durante uma operação da Polícia Federal no mês de outubro, onde foram apreendidos munições e armas ilegais.

Há indícios de que a empresa é contratada de fachada, e que na hora das operações são contratados mais seguranças de forma ilegal, formando uma milícia armada que atua praticando despejos violentos e ataques a acampamentos na região. Na última quinta-feira (18), a denúncia da atuação de milícias armadas ligadas à SRO/MPR e Syngenta na região Oeste foi reforçada durante uma audiência pública, com a coordenação da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal dos Deputados (CDHM), em Curitiba.

A Via
Campesina cobra das autoridades a apuração do ataque, contra os trabalhadores do acampamento, que juntamente com o assentamento Olga Benário continuam lutando para transformar a área num Centro de Agroecologia e de reprodução de sementes crioulas para a agricultura familiar e reforma agrária.

Os moradores do assentamento Olga Benário, que faz divisa com a área de experimento da Syngenta, também são contra os experimentos transgênicos no local, que vai contaminar a produção de sementes crioulas do assentamento, e trazer prejuízos para a alimentação, a saúde e o meio ambiente.

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Em março de 2006, o governo brasileiro já havia multado em um milhão de reais a multinacional suíça Syngenta Seeds por experiências com sementes geneticamente modificadas em um campo próximo a uma área de preservação ambiental.

Segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a Syngenta Brasil estaria desrespeitando a Lei de Biossegurança e colocando em risco o ecossistema.

O campo experimental de trangênicos da Syngenta encontra-se a apenas 6 km do Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná, sendo que, por lei, as experiências com organismos geneticamente modificados não podem ser feitas a menos de 10 km de uma área de preservação.

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