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Surf no lixo contemporâneo: a que ponto chegamos! E que mundo deixaremos de herança para Keith Richards?

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008


A infância de um homem de bem.
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16 comentários:

Anônimo disse...

Esse menino representa o senador Pedro Simon, tão, tão, tão bom que alguém tem que parar com tanta bondade e generosidade.

Carlos Eduardo da Maia disse...

A esquerda criou a lenda que o homem de bem é uma espécie de babaquinha mor, uma espécie de indivíduo sem crítica, que não gosta de violência, que pensa apenas em si, cumpridor de suas obrigações e que não abre mão de seus direitos. Para a esquerda homem de bem rima com politicamente incorreto e com alienado. Na verdade, certa esquerda não gosta mesmo é da classe média, seus hábitos, seus pensamentos, seu status de vida, apesar de 9 entre 10 esquerdistas atuantes serem da classe média e pertencerem a famílias compostas por homens e mulheres de bem. Freud explica. E essa lenda "politicamente correta" foi magnificamente atacada pelo Capitão Nascimento que teve a ousadia de parar o Bonde do Foucault e botar o Brasil a pensar e a refletir que o Brasil precisa mesmo de homens e mulheres de bem. Pelo menos, melhor assim do que assado.

Franz Neumann disse...

A simples leitura de Maquiavel e Hobbes mostra que babaquinhas de bem são inoperantes no plano da política, pois a lógica das relações públicas pode ser diversa da ordem privada -- isto não tem nada a vr com a esquerda. Diga-se de passagem que em O mal estar na cultura de Freud há uma nota em que Freud se remete à Hobbes como um genial predecessor de que o controle das pulsões é necessario ao processocivilazotorio.Elias deu uma maravilhosa continuidade histórica a esta análise em O Processo Civilizador.É lamentável o grau de irresposabilidade intelectual deste rapaz(Maia).A esquerda clássica tem filiações com o Iluminismo e sua crença no processo dea autoaperfeiçoamento infinito do homem, algo algumas vezes confundido com uma leitura equivocada de Rousseau em As Origens da Desigualdade entre os Homens. O homem natural não é bom e nem mau. É exatamente o inverso:a direita clássica não acredita na capacidade humana de mudar,pois como diz o ditado popular pessimista-burguês: a merda e as moscas são as mesmas.É claro que a qustão das pulsões deve e tem sido incorporada à análise de esquerda , pelo menos desde os anos sessenta.Saudações socialistas de um velho militante!

Franz Neumann disse...

Um adendo:curiosa a remissão ao Capitão Nascimento - a ambiguidade do texto é notável - seria o Capitão um homem de bem? A civilização existe exatamente para coibir capitães que avalizam a tortura como método.O problema é que o capitalismo tende no limite a exarcebar aspectos de barbárie - o fascismo é o limite "civilizatório" do capitalismo. Quem quiser falar de capitalismo como fim da história tem que explicar o fascismo como possível consequencia.

Carlos Eduardo da Maia disse...

Neumann, Wie gehts? O próprio Freud no excelente Mal Estar na Civilização, capítulo V, disse que do ponto de vista psicológico é impossível imaginar uma sociedade socialista, pelo simples motivos de que os homens não são iguais. Realmente, não somos iguais e tornar os homens absolutamente iguais é uma imensa violência contra a liberdade de cada um. Eu acredito na capacidade do homem e da humanidade de mudar, inclusive mudar os conceitos e preconceitos equivocados que colocaram na nossa cabeça como sendo o bem e o mal. No fim da história, Nietzsche - o pai do pós modernismo -- é que tinha a doce razão. Saudações iluministas.

Carlos Eduardo da Maia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

Para os fascistas, cínicos e admiradores de capitães torturadores:

"Sie wissen das nicht, aber sie tunes"

Maia, v. entende o porquê da atualidade do velho Carlos Marx?

armando

Carlos Eduardo da Maia disse...

Neumann, a república de Weimar foi destruída exatamente pelo totalitarismo de direita (poderia ter sido destruida pelo totalitarismo de esquerda se os espartaquistas tivessem vencido a revolta ou revolução (??) de novembro de 1919. Totalitarismo existe dos dois lados da moeda. O extremismo nunca prestou e o capitão Nascimento tinha seu lado extremo, mas ele "peitou" o bonde de Foucault e fez o Brasil refletir que do outro lado existe sim o homem mal, o homem malvado que é o traficante que gosta de matar, inclusive seus amigos e camaradinhas. Tropa de Elite ensinou ao Brasil que a tão criticada policia também tem razão. TchuB....

Anônimo disse...

não existe "se" em História...

Carlos Eduardo da Maia disse...

Os comunistas acreditam ter descoberto o caminho para nos livrar de nossos males. Segundo eles, o homem é inteiramente bom e bem disposto para com seu próximo, mas a instituição da propriedade privada corrompeu-lhe a natureza. A propriedade da riqueza privada confere poder ao indivíduo e, com ele, a tentação de maltratar o próximo, ao passo que o homem excluído da posse está fadado a se rebelar hostilmente contra seu opressor. Se a propriedade privada fosse abolida, possuída em comum toda a riqueza e permitida a todos a partilha de sua fruição, a má vontade e a hostilidade desapareceriam entre os homens. Como as necessidades de todos seriam satisfeitas, ninguém teria razão alguma para encarar outrem como inimigo; todos de boa vontade, empreenderiam o trabalho que se fizesse necessário. Não estou interessado em nenhuma crítica econômica do sistema comunista; não posso investigar se a abolição da propriedade privada é conveniente ou vantajosa. [7] Mas sou capaz de reconhecer que as premissas psicológicas em que o sistema se baseia são uma ilusão insustentável. Abolindo a propriedade privada, privamos o amor humano da agressão de um de seus instrumentos, de certo forte, embora, decerto também, não o mais forte; de maneira alguma, porém, alteramos, as diferenças em poder e influência que são mal empregadas pela agressividade, nem tampouco alteramos nada em sua natureza. A agressividade não foi criada pela propriedade. Reinou quase sem limites nos tempos primitivos, quando a propriedade ainda era muito escassa, e já se apresenta no quarto das crianças, quase antes que a propriedade tenha abandonado sua forma anal e primária; constitui a base de toda relação de afeto e amor entre pessoas (com a única exceção, talvez, do relacionamento da mãe com seu filho homem [8] ). Se eliminamos os direitos pessoais sobre a riqueza material, ainda permanecem, no campo dos relacionamentos sexuais, prerrogativas fadadas a se tornarem a fonte de mais intensa antipatia e da mais violenta hostilidade entre homens que, sob outros aspectos, se encontram em pé de igualdade. Se também removemos esse fator, permitindo a liberdade completa da vida sexual, e assim abolirmos a família, célula germinal da civilização, não podemos, é verdade, prever com facilidade quais os novos caminhos que o desenvolvimento da civilização vai tomar; uma coisa, porém, podemos esperar: é que, nesse caso, essa característica indestrutível da natureza humana seguirá a civilização.

(Sigmund Freud - Mal Estar na Civilização - Capítulo V)

Jorge Vieira disse...

Alguém já ouviu falar da teoria do caos?
Um bater de asas, de qualquer bicho, na Malásia cria um maremoto na Dinamarca.

Pois é, esse tal do Neumann e o tal do Maia [eles se merecem] produziram um maremoto no blog. Pura teoria do caos.

O menino só queria superpoderes, como qualquer guri.

Quanta energia jogada fora.

Realmente, tivemos aqui um caos caótico, sborniano!!!

O que a República de Weimar tem a ver com os superpoderes do menino?

Fico devendo essa.

Armando disse...

Aprecio Freud, quando ele explica os sistemas de dominação da subjetividade humana através da identificação com o opressor. Alguns chamam isso de "transferência". Prefiro, "recolonização".

Anônimo disse...

Acho que esta discussão, um tanto bizantina, poderia ser iluminada pelo Prof. José Bento Monteiro.

Aproveitando a ocasião, onde anda esse ilustre e gótico mestre?

Anônimo disse...

Gente,
esses papos no blog são ótimos, o ruim é que não vemos com quem estamos conversando. Esse tal de Maia ai pode até ser o César Maia, prefeito esquisitão aqui do Rio que dizem nunca aparece no trabalho, parece que ele não sai da frente do computador.
ABÇS.

PROF. jOSÉ BENTO mONTEIRO disse...

Único comentário possível acerca da discussão Neumamm/Maia digna de constar em alfarrábios altamente eruditos: senti meus pés vacilarem na lama nauseante do Tiete, onde às margens resido com meus bacuris.

Eugênio disse...

Neumann

O problema é exatamente esse: que "homens de bem" são capazes de perceber ou aceitar o fascismo, não como uma possível consequência, mas como uma consequência inexorável do capitalismo? "O problema é que o capitalismo tende, no limite, a exarcebar aspectos de barbárie", como vc bem apontou.
E é óbvio que os "babaquinhas de bem" consideram o capitão Nascimento, tal como eles, um "homem de bem". Tão "de bem " q chegam ao ponto de apontá-lo como capaz de "peitar" Foucault, parando-lhe o "Bonde". Assim, o banditismo, veja que ñ falo de fascismo, apesar d muitas vezes ser difícil separar os dois, o puro banditismo, sem o menor constrangimento passa a ser aceito pelos tais e típicos "homens de bem", como uma prática natural no regramento da sociedade. Poderíamos falar até no "banditismo de bem" contra o "banditismo do mal". Os fins ñ justificam os meios? Daí a aceitar a tortura, os esquadrões da morte, os campos de extermínio, é um tapa. E "homens de bem" capazes de sustentar "éticamente" tudo isso, estão aí, no nosso convívio.
Quem ousaria dizer q os Marinhos ñ são "homens de bem"? E Sarney? E o Kalil Shebe e Paulo Brum? E tantos outros?
São eles, no final das contas, q estabelecem para o senso comum, quem é o "homem mal, o homem malvado que é o traficante que gosta de matar, inclusive seus amigos e camaradinhas." Por q fraudar documentos para se apropriar de uma rede de televisão ñ é um crime q possa ser considerado como tal, ou pelo menos, ter a gravidade daqueles praticados pelo "homen malvado".

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