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Surf no lixo contemporâneo: a que ponto chegamos! E que mundo deixaremos de herança para Keith Richards?

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008


As mortes misteriosas - seriam assassinatos em série? - de JK, Jango e Lacerda, que morreram entre agosto de 1976 e maio de 1977. E a morte semana passada do ex-espião da CIA, Phillip Agee.

A história à espera

As três décadas passadas desde as mortes de João Goulart, Juscelino Kubitschek e Carlos Lacerda mais alimentaram, com a seqüência de esquivas a investigações conclusivas, do que atenuaram as suspeitas de triplo assassinato sobre as quais, enfim, há um ponto de partida substanciosa. Já está entregue à Procuradoria Geral da República. E a recusa a aceitá-lo, para abrir investigação sobre as circunstâncias da morte de João Goulart, dificilmente seria compreensível. A oportunidade, aliás, coincide com o momento em que, na Itália e nos Estados Unidos, o Brasil é acusado de obstruir a apuração dos fatos de sua ditadura e de ser o último país dos "anos de chumbo" a fazê-lo ainda. Acusações que valem por uma sentença.

A longa e até agora inútil batalha da família Goulart pela exumação do ex-presidente, morto no exílio em 1976 e enterrado no Rio Grande do Sul, teve o seu fundamento agora comprovado pela inesperada confissão de um ex-agente uruguaio, em depoimento para um documentário de João Vicente Goulart. Mario Neira Barreiro, que já dera indicações factuais de sua espionagem à família Goulart, como agente, aos 22 anos, do serviço secreto do Uruguai, deu agora pormenores da inclusão de uma pílula venenosa entre os remédios que, por provável precaução, Jango fazia virem da França para sua cardiopatia. O veneno foi posto por outro agente, infiltrado como empregado no hotel habitado pelos Goulart em Buenos Aires.

João Vicente, como narrou a Carter Anderson, do "Globo", no pedido de inquérito feito à Procuradoria Geral da República, incluiu útil e, indicam incontáveis ocorrências pregressas, urgente pedido de proteção a Neira Barreiro, hoje em presídio de segurança máxima, próximo de Porto Alegre, por formação de quadrilha, roubo e uso ilegal de armas.

A batalha da família Goulart tem ainda, a justificá-la, uma equivalente no Chile. No ano passado, exames na Universidade de Gent, na Bélgica, comprovaram que a morte do ex-presidente chileno Eduardo Frei, como sua família sempre suspeitara, decorreu de envenenamento por gás mostarda. Arma terrível na Primeira Grande Guerra, sua nova fabricação foi atribuída à Dina, agência de ações secretas e comprovados assassinatos da ditadura Pinochet.

Frei, presidente de 1964 a 70, foi o impulsionador da relevância reformista que a Democracia Cristã teve na América Latina, inclusive no Brasil. Do golpe americano-chileno até sua morte inesperada, quando internado para um tratamento considerado sem risco, foi forte opositor da ditadura de Pinochet. Desde sua morte até que, em 2007, exames pudessem confirmar o envenenamento, a batalha de seus familiares e correligionários consumiu 24 anos. Um quarto de século para ver-se comprovado um crime. A morte de Jango já tem quase 32 anos, um terço de século.

Carlos Lacerda morreu em situação muito semelhante a Eduardo Frei. Internara-se por um adoecimento súbito, do qual morreu em breve tempo, sem período de melhora apesar dos esforços e sem causas divulgadas. Sua família adotou, a respeito, o silêncio absoluto mantido até hoje. A família de Juscelino assumiu atitude idêntica, em relação ao acidente mortal na Rio-São Paulo. As três mortes se deram quando ainda perdurava a ebulição política, e a respectiva reação dos militares, provocada pela Frente Unida que a iniciativa de Lacerda formara com Juscelino e Jango contra a ditadura.

Na segunda-feira passada, morreu em Cuba, onde dividia sua vida com a Alemanha, uma brava pessoa que foi agente da CIA entre os seus 21 e 33 anos. Teve papel primordial na revelação das ações da CIA sobretudo na América Latina, onde Phillip Agee operou, entre outras coisas, na espionagem incessante a exilados brasileiros ligados a Brizola e a Jango. Por seu livro, "Inside the Company", e pelas revelações que continuou fazendo, Agee foi considerado pelo governo americano "perigo para a segurança nacional", e passou anos sumido para sobreviver.

A história dos nossos anos ainda está só na superfície.

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Artigo do jornalista Janio de Freitas, publicado ontem na Folha. Na foto, JK e Jango.

22 comentários:

Carlos Eduardo da Maia disse...

Ninguém nunca vai saber se Jango foi ou não foi envenenado porque não se fez autópsia no corpo. E por que a família de Jango, a Maria Teresa, o João Vicente, a Denise, seus amigos, seu motorista, se calaram naquela época sobre este fato???? E por que estão abrindo a boca agora??? Óbvio, né, estão interessados nas vultosas indenização.

Anônimo disse...

E a repressão, não conta Maia?

sueli halfen ( POA) disse...

Oi Maia...eu acho que não abriram a boca por medo de terem o mesmo fim,naquela época isso muito seria fácil.Acho que até nessa época isso seria muito fácil tb, pois até se poderia aplicar o triplo da quantidade do vírus atenuado da vacina da febre amarela e ele morreria," por febre amarela"...Claro que tô meia viajando,só meia viagem !!!
Se foi mesmo envenenado,acho que a família MERECE essa indenização que pode nem ser tão vultosa assim,vamos ter que esperar para saber sobre valores que serão ou não concedidos.
Maia é o nome certo é NECRÓPSIA...Autópsia seria o morto ser seu próprio patologista !
Eu não sei onde certas pessoas aprenderam sobre realidade,mas uma coisa é certa,TEM QUE PROVAR, e isso exclui os Condicionantes,tipo SEe,Quando e etc...

Abraço Sueli

Anônimo disse...

A história precisa ser reescrita e os criminosos que nos impingiram a agonia ainda podem ser punidos, mesmo os mortos, pois muitos deles, emprestam seus nomes para órgãos públicos.

Ao contrário do que se ventila, a família Goulart sempre estranhou a morte do presidente Jango. Estranhou e denunciou. Lembro-me de reportagens no Coojornal (era um nanino publicado pelo sindicato dos jornalistas aí do RS), assim como reportagens sutis no outro nanico chamado Movimento.

É bom não se esquecer que em 1976 e 1977 estávamos em plena vigência do AI 5, que tudo permitia ao gorila de plantão.

armando

Callado disse...

Sueli, certas coisas é quase desnecessário provar.
Exemplo: o incendio do Parlamento alemão, em 33, pelos nazistas. Até hoje ninguém provou-provado que foram eles. Mas não importa. A quem interessava?
A Adolfinho e suas milícias fascistas, que a partir dali deslancharam no poder, com Hitler sendo chanceler e suprimindo direitos civis e invadindo países vizinhos.

Sueli, certas coisas não precisam de prova. Quem precisa de prova é delegado de polícia. A história é bem mais sutil e ardilosa, por isso mais implacável.

Anônimo disse...

Maia, quando o Jango morreu a ditatura estava a mil, falar quando e como??? A Lei da Anistia garantiu aos Ditadores (torturadores e assassinos) que não pagariam pelos seus atos, infelizmene, mas os escritores e pesquizadores de nossa história tem o compromisso e a nossa segurança que devem sempre falar a verdade, doa a quem doer.Deveria Maia, ter escutado o programa Polêmica ontem, por incrível que pareça, era a aula que te falta para melhorar o teu conhecimento sobre a história do Brasil, das Américas e do Mundo inteiro.

sueli halfen ( POA) disse...

Pro CALLADO ... em parte tens toda razão...brigadão,não tinha visto seriamente sobre esse ângulo !

abraço Sueli

sueli halfen ( POA) disse...

Pro Callado...me lembrei de Provas Circunstanciais...

abraço Sueli

Carlos Eduardo da Maia disse...

Sueli, é necrópsia mesmo. Mas, de qualquer forma, esse assunto ter vindo a tona somente agora. A ditadura foi embora em 1985 e este barulho explodiu agora!!!! O pessoal do Jango tá de olho é na graninha....

Anônimo disse...

Maia, ser de direita ou defender o neoliberalismo é um direito de qualquer vivente. Agora, faltar com o respeito com filhos e parentes de Jango, que sofreram os diabos com a redentora é, no mínimo, falta de respeito. Acho que seria de boa educação v. se retratar.

armando

Eugênio disse...

Quando eu digo q esse Maia é um filho da puta...

Anônimo disse...

Tem coisa que é melhor a gente não provar mesmo. A febre amarela por exemplo, agora se faz necessário provar, e o PIG certamente não hesitaria em aplicar umas doses letais, lembradas pela Sueli, só para provar a epidemia... Esses golpistas fariam qualquer coisa... E o seu Maia, que não sai desse blog? Vai provar que é um araponga. Melhor só imaginar, pra que provar. E depois dizem que a ditadura acabou, quero provas do fim !!!

Carlos Eduardo da Maia disse...

Armando, essa é a minha opinião. Talvez eu mude, mas hoje penso assim. Desde 1985 esse pessoal ficou calado e por que resolveram exatamente agora desenterrar tudo isso? Se tivessemos que aplicar o Código Civil -- tanto o de 1916 (20 anos) ou o de 2002 (3 anos) -- essa pretensão já estava mais do que prescrita.

Anônimo disse...

Crime hediondo ou atentatório ao Estado de direito, foi o que aconteceu em 64 e nos assassinatos, é imprescritível. Cláusulo pétrea da CF.

armando

Claudio Dode disse...

Ô Eugênio pega leve, o Maia não é filho d aputa até porque não existe uma puta que mereça um merda destes, ele não foi parido foi cagado.
E não fiquem jogando "suspeitas" sobre a sua venerando "gloriosa"

Anônimo disse...

Esse maia é um abusado, safado, fdp, que comete aqui neste blog os maiores absurdos. Vai procurar tua turma desgraça! Sofia v

Callado disse...

Maia, a prescrição de crimes e delitos é no plano do Direito. Mas no plano moral e político não pode prescrever jamais. Os crimes do fascismo, seja onde for, não podem ser esquecidos. A família de Goulart está politizando o nosso esquecimento, o Brasil é o único país da AL que procura varrer pra debaixo do tapete os crimes dos milicos associados com a burguesia e a mídia golpista. Isso é uma vergonha! É preciso que ações judiciais originadas na Europa (em diversos países) provoquem alguma reação nas autoridades brasileiras, e estas ainda assim não querem reagir. O saldo disso é o seguinte: corremos o sério risco de sofrer novo golpe e nova ditadura. Ano passado quase deram um golpe nas eleições, quem não é cego e surdo, viu e escutou.

Carlos Eduardo da Maia disse...

Callado, houve crimes dos dois lados e por isso a Anistia. O amigo oculto Diógenes cometeu crime hediondo e nunca respondeu por esses atos. No plano moral e político as regras devem ser aplicadas para todos os crimes e não apenas para um lado da moeda. A Espanha vivenciou a guerra civil e os dois lados cometeram atrocidades, mas o país conseguiu superar seus traumas mediante um pacto e foi exatamente a partir daí que a Espanha evoluiu econômica e socialmente, porque se uniu. Não existe clima nenhum para um golpe no Brasil de hoje. Golpe existe sim na cabeça daqueles que simpatizam com ideais totalitários. Sorry por pensar assim.

Lan disse...

Crime hediondo do Diógenes? Como assim, seu Maia?

Explica melhor.

eugênio disse...

O crime hediondo do Diógenes foi ter matado um milico americano torturador e fdp. Eu queria ver, se o Diógenes fosse fazer nos EUA o q este fascínora veio fazer aqui, o q teria acontecido com ele por lá? Certamente, o Maia teria batido palmas, se o Diógenes fosse torrado na cadeira elétrica.

Carlos Eduardo da Maia disse...

Quem disse que o capitão Chandler era americano torturador foi o Tribunal revolucionário da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária). O fato é que Diógenes se encarregou de executar a sentença do tribunal privado e deu 6 tiros no capitão na frente da esposa e de seus três filhos. Não se bate palmas pelos fascistas e pelos totalitários, pelas FARC, pelo terrorismo, pela ditadura (que eu ajudei a derrubar) e nem por aqueles que acreditam que os pesos e as medidas valem apenas para um dos lados.

Eugênio disse...

E entre acreditar na VRP, q bem ou mal são tua gente e acreditar num Chandler, tu preferes acreditar nele. Essa é a linha q me separa de um traidor como tu.
E nunca te esqueces, nunca mesmo, que são esses "chandles" q os EUA criam em suas "academias" tão louvadas por oliudi, q dizimam famílias inteiras pelo mundo afora.
Quem sabe um dia uma delas ñ seja a tua? Isso é o q te desejo do fundo do coração. Talvez assim, consigas entender a dor dos outros.
Talvez, por q és tão cretino q consigas encontrar uma justificativa "moral" para isso, do tipo Cap. Nascimento "peitando" Foucault.

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