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Surf no lixo contemporâneo: a que ponto chegamos! E que mundo deixaremos de herança para Keith Richards?

sexta-feira, 21 de março de 2008


Nuez

Governador Requião ataca mídia "golpista"

O governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), aproveitou evento de ontem em Foz do Iguaçu (PR) com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para criticar mais uma vez a imprensa, tachando-a de "subordinada ao mercado". Ao ser anunciado para falar em evento do governo federal na usina de Itaipu, o governador disse que a mídia é "subordinada ao mercado" e quer "depor" o presidente.

“Como diz o [jornalista] Paulo Henrique Amorim, presidente Lula, é o famoso PIG (Partido da Imprensa Golpista). A imprensa golpista quer, de qualquer forma, depor o governo popular." A informação está em vários jornais de hoje, menos em Zero Hora, grupo RBS. [ZH não pode perder tempo com essas “tolices” políticas, precisa reservar espaço para fotos de mascotes domésticos e relatos piegas de viagens inesquecíveis de leitores da classe média branca. É o que chamam de "jornalismo interativo, plural e participativo".]

Em janeiro, Requião foi proibido de usar o programa "Escola de Governo", da TV Educativa do Estado, para ofender a imprensa e seus adversários. Após a decisão, ele apareceu na TV com o som cortado e a palavra "censurado" na tela, e acabou sendo multado em R$ 50 mil por descumprir a decisão judicial. O governador paranaense chamou a atenção – sempre ao lado do presidente Lula – que editoriais de vários jornais apoiaram a censura a seu governo.

quinta-feira, 20 de março de 2008


Lair Ferst, o empreendedor

Deu no blog RS Urgente.

Da série Recordar é Viver - Nota publicada no site de Políbio Braga, no dia 5 de fevereiro de 2006, destaca o caráter empreendedor de Lair Ferst, um dos indiciados pela Polícia Federal no caso Detran, acusado de formação de quadrilha e crime organizado, entre outras coisas:

“Depois que conseguiu se livrar das indústrias de calçados que tinha no Vale do Sinos e Caçapava, o empreendedor gaúcho Lair Antonio Ferst [na foto, com Yeda Crusius] deu uma guinada na sua vida profissional e assumiu a política e a área de serviços. Ferst vem se defendendo com êxito das ações intentadas contra ele. Nas novas atividades, o empresário vem se dando bem nas duas pontas. No PSDB, graças às ligações históricas que mantinha com o ex-Deputado Nelson Marchezan, acabou na Coordenadoria da Bancada na Assembléia e depois virou alto dirigente tucano no Estado. Na área empresarial, toca com êxito as empresas Rio Del Sur Auditoria e Consultoria, além da Newmark – Tecnologia da Informação e Marketing. O foco das duas empresas é a prestação de serviços para órgãos públicos estaduais e federais. São áreas que crescem muito, sobretudo nas grandes cidades do interior”.

Recordemos agora o que disse a Justiça Federal de Santa Maria sobre a Newmark:

“A empresa Newmark Tecnologia, Informática, Logística e Marketing, cujos sócios são parentes de Ferst, é sócia da empresa NT Pereira administrada por Patrícia Jonara dos Santos (esposa de Carlos Ubiratan dos Santos). Ao que tudo indica, o verdadeiro dono da Newmark é o próprio Lair Ferst; figurando seus parentes como laranjas, situação similar a da empresa NT Pereira, que de fato seria de Carlos Ubiratan dos Santos, sendo titularizada por um laranja. Os sócios da empresa New Mark, pertence a parentes de Lair Ferst, tem outra empresa da família, a Newmark Serviços da Informação e Inteligência. Esta, por sua vez, é sócia da empresa NT Pereira, administrada pela esposa de Carlos Ubiratan dos Santos”.

Como disse Carlos Ubiratan dos Santos, na CPI do Detran [e em entrevista à rádio Gaúcha], “tudo são relacionamentos”.


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O conflito tibetano é uma briga de brancos

Antes de comentar sobre os conflitos no Tibet, quero deixar claro que não compartilho em nada do que faz ou prega o regime chinês (continental). Acho aquilo uma deformação pseudo-socialista com enclaves territoriais de neoliberalismo selvagem, mão-de-obra que roça a escravidão, tal como a fase de acumulação primitiva experimentada pela Europa nos séculos 18 e 19, jornadas desumanas de mais de dez horas, descanso semanal reduzido, recrutamento quase militarizado, trabalho feminino intensivo, etc.

Também é preciso registrar que o PIG está à beira de um ataque de nervos com a presente situação de conflito aberto entre Tibet e China. Por quê? - perguntará o Pedro Bó fundamental. Ora, porque o PIG ama a China do reformismo neoliberal (que, repito, acontece em apenas alguns territórios de algumas províncias chinesas). Essa atitude, aparentemente paradoxal, cumpre o objetivo de mostrar-se tolerante e plural com regimes que não sejam exatamente liberais-burgueses clássicos, como é o caso da China continental. Essa tolerância do PIG já tem algumas tintas de espírito republicano. Talvez, no século 22 ou 31 o PIG seja inteiramente republicano. A ver.

Isto posto, é bom informar que na velha China existem três grandes famílias étnico-linguísticas e pelo menos 14 etnias diferentes, a saber, as Sino Tibetanas, Han (chineses), Hui (chineses muçulmanos), Tibetanos, Kadai (incluindo os Tai e Zhuang), Miao-yao; Austro asiáticas, Môn e Khmers, Coreanos, Tajiques indo-europeus; Altaicas: Mongóis, Tunguzes, Uigures, Cazaques e Quirquizes. Existem problemas com lutas independentistas em pelo menos três regiões autônomas. Em todas as regiões existem Assembléias Deliberativas com participação das populações locais nas decisões - uma espécie de OP chinês.

É intrigante, pois, que somente o Tibet – uma província ainda feudal e com governo teocrático – tenha se sublevado, nas antevésperas de um evento mundial como as Olímpíadas de Pequim.

Segundo o portal Resistir.info, em julho de 2007, a embaixada norte-americana na Índia patrocinou um encontro inusitado entre o líder temporal e religioso do Tibet, Dalai Lama, agentes da CIA e a sub-secretária de Estado dos EUA, a neocon Paula Dobriansky. Nesta reunião, foi decidido que nos primeiros meses de 2008 haveria uma grande marcha de exilados tibetanos numa grande cidade global, e protestos populares em território tibetano – o que efetivamente está ocorrendo no momento. Não é preciso dizer que toda essa estratégia tem um custo econômico, e este custo é coberto pelo polpudo orçamento da CIA.

Os EUA, investidos do espírito imperial, querem minar a China que desponta como uma das grandes potências mundiais – tanto militar quanto tecnologicamente – nos meados do século 21, e para tanto não hesitam em fomentar conflitos abertos nas contradições políticas e étnico-religiosas chinesas.

Um parêntese necessário: vocês sabem o que significa Dalai Lama? Significa “Oceano de Sabedoria”. Aliás, o único sujeito na face da Terra, além do papa católico, que é titulado com o atributo de Sua Santidade, é o Dalai Lama do Tibet.

Quem suspeita que haja um mínimo de espontaneidade nas manifestações “populares” de Lhasa, capital do Tibet, está completamento ingênuo na história, sem desmerecer a repressão chinesa na província, que ocorre desde 1950, quando a revolução maoísta começou na Ásia.

Mas, e como era o Tibet, antes de 1950, um paraíso liberal-religioso onde o Oceano de Sabedoria banhava docemente todas as criaturas vivas?

Nada disso. Vejam:

"As leis confirmavam essa estrutura desigual, dividindo a população em três estratos e nove graus, com direitos e deveres distintos. Não havia, portanto, igualdade jurídica, nem mesmo para as mulheres do estrato dominante. Se um nobre matava um servo ou um escravo, pagava uma indenização. Mas, para servos e escravos que agredissem um nobre ou furtassem um bem, os códigos previam penas cruéis, como espancamentos brutais, mutilação de mãos ou pés, extração dos olhos. Até entre os monges, a disciplina era mantida à custa de chicotes e surras, como relata o Dalai Lama em sua autobiografia. Além de uma prisão pública e precária em Lhasa, havia guardas, tribunais e cárceres privados nos mosteiros e nas grandes propriedades.

Os monges da camada superior e os nobres mais influentes monopolizavam os direitos políticos. O Dalai Lama encabeçava o governo desde meados do século 18. Os demais cargos eram repartidos entre lamas e nobres leigos. A Seita Amarela, do Dalai Lama, era privilegiada em relação às demais seitas e o budismo tibetano, em relação às demais religiões.

O Tibet antigo não tinha nada de idílico, portanto. É espantoso que se invoquem os "direitos humanos" para defender esse regime opressivo e cruel, em que a maioria da população, formada por servos e escravos, não gozava de liberdade pessoal, nem dispunha de qualquer direito político."

Trechos do artigo "Confira os mitos e os fatos concretos sobre o Tibete", do veterano jornalista Duarte Pereira, conforme dica do blog Na Periferia do Império.

Vamos olhar agora com outros olhos as notícias e imagens do conflito do Tibet, que o PIG despeja na nossa casa todas as noites. Aquilo lá não tem mocinho, só tem bandido. Pura briga de branco, como se dizia na senzala brasileira.


Foto: encontro recente entre o Oceano de Sabedoria tibetano e o Oceano de Estupidez norte-americano.


quarta-feira, 19 de março de 2008


O basismo e o renovacionismo de ocasião

Vejam as considerações de José Dirceu (foto) sobre o resultado da prévia petista em Porto Alegre, publicada ontem em seu blog no IG (no IG, o mesmo que extinguiu o blog do Paulo Henrique Amorim, ontem):

“Resultados como os da eleição para o diretório estadual de São Paulo, com a eleição do presidente Edinho Silva, e a vitória da deputada Maria do Rosário como candidata do partido a prefeita de Porto Alegre, na eleição de outubro próximo, são sinais ostensivos do processo de renovação pelo qual passa o nosso partido.

O fato de o Edinho ter sido eleito em dezembro, e a Maria do Rosário indicada no último domingo, em prévias na capital gaúcha, constitui para mim uma indício claro de que esse processo de renovação, iniciado há meses, segue seu curso firmemente. Além desses sinais claros de que a decisão da maioria do partido é pela renovação, outro aspecto salutar que vejo neste processo é que ele é um sentimento forte, que cresce na base e entre os filiados ao PT. É isso que faz com que essa renovação muitas vezes passe ao largo das tendências e das principais lideranças petistas”.

.....

Repito o que escrevi aqui, na última segunda-feira, horas depois de encerrada a prévia que deu a vitória à deputada Maria do Rosário:

“O ciclo petista iniciado em 1995, com a ascensão da hegemonia de José Dirceu – o papa do ultrapragmatismo – encerrou-se ontem na ex-capital do Orçamento Participativo e do Fórum Social Mundial. Com a vitória do dirceuzismo e seus aliados”.

As considerações - com um oportunista sotaque neobasista e renovacionista - de José Dirceu, mal conseguem disfarçar a sua inenarrável e imorredoura alegria de finalmente ter conquistado Porto Alegre, via Maria do Rosário & aliados.


Eugênio Neves

TV Assembléia responde... à RBS

Ontem, questionamos aqui no blog o fato de a TV Assembléia não ter transmitido direto o depoimento de “Bira Vermelho” na CPI do Detran, ele que é um dos indiciados pela Polícia Federal na Operação Rodin, e já que o depoente se pronunciou nas próprias dependências da Assembléia estadual.

Pois, alguém da referida emissora pública respondeu ao nosso questionamento. Só que o fez para a jornalista Rosane de Oliveira, da RBS, que publicou em seu blog as justificações (esfarrapadas) desse incógnito porta-voz da emissora da chamada Casa do Povo. Foi postado no blog da Rosane às 22h26, de ontem.

Embora não queiram dar o gostinho, como se diz, eles estão de olho nos blogs alternativos ao PIG.


Metam o pé na porta, diz Paulo Henrique Amorim

Transformar os veículos de comunicação existentes na internet em meios de forte capacidade para influenciar a opinião pública deve ser um processo rápido. "Em breve, os grandes grupos empresariais tomarão tudo. Mas ainda há um espectro na internet à disposição para consolidar grandes portais alternativos", afirmou o jornalista de TV e blogueiro Paulo Henrique Amorim, durante o debate "O papel dos meios de comunicação alternativos na formação e transformação social", realizado na noite da última segunda-feira na sede nacional da CUT. O debate acompanhou o lançamento da primeira edição do Jornal da CUT.

Ao falar em espectro, Paulo Henrique (foto) não se referia à existência de espaço na rede mundial de computadores, mas à possibilidade de popularizar páginas virtuais antes que a máquina da indústria do entretenimento e do jornalismo político-partidário sufoque as tentativas. A análise parecia antever que o iG o demitiria no final da tarde desta terça (18/3), retirando o blog Conversa Afiada do ar. O Conversa Afiada tinha audiência de 30 mil leitores por dia e mais de 160 mil page views. Nele, o jornalista atacava com veemência a grande mídia e defendia a democratização da comunicação.

No debate da noite de segunda, o jornalista destacou que, por seu baixo custo e amplo alcance, a internet deve ser prioridade para todo o movimento social que quiser construir meios de comunicação alternativos. "Precisamos meditar sobre o uso dos parcos recursos existentes para a construção de uma mídia alternativa", afirmou Paulo Henrique durante o debate.

O apresentador da TV Record e coordenador do blog Conversa Afiada destacou a importância de veículos impressos – classificou o Jornal da CUT e a iminente chegada da Revista do Brasil às bancas como "notícias alvissareiras", mas apontou o noticiário virtual e iniciativas como o portal Mundo do Trabalho como um salto tecnológico que deve integrar as mídias e que pode, desde já, promover a democratização dos meios de comunicação.

Parte da fala de Paulo Henrique Amorim foi reservada a ataques contra a concentração da mídia em poucos grupos empresariais e a constante perseguição a quaisquer projetos que apontem para maior inclusão social. "O golpismo é uma tradição da imprensa brasileira. Getúlio Vargas deu um tiro no peito após a avalanche golpista do Assis Chateaubriand, do Roberto Marinho e do Carlos Lacerda. Uma vez entrevistei o Juscelino Kubitscheck, para a Veja, quando era dirigida pelo Mino Carta, e ele me disse que uma das principais razões para a mudança da sede do governo para Brasília foi o fato de ele não suportar mais chegar à ala residencial do Palácio do Catete e ouvir o Carlos Lacerda na rádio Globo, todos os dias, pedindo o impeachment", contou o jornalista.

Listou ainda a queda de João Goulart e o "processo de destruição sistemática da imagem do Rio de Janeiro pelas Organizações Globo para atingir Leonel Brizola. Forjaram um estereótipo do Rio que não é verdadeiro e que até hoje prejudica sua população". Por essas e outras razões, Paulo Henrique passou a utilizar a expressão PIG (Partido da Imprensa Golpista), formulada pelo deputado Fernando Ferro (PT-PE).

Após a fala do jornalista, foi aberta a participação aos presentes. Muitas críticas foram dirigidas à política de comunicação do governo federal – especialmente ao destino majoritário das verbas publicitárias para veículos que o atacam sistematicamente. Na coordenação da mesa, Rosane Bertotti destacou, em comentário sobre as perguntas, que os movimentos sociais têm lutado para construir uma Conferência Nacional de Comunicação, instrumento que poderia formular propostas políticas públicas de comunicação.

O jornalista comentou que não acredita que este ou os governos que o sucederão enfrentem os grandes meios de comunicação. Sobre a divisão do bolo publicitário, Paulo Henrique arrematou: "Esqueçam o governo. Metam o pé na porta e construam uma política de comunicação alternativa com o que têm".

Pescado do portal Mundo do Trabalho.


Jabuti não sobe em árvore

Já comentamos aqui neste blog de província o fato de o presidente Lula estar terçando com pau de dois bicos na corrida eleitoral de 2010 ao Planalto. De um lado, fomenta vôos eletivos inaugurais da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, de outro, costura com fios de paciência chinesa, uma candidatura exótica (não-petista), que seria o atual governador de Minas Gerais, Aécio Neves.

Neste último final de semana, houve um reforço do lado mineiro da equação lulista. Num embate branco no diretório petista de Belo Horizonte, o grupo do ministro Patrus Ananias foi batido pelo prefeito Fernando Pimentel, no debate sobre a antecipação do lançamento de um candidato não-petista à prefeitura da Capital mineira. Como sabemos, Pimentel é plenipotenciário de Lula para tratar com o governador mineiro de uma aliança que começa agora em BH, mas que visa objetivamente 2010, com Aécio, de preferência fora do PSDB e filiado ao PMDB. Já se vê que estamos diante de uma costura de pontos miúdos e grandes cerzidos.

A todas essas, a candidatura da ministra Rousseff recebe o estímulo do vinagre, agravada pela sua inapetência para o rito cordial ( no sentido buarqueano da expressão) da política partidário-eleitoral. Como dizia Ulisses Guimarães, repetindo o dito popular, jabuti não sobe em árvore, se lá está, ou foi gente ou foi enchente. Rousseff está dependurada onde Lula a colocou, mas não é o seu chão predileto.

Haja vista, a impropriedade que cometeu neste domingo, em Porto Alegre, quando mencionou uma suposta fila petista à deputada Maria do Rosário, que disputava a pré-candidatura do PT às eleições de outubro próximo, sugerindo que a parlamentar estava derrotada e que teria que aguardar a sua vez de disputar o Executivo municipal. Ocorre que a deputada venceu a disputa com o candidato da ministra, Miguel Rossetto. E a ministra, ao que se saiba, contribuiu apenas com o seu singular voto na corrida petista de Porto Alegre.

Erro primário para quem se deixa conduzir para galhos de altas árvores. Mas nem tudo está perdido para a ministra, ao contrário, sua candidatura ao Palácio Piratini – especialmente depois que surgirem os primeiros resultados dos imensos investimentos do PAC no Estado – tem franca viabilidade dentro e fora do PT/RS.

Hoje, eu diria que é pule de 10, na paupérrima galeria das atuais lideranças guascas, além de cumprir o reembaralhamento das cartas petistas, tão esvaziadas de projetos políticos estratégicos e tão comprometidas pelo ultrapragmatismo mais imediatista e rasteiro.

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