
Se der tudo errado, Yeda já tem os cúmplices
Deu no excelente blog RS Urgente, hoje:
O empréstimo do Banco Mundial
Qual é, exatamente, a contrapartida do Estado do Rio Grande do Sul no contrato do empréstimo de US$ 1,1 bilhão junto ao Banco Mundial? Segundo a governadora Yeda Crusius (PSDB), a contrapartida é “o compromisso com a manutenção do ajuste fiscal e com a modernização da gestão pública”, frase repetida pelos representantes do Banco Mundial. Ou seja, o compromisso com a manutenção e aprofundamento da política econômica que vem sendo implementada pelo governo tucano. “É um ato de um governo que entendeu que era hora de um projeto de desenvolvimento que resgatasse o diálogo com todos os setores da sociedade”, disse, eufórica, a governadora gaúcha.
Perguntar não ofende: ao apoiar os termos do empréstimo (e, portanto, suas contrapartidas), disputando inclusive sua paternidade, a oposição ao governo Yeda não está, no fundo, concordando com uma das políticas centrais do atual governo?
O empréstimo não é um fato isolado, mas sim uma iniciativa estratégica de um governo que aposta no choque de gestão como uma política central. Concordar com os termos do empréstimo e suas respectivas contrapartidas não significa aceitar, na prática, essa política? No ato de assinatura do empréstimo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou: “A operação vai permitir que este Estado dê um salto de qualidade em suas condições fiscais e que a população usufrua do desenvolvimento a que tem direito”. É exatamente o mesmo discurso da governadora Yeda Crusius e do secretário estadual da Fazenda, Aod Cunha. Yeda e Aod defendem que o ajuste fiscal e a “modernização do Estado” transformam-se em posto de saúde, em estrada, em empregos e em educação de qualidade. É isso mesmo? Se há um consenso generalizado em torno dessa idéia e das políticas associadas a ela, qual é mesmo o sentido da oposição ao atual governo?
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A fotografia acima é reveladora (e comprometedora), notáveis lideranças petistas (gizados em amarelo) estão abonando de maneira sorridente e acrítica a insensata política neoliberal do governo Yeda Crusius no Rio Grande do Sul.
A ministra Dilma Rousseff parece ter pressentido o clima pega-ratão do yedismo tucano e fez forfait no ato de assinatura do empréstimo. Por outro lado, ninguém ouviu ou leu manifestação de Sua Execelência que desaprove categoricamente a política tucana no Estado. Por quê?
Ainda está em tempo de fazê-lo, senhora Rousseff. O futuro será implacável com quem avalizou a política “choque de gestão” no Rio Grande do Sul.