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Surf no lixo contemporâneo: a que ponto chegamos! E que mundo deixaremos de herança para Keith Richards?

quinta-feira, 3 de abril de 2008


Vale arranca 7 bilhões de banco estatal

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) – instituição estatal de fomento – irá conceder para a mineradora Vale do Rio Doce (privatizada pelo governo FHC) um limite de crédito no valor de mais de R$ 7 bilhões. O montante representa o maior financiamento já concedido a um único grupo econômico. O limite de crédito vai funcionar como um cheque especial e tem como objetivo financiar os projetos da Vale, que somam quase R$ 100 bilhões de 2008 a 2012. A informação é da Radioagência NP.

A Vale tem cinco anos para usar os recursos e prazo de pagamento de dez anos. O valor da linha de crédito representa quase 10% do financiamento do BNDES previsto para este ano, que é de R$ 80 bilhões.

Sete outras empresas já haviam conseguido obter limites de crédito com o BNDES. Foram concedidos R$ 900 milhões ao grupo Gerdau e a mesma quantia para a Usiminas. Em relação a este valor, a linha de crédito da Vale representa uma alta de mais de 700%. Outros grupos já estariam interessados em obter o mesmo tipo de financiamento.



Senador tucano é o espião do dossiê

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) admitiu ontem que tomou conhecimento do dossiê com as contas dos cartões corporativos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso antes de ser divulgado pela imprensa [revista Veja e Folha] na semana passada. Ele ressaltou, no entanto, que desconhece o autor do vazamento do documento à imprensa. A informação é da Agência Brasil.

Um debate duro entre oposição e governistas foi travado no plenário após o anúncio de uma nota publicada no blog do jornalista Ricardo Noblat [insuspeito, por ser do PIG], de que o parlamentar tucano seria o autor do vazamento do documento.

Ao tomar conhecimento da nota, o senador Tião Viana (PT-AC) pediu a Álvaro Dias (foto) que desse explicações sobre o seu conteúdo. O senador tucano afirmou que não discutiria se o documento foi vazado pela oposição.

"Na segunda-feira (31) afirmei que tinha o dossiê. Eu vi e outros viram", disse.

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), afirmou que a informação de que alguém de dentro do Palácio do Planalto teria retirado informações do banco de dados da Presidência "mostra que o governo foi vítima e não algoz", no episódio.

"Existe [no banco de dados da Presidência da República] material sigiloso e material não sigiloso. Material não sigiloso pode circular a vontade. Material sigiloso não pode circular, é crime. Subtrair esse tipo de informação é espionagem, e o que estamos vendo é que houve espionagem para atacar o governo e atacar politicamente a ministra Dilma [Rousseff, da Casa Civil]", afirmou Jucá.

No debate em torno da questão, os governistas seguiram a mesma linha de Jucá, de que o governo foi vítima de espionagem. Já a oposição, insistia na tese de que o que importa é o conteúdo das informações e não a discussão do autor do vazamento das informações.


quarta-feira, 2 de abril de 2008


As inscrições estão abertas.




A grande mídia e o golpe

Passados 44 anos do golpe, todos se apresentam como democratas. Para um jovem, hoje, portanto, sobra sempre a pergunta: "Se todos eram democratas e se opunham à ditadura, quem deu o golpe e quem manteve o regime?

A primeira resposta que lhes virá à cabeça será: "Os militares".

Foi esta a versão que acabou por se firmar. Versão construída e difundida pela grande mídia, com o apoio e a serviço de banqueiros, grandes industriais, monopólios comerciais, grande capital internacional, governo dos EUA e uma série de classes e setores de classes que, juntamente com essa mesma grande mídia, conspiraram contra as reformas de interesse popular defendidas pelo governo do presidente João Goulart. Esse mesmo conjunto de civis que se locupletaram com o regime instaurado em 1964 e o alimentaram.

É certo que setores majoritários da mais alta hierarquia das forças armadas conspiraram lado a lado com aquelas forças, e lhes serviram de braço armado no 31 de março. Além disto, ao longo dos anos de chumbo, militares se prestaram a fazer o "trabalho sujo", reprimindo, prendendo, torturando, assassinando e ocultando cadáveres de opositores. Mas, ainda aí, não estiveram sozinhos: é sobejamente conhecido o financiamento por empresários para a construção e manutenção do aparato repressivo, bem como as denúncias sobre a presença de industriais atuando nas salas de torturas.

Mas nossa elite econômica tem hábitos semelhantes aos de alguns felinos, que costumam ocultar suas imundícies. E um dos seus setores, os oligopólios da comunicação, é o principal instrumento do transformismo.

Com o fim regime, esses oligopólios midiáticos cuidaram de transformar os militares em bois de piranha, enquanto nos bastidores se articulavam para participar, com os seus colegas empresários financiadores do aparato da repressão, do novo banquete. Para isto venderam aos incautos a idéia de que o golpe e o regime foram obra de um estamento (forças armadas), ocultando seu caráter de classe.

Desde sempre golpista, vejamos como a grande mídia se dirigiu ao país em seus editoriais do dia 2 de abril (como o golpe foi desfechado na noite de 31 de março para a madrugada do dia 1º de abril, a maioria dos jornais tratariam o assunto apenas em 2 de abril).

O Globo (RJ)

"Vive a Nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os patriotas (...) para salvar o que é essencial: a democracia, a lei e a ordem. Graças à decisão e ao heroísmo das Forças Armadas (...) o Brasil livrou-se do Governo irresponsável, que insistia em arrastá-lo para rumos contrários à sua vocação e tradições. (...) Poderemos, desde hoje, encarar o futuro confiantemente (...) Salvos da comunização que celeremente se preparava, os brasileiros devem agradecer aos bravos militares, que os protegeram de seus inimigos. (...) Aliaram-se os mais ilustres líderes políticos, os mais respeitados Governadores, com o mesmo intuito redentor que animou as Forças Armadas. Era a sorte da democracia no Brasil que estava em jogo.(...) A esses líderes civis devemos, igualmente, externar a gratidão de nosso povo.(...) Se os banidos, para intrigarem os brasileiros com seus líderes e com os chefes militares, afirmarem o contrário, estarão mentindo, estarão, como sempre, procurando engodar as massas trabalhadoras, que não lhes devem dar ouvidos(...) .

Jornal do Brasil (RJ)

"Desde ontem se instalou no País a verdadeira legalidade ... Legalidade que o caudilho não quis preservar, violando-a no que de mais fundamental ela tem. (...) A legalidade está conosco e não com o caudilho aliado dos comunistas.(...)"Golpe? crime só punível pela deposição pura e simples do Presidente. Atentar contra a Federação é crime de lesa-pátria. Aqui acusamos o Sr. João Goulart de crime de lesa-pátria. Jogou-nos na luta fratricida, desordem social e corrupção generalizada". (1º de abril)

O Estado de Minas (MG)

"Multidões em júbilo na Praça da Liberdade. Ovacionados o governador do estado e chefes militares.O ponto culminante das comemorações que ontem fizeram em Belo Horizonte, pela vitória do movimento pela paz e pela democracia foi, sem dúvida, a concentração popular defronte ao Palácio da Liberdade".

O Dia (RJ)

"A população de Copacabana saiu às ruas, em verdadeiro carnaval, saudando as tropas do Exército. Chuvas de papéis picados caíam das janelas dos edifícios enquanto o povo dava vazão, nas ruas, ao seu contentamento"

Tribuna da Imprensa (RJ)

"Escorraçado, amordaçado e acovardado, deixou o poder como imperativo de legítima vontade popular o Sr João Belchior Marques Goulart, infame líder dos comuno-carreiristas-negocistas-sindicalistas. Um dos maiores gatunos que a história brasileira já registrou, o Sr João Goulart passa outra vez à história, agora também como um dos grandes covardes que ela já conheceu"

O Povo (CE)

"A vitória da causa democrática abre o País a perspectiva de trabalhar em paz e de vencer as graves dificuldades atuais. Não se pode, evidentemente, aceitar que essa perspectiva seja toldada, que os ânimos sejam postos a fogo. Assim o querem as Forças Armadas, assim o quer o povo brasileiro e assim deverá ser, pelo bem do Brasil" (3 de abril)

O Cruzeiro (RJ)

"Sabíamos, todos que estávamos na lista negra dos apátridas - que se eles consumassem os seus planos, seríamos mortos. Sobre os democratas brasileiros não pairava a mais leve esperança, se vencidos. Uma razzia de sangue vermelha como eles, atravessaria o Brasil de ponta a ponta, liquidando os últimos soldados da democracia, os últimos paisanos da liberdade" (O Cruzeiro – revista semanal – 10 de abril)

Já imaginaram se a revista Veja existisse naquela época?

Editorial do jornal Brasil de Fato, de ontem.




Lair Ferst, o fotogênico

A reportagem da última sexta-feira em Zero Hora é uma mostra do potencial, ainda que limitado, dos blogs. Até onde sei, foi a primeira vez desde que estourou o escândalo do Detran que o jornal publicou a foto, do seu próprio banco de imagens (19 de outubro de 2006), em que Lair Ferst, uma das peças-chave no esquema de desvio de recursos, aparece ao lado da governadora Yeda Crusius durante um ato da campanha eleitoral.

Esta foto circulava há um certo tempo. Vários blogs do Rio Grande do Sul passaram a publicá-la após o surgimento das primeiras notícias sobre a participação de Lair Ferst no esquema. Só agora, Zero Hora a republica. Prova de que os veículos da grande imprensa estão cada vez mais monitorando alguns blogs, que acabam por conseguir influenciar, ainda que timidamente, a cobertura dos jornais.

É uma foto importante. O fato de Ferst aparecer ao lado de Yeda está longe de comprometer pessoalmente a governadora, mas mostra que Ferst, “tratado como um dos coordenadores do grupo que comandou a vitória tucana” em 2006 (afirmação de Zero Hora), não era uma figura de pouco vulto dentro do PSDB. Não seria, portanto, um “free-lancer” em matéria de corrupção, atuando sozinho à revelia dos comandos políticos, como às vezes escutamos por aí, da boca de quem já procura se prevenir.

Na internet, é possível encontrar outra foto (no alto) de Ferst ao lado de importantes figuras, no caso, da radiodifusão brasileira. Num encontro da Associação Brasileira das Emissoras de Radio e Televisão (Abert), em 2006, ele aparece ladeado por Roberto Cervo, presidente da Agert, e José Inácio Pizani, presidente da Abert.

Pescado do blog do jornalista Daniel Cassol.


Mais uma burrice do governo Yeda

A inabilidade político-administrativa do governo Yeda Crusius é algo que impressiona. Às vésperas de obter êxito na contratação de um empréstimo de um bilhão de dólares junto ao Banco Mundial para fazer frente ao mega rombo fiscal do Estado, esta atrapalhada administração tucana resolveu semana passada procurar sarna para se coçar.

É inacreditável, mas o governo Yeda entrou com uma ação cautelar no Supremo Tribunal Federal que o autorize assinar o contrato sem aval da Secretaria do Tesouro, condição indispensável para que os recursos fluam de Washington para Porto Alegre. Legalmente, nenhum ente federado pode contrair dívidas no Exterior sem o expresso aval do Senado e do Ministério da Fazenda do Brasil. Com a liminar, o governo Yeda acha que pode fazer diferente.

O ministro Ricardo Lewandowski negou o pedido, afirmando que não se justifica o temor da Secretaria da Fazenda de que a União possa proibir o empréstimo, segundo informa o jornal Zero Hora.

"Ante o vulto e a importância a ser liberada no empréstimo, não vejo como superar a análise do pleito pela Secretaria do Tesouro Nacional do Ministério da Fazenda", escreveu Lewandowski na decisão, acrescentando que também não é suficiente o argumento de que o Estado enfrenta dificuldades financeiras.

O governo Yeda comete uma brutalidade política e uma incivilidade inominável com a Secretaria do Tesouro Nacional do Ministério da Fazenda. Depois de operar tratativas morosas e delicadas que já duram praticamente um ano, com o próprio governo federal e com as várias missões técnicas do Banco Mundial, algum golden boy voluntarioso do yedismo guasca pode pôr tudo a perder. Por cupidez, burrice e despreparo político.

A esta altura, a asnice já é quase uma marca tucana na administração pública do Rio Grande do Sul.


terça-feira, 1 de abril de 2008


Editorial de "O Globo", em 2 de abril de 1964

“Vive a Nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os patriotas, independentemente de vinculações políticas, simpatias ou opinião sobre problemas isolados, para salvar o que é essencial: a democracia, a lei e a ordem. Graças à decisão e ao heroísmo das Forças Armadas, que obedientes a seus chefes demonstraram a falta de visão dos que tentavam destruir a hierarquia e a disciplina, o Brasil livrou-se do Governo irresponsável, que insistia em arrastá-lo para rumos contrários à sua vocação e tradições.

Como dizíamos, no editorial de anteontem, a legalidade não poderia ser a garantia da subversão, a escora dos agitadores, o anteparo da desordem. Em nome da legalidade, não seria legítimo admitir o assassínio das instituições, como se vinha fazendo, diante da Nação horrorizada.

Agora, o Congresso dará o remédio constitucional à situação existente, para que o País continue sua marcha em direção a seu grande destino, sem que os direitos individuais sejam afetados, sem que as liberdades públicas desapareçam, sem que o poder do Estado volte a ser usado em favor da desordem, da indisciplina e de tudo aquilo que nos estava a levar à anarquia e ao comunismo.

Poderemos, desde hoje, encarar o futuro confiantemente, certos, enfim, de que todos os nossos problemas terão soluções, pois os negócios públicos não mais serão geridos com má-fé, demagogia e insensatez.

Salvos da comunização que celeremente se preparava, os brasileiros devem agradecer aos bravos militares, que os protegeram de seus inimigos. Devemos felicitar-nos porque as Forças Armadas, fiéis ao dispositivo constitucional que as obriga a defender a Pátria e a garantir os poderes constitucionais, a lei e a ordem, não confundiram a sua relevante missão com a servil obediência ao Chefe de apenas um daqueles poderes, o Executivo.

As Forças Armadas, diz o Art. 176 da Carta Magna, "são instituições permanentes, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade do Presidente da República E DENTRO DOS LIMITES DA LEI."

No momento em que o Sr. João Goulart ignorou a hierarquia e desprezou a disciplina de um dos ramos das Forças Armadas, a Marinha de Guerra, saiu dos limites da lei, perdendo, conseqüentemente, o direito a ser considerado como um símbolo da legalidade, assim como as condições indispensáveis à Chefia da Nação e ao Comando das corporações militares. Sua presença e suas palavras na reunião realizada no Automóvel Clube, vincularam-no, definitivamente, aos adversários da democracia e da lei.

Atendendo aos anseios nacionais, de paz, tranqüilidade e progresso, impossibilitados, nos últimos tempos, pela ação subversiva orientada pelo Palácio do Planalto, as Forças Armadas chamaram a si a tarefa de restaurar a Nação na integridade de seus direitos, livrando-os do amargo fim que lhe estava reservado pelos vermelhos que haviam envolvido o Executivo Federal.

Este não foi um movimento partidário. Dele participaram todos os setores conscientes da vida política brasileira, pois a ninguém escapava o significado das manobras presidenciais. Aliaram-se os mais ilustres líderes políticos, os mais respeitados Governadores, com o mesmo intuito redentor que animou as Forças Armadas. Era a sorte da democracia no Brasil que estava em jogo.

A esses líderes civis devemos, igualmente, externar a gratidão de nosso povo. Mas, por isto que nacional, na mais ampla acepção da palavra, o movimento vitorioso não pertence a ninguém. É da Pátria, do Povo e do Regime. Não foi contra qualquer reivindicação popular, contra qualquer idéia que, enquadrada dentro dos princípios constitucionais, objetive o bem do povo e o progresso do País.

Se os banidos, para intrigarem os brasileiros com seus líderes e com os chefes militares, afirmarem o contrário, estarão mentindo, estarão, como sempre, procurando engodar as massas trabalhadoras, que não lhes devem dar ouvidos. Confiamos em que o Congresso votará, rapidamente, as medidas reclamadas para que se inicie no Brasil uma época de justiça e harmonia social. Mais uma vez, o povo brasileiro foi socorrido pela Providência Divina, que lhe permitiu superar a grave crise, sem maiores sofrimentos e luto. Sejamos dignos de tão grande favor”.

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Com licença, leitores, terei que ingerir uma cartela de Dramin. Fui...



Bancos mostram força no governo Lula

O sistema financeiro do Brasil dobrou de tamanho no governo Lula e os lucros triplicaram, impulsionados pelo crescimento do crédito e pelos juros ainda elevados. De acordo com o ranking dos maiores bancos elaborado pelo Banco Central (BC) e divulgado em sua página na internet, o sistema financeiro ultrapassou a barreira dos R$ 2 trilhões em ativos totais e fechou 2007 com R$ 2,559 trilhões, com crescimento de 28,1% sobre 2006 e de 92,1% sobre os R$ 1,332 trilhão de 2003. A informação está no jornal Valor, de hoje.

Os dados divulgados pelo Banco Central também mostram que o Itaú com R$ 288,8 bilhões em ativos totais, fechou o ano à frente no ranking do Bradesco, apresentado com R$ 284,4 bilhões, de acordo com o critério do BC, que exclui as operações com seguros. Considerando-se os balanços consolidados das duas instituições, porém, o Bradesco fica à frente com R$ 341,2 bilhões e o Itaú atrás, com R$ 294,9 bilhões. Ao final de 2006, o Itaú estava em quarto lugar entre os bancos no ranking do BC, depois do Banco do Brasil, do Bradesco e da Caixa Econômica Federal.

Pelos dados do BC, o ABN AMRO e o Santander somavam R$ 275 bilhões em ativos totais ao final de 2007 e ficam no terceiro lugar entre os maiores do setor privado, e quarto maior do mercado, à frente da Caixa Econômica Federal, com R$ 249,6 bilhões em ativos.

A expansão do crédito puxou o crescimento dos lucros e do tamanho dos bancos. A carteira de crédito cresceu 25,2% em 2007 para R$ 865,3 bilhões, saltou 111,5% sobre 2003.

Com isso, o sistema financeiro acumulou um lucro líquido consolidado de R$ 57,4 bilhões em 2007, 18,6% a mais do que em 2006 (R$ 42,1 bilhões). Mas, o crescimento foi de nada menos que 200,5% sobre os R$ 19,1 bilhões de resultado em 2003, primeiro ano do governo Lula.

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Os economistas marxistas Gérard Duménil e Dominique Levy definiram o neoliberalismo como a “expressão ideológica da hegemonia da finança”. Com esses dados divulgados pelo Banco Central do Brasil algum recalcitrante ainda tem dúvida sobre quem tem a efetiva hegemonia da política brasileira?

Ou dito de outra forma: alguém duvida que se tome alguma medida estrutural no Brasil, sem o expresso consentimento do sistema financeiro?

Neste sentido, a popularidade extraordinária do presidente Lula (que é inegável) adquire um caráter relativo, face à acachapante força hegemônica do sistema bancário que orienta a economia e parte da política do governo federal, haja vista toda a sorte de dificuldades e entraves sofridos pela reforma agrária nestes cinco anos de lulismo, só para citar um único exemplo.



Abaixo-assinado contra o Trabalho Escravo no Brasil. Participe!

“Exigimos a aprovação imediata da Proposta de Emenda Constitucional 438/2001, que prevê o confisco de terras onde trabalho escravo foi encontrado e as destina à reforma agrária. A proposta passou pelo Senado Federal, em 2003, e foi aprovada em primeiro turno na Câmara dos Deputados em 2004. Desde então, está parada, aguardando votação". Este é o teor do abaixo-assinado organizado pelo Movimento Nacional pela Aprovação da PEC 438 e pela Erradicação do Trabalho Escravo.

Integram o movimento: a Subcomissão de Combate ao Trabalho Escravo no Senado Federal, Subcomissão de Combate ao Trabalho Escravo, Degradante e Trabalho Infantil na Câmara dos Deputados, Secretaria Especial dos Direitos Humanos, OIT, CPT, Fórum Nacional da Reforma Agrária, MST, Via Campesina, Contag, Fetraf, Coetrae-MA, Coetrae-TO, CDVDH, CRS, Sinait, Anamatra, ANPT, ANPR, AMB, Ajufe, OAB, Abra,Grupo de Pesquisa Trabalho Escravo Contemporâneo, Movimento Humanos Direitos, Repórter Brasil, Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social.

Se quiser assinar o abaixo-assinado é só clicar aqui.



O PIG e seus especialistas fuleiros

O PIG adora consultar especialistas para certos temas. É uma forma de emprestar um caráter mais “científico” aos argumentos e assegurar a idéia de (pseudo) neutralidade ao objeto de discussão.

Só que da missa, eles contam a metade. Vejam o caso do Estadão (no fac-símile). Com o objetivo político-eleitoral de sabotar a virtual candidatura da ministra Dilma Rousseff, eles pedem a opinião de um “analista”, que é nada mais nada menos que o fuleiro historiador Marco Antonio Villa. O professor da UFSCar cumpre o seu papel com ares de Cassandra grega: “a candidatura de Dilma está morta, depois do dossiê contra Fernando Henrique, ela agora é a madrasta do dossiê”. E por aí vai.

Mas quem é o “analista” escolhido pelo panfletário Estadão? Marco Antonio Villa é um velho militante tucano. Ninguém é contra que indivíduos engajados politica e partidariamente emitam teses e opiniões sobre os mais variados temas, o que fica impróprio e desonesto é passar uma idéia de neutralidade ao leitor, uma idéia de que o “analista” não seja parte interessada no tema que comenta.

O professor Villa é autor de uma coleção - feita sob encomenda - chamada “Sociedade e História do Brasil”. O cliente do professor é o Instituto Teotônio Vilela, encarregado da formação de militantes do PSDB. Na obra, Villa junta iconoclastia sensacionalista e “samba do crioulo doido”, rebaixa o papel de Tiradentes, indaga se a República realmente trouxe progresso ao País, guardando uma evidente nostalgia pela família Orleãs e Bragança, e culmina afirmando que o presidente João Goulart foi um “incapacitado”, quase que na linha de justificar o golpe militar de 1964.

Este, pois, é um dos grandes especialistas do PIG. Mas tem muito mais, é só ficarmos atentos que surgem diariamente especialistas nos mais diversos setores da vida social, todos ditando regras morais inabaláveis e soluções políticas irrecusáveis – para os outros.

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