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Surf no lixo contemporâneo: a que ponto chegamos! E que mundo deixaremos de herança para Keith Richards?

quinta-feira, 23 de abril de 2009

O plástico “verde” da Braskem é uma mentira




Verde, vírgula

O grupo Odebrecht/Braskem (sim, Odebrecht se origina daquela famosa empreiteira) afirma - e a mídia guasca faz coro - que estará produzindo o que chama de “plástico verde” em Triunfo (RS).
A matéria-prima desse polietileno é a cana-de-açúcar. Mas isso não garante o selo verde ao produto final, como estão alardeando aos quatro ventos do senso comum.

O plástico produzido pelo grupo Odebrecht – com recursos do BNDES e investimentos da Petrobras – não pode ser considerado “verde”.

O plástico de Triunfo é tão “verde” quanto são “silviculturas” as plantações de eucalipto e pinus das papeleiras na Metade Sul.

Trata-se de mais uma apropriação indébita da linguagem por parte dos exterminadores do futuro. Monocultura de eucalipto não é silvicultura, que se caracterizaria somente se houvesse reposição das espécies nativas do bioma Pampa. Não é o caso, as papeleiras plantam espécies exóticas e, o mais grave, o fazem em vastas extensões, não respeitando mananciais de umidade, fontes de água, microclimas e sobretudo a diversidade zoobotânica original.

O polietileno da Braskem não é “verde”, porque não é biodegradável, o que significa dizer que se degrada no mesmo longo prazo que o plástico originado do petróleo, ou seja, depois de centenas de anos.

Mas, mesmo que fosse biodegradável, admitamos, ainda assim não seria “verde”, porque o sistema de cultivo da cana-de-açúcar – no regime do agronegócio – não é sustentável. Ao contrário, o cultivo da cana é feito de forma extensiva, em vastas monoculturas, exigindo a concentração da terra, sofrendo aplicações de agroquímicos pesados e cumulativos, e fertilizantes não-orgânicos que comprometem a estrutura dos solos e desequilibram os microorganismos vivos e o ambiente natural como um todo.

Para agravar, essa produção pseudoverde vem a rigor fortalecer – econômica e politicamente – as famigeradas cadeias produtivas que formam o chamado agrobusiness, a saber: os oligopólios dos grãos, os oligopólios das sementes, dos alimentos industriais, dos fertilizantes e agroquímicos e por último (ou por primeiro), a hegemonia do capital financeiro – que subtrai o seu nada modesto quinhão de cada operação negocial deste grande circuito do qual poucos participam.

15 comentários:

Alvaro Andrade disse...

Ok, o plantio de cana de açucar não é sustentável, mas de qlqer forma não será o 'plastico verde' que irá provocar um aumento exagerado na produção de etanol. Feil, como sempre fostes ponderado, te cobro a informação de que a tecnologia é chamada de verde pela drástica redução na emissão de CO2 na atmosfera em comparação com o plastico produzido derivado de petroleo...isonomia, carissimo.

Prieb disse...

A captura de Co2 na atmosfera por parte de um canavial é insignificante. Acontece mas é irrisório. Não podemos iludir a população de que o plástico é "verde" e continuar estimulando as sacolinhas de super e o consumo absurdo de embalagens de mil porcarias.

marcelo disse...

Na europa está forte a campanha contra os biocombustíveis feitos em florestas equatoriais. Primeiro a Alemanha viu o erro que foi utilizar óleo de palmeira da indonésia e voltou atrás. Agora tb estao percebendo o erro que será se comecarem a utilizar o etanol brasileiro.

Anônimo disse...

Infelizmente o Rio Grande do Sul é campo fértil para essas aventuras empresariais que destroem o meio ambiente. As secas que tem castigado o Estado podem ser reflexo da exploração agrícola desenfreada. Chega desse papo de "modernismo e alta tecnologia" para justificar a desertificação do Brasil.

Anônimo disse...

Amigo, teu conhecimento sobre silvicucltura é tão vasto quando a inteligência da Yeda: próximo de zero.
Você não teceu nenhum comentário sobre o plantio, o manejo, os impactos amientais. Também não falou sobre a mão de obra empregada na colheita da cana. Em compensação, fala um monte de asneira sobre os "exóticos" eucaliptos, como se arroz plantado ilegalmente pelo MST não é exótico, o gado do Pampa é exótico, o milho, a soja, o trigo, a alfafa.... praticamente tudo é exótico. Ah, menos a mandioca e a erva-mate....

Ary disse...

As empresas que fizerem do verde apenas marketing, sucumbirão.

Ary disse...

Por mais sustentável que seja a instalação de um laboratório de cocaína (energia solar, reuso da água, ventilação e luminosidade natural, materiais ecológicos, etc.) ele sempre irá produzir... cocaína - ainda que pura.

Breton disse...

MAs no caso Ary, nem isso, pois o "plástico verde" na prática só tem de avanço a cana-de-açucar mesmo. O plantio que na lógica demente da RBS captura carbono. Como se quse tudo oq se plantasse não capturasse. Como se manter áreas florestais, o bioma natural, sem o tal zoneamento (a amazonia q o diga) não capturasse.

E o pior, o "jornal" no caso ainda faz pior. Em uma das perguntas acima da destacada, afirma que o mercado do "plástico verde" é o dos produtos biodegradáveis, que vem crescendo...Mas o pá! O PV não é biodegradável, como mostra a própria afirmação seguinte do jornaleco!!!

Tenho um conhecido na Braskem que me afirmou que as únicas vantagens do tal plástico são a de emitir menos carbono (CASO FOR QUEIMADO!!) e a de gerar um pouco menos de resíduos SÓLIDOS!

O x da questão é o que o Ary e o Tóia colocaram, mesmo se fosse verde, para suprir a demanda da sociedade por plástico teriamos que plantar cana em todo o Brasil...Assim como o biocombustível...

Cada vez mais, em termos ambientais, não existe o menos pior, estamos em uma situação qse limite.

Ah, para não esquecer, acho que da para começar a moderar os comentários, pois surprendentemente depois q o Maia ficou com 1 por tópico começou a surgir um monte de "direitistas" ofensivos...

Ary disse...

É isso mesmo, Breton!

Agrícola disse...

Quanta opinião furada!

São analistas urbanos os comentaristas do blog. Sá falam asneiras.

André disse...

Cristóvão ,essa é boa:"mão de obra empregada na colheita da cana" Só usam máquina pro serviço!E nesses locais não se cria nada,passarinho...nada selvagem...nem bugio vai morar nessas árvores!Só a Ana Amélia lemos pra achar isso bom!

Anônimo disse...

Sabichões,
A Braskem nunca disse que o plástico é verde por ser biodegradável. Caso tenham iniciativa de ler o site, entenderão que é chamado "verde" por alguns detalhes em todo o processo:
- matéria-prima é obtida de fonte renovável, cana-de-açúcar, e não petroléo, fonte fóssil esgotável. Pode ser comprovado quando é um ou outro através das moléculas de carbono;
- obtem-se o enteno pela desidratação do álcool. Catalisadores removem os contaminantes geraods e o único subproduto, água, pode ser utilizada em várias etapas agrícolas e do processo industrial.
- a outra grande sacada é q com o eteno verde se pode fazer, grosso modo, qualquer tipo de plástico para qualquer aplicação. Diferentes dos outros que tem aplicações restritas.

Muito xiita quem criticou e criticou a produção de plástico verde: sim, deve-se inevstir em biodegradáveis, e reaproveitar o que pode ser reaproveitado, mas o plástico está presente em tudo, não pode ser "desinventado", está presente inclusive nos aparelhos q vcs estão utilizando agora para postar aqui. Plástivo biodegradável á foi "descoberto". O Bioplastics Awards na área de inovação que a Braskem consuitou merecidamente em 2007 foi por suprir necessidade em outra etapa do processo: a matéria prima e os resíduos.
:)

Negrini disse...

Sabichões,
A Braskem nunca disse que o plástico é verde por ser biodegradável. Caso tenham iniciativa de ler o site, entenderão que é chamado "verde" por alguns detalhes em todo o processo:
- matéria-prima é obtida de fonte renovável, cana-de-açúcar, e não petroléo, fonte fóssil esgotável. Pode ser comprovado quando é um ou outro através das moléculas de carbono;
- obtem-se o enteno pela desidratação do álcool. Catalisadores removem os contaminantes geraods e o único subproduto, água, pode ser utilizada em várias etapas agrícolas e do processo industrial.
- a outra grande sacada é q com o eteno verde se pode fazer, grosso modo, qualquer tipo de plástico para qualquer aplicação. Diferentes dos outros que tem aplicações restritas.

Muito xiita quem criticou e criticou a produção de plástico verde: sim, deve-se inevstir em biodegradáveis, e reaproveitar o que pode ser reaproveitado, mas o plástico está presente em tudo, não pode ser "desinventado", está presente inclusive nos aparelhos q vcs estão utilizando agora para postar aqui. Plástivo biodegradável á foi "descoberto". O Bioplastics Awards na área de inovação que a Braskem consuitou merecidamente em 2007 foi por suprir necessidade em outra etapa do processo: a matéria prima e os resíduos.
:)

Breton disse...

Só para constar, agora que o assunto voltou a baila, e o tal Negrini colocou esse comentário 2 meses depois da discussão: Tudo o que tu colocou está no meu comentário. Quem falou em biodegradável foi a ZH, não a Braskem, seria o cúmulo. Isso , gera menos resíduos sólidos, fica só a agua. De resto é isso, fonte renovável, no caso uma monocultura, serve para quem? É melhor? Essa foi a discussão levanada. Reafirmou tudo o que foi falado...

Rosane Santiago disse...

Estive estudando sobre o plastico verde, e gostei da discussão nos comentários, e me veio 2 soluções para ele, que eu gostaria que vocês comentassem:

- E se a Braskem passasse a utilizar o aditivo D2W no Plastico Verde, tornando-o biodegradável?

- E se a Braskem investisse mais na reutilização do nafta em produtos reciclados, o que ela já vem fazendo?

Pessoal, eu sou leiga no assunto mas estive procurando possiveis soluções para convivermos com plastico, afinal, a Braskem já tem esse produto há 3 anos e nada de novo foi pensado.

Obrigada.
Rosane

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