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terça-feira, 28 de abril de 2009

A americanização da política



Entrevista com Carlos Nelson Coutinho

Em 23 minutos, ele fala, naturalmente, em Antonio Gramsci, de revolução passiva, de ditadolatria, de Chávez, de Lula, de como Lula e o PT, de uma certa forma, americanizaram a política brasileira (dias atrás, em Buenos Aires, o ex-metalúrgico teve a coragem de afirmar que em 2010 todos os candidatos são de esquerda, de Dilma a Serra, passando por Aécio...).

Carlos Nelson falou daquilo que Gramsci chamava de “pequenas políticas”, ou seja, os 184 diretores do Senado, os castelos de certos deputados, o mundinho miúdo do Congresso, etc. Mais: falou sobre Lukács (“a ortodoxia do marxismo se refere somente ao método”), as novas morfologias do mundo do trabalho, o pós-fordismo, o retorno ao keynesianismo mas sem as concessões trabalhistas do welfare state, os novos fetichismos do mercado e – evidentemente – a questão ambiental e a necessidade de uma radical revisão sobre a sociedade de consumo.

Carlos Nelson Coutinho encerra afirmando que ainda acredita na forma-partido, dizendo-se preocupado com a grande fragmentação das lutas sociais em movimentos desconectados política e organicamente. No final diz-se um “otimista da vontade”, como bom gramsciano que sempre foi.

18 comentários:

panoramix disse...

Do jeito que a coisa tá indo entre esquerda e direita é melhor ir pra outro planeta. Não sei mais o que o pensar!

Carlos Eduardo da Maia disse...

Não existe nada mais chato, medíocre e anacrônico do que papo de gramsciano.

ju disse...

Tens espelho, simpático?

alípio disse...

De fato, Lula disse isso a um jornal de Buenos Aires, parece que o La Nación, diário dos latifundiários falidos metidos a british-think....

Mas o doutor Lula acabou rebaixando Dilma ao já baixíssimo patamar de Zé Serra e o neto Aécinho, um dândi de praia.

Isso é mesmo americanização da política, tornar tudo igual, uma geléia horrorosa como a política de norte américa. Lula, com todo o respeito, está patifando a política brasileira e se achando o king da coconut black. Tenho dito.

Anônimo disse...

É da Globo né!? Então = pensador vendido.

Abraço

Sr. Talibã

Anônimo disse...

MANIFESTAÇÃO NA PAULISTA

A Juventude Judaica Organizada em parceria com evangélicos, homossexuais, bahais, de defesa dos direitos humanos e da mulher, com a participação de autoridades e políticos convoca, na Avenida Paulista, neste domingo, uma manifestação contra a vinda ao Brasil do presidente do Irã, Mahamud Ahmadinejad.
Um país democrático como o Brasil NÃO PODE receber um defensor do totalitarismo, da homofobia, do revisionismo histórico, da discriminação de mulheres e religiosa (bahais, evangélicos, judeus e outras minorias torturadas, massacradas e mortas no Irã) e da destruição de Israel.
DATA – 03 de maio, domingo
HORA - às 11h00
LOCAL DO ENCONTRO – Praça Marechal Cordeiro de Farias (Praça dos Arcos, na esquina da Avenida Angélica com a Avenida Paulista

Douglas Bresolin disse...

Vídeo da Globo Feil? Essa eu não entendi. Leio todos os dias teu blog e admiro em grande parte tua crítica, inclusive sobre a manipulação da Globo.

Se manipulam as informações e documentários, como tu mesmo defende, qual a lógica de usar um documentário Global?

Suzie disse...

Cruzes!

Lá vem a velha guerra: direita X esquerda.
No meu olhar: a política está mundialmente BIPOLARIZADA.
Eu tenho lado e nada tem a ver com LULA esta "geléia".
Só o quê faltava!
Governos como o RS,SP e MG nada mais é que PRIVATIZAÇÃO do Estado.
Assim fez FHC no Brasil.
Eu não apoiei/apoio.
Tenho certeza que LULA não está defendendo o projeto de FHC.
Me poupem.
Quanto ao Irã: não vou meter a minha colher.
Meu olhar/cultura é OCIDENTAL.
Não apoio qualquer DISCRIMINAÇÃO!
Qualquer...

Anônimo disse...

Suzie,

Falando em privatizações veja o seguinte:

Em 1988, um pool de empresas, chamado Barcas S/A, comprou a antiga Conerj com a promessa de fazer investimentos "por conta e risco para melhorar o transporte hidroviário do Rio de Janeiro. Para isso, o governo não entraria com qualquer recurso e a empresa, se fosse necessário, deveria alugar barcos para dar conta do estabelecido no contrato. Entre as determinações, os passageiros da principal linha (Rio-Niteroi) deveriam ter 10.000 vagas por hora. Fora a linha lucrativa que foi criada (praça XV - Charitas), a empresa naas outras linhas só tem vinte embarcações, uma a mais do que recebeu do estado.

Dez anos depois: a empresa quer uma compensação de R$ 120 milhões. E pleiteia investimentos públicos para melhorar os Transportes.

É a "eficiência" das privatizações.

Claudio Dode

giovani montanher madruga disse...

também fiquei com um pé atrás quando vi que era da globo. porém não me impediu de vê-lo, o qual não me arrependo nenhum um pouco. não tenho como adjetivar o entrevistado, que pessoa, que intelectual, que clareza.
assim, freqüentadores do blog, não sejamos reducionistas e radicais. sabemos das distorções da globo, mas isso não deve impedir de elogiar quando fazem um bom programa.
essa radicalização, esse reducionismo, em nada contribui. sejamos críticos, não preconceituosos.
valeu feil pelo vídeo.
abraço

Anônimo disse...

Boa entrevista. Como sempre CNC convida à reflexão. Isso não quer dizer que se precise concordar com tudo que ele diz.

armando

Cristóvão Feil disse...

Prezado Douglas Bresolin,

Este blog não tem nada contra material jornalístico de qualidade, seja da Globo, seja da Folha, ou do The Economist. Já divulgamos aqui vários destes materiais, como ontem com o intelectual Carlos Nelson Coutinho, sem o menor constrangimento. Se você fica incomodado com tais postagens é muito simples, não as leia, proteste, como ontem, exponha as suas razões acerca do conteúdo destas.

Saudações!

CF

marcelo disse...

Americanizacao da política é brabo...
Noam Chomsky narra a vez que foi multado por alta velociade, quando acelerou ao se irritar com a análise do debate político na rádio. Eles comentaram como o candidato estava vestido e se ele aparentava seguranca ao falar e uma série de abobrinhas. Ai é pra matar, e o brasil vai no mesmo rumo.

Douglas Bresolin disse...

Não sou radical amigos. Queria ver qual o posicionamento do blogueiro relativo a esta crítica.

O trabalho está de parabéns!

Cristóvão Feil disse...

Pois deveria, Douglas Bresolin!

Na tua idade, ser radical é um dever de cidadania.

Abç.

CF

claudia cardoso disse...

Chamo a atenção para o conceito de público segmentado. A Globo é, acima de tudo, capitalista e sabe que, em se tratando de Internet e TV a cabo, o público é mais exigente [segmentado por condição social, nível de escolaridade, etc.]. Desta forma, as pautas são outras e, quando tratam dos temas de Jornal Nacional, o trabalho editorial é outro, mais qualificado.
Assim, para vender as suas quinquilharias publicitárias associadas às informações, concorrer com os demais portais de Internet, não terá pudores em entrevistar Coutinho, ou Ilan Pappe por exemplo. Até, porque, são ilhas de opinião de formação de massa crítica no oceano de filhadaputice midiática que a Globo promove diariamente. E ainda, de lambuja, ganha a pecha de empresa de comunicação plural e democrática...

claudia cardoso disse...

Complementando: jamais veremos uma entrevista como essa no Fantástico, no Globo repórtes, no JN, no Jornal da Noite, etc. Nesses espaços, só se serve lavagem para porcos.
Em suma, a Globo sempre será a Globo!

Douglas Bresolin disse...

Feil, não concordo com o dever da radicalidade em nenhuma idade.

Penso que tudo deve ter um senso de tamanho, intensidade e resultado.

Se for necessário radicalizar em um dado momento, faremos. Se não, não.

Abraço!

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