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Surf no lixo contemporâneo: a que ponto chegamos! E que mundo deixaremos de herança para Keith Richards?

domingo, 3 de janeiro de 2010

Jobim, o pulha, quer mesmo é apoiar o tucano Serra

Aversão à memória, oportunismo e covardia

Deu no blog RS Urgente:

A polêmica criada em torno da proposta de criação de uma comissão especial para investigar casos de tortura e desaparecimentos ocorridos durante a ditadura militar (1964-1985) mostra que a democracia brasileira ainda é tutelada. Uma tutela exercida sob várias formas, entre elas, as da aversão à memória e da negação do passado. A reação dos ministros militares e do ministro da Defesa, Nelson Jobim (PMDB) não expressa propriamente uma “divergência no governo” ou uma “crise no governo”, mas uma atitude de desrespeito ao direito do povo brasileiro conhecer sua própria história. Eles estão se opondo à criação de uma Comissão Nacional da Verdade, “com a tarefa de promover esclarecimento público das violações de Direitos Humanos por agentes do Estado na repressão aos opositores”, conforme afirma o texto apresentado pelo governo.

Jobim e os militares reclamam que essa comissão teria o objetivo de revogar a lei de Anistia, de 1979. A proposta não chega nem perto disso, rebate o Secretário Especial de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi: “O programa não é contra a Lei da Anistia. Não se trata nem de revisão e nem de anular a Lei. Está lá, no item que propõe a ação 23, que propõe a elaboração de um projeto de lei, até abril, instituindo uma Comissão Nacional da Verdade, nos termos definidos pela Lei da Anistia”. Essa comissão teria as seguintes funções: requisitar documentos; reconstituir a história dos casos de violação de direitos humanos e dar assistência às vítimas; localizar e identificar corpos e restos mortais de desaparecidos políticos; tornar públicas as estruturas utilizadas para a prática de violações durante a ditadura; e esclarecer as circunstâncias de torturas, mortes e desaparecimentos.

Ao encenar um pedido de demissão, juntamente com os chefes militares, o ministro da Defesa mostrou a natureza de seu compromisso com a democracia e com o governo ao qual pertence. Jobim quer apoiar seu amigo José Serra (PSDB) na disputa presidencial e aproveita o episódio para criar as condições de uma saída ruidosa. Um oportunismo covarde. Covardia, aliás, foi uma das palavras utilizadas pelo presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, ao criticar a postura de Jobim: “O Brasil não pode se acovardar e querer esconder a verdade. Anistia não é amnésia. É preciso conhecer a história para corrigir erros e ressaltar acertos. O povo que não conhece seu passado, a sua história, certamente pode voltar a viver tempos tenebrosos e de triste memória como tempos idos e não muito distantes”.

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O título - no alto do post - é de responsabilidade deste blog DG.

8 comentários:

Oscar Neto disse...

Espero que apóie mesmo, p/ o Lula ver por qual tipo de gente ele está cercado, que traia na undécima hora; é da natureza do escorpião fazer isto!

Jorge Vieira disse...

Muito bom, o blog vive.

Grande 2010!!!

Zé Bronquinha disse...

Para o PT pragmático, e para um LULA beatificado, a atuação de um pulha tipo Jobim, mostra que de trouxa ele não tem nada.É mais da direita clássica entronado neste governo, que, por ajudar banqueiros, latifundiários,militares de alta patente, mega empresários da indústria, fez com que "nunca na história desse país" caísse tanto restos para os de baixo, já que os de cima, nunca tiveram a mesa tão farta. O que mais dói é a perda histórica da possibilidade de um grande enfrentamento de classe como faz Hugo Chaves, Evo Morale e Rafael Correa.

Anônimo disse...

Jobim é inteligente e conhece a fundo a "famiglia" petralha. Ai está uma boa justificativa para sua atitude.

claudia cardoso disse...

Feil, quando eu tiver paciência, irei elencar todos os teus posts denunciando este PULHA! Merecem ser republicados.
Tenho a sensação, de que logo, logo ele sai do governo. Não tem mais como sustentar o cargo depois dessa tentativa de golpe. Lula pode ser um paciencioso negociador, mas acho [espero] que deve ter atingido o seu limite.
Outra, os sinais de alerta de que o PMDB, enqto vice da Dilma, será um problema, devem ter sido acendidos. Acho que esta possibilidade de acordo foi manchada com a gafe Jobim, o que deve ter deixado o Lula muito furioso!

Bocó-de-mola disse...

Os assasinos e torturadores de todas a ditaduras do mundo, tantos as ditaduras capitalistas da A.Latina como as socialistas da Europa oriental, foram e estão sendo julgados e penalizados.
Os EUA por exemplo, também enforcaram (por julgamneto duvidoso) o suposto ditador Sadan´por supostas atitudes criminosas (nem perto do genocidio de milhões de iraquianos que cometeram)do mesmo.
Esperemos que no Brasil, estes criminosos sejam, pelo menos, julgados. A anistia não pode ser refugio de fascínoras.

RAFAEL disse...

E ainda existe jornalistas que ficam fazendo ameças por ter sido chamado de "boquinha da Yedinha" Só poderia ser o Rogério Mendeslki!! Êle vive falando na rádio guaíba/RS!!!! "BOQUINHA" IRONIZA A TODA HORA COM ESSA EXPRESSÃO !!

Guilherme Scalzilli disse...

Uma comissão de verdade

Após desperdiçar sete anos de imensa popularidade afagando os ânimos da cúpula militar, o governo Lula está prestes a sacramentar definitivamente a impunidade dos crimes cometidos pela ditadura. A iniciativa de exumá-los agora, em momento inoportuno, contaminará os debates eleitorais com intrigas revanchistas e politizará um assunto que pertence ao âmbito criminal. Será um espetáculo inócuo de terapia coletiva, fornecendo ao Judiciário a chance de livrar-se do problema.
Apenas a mobilização maciça da sociedade, com gestão governamental inequívoca, levaria à revisão da infame Lei de Anistia. Mas esse processo deveria ter sido iniciado há anos, no mínimo quando comandos militares insubordinados permitiram o sumiço de documentos ou, depois, quando ludibriaram autoridades de primeiro escalão nos patéticos teatros das escavações improdutivas.
Não existe conciliação possível para torturadores e assassinos. Eles devem ser levados a tribunais, sob atenta execração pública. Oficial que ameaça governante civil legítimo é golpista e ponto final: cabe-lhe a exoneração ou o sol quadrado, antídotos que o Estado democrático inventou para prevenir o banditismo fardado.
A simples tolerância com as “insatisfações” do oficialato já demonstra que o presidente Lula não pretende levar a sério os nobres objetivos da comissão. Nesse aspecto, lamentavelmente, ele terá todo o apoio da grande imprensa, que prefere esquecer certas reminiscências constrangedoras.

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