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Surf no lixo contemporâneo: a que ponto chegamos! E que mundo deixaremos de herança para Keith Richards?

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Armação de Veja/Gilmar Mendes/Jobim é desmascarada pela Polícia Federal


Está provado, não houve o grampo no presidente do STF

Sem encontrar o áudio e sem identificar o responsável pela eventual gravação, a Polícia Federal concluiu a investigação que apurou o suposto grampo no presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes. Sem encontrar áudio de suposta interceptação telefônica de Mendes e o senador Demóstenes Torres (Dem-GO), a PF não deve indiciar ninguém.

O resultado oficial deve ser divulgado nos próximos dias.

O inquérito sobre o suposto grampo foi instaurado em setembro passado, por pressão do ministro Gilmar Mendes. Na época, o ministro, indignado com o fato de supostamente estar sendo monitorado, chegou a cobrar uma providência do presidente Lula, que em 24 horas lhe concedeu uma audiência exclusiva para tratar do “grave” caso.

Estavam presentes à audiência, o ministro Nelson Jobim e o ministro Tarso Genro. Jobim, aliado das invectivas de Mendes, saiu da reunião reclamando providências do governo do qual faz parte, fazendo eco aos factóides da revista Veja que denunciara o caso dois dias antes. O ministro Tarso Genro saiu da reunião e tentou dar uma coletiva à imprensa, mas foi monopolizado pelas manifestações duras de Gilmar Mendes cobrando enérgicas providências do Executivo, a quem atribuía leniência nos casos de – segundo ele – “abuso de autoridade policial” no caso Satiagraha. Enquanto Mendes se pronunciava de forma imperativa e excessiva, o ministro Tarso ouvia ao seu lado, calado e de cabeça baixa (foto acima, de 14/07/2008).

A revista "Veja" atribuiu a autoria da suposta interceptação ilegal a agentes da Abin que atuaram na Satiagraha. A operação foi conduzida por Protógenes e, em julho do ano passado, prendeu o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity.

Em março de 2009, Mendes falou sobre a possibilidade de o grampo não ter existido - "se a história não era verdadeira, era extremamente verossímil" - e admitiu "não ter muita certeza" sobre a participação da Abin, conforme entrevista a jornais. Na ocasião, ele pressionou pela saída do então diretor do órgão, Paulo Lacerda, que depois deixou o posto e hoje é adido policial em Portugal.

O episódio mostrou o quanto um factóide fabricado por Veja/Mendes/Jobim podem fazer o governo Lula vergar-se em conciliações que minam a autoridade e a soberania do presidente da República.

Hoje, pois, fica provado que de fato estávamos diante de uma mentira industriada com o objetivo de desestabilizar o governo e alimentar uma montante seriada de insatisfações em cadeia que pudessem colocar em xeque o presidente Lula. Tudo em vão, mas que tentaram, tentaram. Até a próxima armação e a subsequente conciliação de Lula.

A dupla Gre-Nal parece imitar o desgoverno lúmpen de Yeda Crusius


Mas o Inter "morreu" desmoralizado

Tem um conto que não lembro se é do Borges, do Faraco ou de um primo meu que encasquetava que era contista, mas só quando bebia. Como ele bebia diariamente, já se pode suspeitar o que cometia.

É a história de um idoso casto, religioso e muito rico. Um belo dia foi encontrado morto no seu quarto senhorial e austero. O cadáver exibia uma peruca feminina longa, o rosto rebocado de maquiagem grosseira e as pernas estavam envolvidas por meia arrastão de insuspeito bas-fond.

Tanto o Internacional quanto o Grêmio foram derrotados nas suas pretensões de 2009. Um desastre futebolístico guasca. O futebol minguante da dupla Gre-Nal parece que está se inspirando no desgoverno lúmpen da governadora Yeda Rorato Crusius. Lástima completa. Para o futebol, uma temporada perdida, para o governo estadual, um quadriênio irremediável.

O Grêmio ontem foi eliminado da Copa Libertadores trajando a sua tradicional camiseta tricolor, menos mal. Já o Internacional, ao perder a Copa do Brasil para o timão paulistano, vestia um uniforme irreconhecível, camisetas/calções/meias brancas. Não entendi essa opção do Inter. Por que renunciar ao seu tradicional uniforme colorado? Dá a entender – simbolicamente – que estava renunciando igualmente ao título. “Não, obrigado, ainda não estamos preparados para tamanha vitória e tanta glória”.

Enquanto a torcida vestiu a camiseta colorada, comparecendo em massa ao estádio para prestigiar o seu clube do coração, o time em campo renunciava ao título, ao futebol, e ao seu passado de conquistas.

Parece o velhinho casto, religioso e rico do conto do autor que esqueci. Morreu vestindo a renúncia simbólica do seu passado. Morreu desmoralizado. Como o Inter.

Sistema representativo do Brasil é muito caro e não funciona

Cada parlamentar custa mais de 70 vezes o PIB per capita brasileiro

Os parlamentares brasileiros são os que mais pesam no bolso do cidadão. Estudo da organização não-governamental Transparência Brasil mostra que um senador custa ao contribuinte três vezes mais do que no Chile e até 8,4 vezes mais do que na França. Já um deputado federal custa ao brasileiro duas vezes mais do que ao norte-americano e 6,5 vezes mais do que ao britânico.

O motivo da disparidade seriam os benefícios que os parlamentares do país adquiriram ao longo dos anos. O coordenador de projetos da ONG, Fabiano Angélico, exemplifica que somente no Brasil os deputados podem ter até 25 assessores. A média dos países pesquisados é de dez assessores. Outra situação semelhante acontece com os salários.

"O deputado e o senador costumam se queixar de que ganham apenas R$ 16,5 mil ao mês. Acontece que isso não é verdade. Eles ganham esse valor quinze vezes, porque chegou-se ao absurdo de dizer que no início e no final do ano eles ganham um salário. Na prática é um 14º e um 15º salário. Enquanto muitos trabalhadores não têm sequer o 13º. Isso não existe em nenhum outro lugar em que a gente pesquisou", diz.

Se comparado com a riqueza produzida no país, que é medida pelo Produto Interno Bruto (PIB), cada senador gasta ao ano 80 vezes o que um brasileiro produz. Já o custo de um deputado federal chega a quase 70 vezes o PIB per capita.

Para Angélico, a falta de transparência das instituições legislativas e a baixa fiscalização feita pela imprensa contribuem para que muitos parlamentares continuem legislando em benefício próprio. Ele acredita que a principal arma é a informação.

"É muito comum no Brasil se colocar a culpa no eleitor. ’Ah, o brasileiro não sabe votar’. Não é isso. Muitas vezes, a pessoa não tem a informação adequada para votar. Ela acaba votando mal, em algum político que não merece, muitas vezes que aquele político não é bom", diz.

Além do Brasil, a Transparência Brasil analisou os parlamentos dos Estados Unidos, Itália, Grã-Bretanha, Chile, México, Alemanha e França. A matéria é da jornalista Raquel Casiraghi, da Agência Chasque.
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O sistema representativo do Brasil está falido, agravado por um sistema eleitoral igualmente comprometido, seja pela fórmula de votação unipessoal, seja pela fragilidade dos partidos políticos, seja pela influência acachapante do poder econômico que se manifesta através das bancadas corporativas do agronegócio, das igrejas pentecostais, do capital financeiro, das grandes empreiteiras, das papeleiras e demais grupos empresariais.

Para piorar, tramita no Congresso uma denominada “reforma política” que não modifica senão de forma superficial e enganosa o problema estrutural da nossa democracia formal e representativa.

Os escândalos envolvendo o Senado e a figura deformada do ex-presidente José Sarney é apenas uma pálida ilustração das hipertrofias no parlamento brasileiro. Quem ataca e critica exclusivamente o senador Sarney está sendo cínico, porque esquece que ele é parte de um complexo que engloba os próprios críticos da grande mídia brasileira, toda ela consorciada com as velhas oligarquias regionais que sustentam o status quo e nem querem ouvir falar de uma modificação radical que elimine em definitivo esse fenômeno histórico brasileiro.

Um parlamento como o que temos – o mais caro do mundo e o que menos presta serviços à população – não garante a democracia que buscamos, ao contrário, mantém e conserva tudo o que conspira contra a democracia substantiva e participativa pelo qual lutamos.

Ilustração Elder Galvão

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Vídeos às mancheias


Documentários por um mundo mais justo

Você quer achar, assistir (e baixar) os melhores vídeos políticos, de denúncia e didáticos? Seus problemas acabaram.

Visite o blog Documentários de verdade!

Tem filmes excelentes, imperdíveis mesmo. De lambuja tem dicas de programas para baixar os vídeos, instruções e truques para melhorar os arquivos, etc.

Governo Rigotto e governo Yeda devem recursos à saúde pública estadual


MPE condena Estado a aplicar 12% em saúde

Representantes do Ministério Público Estadual/RS informaram ontem ao presidente da Assembléia, deputado Ivar Pavan, sobre as ações civis que irão propor para que o governo estadual repasse recursos à saúde.

O MPE quer que o governo repasse ao Fundo Estadual de Saúde os valores não aplicados em ações e serviços públicos nos orçamentos de 2003 a 2008 (governos Rigotto e Yeda). Os promotores ainda solicitaram providências do Legislativo para garantir no próximo orçamento os percentuais de 12% da receita líquida dos impostos e transferências e 10% da receita tributária líquida para o setor. A informação é da Agência Chasque.

Roupa nova e me devendo


Me devendo um jornalismo cidadão

Me devendo um jornal de verdade. Me devendo um jornal sem comprometimento com os destruidores do bioma Pampa. Um jornal que não seja o intelectual orgânico de arranjos político-eleitorais golpistas, antipopulares e antidemocráticos. [Sem jamais esquecer que a família Sirotsky, dona do grupo RBS e do repaginado Zero Hora, apoiou e se beneficiou do golpe civil-militar de Primeiro de Abril de 1964.]

Um jornal que não seja dissimulado, espetaculoso, senso comum rebaixado e pseudo-apartidário. Me devendo um jornal republicano (não precisa ser de esquerda), com bons textos, defensor de idéias e políticas sem a máscara da “neutralidade” e da “isenção”. Me devendo um jornal que não seja o veículo portador dos interesses do baronato do concreto, da especulação imobiliária e do desfiguramento urbano de Porto Alegre e sua natureza. Me devendo um jornal de verdade. E não um jornal guaribado e com novos cosméticos de superfície.

Em Tempo. É curioso que nos últimos dois anos e meio só duas famílias prosperaram, e estão de casa nova no Rio Grande do Sul: a família RBS/Sirotsky, com seu novo parque gráfico (que propiciou o botox em ZH), e a família Rorato Crusius, com sua flamante casa em bairro metido de Porto Alegre, mas cuja origem é mais enrolada que baile de cobras.

Municipários de Porto Alegre paralisam

Prefeito Fogaça oferece reajuste salarial de 1%. Alega que não pode conceder mais porque a crise internacional, a bolsa de mercadorias, os mercados asiáticos e o clima desfavorável na China, o furo no pneu do trem, blablablablá... uma cantilena vazia e desrespeitosa.

1% é humilhante! Hoje, paralisação geral e concentração no Paço!

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Você compraria um carro usado desta senhora?


E uma casa reformada, com documentação duvidosa?

Rapazes que nunca quiseram ser brancos – parte 2

Miles Davis. Ponto. Não precisa dizer mais nada.


Só nos reconhecemos no dinheiro


O homem sem qualidades

Para o marxismo vulgar o tema da alienação é insuportável, porque decifra o hieróglifo que esconde a identidade entre o mundo do liberalismo burguês e o mundo do stalinismo; que são tão diferentes quanto pode ser uma imagem no espelho. Sob o peso insuportável das contradições, então, o espelho se quebra, desfaz-se a mistificação e a realidade desaba, como em piegas histórias de folhetim popularesco: dois inimigos descobrem, afinal, que são irmãos (a tensão é grande), um deles, falido e abalado, não resiste e morre; e o outro, herdeiro de uma riqueza combalida, promove-se, finalmente, a sheriff do último estranho mundo invertido das mercadorias – o império onde o sol nunca se põe.

Nesta altura, pode-se perceber já não mais a presença abstrata da alienação, mas as suas marcas materiais concretas. É gerada no ato do trabalho produtivo abstrato; incorpora-se aos objetos de troca; penetra nos lares através dos valores de uso do consumo cotidiano; materializa-se no dinheiro, como medida quantitativa e qualitativa de todas as coisas e de todos os homens; institucionaliza-se na vida política como representação da universalidade; acultura-se como senso comum de uma realidade mistificada; ideologiza-se como imaginário social invertido, onde o sujeito é objeto e o objeto é sujeito. As virtudes do homem estão nas virtudes das mercadorias.

O dinheiro quantifica e qualifica o valor dos indivíduos. A auto-realização do homem sem qualidades é confundida com a capacidade de consumo dos indivíduos frustrados. O homem, assim repartido, torna-se irreconhecível, desumaniza-se, não se reconhece mais em si e no outro; mas ambos se reconhecem nas mercadorias e no dinheiro.

O mundo todo abarco e nada aperto/ É tudo quanto sinto, um desconcerto (Camões).

Esse se reconhecer nas mercadorias não é a mesma coisa que reencontrar a parte da humanidade perdida, alienada, mas valorizar por impulso racionalizante e ideológico os objetos como sujeitos da última vida social. Os objetos são feitiços que determinam (governando) o mundo invertido do último capitalismo.

A alienação, assim concebida, é uma totalidade inerente ao modo de produção de mercadorias. Uma tatuagem indelével – às vezes oculta, às vezes aparente – nas moléculas constitutivas das mercadorias e de toda a vida social de todos os homens da modernidade. É a seiva abstrata que nutre e irriga as relações sociais coisificadas da atualidade acelerando os processos históricos que desumanizam o homem, mas que, contraditoriamente, também podem apurar a reaproximação autoconsciente com a sua humanidade.

Que me dava que o mundo se acabara/ Ou que a ordem mudasse a Natureza? (Camões)

Camões, que morreu em 1580, viveu o amanhecer do que hoje está no entardecer, e parece que já reclamava um ordenamento que alterasse a natureza, a "naturalidade" dos acontecimentos da vida; ou, então, que o mundo se acabe, mesmo! Não são, certamente, os efeitos precoces da alienação capitalista; mas os resultados da inversão da consciência por efeito de mistificações religiosas, filosóficas ou políticas que mascaram historicamente a realidade do homem, impedindo-o de exercitar a unidade da razão com a liberdade no caminho da verdade.

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