O sujeito que conta uma piada dessas, com o agravante do desenho primário, do traço desgracioso e da sutileza paquidérmica, está querendo aparecer mais que a anedota. Sim, porque o objeto do riso não é a piada infame, mas o próprio contador patético.
Para achar graça “nisso”, só sendo muito misericordioso.
A autodenominada “imprensa livre” não está gostando nem um pouco do fato de a Petrobras ter inaugurado um blog onde informa sobre fatos e ações que envolvem a empresa estatal de energia.
Eu gostaria de saber como se faz o produto chamado “informação exclusiva” para todos. O jornal Zero Hora, coluna da abelhinha e jornalista Rosane de Oliveira (acima), reclama que o “produto vai acabar". (Linguajar bem mercadológico!) Deveria, portanto, reclamar de “entrevista coletiva”, para ser coerente com os seus próprios princípios profissionais.
Quando uma estatal abre a possibilidade de democratizar as suas fontes de informações – como é o caso presente da Petrobras – aí o PIG não gosta. A imprensa que se pretende livre quer continuar no jornalismo do privilégio, da exclusividade a quatro paredes, do sussurro informativo com finalidades escusas, etc.
Um blog – a horizontalização participativa e transparente da informação corporativa – não pode, deve ser interditado, constitui-se em grave ameaça ao jornalismo de cochichos e senhas só para os eleitos, os exclusivistas e os mesmos de sempre.
Pois, é assim que a mídia oligárquica está vendo o blog da Petrobras? Então, que venham mais blogs das estatais! Vivas e urras aos blogs das estatais!
A propósito da exibição do documentário sobre o cantor Wilson Simonal, que na época foi mais popular que Roberto Carlos, é preciso informar algumas coisas que o próprio filme faz questão de omitir, a saber:
Sobre o caso Simonal
Depois que o Paulo Vanzolini declarou que Simonal se gabava de ser dedo-duro, os produtores do filme “Ninguém Sabe o Duro Que Dei” (segundo Jânio de Freitas, falta a palavra 'dedo' aí nesse título), deram uma resposta. Eles retrucaram ao Vanzolini citando Chico Anysio: que apareça alguém mostrando que foi preso por ação do Simonal.
Ora, para quem viveu e sofreu a ditadura, isso é uma bobagem. Nem todo mundo que delatou está registrado. Não era de esperar, mesmo, que Simonal integrasse os quadros do Dops, no sentido de ser um informante assalariado. Ele era tão ou mais famoso que o Roberto Carlos. Acho mesmo que fazia mais barulho do que RC. Se foi informante, era um que escolheu essa condição, sem paga.
Mas o grande pecado do filme e de toda a imprensa que usa o episódio Simonal para investir contra uma fantasmagórica "esquerda" ou a "falta de coragem da classe artística" é não citar os fatos.
Eis os fatos. No julgamento civil (é bom citar esse adjetivo, já que o país estava sob uma ditadura militar), Simonal levou como suas testemunhas de defesa um oficial do I Exército e um policial do Dops. O primeiro disse que o cantor era "colaborador das Forças Armadas". O outro declarou, com todas as letras, que Simonal era informante do Dops. Pior ainda: que Simonal fornecera "informações positivas sobre colegas subversivos" (Ruy Castro, em texto citado mais abaixo). Ou seja: era um informante de resultados: não apenas dava o serviço como tudo se comprovava.
Em outras palavras, isso significa que o esperto Simona queria usar o peso dos "homens" para livrar a cara do processo em que se envolveu, sob a acusação de seqüestro e tortura de seu ex-contador. Ou, em outra suposição, os "homens" o instruíram a assumir essa postura para salvar a pele deles, policiais, já que usaram o Dops para assuntos "estranhos ao serviço". Eles e o cantor fizeram uma tremenda trapalhada, indefensável perante os chefes da repressão.
A manobra não deu certo. Primeiro, porque Simonal foi condenado a cinco anos de prisão. Está bem, cumpriu somente alguns dias, mas foi condenado. Depois, porque, com isso, tornou públicas suas relações altamente questionáveis com torturadores e afins. Além disso, assim confessou publicamente, e em juízo, que era dedo-duro. Meteu-se numa sinuca de bico. O lado popular (trabalhadores, intelectuais, estudantes, artistas etc.) naturalmente repudiava os delatores. E o lado que ele escolheu não lhe serviria muito a partir de então. Os "homens" não poderiam forçar os produtores de espetáculos a contratá-lo, se o público não estava mais a fim de ouvir um dedo-duro. Além disso, a confusão perpetrada no Dops também não interessava à repressão. Simonal ficou sozinho no meio da rua.
A notícia do que rolou no processo saiu nos jornais. Então o Pasquim - publicação de humor e crítica à ditadura - começou a tirar sarro do Simonal, com charges centradas em sua condição de dedo-duro. Alguns falam que o Pasquim "acusou sem provas". Provas? Mas o sujeito, ele mesmo, não se gabava de ser dedo-duro? Os amigos dele não foram lá e confirmaram suas bravatas?
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Mas temos de considerar as trágicas ironias dos regimes de exceção. Até aceito que Simonal não fosse exatamente um dedo-duro. Era um cara com idéias do lúmpen-proletariado, deslumbrado pelo poder. Poder, poder. E como os fardados e os torturadores eram os senhores da situação, ele - o grande vencedor das platéias, dono de contratos milionários de publicidade com a Shell - também se sentia um deles. Eis por que se jactava de estar com os homens. O cara não tinha a menor consciência social.
Nesse delírio de poder, ele cultivava "aquelas" amizades e resolveu dar uma lição no contador, a quem acusava de desfalque. Os amigos dele levaram o contador para "acertar as contas" no Dops. Torturaram o homem. Ameaçaram pegar a família dele. Forçaram-no a confessar o roubo. Eles pensaram que, com o poder que tinham, iria tudo ficar por isso mesmo. Só que a mulher do contador - um viva às mulheres! - praticamente forçou-o a dar queixa na polícia. Aí começou o fim do Simonal.
Com o processo civil que se formou, os jornais divulgaram os fatos. Afinal, o homem era hiperfamoso. Como a coisa fugiu do controle, é provável que os amigos - para livrar a própria cara e a do Simonal -, devem ter orientado o cantor a dizer que era informante. O tonto topou e levou testemunhas "idôneas" para provar isso. Pior ainda: numa comprovação "inequívoca" de que era mesmo informante, disse que o contador era "subversivo". O objetivo disso seria justificar a fato de o sujeito ter sido levado para as dependências da polícia política - não podia ser para resolver uma questão pessoal.
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Mesmo com a hipótese de Simonal não ter sido exatamente um dedo-duro, as coisas não ficam "limpas" para ele.
Além disso, levanto uma hipótese - que ninguém nunca levantou. Está bem: o cara ficou com a mão na cumbuca ao declarar em juízo que era dedo-duro. Mais uma vez, admitindo que ele não fosse, é claro que ele não poderia negar isso durante a ditadura. No entanto, depois de 1985, ele teve plenas condições de contar tudo. Não o fez. Ficou, o tempo todo, dizendo que não era dedo-duro. E só. Nunca revisitou os fatos, esclarecendo-os.
Se ele realmente estivesse interessado em livrar-se da pecha de dedo-duro, teria feito isso, entrando nos detalhes. Seria o papel dele fazer um detalhado mea-culpa, reconhecendo que na época era um parvo, não percebia o que estava acontecendo e não percebeu sequer que tudo aquilo poderia prejudicá-lo seriamente.
Então diria: de fato, fiz isso, isso e isso. Dei a entender que teria feito isso, isso e aquilo. Mas essas outras coisas a mim atribuídas não eram verdadeiras, por isso, isso e isso. Ou seja: ele já estava tão queimado que só o tim-tim-por-tim-tim poderia ajudá-lo em alguma coisa.
Mas ele nunca fez isso. Em favor dele, pode-se lembrar que, depois de 1985, talvez ele já estivesse muito prejudicado pelo álcool, que afinal o levaria à morte, e não tinha coordenação para defender-se.
De todo modo, ele não se defendeu convenientemente.
Tenho aqui nas mãos o volume (livreto e disco) da "Coleção Folha" 50 Anos de Bossa Nova - Wilson Simonal. O texto do livreto é de Ruy Castro. Eis dois trechos do jornalista e biógrafo:
- Simonal apresentou-se para se defender e, talvez para se garantir, confessou-se "de direita", partidário dos militares no poder.
- Seu nome desapareceu da mídia, suas platéias idem e quase todos os amigos também. Exceções: Miéle e Bôscoli, Elis Regina, Nelson Motta, Carlinhos Lyra, Caetano Veloso, Laurinha e Abelardo Figueiredo, poucos mais. Eles "sabiam" que Simonal era inocente - não podiam imaginá-lo roubando tempo de sua sarabanda de shows, louras e carros para fiscalizar a ideologia de colegas, assunto de que, de resto, não entendia nada. Mas esses amigos se queixam de que nem a eles Simonal se explicou direito.
Ou seja, Simonal poderia ter:
1. contado a esses amigos o que realmente aconteceu;
2. contado em detalhes aos filhos;
3. convocado a imprensa e contado tudo, alegando sua inocência;
4. pedido a ajuda de alguns dos amigos influentes e escrito um livro;
5. gravado um áudio ou vídeo caseiro contando tudo;
6. admitido os próprios erros, gravando uma fita e determinando que só poderia ser executada X anos após sua morte.
Ele nunca fez nada disso. Apenas repetiu que era inocente. Certa vez foi ao Jô Soares e, ao tratar do assunto, comportou-se como quem tinha algo a esconder, e não a esclarecer.
Tudo que não fosse a verdade detalhada só jogaria contra o cantor. Sempre soaria como: "o cara tem culpa no cartório", tem algo a esconder.
Em suma, discordo respeitosamente dos filhos dele quando propõem que o assunto Simonal se deve reduzir ao grande artista que ele foi. Se eu fosse filho dele, talvez também fizesse as mesmas coisas em favor da memória de meu pai. Mas fatos são fatos. Obter da OAB um documento dizendo que não há registro de alguém ter sido preso por delação de Simonal - isso não basta para salvar a reputação do cantor. Muita gente entregou pessoas à repressão sem que isso ficasse registrado nos documentos da ditadura. Documentos esses que até hoje não são conhecidos na sua integridade, sem contar o que os militares, decretadamente, destruíram.
Com isso, discordo também dos produtores do filme.
Aliás, há outra gravíssima consideração a fazer: Simonal foi a única pessoa, em toda a história da ditadura militar (1964-1985), a revelar publicamente que era dedo-duro. Isso é terrível, mesmo que não seja verdade.
O cantor foi vítima de sua própria arrogância e falta de consciência social e também, claro, da ditadura. Num momento de democracia, esse imbróglio (admitindo que ele não era, pura e simplesmente, um delator) não poderia ter acontecido.
Agora, a imprensa trata do assunto como se 1971 fosse 2009. Sem a perspectiva histórica, é impossível entender essas coisas. Lembre-se, por exemplo, que o simples fato de acusar falsamente o contador de subversivo poderia levar à morte do acusado. Em 1975, Vladimir Herzog, jornalista, com emprego e endereço conhecidos, entrou voluntariamente no Dops de São Paulo para atender a uma intimação. Não sobreviveu para ver nascer o dia seguinte.
Artigo de Carlos Machado, poeta e jornalista, exclusivo para o blog DG.
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O documentário sobre Wilson Simonal não acontece ao acaso. Integra um contexto de desconstituição da esquerda, especialmente aquela que pegou em armas para defender a volta da democracia, ainda que formal e incompleta. Se juntarmos a essa constatação quase acaciana o fato de que uma ex-militante dessa esquerda se prepara para disputar a presidência da República – com chances efetivas – ano próximo, então o coquetel de veneno anticomunista estará completo.
De lambuja, o filme ainda pretende dar uma chinelada na chamada “classe artística” e nos intelectuais engajados que teriam permitido a “condenação de um inocente” (tadinho!) como Wilson Simonal.
O documentário é peça de artilharia com o qual a direita faz a disputa pela chamada “verdade histórica”.
Por isso, fiquemos atentos: 1964 ainda não terminou.
Déficit zero: Estado tem os piores índices de educação infantil do Brasil
O Rio Grande do Sul é o 19o Estado do Brasil no ranking que aponta os investimentos em Educação Infantil. Com base no Censo Escolar do ano passado, o levantamento foi elaborado pelo Tribunal de Contas do Estado e mostra que a taxa de crianças atendidas pela Educação Infantil no Estado é de 28,18%, enquanto no Brasil a taxa é superior á 34%.
Para piorar, a taxa de atendimento pré-escolar é de 48,49%, sendo o pior índice do País. A informação é da Agência Chasque.
A governadora se chama Yeda Rorato Crusius, filiada ao PSDB, e apoiada por uma coligação de direita formada pelo PMDB, PP, PPS, PTB, etc., bem como por deputados oportunistas e aproveitadores de outras legendas partidárias do conservadorismo guasca.
Foto: governadora Yeda com o empresário e articulador político de bastidores, Jorge Gerdau Johannpeter.
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou ontem que optou "pela angústia das famílias" quando anunciou, na terça-feira da semana passada, que foram encontrados destroços do avião do vôo AF 447. No mesmo dia, as equipes de busca negaram que os primeiros objetos recolhidos no Atlântico fossem do Airbus da Air France. Os destroços do avião acabaram sendo encontrados somente no sábado. A informação é do Terra Notícias.
Jobim disse que, no momento em que confirmou o encontro dos destroços, já se sabia que havia indícios claros de que os restos do avião e os corpos estavam naquela região, o que foi confirmado. Segundo o ministro, contudo, as correntes marítimas acabaram levando os destroços para outros local.
Para Jobim, familiares dos passageiros estavam angustiados por notícias sobre o desaparecimento do Airbus. "Fiz o que tinha de fazer, e o faria de novo", argumentou.
Sobre as críticas que recebeu de parte da imprensa francesa pelo "alarme falso", o ministro afirmou que não as rebateria. "Não respondo críticas de imprensa. As críticas são feitas em um momento de tensão. É preciso paciência e tolerância", disse. "Confesso que depois de 20 anos de vida pública, tenho costas de crocodilo e arrogância de gaúcho."
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Na última terça-feira, dia 2/6, o ministro da Defesa Nelson Jobim chamou uma coletiva de imprensa e disse as maiores obviedades sobre o acidente do Airbus. Depois, se viu que não foram somente obviedades, ou seja, ele não se contentou apenas com o requentado de tudo o que a imprensa havia informado horas antes, mas o ministro autorizou-se a fornecer suporte psicológico (vejam só!) às famílias enlutadas junto com as tolices que afirmou.
Na própria coletiva o ministro da Defesa foi enfático ao dizer que “nós não trabalhamos com hipóteses, só com dados empíricos”.
A imprensa francesa caiu de pau no ministro, porque flagrou as impropriedades e chutes que ele afirmara – agora se sabe – com “arrogância de gaúcho”.
Isso já não é mais mico, é um king kong de pelúcia.
E segue o esforço do candidato José Serra em jogar a companheira tucana aos tubarões
Deu na Folha, de hoje (um jornal sabidamente serrista):
O governo do Rio Grande do Sul se comprometeu a devolver em forma de incentivos fiscais os R$ 150 milhões que a Souza Cruz gastou para construir um parque gráfico na Grande Porto Alegre. O empreendimento foi inaugurado no final de abril, mas em 2008 a empresa conseguiu recuperar R$ 59 milhões.
Para reaver os R$ 150 milhões investidos, a Souza Cruz precisa cumprir metas de pagamento de impostos e geração de empregos. Desde 1997, quando começou a participar de um projeto de incentivos fiscais chamado Fundopem (Fundo Operação Empresa), a empresa cumpriu todas as metas estabelecidas pelo governo gaúcho. O acordo entre a empresa e o governo gaúcho para o projeto do parque gráfico foi assinado há quatro anos.
A governadora Yeda Crusius (PSDB) cogitou cortar o incentivo à Souza Cruz, quando fez um projeto de reestruturação fiscal do Estado, que estava sem recursos. O corte, porém, não chegou a ser incluído no projeto enviado à Assembleia Legislativa no ano passado.
A Souza Cruz teve uma receita líquida de R$ 5,3 bilhões em 2008 e seu lucro líquido foi de R$ 1,25 bilhão.O Rio Grande do Sul é o Estado brasileiro que dá mais incentivos à indústria do cigarro. Entre 1997 e 2008, o Estado permitiu que a Souza Cruz usufruísse incentivos de R$ 1,4 bilhão -uma média anual de R$ 116,7 milhões.Minas Gerais, onde fica a maior fábrica de cigarros da Souza Cruz e da América Latina, não deu nenhum incentivo à empresa nos últimos quatro anos.
A Souza Cruz paga mais impostos em Minas, onde não recebe incentivos, do que no Rio Grande do Sul.No ano passado, a fábrica de cigarros pagou R$ 232,43 milhões em ICMS para Minas Gerais, enquanto o governo gaúcho recolheu R$ 182 milhões -44% a menos do que o valor recolhido pela Secretaria da Fazenda mineira.
O economista Clóvis Panzarini, coordenador tributário da Secretaria da Fazenda de São Paulo por oito anos, nos governos de Mário Covas e Geraldo Alckmin, afirma que o incentivo de R$ 150 milhões para um negócio de 250 empregos não é um bom negócio para as finanças públicas."Cada emprego custou R$ 600 mil. Com esse dinheiro, você poderia pagar R$ 1.300 por mês para um professor por 35 anos. E ele daria aula, não fabricaria cigarro", declara.
O também economista Roberto Iglesias, um dos poucos no Brasil que estuda a indústria do cigarro, com trabalhos publicados pelo Banco Mundial, critica a atitude do governo gaúcho. "É vergonhoso dar R$ 150 milhões para uma empreendimento que gera 250 empregos. Qualquer que seja o ponto de vista que se olhe, isso não faz sentido", diz.
O incentivo à indústria do cigarro contraria recomendações da Organização Mundial da Saúde e da Convenção Quadro, o primeiro tratado internacional na área da saúde, de acordo com Tânia Cavalcanti, que coordena a área de controle de tabagismo do Instituto Nacional de Câncer.
No final do ano passado, o governo brasileiro assinou em Durban, na África do Sul, um tratado da OMS em que o país se compromete a "não dar incentivos, privilégios ou benefícios fiscais para a indústria estabelecer ou tocar seus negócios". O acordo é um detalhamento da Convenção-Quadro, acordo assinado por 192 países.
Um estudo do Banco Mundial mostra que a política de incentivos é ilusória. O governo arrecada mais impostos a curto prazo, mas no longo prazo as mais de 50 doenças causadas pelo tabaco custam mais do que o valor arrecadado.Segundo o estudo, para cada dólar arrecadado, o governo gasta US$ 1,5 com o tratamento de doenças.
O incentivo é ilusório do ponto de vista da arrecadação, segundo a pesquisa, porque demora de 25 a 30 anos para as doenças se manifestarem."A indústria lucra e deixa o prejuízo do tratamento para a sociedade como um todo. Não tem o menor sentido essa política", diz Tânia Cavalcanti. Para ela, o governo gaúcho "está na contramão das boas práticas" contra o fumo.
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Serra versus Yeda. Eis uma típica briga entre "escuálidos", como se diz na Venezuela chavista. Ou "briga de brancos", como se dizia na senzala do Brasil-Colônia.
Manifestação ocorre em frente ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, em Porto Alegre
Estudantes de escolas do campo – filhos de pequenos agricultores e assentados da reforma agrária – protestam nesta fria manhã em frente ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), em Porto Alegre, contra os cortes de 62% no orçamento do Programa Nacional de Educação em Áreas da Reforma Agrária – PRONERA.
O programa é responsável pelo acesso de centenas de estudantes do campo a cursos de ensino médio, educação de jovens e adultos e graduação, através de convênios com instituições de ensinos, como Universidades.
Os cortes orçamentários irão impedir o acesso de mais estudantes e podem prejudicar os cursos já existentes.
A manifestação é organizada pelo Movimento Sem Terra e ocorre em diversos Estados do País.
Sexta-feira passada a repressão no Peru massacrou mais de 60 indígenas
Organizações indígenas de seis países acusam o presidente do Peru por massacre e genocídio. Índios organizados da Bolívia, Peru, Equador, Chile, Colômbia e Argentina anunciaram ontem que farão todos os esforços para levar o presidente Alan Garcia perante um tribunal internacional, pelo massacre perpetrado sexta-feira passada contra os povos da Amazônia (fotos acima).
“Colocar em juízo internacional a Alan Garcia Pérez e seu governo, pelo seu entreguismo e repressão” é a principal demanda da Coordenação Andina das Organizações Indígenas, que representa os autóctones dos seis países sul-americanos, depois de conhecer os primeiros informes do massacre nas selvas peruanas, na região de Corral Quemado e Curva do Diabo.
Para essas organizações, Alan Garcia é sinônimo de neoliberalismo genocida. “O antiperuano, antilatinoamericano, antihumano é o neoliberalismo, é o neocolonialismo, é o imperialismo e portanto é o capitalismo” - disse o presidente da Bolívia, Evo Morales, quando se confrontou verbalmente com Garcia, recentemente.
As informações desde o local da chacina – Amazônia peruana – patrocinada pelo governo aprista de Garcia contabilizam mais de 60 mortos e centenas de feridos pela violência do Estado.
A crise eclodiu há cerca de dois meses, quando o movimento indígena convocou mobilização nacional, que vem bloqueando intermitentemente estradas, aeroportos e ameaçando cortar dutos de gás e petróleo.
O objetivo dos protestos é a revogação de um conjunto de decretos de maio de 2008, estabelecidos para facilitar investimentos e exploração de recursos naturais na selva, que inclui a privatização da água no Peru e exploração de gás natural e petróleo. Em agosto passado, protestos indígenas pressionaram o Congresso, que invalidou um deles.
O jornal Folha de S. Paulo, que não é propriamente um veículo de esquerda, informa que o presidente Garcia está classificando os protestos na Amazônia como uma "conspiração" contra o seu governo, fazendo-se de vítima. A Folha informa, assim: “O presidente peruano, Alan García, qualificou ontem de 'agressão subversiva contra a democracia' os confrontos entre os indígenas e a polícia, que acontecem desde sexta-feira nas cercanias da cidade de Bagua, a 710 km de Lima. Pelo menos 60 pessoas morreram. O direitista García [palavras da Folha], cujo governo tem apenas 30% de aprovação, afirmou que é preciso responder ao movimento com 'serenidade e firmeza'".
“Serenidade, firmeza” e matança de cidadãos que protestam para impedir que o Peru seja novamente colonizado por interesses puramente econômicos que ignoram a dramática e desigual realidade social do País.
As fotografias são do movimento Catapa, uma organização belga que tem laços orgânicos com os trabalhadores em mineração na América do Sul e Europa.