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Surf no lixo contemporâneo: a que ponto chegamos! E que mundo deixaremos de herança para Keith Richards?

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

O editorialista de ZH está bem baratinado


Cada vez mais se entende o que são os "comportamentos periféricos para enuviar a opinião pública"

O editorialista da edição de hoje do jornal Zero Hora está visivelmente baratinado. Chega a afirmar que o maior acionista do Banrisul é o governo. Nenhum governo é acionista de porcaria nenhuma. O acionista, no caso, é o Estado do Rio Grande do Sul. Governo é o coletivo de administradores (ou saqueadores), eleitos ou não, responsáveis passageiramente pela gestão do Estado.

Mas é compreensível a desorientação mental do nosso editorialista de ZH.

O objeto do desvio de cerca de 10 milhões de reais dos cofres públicos do Banrisul são as rubricas de publicidade e propaganda da instituição bancária estatal.

O curioso é que o editorial de ZH não faça nenhum nexo - no sentido de negá-lo de forma cabal - entre os crimes do Banrisul e o fato de o grupo RBS ser o principal arrecadador de verbas publicitárias do setor público estadual. O montante mais expressivo destas verbas - pelo menos no governo Yeda - tem saído do orçamento do Banrisul, sempre generoso com as tradicionais empresas midiáticas do RS. Agora, o mínimo que se espera destas empresas, em especial, da RBS, é que condenem os crimes publicitários dos empregados do banco (nomeados pelo governo Yeda, segundo indicação do PMDB, PP e PSDB), e demonstrem que repudiam tais práticas criminosas.

Caso contrário, aos olhos da população pode prevalecer os termos da denúncia ao Judiciário oferecido pelo Ministério Público Federal, por ocasião da Operação Rodin, em 15 de maio de 2008. Na página 56 desta denúncia do MPF pode-se compreender os fatos que ora ocorrem no Banrisul, especialmente neste trecho:

"Ao lado disso, os denunciados integrantes da quadrilha não descuidavam da imagem dos grupos familiares e empresariais, bem assim da vinculação com a imprensa. O grupo investia não apenas na imagem de seus integrantes, mas também na própria formação de uma opinião pública favorável aos seus interesses, ou seja, aos projetos que objetivavam desenvolver. A busca de proximidade com jornais estaduais, aportes financeiros destinados a controlar jornais de interesse regional, freqüentes contratações de agências de publicidade e mesmo a formação de empresas destinadas à publicidade são comportamentos periféricos adotados pela quadrilha para enuviar a opinião pública, dificultar o controle social e lhes conferir aparente imagem de lisura e idoneidade."

A cada escândalo do governo Yeda, com o passar do tempo e a monótona sequência dos fatos escandalosos e chocantes, cada vez faz mais sentido a então enigmática expressão do MPF, os famosos "comportamentos periféricos para enuviar a opinião pública".

Leia aqui na íntegra a denúncia do MPF, acima referida, especialmente a célebre página 56. 

RBS e o presidente do PSDB ganham merecido prêmio


O ClicRBS e o presidente do PSDB/RS, deputado Claudio Diaz, ganham o Troféu "Será-que-estamos-vestindo-bombachas?", que acaba de ser criado por este blog. O cobiçado prêmio é a imagem esculpida em sabugo de milho de um gauchinho de bombachas com cara de pateta.

Motivo para a RBS ganhar tão relevante reconhecimento deste modesto blog: a manchete "Banco Central isenta direção do Banrisul de supostos superfaturamentos em licitações" (ver fac-símile acima).

A nota oficial do Banco Central está transcrita abaixo, na íntegra. Nesta nota, como se pode ler, não há qualquer garantia ou blindagem prévia à diretoria do Banrisul. Nada. Ao contrário, no parágrafo final da nota, o BC afirma que se for constatado "crime de ação pública", comunicará o fato ao MPF, "para adoção de medidas judiciais cabíveis".

Motivo para o presidente tucano Claudio Diaz (que ele pronuncia, ridiculamente, Diáz) ganhar o sabugo merecido: ele afirmou que o Banrisul é uma instituição controlada pelo Banco Central e não pelo governo do Estado, sugerindo assim que o governo Yeda e seus aliados não tenham nenhuma responsabilidade nos atos criminosos ora praticados no banco estatal sulino (ver fac-símile em ZH, edição de hoje, ao lado). Para o tucano, o problema é do Banco Central do Brasil, os emplumados não respondem por essa parte.

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Nota Oficial do Banco Central do Brasil

O Banco Central tem o poder de aplicar penalidades quando há descumprimento da Lei 4.595, que rege o funcionamento do Sistema Financeiro Nacional. Essa lei prevê a instauração de processo administrativo punitivo e a aplicação de penalidades às instituições financeiras e aos diretores estatutários que descumprirem a citada lei e os normativos editados pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), bem como os editados pelo próprio Banco Central.

Até o momento as informações preliminares que chegaram a este Banco Central não apontam o envolvimento da alta administração do Banco do Estado do Rio Grande do Sul S/A (Banrisul) nos fatos que estão sendo objeto de investigação em inquérito policial conduzido pela Polícia Federal, não havendo qualquer indício da ocorrência de descumprimento da Lei nº 4.595/94 ou de normativos do CMN e do BC.

Na eventualidade do Banco Central, no exercício de sua competência legal, vir a verificar irregularidades e elas constituírem também crime de ação pública, esta Autarquia está obrigada pela Lei Complementar nº 105, de 2001, a realizar comunicação dos fatos ao Ministério Público Federal para adoção das medidas judiciais cabíveis.

Brasília, 02 de setembro de 2010

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

BanriSaques dos espertos

Kayser

A volta de Chango Spasiuk



Um chamamé de fundamento para homenagear o santanense Paixão Côrtes, agora emproado como patrono (ou seria patrão?) do CTG Feira do Livro de Porto Alegre. Se duvidar esse taura ainda vai para a Academia Brasileira de Letras. Com a vasta obra literária do João Carlos (muito maior que a história grega!), ninguém segura aquele bigode de lobisomem... Vai servir cabeça de ovelha assada - com os zóio e as ganacha - em pleno chá vespertino dos acadêmicos pelintras.

Te mete boca floreada!

Mais um escândalo no governo tucano do RS


Encerramento com chave de cadeia

Com esse último escândalo anunciado, desta vez no Banrisul (prisão há pouco de vários suspeitos), a governadora Yeda (foto) pode usar como álibi para desistir de sua malograda campanha à reeleição ao Piratini. 

"Há males que vêm para bem", pensará a líder tucana.

Afinal, Sua Excelência não tem nada mais a fazer na presente corrida eleitoral, e a arrecadação de campanha agora só tende a minguar e a despesa (inútil) a crescer.

Outra alternativa: segue o "baile", mas cancela os pagamentos e deixa os credores no sereno.   

Um golpe está em marcha


PIG e Serra protagonizam um ardil

Tanto o candidato Serra quanto o PIG (Partido da Imprensa Golpista) precisam explicar o motivo de a candidata Dilma ou o PT, vá lá, de bisbilhotar documentos fiscais de militantes tucanos ou parentes do próprio Serra.

Que vantagem Dilma levaria neste ato aloprado?

A candidata lulista seria por acaso uma tresloucada que estaria conspirando contra a sua própria condição de líder das sondagens de opinião?

Por que uma candidatura exitosa, em ascensão crescente, vai mexer com coisas menores, até criminosas, moral e eticamente reprováveis, para obter mais vantagens sobre alguém que já se sente antecipadamente derrotado?

Vejam, não é Dilma Rousseff que está se pretendendo vitoriosa, antes da hora. É José Serra que se afunda prematuramente na mais cava depressão. Que não hesita em cometer a insanidade de jogar a própria filha no centro de um debate infame e golpista, com manifesta intenção de interditar judicialmente a adversária. A direita brasileira não quer disputar eleições, quer disputar torneios jurídicos em tapetes remotos anos-luz da vontade popular. Não foi à toa que dias atrás o candidato tucano, reunido com militares, rememorou feitos considerados notáveis pelos golpistas de 1º de abril de 1964.

O PIG está, cada vez mais, dando mostras de que um ciclo da velha imprensa brasileira está se fechando. E que a sociedade civil, o Parlamento e os movimentos sociais, bem como o futuro governo saído das urnas em 3 de outubro, precisam promover um grande debate nacional sobre o papel dos meios de comunicação no País. A consolidação da democracia brasileira, o alargamento dos seus espaços institucionais e não-institucionais, não pode mais conviver com as aberrações que assistimos todos os dias na imprensa brasileira nos seus vários suportes técnicos. Há uma viva e crua contradição antagônica entre uma democracia que se quer mais participativa, horizontal e mobilizatória, de massas mesmo, e os seus obstáculos cotidianos sustentados por empresas de comunicação - poucas, cativas de não mais que dez famílias - fixadas em valores, conceitos e interesses já há muito superados pela história passada e recente do Brasil e do mundo.

O espetáculo degradante a que estamos assistindo na presente campanha eleitoral está dando o tom e o limite do que podemos tolerar. Mais e além, seria como retroceder a um tempo em que se empastelavam jornais e gráficas porque não se concordava com a manchete do dia. Por não querermos esse retrocesso, é que urge uma completa reforma dos nossos códigos de comunicação social no Brasil. Não dá mais. Batemos no teto da nossa capacidade de tolerância.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Autor das obras "Sarna" e "Graxaim" é o patrono da Feira do Livro

Hoje foi escolhido o patrono da próxima Feira do Livro de Porto Alegre, que deve começar em 29 de outubro e vai até 15 de novembro.

O nome do homenageado é João Carlos D'Ávila Paixão Côrtes (na foto, de lenço maragato, que simboliza o latifúndio do regime pastoril, pré-capitalista, mas associado de forma subordinada ao então hegemônico circuito mercantil britânico do século 19).

O novo tutor da feira comercial de livros é um conhecido folclorista, assim chamado de forma incorreta, por que ao autêntico folclorista não falta o elemento crítico, algo que Paixão evita ou desconhece, já que seu trabalho se reduz a recolher e registrar aspectos empíricos observados nos hábitos e costumes das populações que formam o mosaico cultural do Rio Grande do Sul. Mais acertado seria chamá-lo de demologista, uma caracterização de fato um tanto vaga, mas proposital, uma vez que o novo patrono tem formação de engenheiro agrônomo, não tendo conhecimento ou iniciação na área das antropologias propriamente ditas.

A rigor, João Carlos é especialista em ovinotecnia. Foi responsável pela abertura de mercado da ovinocultura no Rio Grande do Sul. Foi ele quem trouxe da Europa novas técnicas de tosquia da lã e desossa da carcaça, além de incentivar o consumo de carne de cordeiro.

No entanto, as obras que certamente o credenciaram - em definitivo - à tutoria da feira porto-alegrense são: Manual de danças gaúchas (1956), Vestimenta do gaúcho (1961), Gaúchos de faca na bota - Uma dança alemã no folclore gauchesco (1966). Em 2003, registra a Wikipédia, Paixão lançou seu novo manual, com outras danças populares, derivadas do primeiro, de 1956. Por exemplo: Valsa da mão trocada, Mazurca Marcada, Mazurca Galopeada, a dança Sarna, e a dança Graxaim.

Outro elemento que o habilita igualmente a ser patrono da feira comercial de livros é o seguinte: em 2009, João Carlos foi nomeado cônsul cultural do Sport Club Internacional. Ser cônsul colorado, de fato, é um feito maiúsculo, capaz de graduar qualquer cidadão à condição mais elevada no panteão livresco-cultural da "pequena pátria" sulina.

Depois que Yeda Rorato Crusius foi governadora, e com os resultados conhecidos, não se duvida de mais nada, aqui no Rio Grande. Tudo é possível.

Coisas da vida. 

O roubo de 65 milhões de dólares da CEEE, uma história eletrizante


O jornalista Luiz Cláudio Cunha publicou ontem no portal Observatório da Imprensa uma história eletrizante. Material para um livro. Trama francamente policial, com sabor de máfia e de pizza, uma vez que jamais foi esclarecida, e o único punido é um jornalista que narrou o fato e o publicou. O roubo de cerca de 65 milhões de dólares da CEEE (estatal sulina de energia elétrica), cujo suspeito é um personagem como que saído dos filmes de Martin Scorsese. A morte violenta de uma prostituta que se espatifou numa calçada praticamente ao lado do Palácio Piratini, em Porto Alegre. Um sujeito chamado Lindomar (irmão do ex-governador Germano Rigotto), que se vestia com terno risca-de-giz e usava cabelos engomados, morto numa praia de mar chamada Xangrilá, com um tiro na cara desferido por um marginal.

Quer saber mais? Leia a intrigante história aqui. Mas prepare-se para ficar indignado: com a injustiça, com a passividade de certas pessoas, com a leniência da mídia, com a cara-de-pau de tantos, com a covardia de outros, e sempre com o desprezo infinito pelos que lutam pela verdade.

O grande Chango Spasiuk



Chamamé BB: bagual e bonito!

Mídia, o poder das sombras


Cristina Kirchner foi no ponto ao desnudar o caso Papel Prensa

É sempre uma alegria poder ler os artigos do professor José Pablo Feinmann. Ele escrevia com regularidade no ótimo diário Página/12 de Buenos Aires. Mas, por algum motivo, não tem comparecido com tanta frequência aos diários. Contudo, segunda-feira passada, o filósofo argentino publicou um agudo e preciso artigo comentando sobre o poder e a mídia, a propósito do candente tema de Papel Prensa e a consciência que o governo de Cristina Kirchner tem do mesmo.

Feinmann desmontou o discurso de poder das oligarquias rurais argentinas, cujos porta-vozes são os jornais impressos, especialmente Clarín e La Nación. Para ele, a presidente Cristina ao analisar o caso Papel Prensa, em primeiro lugar, destotalizou a totalidade e depois a remontou outra vez para escancarar o seu funcionamento. E pergunda o inquieto professor: "Do quê mesmo estava falando a Presidente?" E ele mesmo responde: "Do poder das sombras, do poder por trás do trono, do verdadeiro poder. E qual é esse poder? É o poder midiático".

Feinmann (foto ao lado), cuja mãe é brasileira, de sobrenome Albuquerque, e pai judeu, é autor de novelas de ficção, ensaios de filosofia política, cineasta, roteirista de cinema, apresentador de programas sobre filosofia na televisão, e sempre professor da Universidade de Buenos Aires. Suas novelas ficcionais sempre mesclam humor, sarcasmo, filosofia e histórias policiais, tudo amarrado num texto refinado e inteligente.

Leia o artigo de José Pablo Feinmann aqui, no portal Carta Maior, em tradução da Katarina Peixoto.

Está imperdível.

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