Cada vez mais se entende o que são os "comportamentos periféricos para enuviar a opinião pública"
O editorialista da edição de hoje do jornal Zero Hora está visivelmente baratinado. Chega a afirmar que o maior acionista do Banrisul é o governo. Nenhum governo é acionista de porcaria nenhuma. O acionista, no caso, é o Estado do Rio Grande do Sul. Governo é o coletivo de administradores (ou saqueadores), eleitos ou não, responsáveis passageiramente pela gestão do Estado.
Mas é compreensível a desorientação mental do nosso editorialista de ZH.
O objeto do desvio de cerca de 10 milhões de reais dos cofres públicos do Banrisul são as rubricas de publicidade e propaganda da instituição bancária estatal.
O curioso é que o editorial de ZH não faça nenhum nexo - no sentido de negá-lo de forma cabal - entre os crimes do Banrisul e o fato de o grupo RBS ser o principal arrecadador de verbas publicitárias do setor público estadual. O montante mais expressivo destas verbas - pelo menos no governo Yeda - tem saído do orçamento do Banrisul, sempre generoso com as tradicionais empresas midiáticas do RS. Agora, o mínimo que se espera destas empresas, em especial, da RBS, é que condenem os crimes publicitários dos empregados do banco (nomeados pelo governo Yeda, segundo indicação do PMDB, PP e PSDB), e demonstrem que repudiam tais práticas criminosas.
Caso contrário, aos olhos da população pode prevalecer os termos da denúncia ao Judiciário oferecido pelo Ministério Público Federal, por ocasião da Operação Rodin, em 15 de maio de 2008. Na página 56 desta denúncia do MPF pode-se compreender os fatos que ora ocorrem no Banrisul, especialmente neste trecho:
"Ao lado disso, os denunciados integrantes da quadrilha não descuidavam da imagem dos grupos familiares e empresariais, bem assim da vinculação com a imprensa. O grupo investia não apenas na imagem de seus integrantes, mas também na própria formação de uma opinião pública favorável aos seus interesses, ou seja, aos projetos que objetivavam desenvolver. A busca de proximidade com jornais estaduais, aportes financeiros destinados a controlar jornais de interesse regional, freqüentes contratações de agências de publicidade e mesmo a formação de empresas destinadas à publicidade são comportamentos periféricos adotados pela quadrilha para enuviar a opinião pública, dificultar o controle social e lhes conferir aparente imagem de lisura e idoneidade."
A cada escândalo do governo Yeda, com o passar do tempo e a monótona sequência dos fatos escandalosos e chocantes, cada vez faz mais sentido a então enigmática expressão do MPF, os famosos "comportamentos periféricos para enuviar a opinião pública".













