Você está entrando no Diário Gauche, um blog com as janelas abertas para o mar de incertezas do século 21.

Surf no lixo contemporâneo: a que ponto chegamos! E que mundo deixaremos de herança para Keith Richards?

domingo, 21 de junho de 2009

É necessário estar sempre bêbado


Embriagai-vos

É necessário estar sempre bêbado. Tudo se reduz a isso; eis o único problema. Para não sentirdes o fardo horrível do Tempo, que vos abate e voz faz pender para a terra, é preciso que vos embriagueis sem cessar.

Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, como achardes melhor. Contanto que vos embriagueis.

E, se algumas vezes, nos degraus de um palácio, na verde relva de um fosso, na desolada solidão do vosso quarto, despertardes, com a embriaguez já atenuada ou desaparecida, perguntai ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntai-lhes que horas são; e o vento, e a vaga, e a estrela, e o pássaro, e o relógio, hão de vos responder:
- É a hora da embriaguez! Para não serdes os martirizados escravos do Tempo, embriagai-vos; embriagai-vos sem tréguas! De vinho, de poesia ou de virtude, como achardes melhor.

Charles Baudelaire (1821-1867)

sábado, 20 de junho de 2009

Construções do impalpável


A sopa e as nuvens

A louca da minha bem-amada me dava de jantar, e pela janela aberta da sala de refeições eu contemplava as movediças arquiteturas que Deus faz com as nuvens, as maravilhosas construções do impalpável. E dizia, comigo, através da minha contemplação: "Todas estas fantasmagorias são quase tão belas quanto os olhos de minha amada, a pequena louca monstruosa de olhos verdes."

De súbito senti um violento murro nas costas e ouvi uma voz rouca e encantadora, uma voz histérica, e como enrouquecida pela aguardente, a voz da minha querida bem-amada, que me dizia:

- Trate de tomar a sua sopa, seu maluco, mercador de nuvens!

Charles Baudelaire (1821-1867)

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Uma página musical dedicada ao ministro Jobim


Eu sou a lembrança do terror de Estado

La Maison Dieu

Banda Legião Urbana
Composição: Dado Villa-Lobos, Renato Russo e Marcelo Bonfá.

Se dez batalhões viessem à minha rua
E vinte mil soldados batessem à minha porta
À sua procura
Eu não diria nada
Porque lhe dei minha palavra
Teu corpo branco já pegando pêlo
Me lembra o tempo em que você era pequeno
Não pretendo me aproveitar
E de qualquer forma quem volta
Sozinho pra casa sou eu
Sexo compra dinheiro e companhia
Mas nunca amor e amizade, eu acho
E depois de um dia difícil
Pensei ter visto você
Entrar pela minha janela e dizer:
- Eu sou a tua morte
Vim conversar contigo
Vim te pedir abrigo
Preciso do teu calor
Eu sou
Eu sou
Eu sou a pátria que lhe esqueceu
O carrasco que lhe torturou
O general que lhe arrancou os olhos
O sangue inocente
De todos os desaparecidos
Os choque elétrico e os gritos
- Parem por favor, isto dói...
Eu sou
Eu sou
Eu sou a tua morte
E vim lhe visitar como amigo
Devemos flertar com o perigo
Seguir nossos instintos primitivos
Quem sabe não serão estes
Nossos últimos momentos divertidos?
Eu sou a lembrança do terror
De uma revolução de merda
De generais e de um exército de merda
Não, nunca poderemos esquecer
Nem devemos perdoar
Eu não anistiei ninguém
Abra os olhos e o coração
Estejamos alertas
Porque o terror continua
Só mudou de cheiro
E de uniforme
Eu sou a tua morte
E lhe quero bem
Esqueça o mundo, vim lhe explicar o que virá
Porque eu sou
Eu sou
Eu sou

BNDES será responsabilizado judicialmente por desmatamento na Amazônia


Banco estatal é sócio e grande financiador de beneficiários da destruição ambiental

A organização não governamental Amigos da Terra entrou na Justiça em Belém (PA) com uma petição para que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) responda como co-responsável na ação que o Ministério Público Federal move contra vinte fazendas, o frigorífico Bertin e outras dez empresas do setor pecuário que atuam no Pará, por desmatamento ilegal da floresta amazônica.

"Hoje será em Belém, nas próximas semanas entraremos em outras cidades como Marabá, Cuiabá", diz Roberto Smeraldi, diretor da organização.

Segundo o diretor, o objetivo da organização é transformar o problema em oportunidade. "O BNDES é sócio e financiador de todos os principais frigoríficos do país. Queremos que ele seja co-responsável pelas ilegalidades cometidas pelas organizações e assine um Termo de Ajustamento de Conduta", explica o diretor da Amigos da Terra.

Por meio do Termo de Ajuste de Conduta, o banco estatal se responsabilizaria e seria uma espécie de avalista de uma nova relação dos frigoríficos com seus fornecedores. "Os frigoríficos passariam a dizer de quem compram e as fazendas produtoras seriam certificadas. As propriedades com problemas, que cometeram ilegalidades, poderiam contar com financiamentos do banco para se enquadrar à legislação", afirma o diretor.

"Imagine que ao financiar a recuperação legal da propriedade, o banco informe ao proprietário que, para obter o recurso, ele terá de produzir as mesmas cabeças de gado num espaço menor. As 72 milhões de cabeças de gado que hoje ocupam 70 milhões de hectares poderiam ser tranquilamente produzidas em apenas 25 milhões de hectares. O Brasil poderia recuperar 50 milhões de hectares e ainda gerar ao mesmo tempo uma reserva legal de bois, uma vez que eles continuariam existindo", conta Smeraldi. A informação é daqui.

Hoje tem ato "Fora Yeda"


11 horas: concentração e protesto na frente do Palácio Piratini

As centrais sindicais, os movimentos sociais e estudantis e o Fórum dos Servidores Públicos realizam na manhã desta quinta-feira 18, em Porto Alegre, um ato público estadual em defesa do impeachment da governadora Yeda Crusius.

A concentração será às 10h em frente à sede do Ministério Público Federal (Av. Júlio de Castilhos, esquina Praça Rui Barbosa, Centro da Capital). Uma hora depois (11h) haverá concentração e protestos na frente do Palácio Piratini.

O governo do Rio Grande do Sul tem se caracterizado pelas sucessivos escândalos políticos. Uma administração nula, omissa, propondo intermináveis recomeços que só levam a outras crises, sempre mais profundas e graves.

Para os organizadores do evento, a sociedade gaúcha está envergonhada diante dos escândalos que assolam o governo tucano e seus aliados. Recente pesquisa feita pelo Instituto Datafolha mostra que 70% da população do Estado defende o afastamento da governadora Yeda Rorato Crusius.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

O coração bate em sua gaiola



Eu não quero o que você quer
Eu não sinto o que você sente
Veja, estou preso numa cidade
Mas eu pertenço ao campo

A rede e a farsa


Dramaturgia sob a forma de notícia

A Globo trata o assunto da recente eleição no Irã como farsa. O correspondente da rede da família Marinho fala diretamente de.... Telavive, Israel.

Por que não fala diretamente do aprazível bairro carioca do Jardim Botânico? Ou direto do Projac, já que é tudo ficção, mesmo.

É hilário honório. Depois ficam pesquisando e quebrando a cabeça para saber os motivos de estarem perdendo audiência, diariamente.

Audiência e anunciantes, por supuesto, todavia.

A charge é do Kayser.

Indígenas peruanos vencem queda de braço com a direita


Apesar de incerto, o processo político no Peru avança com a organização dos indígenas

A vitória dos indígenas peruanos - que há três dias fizeram o governo propor a anulação de duas leis de terras, depois de lançarem uma onda de protestos que durou mais de dois meses e deixou 34 mortos - consolidou a força política das comunidades nativas no Peru. A informação é do Estadão, de hoje.

"Depois disso, os indígenas não serão mais vistos como uma excentricidade antropológica, mas como uma força real, com enorme poder de expressão", disse o analista peruano Jaime Antezana, especialista em questões indígenas.

O processo vivido pelo Peru nos últimos meses lembra a luta dos indígenas pelo gás na vizinha Bolívia, onde foi fundado, em 1997, o Movimento ao Socialismo (MAS), que teria papel fundamental nas manifestações de 2000 e na eleição do atual presidente, o líder indígena Evo Morales, em 2005.

Mas, apesar das semelhanças, a solução para as demandas indígenas será, em cada caso, diferente. "Não há condição para que surja no Peru uma figura como Evo", disse Antezana, que chama atenção para "o caráter descentralizado do movimento indígena peruano, em comparação com movimento coordenado que levou Evo ao poder na Bolívia".

A morte de 24 policiais e pelo menos 10 manifestantes indígenas no dia 5, na Amazônia peruana, obrigará "os políticos locais a reconhecerem a natureza plurinacional do país, que inclui não uma, mas várias nações indígenas que não partilham da mesma ideia de desenvolvimento", disse o analista.

A tese de Antezana coincide com a posição assumida ontem pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) que "exortou o governo (do Peru) a fazer maiores esforços para garantir que não seja aplicada nem promulgada nenhuma legislação sobre exploração de recursos naturais sem consulta prévia aos povos indígenas".

Na Bolívia, as comunidades nativas fizeram com que a Constituição reconhecesse a legalidade da Justiça indígena e a autonomia das comunidades originárias sobre seu próprio território, além de estabelecer cotas para parlamentares indígenas no Congresso; situação ainda improvável no Peru.

Para Antezana, o candidato nacionalista Ollanta Humala que, em 2006, concorreu contra o atual presidente, Alan García, não representa os indígenas. "Ele tenta capitalizar o movimento, mas não dá para dizer que encarne todas essas demandas sozinho. Ele não será o Evo do Peru".

Delfim Netto: “Todas as teorias estão desmitificadas”


“A omissão do Estado é que produziu a crise que aí está”

Apesar de reconhecer o esforço feito pelo Banco Central para reduzir a taxa básica de juros (Selic) para 9,25% ao ano, o ex-ministro da Fazenda Delfim Netto considera a queda insuficiente, por acreditar que o Brasil poderia cobrar taxas reais em torno de 3%, a exemplo do que é feito em outros países.

“O Brasil não tem nenhuma razão para ter uma taxa de juros real muito maior que 3%, que é a taxa de juros do mundo”. disse ele, em entrevista ontem à Agência Brasil.

Na entrevista, Delfim também creditou ao Federal Reserve (FED, Banco Central dos Estados Unidos) parte da culpa pela crise econômica mundial. “Quem faltou foi o Estado. O Estado é que se omitiu da sua tarefa. Não podemos deixar de acreditar e de reconhecer que o Estado produziu essa crise que está aí. Boa parte dessa crise foi pelo FED não ter observado esses avanços tecnológicos”, disse ele.

Perguntado se vamos chegar, um dia, a ter juros normais no Brasil, Delfim respondeu o seguinte:

“Não tenho a menor dúvida. Todas as teorias estão desmitificadas. Primeiro, porque ninguém mais leva a sério essa ideia de que o Banco Central é portador de uma ciência monetária. Porque o Banco Central é uma contradição em si. Você elege o presidente [da República] com 60 milhões de votos e depois ele escolhe um sujeito que ele pensa que sabe e entrega todo o poder para ele. Nos levantamentos nos Estados Unidos – lá se faz levantamento para tudo – a figura mais importante do governo depois do presidente é o presidente do Banco Central. Ou seja, é justamente aquele no qual você não votou. Quando você vai fazer uma operação do coração, procura o [o médico Adib] Jatene, procura o melhor hospital, o melhor pós-operatório, porque supõe que ele sabe, e ele sabe mesmo mexer naquele negócio. Quando você contrata um presidente do Banco Central pensa que ele é portador de uma ciência. Essa crise mostrou o seguinte: na verdade, isso não é verdade”.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Contato com o blog Diário Gauche:

cfeil@ymail.com

Arquivo do Diário Gauche

Perfil do blogueiro:

Porto Alegre, RS, Brazil
Sociólogo