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Surf no lixo contemporâneo: a que ponto chegamos! E que mundo deixaremos de herança para Keith Richards?

sábado, 30 de abril de 2011

Onde está o Estado?


As duas grandes adversidades de Dilma


1) As novas questões do Brasil passam pela reordenação de sua política de longo e de curto prazos. Na época de Lula tivemos a passagem, com o olho bem aberto, de objetivos imediatos, marca de FHC dominado pelo neoliberalismo, para um tratamento estratégico dos dois termos temporais citados, definidos por um projeto nacional. O objetivo era sair do labirinto de políticas de duração exígua, concepção do setor financeiro, rumo a uma inserção do Brasil na ordem econômica da globalização. Um futuro mais claro à frente com uma novidade substancial: uma política econômica de melhoria da renda e do emprego. Fazia parte deste projeto a presença do país como um ator de média estatura na política externa, alvo que foi plenamente atingido, tanto que Lula se tornou a grande figura da política mundial em 2010.


2) É preciso ver que as ações na realidade externa são expressões do lado de dentro da sociedade, com uma dose de pimenta dada pelo Estado. O jogo dos grupos sociais tinha se alterado na arena de combates do Brasil durante a primeira década do século XXI. Uma força vital começou a desaguar no governo lulista através do apoio das classes menos favorecidas, por causa da nova formulação da política econômica. E esta força voluptuosa cresceu diante da articulação/desarticulação financeira e produtiva, sobretudo porque esta última área, insatisfeita com a imperiosidade das finanças, aderiu a um projeto mais produtivista, mais de acordo com a facção social que Lula representava. E o grande emblema dessa mutação foi José de Alencar, figura que revelou muito bem essa faceta, pondo uma garantia e um cimento entre a produção e os trabalhadores. Cabe destacar igualmente que as finanças perderam terreno, pois tiveram uma paralisia na sua aliança internacional/nacional por ocasião da crise de 2007. A divergência dos empresários, a associação capital produtivo/trabalho e o crescimento da figura da população transformaram o campo da ação política de Lula.


3) O tempo é algoz implacável dos homens e das sociedades. E vai alterando as suas configurações, uma vez que ele se opõe a si próprio. Como a água, toma a forma de outros recipientes, de outros copos, de outros cálices. Então, o mundo, assumindo a fisionomia do rio de Heráclito, muda de forma permanente. A consequência é que Dilma encontrou, após a eleição, uma dupla adversidade no plano de voo da nação. A primeira aparece no campo externo: o mundo apresenta uma enredada mundialização em tumulto. Aqui há uma acentuada presença ativa da China, acumulando triunfos políticos e econômicos, com uma estratégia nítida e insistente. Aqui há também um desequilíbrio americano, com ponteiros domésticos em desacerto, buscando fazer uma revisão dolorosa de sua política externa unilateral e militar, tentando barrar os revezes financeiros privados e públicos, e percebendo uma decadência produtiva e mercantil a exigir uma metamorfose tecnológica e empresarial. Ou seja, a geo-economia e geopolítica do planeta aquecem a temperatura dos conflitos. Desenha-se a figura de uma rota de futura bipolaridade, atravessada, Deus dirá se é verdade, por tintas e cores de múltiplas influências, pois a Índia, a Rússia e o Brasil e tantos outros, tratam de alterar suas posições relativas no conjunto internacional em movimento.


4) Dito de outra forma: Dilma está em face de uma outra etapa de uma nova ordem política e econômica mundial. Tem que ter cautela para agir. E para bem agir, há que pesar os caminhos retos, sinuosos, ou em ziguezague, o mundo não tem mais a cara da unipolaridade americana. Ele está mais complexo e mais à beira do precipício. Os quatro cavaleiros do apocalipse ainda estão cavalgando: crise financeira em desdobramento, mudança do tabuleiro dos conflitos políticos, retorno do movimento social para a ultradireita e ideologia selvagem dos cortes sociais.


5) Esmiuçando a segunda adversidade, que tem origem nas discórdias internas, vê-se que Dilma está diante de um quadro de luta social mais candente. O fogo do caldeirão já está aceso. Os banqueiros que estavam felizes, com FHC e com Lula, viram, no final do Lula II, as astúcias desse último. A política econômica escorada nos interesses dos bancos e do capital internacional tinha agora um novo sócio; sócio minoritário, de fato, mas novo sócio: as classes trabalhadoras e as deserdadas. Lula tinha feito uma manobra fantástica, com as sobras dos recursos dirigidos às finanças, achou uma janela entreaberta. E culminou por construir uma política coerente para as classes pobres (desde uma política de aumento real do salário mínimo, do programa Bolsa-Família até o começo de uma outra política de habitação). Hoje, estes passos elevaram as tensões sociais de maneira muito forte. Os bancos retornaram, junto com um novo suspiro das finanças internacionais, com o desespero da grande imprensa e de parte dos empresários produtivos ameaçados pela China, a forçarem uma política mais conservadora. Na verdade, o objetivo dos bancos é retornar e desenvolver uma política econômica de figurino financeiro. Em resumo: Dilma está diante desta onda de revival neoliberal, onda do Ocidente e onda brasileira.


6) Por sua vez, as classes trabalhadoras e setores marginalizados, da cidade e do campo, querem avançar. Mas seu desejo está mais para um desejo de melhoria de vida atual, ou seja, desejam novas e mais mercadorias — de moradias a carros — ou seja, um considerável e justo aumento do padrão de vida — e imediatamente. Parece não existir assim espaço, na hora presente, para uma correção de política na direção de uma maior socialização e para uma nova sociedade que seja mais igualitária, que tenha uma cultura menos banal, que tenha uma passagem para o longo prazo diferente da continuidade desse processo em vigor. Nesse sentido, a luta na sociedade se tornou mais aguçada que no tempo de Lula. Para alterar o rumo, há que traçar uma política que concilie os problemas de agora com a política de futuro. Mas as finanças querem acabar com a política e a estratégia de longo alcance, pois a eles só interessam os ganhos do momento. Esse festival de aporte de capitais internacionais é o que interessa, pois é aí que vai o seu objetivo rentista.


7) Para encarar essa dupla adversidade, Dilma tem que contar com o Estado. E a pergunta é: onde está o Estado? No final do Lula II, como consequência inclusive da ação do PAC, o curso estatal se dirigia para uma maior intervenção na economia. Mas o combate das forças sociais tem detido o seu crescimento, já que ele esbarra na resistência dos dominantes e nas múltiplas questões que se agravam no país. Infraestrutura pública (logística e urbana), financiamento do investimento, formação de quadros burocráticos, decomposição do quadro político-partidário, retorno da pressão financeira, etc., etc. Dilma, nesse ponto, está dando passos cautelosos, ao menos na minha consideração. Há uma floresta enevoada na sua frente. Daí a dificuldade de estabelecer, através de uma análise precisa e de uma inteligência esperta, uma estratégia coerente, articulando o longo e curto prazos. E essa observação é nítida, uma vez que a estratégia antiga, a dos tempos de Lula, tem que ser alterada. E Dilma sabe disso e não pode errar; a pressa pode levar a uma terceira adversidade, o atraso do Brasil em relação aos seus parceiros e ao avanço social interno. Há ciladas por toda parte. Na política econômica presente, por exemplo, a gente constata juros elevados, taxa de câmbio em posição contrária à produção, uma desindustrialização inquietante, uma inflação mundial que, por enquanto, está controlada, mas que está aí com a máscara da ameaça.


8) A conclusão: o Estado não conseguiu dar um salto próprio, nem conseguiu realizar uma parceria hegemônica com o setor privado, capaz de atuar no interesse nacional e não no interesse dos grupos particulares. Por isso, não tem forças para poder controlar o câmbio, nem definir positivamente a taxa de juros, nem ter uma política econômica global, etc. O governo de Dilma está agindo cautelosamente para não perder os pontos conquistados. Sente-se, portanto, que o Estado não mudou de patamar. Seja porque as relações das forças sociais nacionais e internacionais não permitem; seja porque o governo ainda está se instalando; seja porque ainda está enfraquecido pela ideologia neoliberal que teve vigência desde os anos 90; seja porque, na luta internacional, o modelo chinês de presença do Estado não encontrou ainda caminho de expansão; seja porque é preciso novamente acumular forças para tentar progredir para uma nova organização estatal, tanto para aumentar as conquistas sociais internas como para encarar o pesado jogo das disputas entre os diferentes Estados. Por qual razão seja, inclusive levando em conta todas juntas, o Brasil de Dilma está em face das adversidades descritas e da necessidade de rearticular uma política e uma estratégia do dia a dia com o longo prazo. Logo, precisa pesar as forças em contenda e vislumbrar com clareza as oportunidades que surgirão. Por isso, o gesto político fundamental nesta hora indefinida é cautela. Cautela por tática e não por medo. Cautela para dar o passo certo no momento adequado. Está aí exposto o nervo frontal do desafio.


Artigo do economista Enéas de Souza. Texto publicado originalmente no blog EconoBrasil.

Casamento dos parasitas sociais


João

O tradicionalismo guasca que esterca as cidades na primavera


A imaterialidade da coisa


Algo assustador vem ocorrendo gradativamente no Rio Grande do Sul. Um movimento de pressão política e cultural está em vias de subverter completamente o princípio do patrimônio imaterial. A primeira cena dessa burla ocorreu no gabinete do prefeito José Fortunati, quando foi apresentado o processo para “tombar o tradicionalismo e suas manifestações como Patrimônio Imaterial”, conforme notícia do Conselho Municipal de Cultura de Porto Alegre. O Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) investe-se de elemento dessa aberração.


Por óbvio, se poderia considerar “patrimônio imaterial” manifestações culturais, mas não a “entidade” que as promove. Considerar o tradicionalismo, que é uma sociedade privada, organizada na sociedade civil, como “patrimônio imaterial” seria a mesma coisa que reconhecer o Grêmio ou o Internacional como únicas manifestações genuínas e autênticas do futebol. Certamente, se um clube sumir, isso não afetará a existência do esporte.


O tradicionalismo é um movimento cívico-cultural organizado em rede, de forma associativa, e de caráter de massa, articulado pela indústria cultural e diversos interesses comerciais, políticos etc., que, além de milhares de posturas sinceras, especulam com hábitos, costumes e elementos da tradição. Não existe imaterialidade no tradicionalismo. Duvidosamente, a imaterialidade poderia ser encontrada em algumas manifestações utilizadas pelo movimento, entretanto reinterpretadas, agregadas por sentidos contemporâneos, sem sustentação metodológica. Portanto, ainda assim, de forçosa “imaterialidade”.


A seleção, a reinterpretação, a reorganização, e o novo sentido agregado, adequado aos interesses do movimento, retiram a sua “imaterialidade”. O motivo: não é mais autêntico; foi tradicionalizada.


Desde os anos 1940, o tradicionalismo vem privatizando uma série de manifestações culturais, hábitos e costumes rio-grandenses. Muitos existiam isolados em regiões remotas. Da tradição foram retirados e reelaborados em uma engrenagem de rede. Um eficiente marketing e práticas de adestramento comportamental encarregaram-se de “educar” os contingentes como se pertencessem a todos os grupos humanos. E o que é pior: como se o RS tivesse um único gentílico formatador gauchesco.


Praticamente todas as manifestações adotadas pelo tradicionalismo já existiam antes do seu aparecimento como entidade privada. Se o tradicionalismo, por sua vez, desaparecer, as realmente importantes continuarão existindo. Patrimônio imaterial é o mate (legado indígena), a culinária, determinadas músicas e danças regionais etc., e não o tradicionalismo.


Com o sucesso de se transformar em “patrimônio imaterial”, o tradicionalismo chegou ao extremo de sua usurpação da riqueza cultural regional. Ele se converte em “único”, “legítimo” portador dos eventos da identidade. Ele passou a ser o próprio fenômeno. Parece evidente que esta nova expropriação não resiste à História e ao contrato republicano da sociedade contemporânea. A imanência tradicionalista o conduziu à crença de que ele é, em essência, a coisa...


Nessa lógica, a “cidadania” ainda será acusada de crime contra o patrimônio se realizar qualquer crítica a um tradicionalista (em essência, a coisa imaterial), protestar contra seus hábitos de estercar as cidades nos meses de setembro; espancar animais nos rodeios; ou o poder público ficará impossibilitado de realizar alguma reforma urbana porque em determinado lugar existe um galpão com uma placa tosca na fachada escrito CTG, cujas atividades são de duvidoso interesse público.


Passando à imaterialidade, só falta agora o tradicionalismo almejar ser o espírito do rio-grandense.


Artigo do professor Tau Golin, jornalista e historiador.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

“A doutrina do choque” – o filme imperdível



Filme-documentário baseado no livro-denúncia “A Doutrina do Choque - A Ascenção do Capitalismo de Desastre”, da pesquisadora e ativista política Naomi Klein.


Vídeo com 1h e 18 min. de duração. Legendas em português.


Assista, divulgue, debata, discuta.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Zero Hora mutila crônica de Veríssimo



Buuu

Diálogo urbano, no meio de um engarrafamento. Carro a carro.

- É nisso que deu, oito anos de governo Lula. Este caos. Todo o mundo com carro, e todos os carros na rua ao mesmo tempo. Não tem mais hora de pique, agora é pique o dia inteiro. Foram criar a tal nova classe média e o resultado está aí: ninguém consegue mais se mexer. E não é só o trânsito. As lojas estão cheias. Há filas para comprar em toda parte. E vá tentar viajar de avião. Até para o exterior - tudo lotado. Um inferno. Será que não previram isto? Será que ninguém se deu conta dos efeitos que uma distribuição de renda irresponsável teria sobre a população e a economia? Que botar dinheiro na mão das pessoas só criaria esta confusão? Razão tinha quem dizia que um governo do PT seria um desastre, que era melhor emigrar. Quem pode viver em meio a uma euforia assim? E o pior: a nova classe média não sabe consumir. Não está acostumada a comprar certas coisas. Já vi gente apertando secador de cabelo e lepitopi como e fosse manga na feira. É constrangedor. E as ruas estão cheias de motoristas novatos com seu primeiro carro, com acesso ao seu primeiro acelerador e ao seu primeiro delírio de velocidade. O perigo só não é maior porque o trânsito não anda. É por isso que eu sou contra o Lula, contra o que ele e o PT fizeram com este país. Viver no Brasil ficou insuportável.

- A nova classe média nos descaracterizou?

- Exatamente. Nós não éramos assim. Nós nunca fomos assim. Lula acabou com o que tínhamos de mais nosso, que era a pirâmide social. Uma coisa antiga, sólida, estruturada...

- Buuu para o Lula, então?

- Buuu para o Lula!

- E buuu para o Fernando Henrique?

- Buuu para o... Como, "buuu para o Fernando Henrique"?!

- Não é o que estão dizendo? Que tudo que está aí começou com o Fernando Henrique? Que só o que o Lula fez foi continuar o que já tinha sido começado? Que o governo Lula foi irrelevante?

- Sim. Não. Quer dizer...

- Se você concorda que o governo Lula foi apenas o governo Fernando Henrique de barba, está dizendo que o verdadeiro culpado do caos é o Fernando Henrique.

- Claro que não. Se o responsável fosse o Fernando Henrique eu não chamaria de caos, nem seria contra.

- Por quê?


- Porque um é um e o outro é outro, e eu prefiro o outro.


- Então você não acha que Lula foi irrelevante e só continuou o que o Fernando Henrique começou, como dizem os que defendem o Fernando Henrique?


- Acho, mas...


Nesse momento o trânsito começou a andar e o diálogo acabou.

Crônica literária de Luis Fernando Veríssimo, publicada hoje no Estadão. Esta mesma crônica está publicada - com cortes - no jornal Zero Hora, edição de hoje. A parte em letras azuis (acima) foi censurada pelo jornal da RBS.

domingo, 24 de abril de 2011

SEDA: uma estória de amor


O leitor certamente ficou intrigado com o título, que merece uma explicação. SEDA é uma nova secretaria que está sendo criada na Prefeitura de Porto Alegre (foto). O seu projeto foi enviado à Câmara há alguns dias pelo prefeito Fortunati. Trata-se de uma secretaria especial dos direitos animais, destinada, de acordo com a justificativa anexa ao projeto, “a executar políticas públicas destinadas à saúde, proteção, defesa e bem-estar animal”. A sua aprovação é praticamente certa, pois o executivo tem ampla maioria no legislativo municipal.


Além disso, quem iria se posicionar contra? Os animais domésticos – especialmente os cães e os cavalos, – tem a simpatia e a estima de todos.


Constituem uma unanimidade na nossa cidade, no estado, no país e no mundo. Existem algumas exceções, é claro. Há alguns raros países, localizados em remotos recantos da África e da Ásia – povos bárbaros -, onde a fome ou um velho e péssimo hábito ancestral os impele ainda a persistir no abate e no consumo de carne de cães e/ou cavalos. Como então, votar contra sua defesa e preservação? Eu mesmo gosto dos animais, embora, é claro, ame muito mais os humanos e ache que o poder público pode e deve fazer muito mais por eles.


A primeira motivação da SEDA está explicada, é o extremado amor pelos animais; falta explicar a segunda, singular, específica, que é o imenso carinho que a primeira dama do Paço tem por eles. Ela é a mentora intelectual da SEDA. De sua inspiração e trabalho surgiu o projeto. Segundo a imprensa, foram dezenas de horas de febril labor, sacrifício do lazer de fins de semana, troca de idéias e consultas ao co-autor, seu “cara metade”, o prefeito Fortunati.


Como se viu, tudo muito edificante, não fosse o fato de que o episódio narrado ilustra um constrangedor exemplo de mistura, de relação não desejada do interesse particular com o público. Intimidade que a experiência tem demonstrado resulta quase sempre em resultados desastrosos, por melhores que sejam as intenções.


Ponto um, básico: o projeto da SEDA prevê a criação de 7 CCs (cargos em comissão) e de mais 14 funções gratificadas e não prevê cargos de provimento efetivo a não ser os de chefia, como de veterinários e de administradores, por exemplo. Segue o equivocado modelo que orientou a criação de outras quatro micro-secretarias fantasmas – da Juventude (SMJ), do Turismo (SMTUR), da Copa (SECOPA) e da Acessibilidade (SEACIS) e de um gabinete, o INOVAPOA.


Terminado o governo os CCs e os detentores de chefias são substituídos por outros. Um órgão estruturado com CCs não tem memória nem objetivos de médio e longo prazo. Se olharmos a execução orçamentária por projeto desses órgãos, vamos verificar que ocorre em 2011 o que já aconteceu em 2010: o INOVAPOA e as micro-secretarias não fizeram nada. Este ano, já quase no final do quarto mês, dos 28 projetos programados 25 não foram sequer iniciados, quatro tiveram tímido começo. Os investimentos – obras e equipamentos - necessários à sua estruturação até hoje não foram realizados. Nos seus orçamentos predomina o registro do pagamento de CCs e da contratação de serviços de terceiros. A SMJ, por exemplo, tem 15 CCs e nenhum funcionário concursado, de carreira. E justamente nessa secretaria existem graves denúncias de desvios e de corrupção, objeto de uma CPI em andamento. A SEACIS (Acessibilidade) tem um funcionário efetivo e seis CCs; o INOVAPOA está no gabinete do prefeito onde perambulam 53 CCs. Os dados são absolutamente oficiais, constam no Portal da Transparência da Prefeitura.


Quase todos os governos, exceções são raras, especialmente no seu começo, criam CCs para acomodar a “turma da casa” ou para viabilizar a vinda de colaboradores mais qualificados. O governo Fo-Fo, todavia, exagerou. Em apenas seis anos duplicou o número de Cargos em Comissão na Prefeitura. Somando os CCs previstos para a SEDA, serão cerca de 500, só nas secretarias, praticamente o dobro do existente em 2004. Se considerarmos os CCs dos departamentos e das empresas municipais, chegamos nos novecentos. Além dos CCs, temos na Prefeitura cerca de 3 mil e duzentos estagiários.


O custo total deste verdadeiro “exército” supera os 80 milhões de reais/ano, valor que corresponde ao total do orçamento de uma prefeitura de cidade média, e superior ao da maioria das pequenas cidades do nosso interior.


Artigo do economista Paulo Muzell.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Banco Central do Brasil conspira contra o País


Banqueiros instrumentalizam o Banco Central para forçar uma queda-de-braço com o governo Dilma. A conspiração dos bancos está em plena marcha. Trata-se de uma disputa para frear o crescimento do País, sob a bandeira rota da ameaça de nova espiral inflacionária.

O aumento de 0,25% da taxa Selic representa mais 6 bilhões de reais na dívida pública do País. A cada ano, os juros e amortização da dívida pública interna – dinheiro que escorre fácil para banqueiros, rentistas e especuladores (cerca de 500 mil pessoas no Brasil) – consomem cerca de 33% do Orçamento da União.   

No Brasil, temos o Bolsa-Família, um programa social que beneficia cerca de 12 milhões de famílias, sob o investimento de 12 bilhões de reais/ano. Mas também temos o Bolsa-Banqueiro, que beneficia e enriquece meio milhão de afortunados especuladores e parasitas do País, e nos custa um terço do Orçamento federal, que alcança a casa dos R$ 2,073 trilhões (ano de 2011).

E muitos (tolos) ainda garantem que a luta de classes não existe, que teria sido esmagada pelas pedras cadentes do muro de Berlim! Existe, sim, e está instalada nos intestinos do governo Dilma Rousseff.

O clássico Caterpillar


Com o velho e bom Cure, de 1984.

domingo, 17 de abril de 2011

As qualidades sobrenaturais da Economia


Na capa do jornal Zero Hora de hoje, 17/4, há uma chamada fantasmagórica: “Economia multiplica oportunidades, transforma famílias e redesenha as relações de trabalho, como conta série de reportagens de hoje a sexta-feira”.

A Economia rebessiana é um ente mágico, fantasmático, com capacidade de modificar o país, a ponto de ZH apontar que estamos diante de uma “nova sociedade”, uma “vida de pleno emprego”.

O sujeito da oração, para ZH, é a Economia. Ponto. Como se essa Economia (sim, com letra maiúscula) fosse algo autônomo em relação à Política, como se a Economia fosse orientada por deuses ocultos e inexpugnáveis.

A leitura da tal reportagem de ZH não dá nenhuma pista sobre o possível sujeito oculto que manobra com tão mágica Economia. Não cita Lula, não menciona Dilma, esquece que o país sofreu cerca de três décadas de hegemonia do capital financeiro (que ainda perdura), quando era proibido pensar em desenvolvimento econômico. Pleno emprego era palavrão. E o grupo RBS esteve de acordo com aquele estado de coisas. Pior: é produto daquela situação histórica, que tantos males geraram para o País e seu povo. 

Agora esquecem este detalhe. O grupo RBS é uma empresa midiática de esquecidos. Preferem atribuir à Economia propriedades mágicas, fetichistas e autonomistas.

Já sabemos, causa menos embaraço ao seu próprio passado, além de uma vantagem marginal: fazer jornalismo ficcional – lidando com elementos de magia e ilusão - é mais confortável do que contar a verdade dos fatos e encarar a vida como ela é.   

quarta-feira, 13 de abril de 2011

O fado é belo


Com a autêntica viola portuguesa, mais o fadista lusitano António Zambujo e a brasuca Roberta Sá. Imbatíveis!

terça-feira, 12 de abril de 2011

O lendário Sonny Boy Williamson II


Help Me, para mim, está entre os grandes hits do jazz, junto com Take Five, do Dave Brubeck. Robert Plant foi um cara que sempre procurou copiar a genialidade de Sonny Boy, sem nenhum demérito para o vocalista do Led Zeppelin.

domingo, 10 de abril de 2011

Hugo Chávez é candidato no Peru?


A fixação da RBS em Hugo Chávez compromete o jornalismo que pratica. O psicologismo vulgar do editor aponta que o medo ao chavismo (como ele constatou e mediu esse temor?) é um fator determinante na eleição presidencial peruana. Não é. Não foi. O candidato da esquerda, Ollanta Humala, venceu o primeiro turno, hoje.

Quem diria, Plant virou ringtone em celular de bundão


Dias atrás, estava eu numa fila em algum lugar (tudo tem fila, agora, os filhos do lulismo querem consumir à tripa forra), e ouço o uivo gutural de Roberto Plant, no início do Immigrant Song, com o velho e bom Led Zeppelin. Virei num repente pra ver o sujeito que havia colocado aquele ringtone no telefone. Era um tipo faceiro, com pulôver nas costas e os braços do mesmo amarrados cuidadosamente no peito, onde havia uma corrente dourada. O famoso bundinha mimado por papi e mami. O cara acabou de avacalhar com o velho Plant. Nesta sociedade de hiper-ultra-consumo tudo é digerido, absorvido e regurgitado sem o menor respeito pelo significado de origem. Fetichizaram Roberto Plant. O mesmo que fizeram com o Che e tudo o mais.

Coisas da vida.

A galega Mercedes Peón



sexta-feira, 1 de abril de 2011

Banqueiros usam a TV Globo para retomar velho truque



O Jornal Nacional da decadente TV Globo está sendo o braço midiático do sistema financeiro na cruzada por juros mais altos como forma de combate a uma vaga e hipotética nova ameaça inflacionária.

Para tanto, trouxe às telas dos televisores o ex-ministro Maílson da Nóbrega, fracassado ex-ministro da Fazenda do governo Sarney, colunista de Veja, e velho serviçal da banca imiscuído no aparelho de Estado. Maílson não é um economista tout court, é um periférico, um sub do sub do sub dos banqueiros brasileiros e de alhures.

Os editores do JN têm a cara de pau de apresentar Maílson como um singelo “consultor”, fazendo crer que se trata de uma opinião autêntica, isenta de suspeitas, um eco da verdade científica muito além da crítica e do interesse econômico imediato. Nada disso, Maílson é um piolho dos banqueiros, sua opinião vale tanto quanto uma cédula de três reais. Ontem à noite, sub-sociológico, Maílson disse que o brasileiro é “viciado em indexação”, e sugeriu que o Banco Central está “perpetuando o nível de inflação muito mais elevado”.

O velho truque de invocar a inflação para provocar alta nos juros e assim drenar amazonas de dinheiro para a banca está no ar. Basta ligar a TV Globo.

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