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Gostaria de conhecer o cálculo moral e o balanço ético feito pelo Dr. Marcio Thomaz Bastos para defender e posar ao lado do Cachoeira. O ex-ministro da Justiça do governo Lula sentado com um operador da bandalheiras da direita parlamentar em conluio com a direita midiática. Sentado, defendendo e referendando a conduta pestilenta e antissocial de um inseto político.
Esse Marcio Thomaz merece o desprezo de todos nós. Como foi feito, durante a ditadura, com o cantor Wilson Simonal. Um desaparecimento cívico total e definitivo.
sábado, 30 de abril de 2011
O tradicionalismo guasca que esterca as cidades na primavera
A imaterialidade da coisa
Algo assustador vem ocorrendo gradativamente no Rio Grande do Sul. Um movimento de pressão política e cultural está em vias de subverter completamente o princípio do patrimônio imaterial. A primeira cena dessa burla ocorreu no gabinete do prefeito José Fortunati, quando foi apresentado o processo para “tombar o tradicionalismo e suas manifestações como Patrimônio Imaterial”, conforme notícia do Conselho Municipal de Cultura de Porto Alegre. O Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) investe-se de elemento dessa aberração.
Por óbvio, se poderia considerar “patrimônio imaterial” manifestações culturais, mas não a “entidade” que as promove. Considerar o tradicionalismo, que é uma sociedade privada, organizada na sociedade civil, como “patrimônio imaterial” seria a mesma coisa que reconhecer o Grêmio ou o Internacional como únicas manifestações genuínas e autênticas do futebol. Certamente, se um clube sumir, isso não afetará a existência do esporte.
O tradicionalismo é um movimento cívico-cultural organizado em rede, de forma associativa, e de caráter de massa, articulado pela indústria cultural e diversos interesses comerciais, políticos etc., que, além de milhares de posturas sinceras, especulam com hábitos, costumes e elementos da tradição. Não existe imaterialidade no tradicionalismo. Duvidosamente, a imaterialidade poderia ser encontrada em algumas manifestações utilizadas pelo movimento, entretanto reinterpretadas, agregadas por sentidos contemporâneos, sem sustentação metodológica. Portanto, ainda assim, de forçosa “imaterialidade”.
A seleção, a reinterpretação, a reorganização, e o novo sentido agregado, adequado aos interesses do movimento, retiram a sua “imaterialidade”. O motivo: não é mais autêntico; foi tradicionalizada.
Desde os anos 1940, o tradicionalismo vem privatizando uma série de manifestações culturais, hábitos e costumes rio-grandenses. Muitos existiam isolados em regiões remotas. Da tradição foram retirados e reelaborados em uma engrenagem de rede. Um eficiente marketing e práticas de adestramento comportamental encarregaram-se de “educar” os contingentes como se pertencessem a todos os grupos humanos. E o que é pior: como se o RS tivesse um único gentílico formatador gauchesco.
Praticamente todas as manifestações adotadas pelo tradicionalismo já existiam antes do seu aparecimento como entidade privada. Se o tradicionalismo, por sua vez, desaparecer, as realmente importantes continuarão existindo. Patrimônio imaterial é o mate (legado indígena), a culinária, determinadas músicas e danças regionais etc., e não o tradicionalismo.
Com o sucesso de se transformar em “patrimônio imaterial”, o tradicionalismo chegou ao extremo de sua usurpação da riqueza cultural regional. Ele se converte em “único”, “legítimo” portador dos eventos da identidade. Ele passou a ser o próprio fenômeno. Parece evidente que esta nova expropriação não resiste à História e ao contrato republicano da sociedade contemporânea. A imanência tradicionalista o conduziu à crença de que ele é, em essência, a coisa...
Nessa lógica, a “cidadania” ainda será acusada de crime contra o patrimônio se realizar qualquer crítica a um tradicionalista (em essência, a coisa imaterial), protestar contra seus hábitos de estercar as cidades nos meses de setembro; espancar animais nos rodeios; ou o poder público ficará impossibilitado de realizar alguma reforma urbana porque em determinado lugar existe um galpão com uma placa tosca na fachada escrito CTG, cujas atividades são de duvidoso interesse público.
Passando à imaterialidade, só falta agora o tradicionalismo almejar ser o espírito do rio-grandense.
Artigo do professor Tau Golin, jornalista e historiador.
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9 comentários:
O MTG é um orgão que só atrasa a cultura no RS com sua tentativa contante de classificar nossos valores de acordo com o legado de apenas uma região do estado. Isso é fundamentalismo babaca da cabeça de gente que acredita na superioridade de uma "suposta" raça que acha que suas façanhas devam servir de exemplo a toda terra.
Eu achava uma presepada neguinho que nunca chegou nem perto de bosta de cavalo saír pilchado pra tomar trago no acampamento farropilha.E agora essa! Transformar "pum odor costela minga" em bem imaterial, seja lá o que for isto,é demais.Se a moda pega vai dar caipira,certanejo e sabesse lá o que mais,querendo contribuír com um besteirol igual.
Feil, depois que um deputado fez uma lei onde diz que o sal grosso é legalmente o tempero do churrasco... não duvido de mais nada destes çábios do teu RS.
Incrível! Eu também não duvido de mais nada. Como o tempo dos nossos legisladores está sendo ocupado com coisas importantes, hein? Revoltante...
Muito bom o artigo. Vou mandar para alguns amigo que exaltam mecanicamente toda essa baboseira...
Parabéns pelo artigo, moro no Alegrete, infelizmente reduto do atraso gauchesco. Mesmo com a chegada do PT na prefeitura, quase 100% das verbas da secretaria da cultura são destinadas para estes fanfarrões. Tudo pelo voto. Tradicionalismo também passou a se incorporar à cultura petista, assim como tanto outras coisas.
Seria bom que aprovassem um projeto determinando a preservação das terras gauchas, impedindo-as de serem privadas. E o povão tomando conta delas, plantando e colhendo.
Azarias(01/05 11:02)com toda a razão.Campos e coxilhas irão desaparecer na mão das papeleiras. E neste assunto nem um pio dos "tradicionalistas". Mas tudo bem, ainda lhes restará o mes de outubro no parque do faz-de-conta.Por falar nisto..aquífero Guaraní nem pensar ?
Apesar de ter nascido no RS e gostar muito dos "grosso" Mano Lima e de Pedro Ortaça, bem como das escritas de Noel Guarani e de Jayme Caetano Braum, não me considero gaúcho. O motivo é simples. Não resido em nenhuma das tres fronteiras, não ando pilchado, não vou as domingueiras dançar o vanerão, prefiro pratos com peixe a churrasco, não ando a cavalo e não me acho "o tal", como a maioria dos gaúchos.E como diz o mineirinho, não prefiro terra de machos pois me dou muito bem com as mulheres.
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