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Surf no lixo contemporâneo: a que ponto chegamos! E que mundo deixaremos de herança para Keith Richards?

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

O brique eleitoral de José e Maria


Porto Alegre não merece

Ontem, convidado pelo sol brilhante, aceitei ir ao Brique da Redenção, depois de um ano praticamente de ausência.

Lá chegando deparei-me com hordas de pessoas (todas) de classe média empunhando bandeiras eleitorais dos candidatos bom José e simplesmente Maria.

Ambos conseguiram tornar as eleições em Porto Alegre uma disputa tribal de CC’s e aspirantes a cargos públicos pela via do menor esforço, onde a política mesmo manda lembranças e diz que está bem lejos da mui leal e valerosa.

Pensando bem, bom José e simplesmente Maria se merecem. Mas Porto Alegre não merece nenhum dos dois.

Foto: Genaro Joner

O apaixonado de Santo André


A mídia, a polícia e o jardineiro sonhador

A loucura, a falta de senso e a perturbação da psique – que no fundo são a mesma coisa – precisam de dois suportes para se manifestarem.

Um, físico, o corpo de indivíduos. Outro, abstrato, o imaginário mental destes mesmos indivíduos.

Existem loucos de todos os gêneros, qualidades e propensões. Eu mesmo, conheço um louquinho que tem mania de ser executivo de grandes empresas. Este rapaz, quando o conheci, era “diretor” da TAM. Ele atalhava o meu caminho com dados do balancete financeiro da companhia aérea, relatava as dificuldades para alavancar recursos internacionais passíveis de serem investidos na companhia, com problemas de aeroportos e mesmo ameaças climáticas desfavoráveis a vôos tranqüilos.

Uma ocasião ele cortou o meu caminho, grave:

- Estamos com todos os aviões nos pátios. Nenhuma aeronave nossa está voando.

Já alarmado, perguntei o motivo:

- Esse furacão na costa leste dos Estados Unidos abala a aviação civil do mundo todo. É impossível voar.

Meses depois, encontro-o com outras preocupações. Desta vez, ele era diretor de produção da construtora Toniolo Busnello, especialista em rodovias de alta velocidade, pontes, túneis e outras obras de arte do ramo.

- Hoje, demitimos 150 arigós de obra – me disse. O senhor vê se pode isso, doutor? Com essa crise e o pessoal querendo fazer greve!

Lembrei desse rapaz, afinal, um modesto jardineiro de condomínio, mas com uma imaginação capaz de colocar juntos, Gabriel García Márquez e o barão de Münchhausen em complexo de inferioridade, a propósito do amante latino Lindemberg das tantas, o que tomou-se de amor e fúria por duas meninas em Santo André.

A loucura de Lindemberg é mais pedestre, embora com reações agudas e muito perigosas. Ele ama o amor possessivo. Uma hipertrofia do amor romântico, que foi inventado lá pelo final do século 18 e até hoje é um bem cultural (decadente) explorado pela literatura, cinema, dramaturgia teatral e televisiva, e pelo discurso de canções populares, jovens enamorados, e apaixonados em geral. Os maus poetas também cantam o amor romântico.

Já as vítimas de Lindemberg foram presas de sua possessividade e de dois outros algozes associados: a mídia e a polícia de São Paulo.

A mídia, que pratica o jornalismo também hipertrofiado, conseguiu agigantar socialmente o drama pessoal de um jovem transtornado até o ponto do caminho sem volta. O despreparo da polícia ficou mais do que evidente, ao tratar o caso como se fora a rebelião em um presídio de alta segurança, quando apenas estava diante de um clássico do amor não-correspondido, já cantado por Carlos Drummond de Andrade:

João amava Teresa que amava Raimundo, que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili, que não amava ninguém. João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento, Raimundo morreu de desastre, Maria ficou pra tia, Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes, que não tinha entrado na história.

A todas essas, pensei em falar com o meu amigo jardineiro, quem sabe ele larga mão de ser executivo empresarial e vai ser "psicólogo" da Polícia Militar do Estado de São Paulo.

Certamente esse bom jardineiro, fiel a seus sonhos concretizados na areia de sua imaginação fertilíssima, não teria agido de forma tão imprudente e desastrada quanto a polícia do governador José Serra.

Aumenta a procura pelas obras de Marx


Crescem as vendas de O Capital

Com o sistema financeiro em crise, a teoria marxista ganha novo fôlego. As vendas de O Capital, a obra maior de Karl Marx, estão “aumentando visivelmente”, disse Jörn Schütrumpf da editora Karl-Dietz-Verlag. A informação é da Agência France Press.

“Marx está de novo na moda e a procura das suas obras, em alta”, explicou Schütrumpf ao jornal Neue Ruhr Neue Rheinzeitung.

Segundo a editora de Berlim, o primeiro tomo de O Capital já vendeu este ano 1,5 mil exemplares, contra 500 em 2005, e as vendas vão continuar a aumentar até ao fim do ano, assegurou o editor.

Os leitores pertencem a “uma nova geração de eruditos que reconheceu que as promessas neoliberais não se realizaram”, sublinhou.

O próprio ministro alemão das Finanças Peer Steinbrück fez uma referência a Marx em finais de setembro último, no contexto da crise financeira.“Certas partes da teoria de Marx não estão erradas”, como a que refere à autodestruição do capitalismo por causa da sua avidez, disse o ministro à revista Der Spiegel.

Karl Marx, nascido em 1818 em Trier, na Alemanha, foi um dos mais célebres críticos do capitalismo e a sua visão da História previa a sua dissolução, dando origem a um diferente modo de produção.


Mentiram para Chico Buarque


Chico foi iludido

Quem convenceu Chico Buarque a manifestar apoio à petista Maria do Rosário, o fez depois de contar-lhe uma imaginosa ficção sobre a feira eleitoral porto-alegrense de 2008.

Chico apareceu no horário eleitoral da candidata ontem dizendo entre outras coisas, o seguinte:

- Eu tenho a impressão de que quando há uma eleição lá [em Porto Alegre] não se discute apenas quem vai ser o prefeito, discute-se uma concepção de país, uma visão de mundo [...].

Mentiram para Chico Buarque. Que feio!


domingo, 19 de outubro de 2008

Carta aberta ao programa “Sala de Redação”







Senhores radialistas do "Sala de Redação", da Rádio Gaúcha de Porto Alegre

Ouvi de um dos senhores no programa da última sexta-feira, o comentário de que os movimentos populares e sindicais queriam uma vítima entre os participantes da Marcha dos Sem de 16 de outubro, para usá-la como trunfo contra o governo. Esta afirmação fantasiosa, ofende o movimento dos trabalhadores. Não agimos assim. Somos lutadores e não oportunistas. Não queremos e não precisamos de feridos e muitos menos de mortos para divulgar as nossas idéias.

Mas, vamos denunciar sempre as agressões contra os trabalhadores.

Passo aos senhores duas fotos feitas no dia 16 de outubro, que mostram a nossa colega Marli Helena Kümpel da Silva[foto superior], Diretora do Núcleo de Erechim do CPERS, ferida pela explosão de uma "bomba de efeito moral", como são chamadas eufemisticamente e com impropriedade estes artefatos, tanto pela Brigada Militar como pela imprensa. O impacto em Marli foi direto, deixando-a com uma fratura exposta na perna. Nossa colega, ainda agora, encontra-se em recuperação no Hospital Ernesto Dornelles.

Marli é uma dirigente do CPERS e participa do nosso Conselho Geral. Não queremos nossos dirigentes fora de combate ou imolados em sacrifício.

Queremos todos vivos e saudáveis, dirigindo a luta dos educadores. A Brigada Militar jogou de forma covarde, três bombas sobre a passeata, o suficiente para ferir 17 pessoas, a maioria na cabeça, com cortes feitos pelos estilhaços e queimaduras pela pólvora, o que por si só atesta o alto poder explosivo dos artefatos.

Quem está querendo fazer vítimas? Será que não está claro?

Foi afirmado no "Sala de Redação", que poderíamos ter feito uma concessão, e falado de onde foi detido o carro de som, abrindo mão de chegar ao Palácio Piratini. Mas, porque teríamos que fazer esta concessão?

Vejam as nossas razões:

A "Marcha dos Sem" é uma tradicional manifestação unitária dos movimentos sindicais e populares do Rio Grande do Sul, que se repete todos os anos, desde 1995, terminando sempre em frente ao Palácio Piratini, quando então é entregue uma carta reivindicatória dos participantes ao Governador do Estado. Será que não dá para compreender e aceitar o significado simbólico desta manifestação?

Em 13 anos, nunca aconteceu nenhum incidente. Desta vez, a Marcha do Sem foi reprimida com selvageria pela Brigada Militar, a poucos metros da Catedral Metropolitana, do Palácio Piratini e da Assembléia Legislativa, quando chegaria então ao seu final. O que temiam o Governo Estadual e a Brigada Militar? Era a paranóia de sempre com o MST? Saibam que a maior parte dos 17 feridos na Praça da Matriz, eram educadores, filiados ao CPERS.

Depois da manifestação, com a Praça da Matriz esvaziada, um policial militar recolhia dos canteiros alguns pequenos galhos apodrecidos de jacarandá, daqueles que se quebram com facilidade, ali caídos, e algumas pedras portuguesas soltas na calçada. Depois mostraram para a televisão aquelas "armas" dizendo que haviam sido usadas contra a Brigada Militar. Uma farsa.

Os achados foram feitos exatamente no local onde estavam os manifestantes, e não no trecho da Rua Duque de Caxias, onde haviam estado antes os policiais militares, e onde deveriam estar as pedras caso tivessem sido arremessadas contra os soldados.

Quero ainda lembrar que em 16 de setembro, o BOE e a cavalaria da Brigada Militar investiram contra uma manifestação do CPERS, que buscava uma audiência com a governadora, agredindo com violência a categoria e a Diretoria do Sindicato.

Será o destino do Rio Grande do Sul ser transformado em um estado policial militar, onde a questão social é tratada como questão de polícia, como era na República Velha e na ditadura, onde sindicalista era tido como "baderneiro"?

Atentem na repressão que está sendo desencadeada contra os movimentos sindicais e populares. Ela já está fora de controle e representa uma ameaça às liberdades democráticas.

Gosto muito do "Sala de Redação", até mesmo quando o programa transcende o futebol e os senhores falam da realidade em que vivemos, mas faço um apelo para que não ignorem os argumentos daqueles que lutam pelos seus direitos.

Em 18 de outubro de 2008.

Clóvis Carneiro de Oliveira

Secretário-Geral do CPERS-Sindicato

Fotos: Eduardo Seidl

Batendo dente


Arreganhar o dente

O que é preciso é gente
gente com dente
gente que tenha dente
que mostre o dente

Gente que seja decente
nem docente
nem docemente
nem delicodocemente

Gente com mente
com sã mente
que sinta que não mente
que sinta o dente são e a mente

Gente que enterre o dente
que fira de unhas e dente
e mostre o dente potente
ao prepotente

O que é preciso é gente
que atire fora com essa gente

Ana Hatherly
(Porto, 1929)

sábado, 18 de outubro de 2008

Washington Post declara apoio a Obama



Editorial deposita esperança no democrata

Um dos maiores jornais norte-americanos, The Washington Post, publicou editorial ontem apoiando a candidatura do democrata Barack Obama para presidente.

O jornal diz que tem “grande esperança” na eleição do senador negro de Illinois. O Post foi fundado em 1877, pertence a uma empresa que explora a mídia impressa, televisão a cabo e o sistema educacional privado. Tem atualmente cerca de vinte mil empregados e adota uma linha editorial conservadora, embora tenha tido grandes críticas ao governo de George Bush Junior. Apoiou a invasão e a guerra contra o Iraque.

A atitude independente do Post seria inadmissível no Brasil. Não me refiro a apoiar o menos conservador dos candidatos à Casa Branca, Barack Obama, mas declarar mesmo em editorial de forma direta, clara e com argumentos razoáveis a quem de fato deposita confiança eleitoral.

No Brasil, essa mesma imprensa conservadora jamais ousaria manifestar a sua preferência por qualquer candidato a cargo eletivo. O que não consegue expressar de forma clara e desabrida, o faz de maneira indireta e silenciosa. Porque deseja conservar intacto o mito da neutralidade e da indistinção partidário-ideológica. Um mito mesmo, na acepção mais genuína do termo.

Os jornais brasileiros, na sua totalidade, e de resto tevê e rádio, idem, são uma representação do ideal liberal de imprensa livre. E como representação, uma farsa, que narra a nossa vida social segundo uma visão de mundo particular, arcaica, espetacularizada, e moldada pelas mercadorias que nos rodeiam. Mas sempre insistindo que falam em nome do bem comum e da vontade geral. Os jornais brasileiros – como diria Roland Barthes – não mantêm com o mito uma relação de verdade, mas sim de utilização. Para tanto, forjam a cada dia, em cada página, uma realidade invertida, constatando fatos, reconhecendo valores, mas sempre recusando a explicação. A ordem do mundo midiático brasileiro é suficiente ou indescritível, mas nunca significativa, nunca passível de ser mostrada como ela é.

O curioso em tudo isso é que sendo os Estados Unidos o modelo, o paradigma no qual espelham uma realidade ideal e alcançável para todos, e a nossa imprensa sempre tão macaca para copiar as tendências e o modo de vida norte-americano ainda não tenha lhe ocorrido de copiar esse aspecto saudável da imprensa do Norte: uma mídia que não teme proclamar a seus leitores de que lado (eleitoral) está e porquê.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Governo Yeda recrudesce a violência policial


Kayser

Corretora de Armínio Fraga compra 12,6% do grupo RBS


Fraga é o que Marx chamava de “economista vulgar”

John Kenneth Galbraith (1908-2006), um respeitado economista liberal-burguês, diga-se de passagem, também tinha uma opinião sobre os “economistas vulgares” (Marx) de mercado, talvez mais apurada e atualizada que a do velho Karl.

O grande escritor e economista keynesiano dizia que essa gente não pode ser levada a sério. Apresentam-se como especialistas na mídia, estão em todo o lugar e hora dando pitaco sobre macroeconomia, tendências, política de gastos públicos, etc. Minutos depois apanham um telefone e vão operar com altas e arriscadas jogatinas financeiras, com dinheiro... dos outros. Invariavelmente, estão combinados com jornalistas bem posicionados na grande mídia, que são seus porta-vozes nas orientações mais convenientes – não para a sociedade – mas para seus próprios interesses especulativos e de fração de classe.

Galbraith certamente não conheceu o senhor Armínio Fraga Neto, mas traçou um figurino que cabe à perfeição no perfil do ex-presidente do Banco Central (1999-2003), na gestão do professor Cardoso, justamente quando o Brasil quebrou. Fraga, antes disso, foi diretor-gerente do fundo de George Soros, o maior especulador do planeta. Hoje, ele tem a corretora que acaba de comprar parte da RBS, e é membro do Conselho de Administração do Unibanco.

A RBS, hoje em ZH, se apressa em dizer que não haverá nenhuma modificação editorial na linha jornalística da empresa. Uma pessoa ligada a Armínio Fraga Neto fará parte do Conselho de Administração da RBS.

A notícia não informa o montante de recursos injetados pela corretora na empresa midiática, limitando-se a dizer que significa o equivalente a 12,6428% do capital da RBS Comunicações S/A.


Keynes também manda lembranças


Foi a falta de Estado e não a sua ação ativa que causou a crise

Na Folha, Cesar Benjamin, inspirado, intitulou seu artigo publicado em 20/9 de "Karl Marx manda lembranças". O texto fazia um diagnóstico da crise financeira. Agora, é hora de focar na porta de saída, então, o título adequado não poderia deixar de conter o nome de J.M. Keynes.

Marx, um revolucionário, fez diagnósticos. Keynes, um reformista radical, diagnosticou o capitalismo e propôs políticas, regras e instituições para mantê-lo vivo, regulado e a serviço da sociedade. É oportuno, portanto, destacar que a crise atual é resultado da falta de regulamentação financeira e da falta de políticas públicas de moradia para os cidadãos considerados "subprime". Foi a falta de Estado e não a sua ação ativa que causou a crise.

Keynes tem sido lembrado. A ele tem-se recorrido, principalmente, para explicar a necessidade de intervenção nas instituições financeiras em crise. Nas obras de Keynes, não há inclinações ideológicas favoráveis a estatizações ou privatizações. Keynes reconheceu, sim, a importância de um sistema financeiro sadio e eficiente como instituição imprescindível ao bom funcionamento do sistema produtivo. É unicamente sob essa ótica que as políticas de resgate de instituições financeiras têm ligação com as idéias de Keynes.

A crise patrimonial que atingiu grandes instituições abriu o canal de contaminação do setor real da economia, inclusive, nos países em desenvolvimento. Nestes, existem dois canais de contágio do setor real. O canal objetivo das reduções do crédito e da demanda internacional. E o canal subjetivo, expectacional, da confiança no futuro da economia. A tendência é que tal base de expectativas seja negativa na medida em que é influenciada pela volatilidade e pela desvalorização das moedas domésticas e das ações negociadas nas Bolsas locais.

O crédito será afetado porque instituições financeiras que não foram atingidas diretamente estão temerosas e decidiram retrair seus negócios. Empresários que tinham planos de investimento vão engavetá-los para esperar o cenário ficar mais nítido. Mesmo aqueles que não necessitam do sistema financeiro para investir, produzir ou consumir tenderão a assumir posições defensivas. Portanto, o risco nos países em desenvolvimento é que haja uma forte desaceleração das suas economias.

Nos países em desenvolvimento, todas as políticas de ampliação da liquidez podem manter a saúde dos sistemas financeiros, mas não serão capazes de restaurar plenamente a atividade de financiamento. Essa atividade depende de expectativas acerca do futuro. E, durante as crises, potenciais credores e devedores tendem a ser pessimistas.

Portanto, para os países em desenvolvimento, uma saída para ser bem-sucedida deverá ter caráter genuinamente keynesiano. Deverá promover uma ativação dos negócios privados estimulada pelo setor público, que deverá fazer gastos, realizando obras de infra-estrutura, contratando mão-de-obra e transferindo renda àqueles que têm alta propensão a gastar (que são os mais pobres) e, portanto, não vão represar liquidez.

A política fiscal de gastos objetiva, ademais, promover uma reversão do quadro negativo ou excessivamente cauteloso que sustenta a formação de expectativas.

Keynes alertou para a diferença existente entre as políticas de ampliação da liquidez e as políticas fiscais de gastos. As primeiras são dependentes de reações por vezes pessimistas, enquanto as últimas ativam diretamente os negócios privados da economia. E fazem, portanto, emergir novos argumentos para que os agentes formem expectativas otimistas acerca do futuro. Keynes junta-se, assim, a Marx para nos mandar lembranças.

Artigo de João Sicsú, diretor de Estudos Macroeconômicos do Ipea e professor do Instituto de Economia da UFRJ.

Foto: Lord Keynes (dir.) na conferência de Bretton Woods (1946).

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