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Surf no lixo contemporâneo: a que ponto chegamos! E que mundo deixaremos de herança para Keith Richards?

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

FHC, Serra e as privatarias



José Serra foi o maior incentivador da privatização, segundo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Pescado do ótimo blog O Tijolaço


Resta uma saída: mudar de nome, pela oitava vez

Angeli

Aquele resultado selou o destino do Internacional em 2009


Para voltar a crer

Não faltam motivos para descrer da humanidade. Vamos combinar que fizemos coisas extraordinárias, mas nossa passagem pela Terra não está sendo, exatamente, um sucesso. Para cada catedral erguida bombardeamos três, para cada civilização vicejante liquidamos quatro, a cada gesto de grandeza correspondem cinco ou seis de baixeza, para cada Gandhi produzimos sete tiranos, para cada Patrícia Pilar 17 energúmenos. Inventamos vacinas para salvar a vida de milhões ao mesmo tempo em que matamos outros milhões pelo contágio e a fome. Criamos telefones portáteis que funcionam como gravadores, computadores – e às vezes até telefones –, mas ainda temos problema com a coriza nasal. Nosso dia a dia é cheio de pequenas calhordices, dos outros e nossas. Rareiam as razões para confiar no vizinho ao nosso lado, o que dirá do político lá longe, cuja verdadeira natureza muitas vezes só vamos conhecer pela câmera escondida. Somos decididamente uma espécie inconfiável, além de venal, traiçoeira e mesquinha. E estamos envenenando o planeta, num suicídio lento do qual ninguém escapará. E tudo isso sem falar no racismo, no terrorismo e no Big Brother Brasil.

Eu tinha desistido de esperar pela nossa regeneração. Ela não viria pela religião, que se transformou em apenas outro ramo de negócios. Nem viria pela revolução, mesmo que se pagasse para o povo ocupar as barricadas. Eu achava que a espécie não tinha jeito, não tinha volta, não tinha salvação. Meu desencanto era total. Só o abandonaria diante de alguma prova irrefutável de altruísmo e caráter que redimisse a humanidade. Uma prova de tal tamanho e tal significado, que anularia meu ceticismo terminal e restauraria minha esperança no futuro. E esta prova virá neste domingo, se o Grêmio derrotar o Flamengo no Maracanã.

Se o Grêmio derrotar o Flamengo, o Internacional pode ser campeão. Mas o mais importante não é isso. Se o Grêmio derrotar o Flamengo mesmo sabendo as consequências e o possível benefício para o arquiadversário, estará dando um exemplo inigualável de superioridade moral. A volta da minha fé na humanidade não interessa, Grêmio. Pense no que dirá a História. Pense nas futuras gerações!

Crônica do Luis Fernando Veríssimo, publicada hoje em vários jornais brasileiros.

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Na qualidade de gremista, que desacredita no seu clube até que seja defenestrada a cartolagem de alta coturnagem que por lá viceja, quero modestamente responder ao colorado (ninguém é perfeito!) Luis Fernando Veríssimo.

No domingo de 21 de junho de 2009, às 18h30, no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, o Internacional perdeu o título para o Flamengo, quando aconteceu o confronto direto entre os dois. Resultado do match: quatro gols para o Flamengo, Adriano (foto) empurrou três, e o Inter chafurdou no deserto do zero.

O resultado selou o destino do Internacional no ano de 2009.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Fogaça e a Legolândia de Porto Alegre



Uma história mal explicada, pela direita, claro

Há dois dias um repórter da RBS denunciou na televisão a existência de uma nova fraude aos cofres públicos no RS. A empresa da família Sirotsky está chamando de "Caso dos Brinquedos", porque envolve a compra - sem licitação - de kits robóticos do consagrado brinquedo educativo Lego, hoje, presente em mais de 140 países.

Se o repórter da RBS teve o mérito de colocar um facho de luz sobre o novo escândalo no setor público de Porto Alegre, o mesmo não se pode dizer sobre a própria empresa midiática. Esta tem sido muito econômica, sovina mesmo, nas informações que fornece aos seus clientes/leitores, haja vista que envolve o nome do prefeito José Fogaça, cotado para disputar o governo do Estado em 2010, pelo PMDB, e uma das esperanças da direita sul-rio-grandense para permanecer desfrutando do Palácio Piratini, por mais quatro anos.

Segunda-feira passada quando o programa Jornal do Almoço (RBS TV Porto Alegre) informou que havia uma suspeita de fraude em prefeituras da Grande Porto Alegre, foram citados vários prefeitos, alguns deles foram entrevistados, e o prefeito Fogaça sequer foi mencionado. Em seu lugar, dizendo três ou quatro palavras, apareceu a secretária de Educação, Cleci Jurach, que não tem nada a ver com o peixe podre, uma vez que a compra da robótica Lego foi realizada na gestão de sua antecessora, a professora Marilu Medeiros - ambas indicadas pelo PDT, do vice-prefeito José Fortunatti.

Conforme expressão corrente nos noticiários da RBS, houve uma deliberada "blindagem" do prefeito Fogaça por parte das editorias de jornal, rádio e tevê. A intenção política certamente é a de preservá-lo no formol midiático rebessiano para que ele chegue "descontaminado" (outra expressão da vulgata do sirotskysmo de resultados) à feira eleitoral de 2010, capaz de trazer um novo ânimo à direita sulina, nestes tempos lamacentos do yedismo de fracassos.

Amanhã, aqui neste blog DG, nós contaremos mais deste palpitante assunto que envolve o prefeito Fogaça, as maletas do Lego, a Microsoft, o Linux, os computadores Dell, carregadores de pilha, banheiros químicos, a orquestra de flautas da Escola Villa-Lobos e muito mais.

Acima, fac-símile da matéria (sovina e sherlockiana) publicada hoje por ZH, sobre o "caso dos brinquedos". Para a RBS, tudo é velado e sherlockiano, em se tratando de seus preferidos na política guasca.

Falta alguém em Nuremberg


Sem comentário.

Fac-símile do blog de Lauro Jardim, colunista da revista Veja.

Clique na imagem para ampliá-la.

A imprensa aloprou


Os jornalistas brasileiros, apesar de tão jovens, andam encurvados

A Folha de S. Paulo consegue se superar a cada nova edição. Mais surpreendente do que a publicação do abjeto texto de Cesar Benjamin (sexta, 27/11), sobre o comportamento sexual do líder metalúrgico Lula da Silva quando esteve preso em 1979, foi a completa evaporação do assunto a partir do domingo (29), exceto na seção de cartas dos leitores.

Num dia o jornal chafurda na lama, dois dias depois se apresenta perante os leitores de roupa limpa e cara lavada, como se nada tivesse acontecido. E pronto para outra.

Não vai pedir desculpas? Não pretende submeter-se ao escrutínio da sociedade? Não se anima a fazer um debate em seu auditório e depois publicá-lo como faz habitualmente? E onde se meteram os procedimentos auto-reguladores que as empresas de mídia prometem há tanto tempo quando se apresentam como arautos da ética? Não seria esta uma oportunidade para ensaiar algo como a britânica Press Complaints Comission (Comissão de Queixas contra a Imprensa)?

E por que se cala a Associação Nacional de Jornais? Este não é um episódio que põe em risco a credibilidade da instituição jornalística brasileira? Um vexame destas proporções não poderia servir de pretexto para retaliações futuras? Ficou claro que depois do protesto inicial ("Isto é uma loucura!"), o presidente Lula encerrará magnanimamente o episódio. A Folha, em compensação, enfiará o rabo entre as pernas.

Ninguém estrila

É bom não perder de vista o fato de que esta lambança de um jornal isolado será fatalmente estendida à mídia como instituição. E logo alimentará as inevitáveis desavenças da próxima campanha eleitoral. Isto não interessa aos que desejam preservar o resto de republicanismo desta imensa republiqueta nem àqueles que levam o jornalismo a sério e não querem vê-lo desacreditado, como acontece na Venezuela.

A verdade é que a imprensa brasileira aloprou, levou a sério sua proximidade com o show-business; a obsessão pelo espetáculo e pela "leveza" levou-a para o âmbito da ligeireza, vizinha da irresponsabilidade.

Por outro lado, o controle centralizado das redações associado ao terror de iminentes demissões em massa desestimula qualquer cautela e a mínima prudência. Ninguém estrila ou esperneia. Os jornalistas brasileiros, apesar de tão jovens, andam encurvados – de tanto dar de ombros e não importar-se.

Ano penoso

Há exceções, tênues, percebidas apenas pelos especialistas, porque nossa mídia – ao contrário do que acontece nos EUA e Europa – faz questão de apresentar-se indiferenciada, uniformizada, monolítica, sem nuances.

Este 2009 foi um ano penoso para a Folha, o jornal talvez prefira esquecê-lo. Mas seus parceiros de corporação deveriam refletir sobre o perigo de atrelar uma indústria ou instituição aos faniquitos juvenis de quem ainda não conseguiu assimilar os compromissos públicos de uma empresa privada de comunicação.

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Em tempo: O recuo da Folha na edição de terça-feira (1/12) é ainda mais vergonhoso do que a denúncia da sexta-feira anterior. Colocar na boca do pivô do episódio que "o artigo de Benjamim é um horror" é uma manobra capciosa, covarde, para responsabilizar um articulista delirante e inocentar diretores irresponsáveis. A Nota da Redação, na seção de cartas, está atrasada quatro dias: pode satisfazer as dezenas de missivistas que se manifestaram, mas despreza os milhares que, horrorizados, leram o resto do jornal.

Artigo do veterano jornalista Alberto Dines, publicado ontem no portal da web Observatório da Imprensa.

Faço questão de publicar essa opinião pontual de Dines, por tratar-se de um profissional respeitado acrescido do fato de não ser exatamente um sujeito de esquerda, ao contrário, revela-se sempre um liberal conservador, mas que tem compromisso com uma imprensa ética e de qualidade - tudo o que inexiste no Brasil.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Lembrando o Serjão Motta



A escolinha do Serjão


Sérgio Motta, o Serjão, ex-ministro das Comunicações de FHC (de janeiro de 1995 até o dia de sua morte, 19 de abril de 1998), era um sujeito extremamente pragmático e direto.

É dele a avaliação de que o tucanato inaugurava em 1995, com o professor Cardoso, “duas décadas de hegemonia e poder” no Brasil. Eles quiseram fundar um novo “getulismo com sinal trocado”, sem Getúlio, com FHC, e com a famigerada inserção subalterna do Brasil na onda neoliberal de Reagan-Thachter. Exatamente o contrário do que Getúlio Vargas propugnou e construiu.

Serjão afirmava que, para isso acontecer a pleno, era preciso haver um total domínio da mídia, não apenas dos empresários donos de jornais, rádios e TV’s, mas sobretudo dos jornalistas, dos que militavam e escreviam artigos e matérias de qualquer natureza no dia-a-dia das redações. Questionado sobre como era possível arregimentar tantos apoios naquilo que se constituiria uma verdadeira “revolução cultural tucana nas redações”, mais uma vez aflorou o hiperrealismo e a realpolitik do homem que foi o braço direito e (grande) parte do cérebro do professor Cardoso, Serjão virou-se para o pálido interlocutor e disse:

- Jornalista come na mão, se farto for o grão!

Teorias e papers acadêmicos sobre a invencível tendência direitista e antidemocrática da mídia mundial da atualidade (por que não é um fenômeno exclusivo do Brasil, ao contrário) precisam, pois, levar em conta esse dado comezinho e quase vagabundo da realidade, qual seja, o aspecto subjetivo da canalhice e da sordidez humana na montagem do mito moderno da imprensa livre.

Serjão e seus epígonos não ficaram duas décadas no poder – felizmente – mas a superestrutura midiática desse projeto de getulismo com sinal trocado ainda está intacta. E com altas taxas de remuneração ao seu público interno.

Hoje, ser um jornalista de direita dá muito dinheiro, e é um business como qualquer outro.

Vídeo: imagens levadas ao ar ontem (30/11/2009) no programa Jornal do Almoço da RBS TV Florianópolis (SC).

O estatuto da democracia tem caráter inegociável


Governos latino-americanos não reconhecem eleições em Honduras

Governos latino-americanos se manifestaram ontem contrários à legitimidade das eleições que ocorreram neste final de semana em Honduras. Além do Brasil, os governos do Paraguai, Chile e Equador afirmaram não reconhecer o pleito. Já os Estados Unidos, Colômbia e Peru querem que as eleições sejam reconhecidas.

Cinco meses após dar um golpe de Estado no presidente eleito Manuel Zelaya, o golpista Roberto Micheletti realizou eleições em Honduras, conforme estava previsto pela Constituição do país. O pleito foi vencido pelo candidato conservador Porfírio Lobo, aliado dos golpistas. Cerca de 49% dos eleitores hondurenhos não compareceram para votar, segundo avaliação de emissoras de rádio de Honduras. A informação é da Agência Chasque.

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O governo do presidente Lula - e o próprio - ratificou ontem que não reconhece como legítimas as eleições em Honduras. Tudo não passou de uma farsa, apoiada pelos Estados Unidos e aliados de ocasião.

Ponto para Lula, ponto para a democracia na América Latina.

Que Barack Obama saiba que o estatuto da democracia tem caráter inegociável.

A bela voz e a fina estampa de Concha Buika

Os apetites dos homens de bem


Angeli

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