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Surf no lixo contemporâneo: a que ponto chegamos! E que mundo deixaremos de herança para Keith Richards?

terça-feira, 15 de janeiro de 2008


Densidade eleitoral?

Um certo senhor Cícero, burocrata petista municipal, dirige-se ao pré-candidato do PT à prefeitura de Porto Alegre, Miguel Soldatelli Rossetto e pede formalmente que ele retire a sua candidatura. Motivo:
- Rossetto tem baixa densidade eleitoral nas pesquisas de opinião pública.

O burocrata não explicou o que entende por "densidade eleitoral", apesar de ter a certeza absoluta que - sendo o que seja - a do Miguel é "baixa".

O que é isso? É um pássaro, um avião? Uma esfinge? É de comer?

Regressismo em marcha

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, participou no fim de semana passado de um evento no pequeno município de Engenheiro Coelho (SP) para difundir o criacionismo, doutrina segundo a qual pessoas e animais teriam sido criados por Deus e não moldados pela evolução, conforme a teoria de Charles Darwin (foto).

Sem tocar muito na polêmica do viés anti-Darwin dos criacionistas, Marina falou da ligação entre ambientalismo e valores cristãos.

Ah, bom!

Fusão BrT/Oi será lesiva ao usuário de telefonia

O jornal Zero Hora, do grupo RBS, faz uma interpretação particular e tendenciosa do relatório de Aristóteles dos Santos, ouvidor da Anatel (ver post abaixo). Afirmou em manchete hoje que o ouvidor é plenamente a favor da megafusão Brasil Telecom e Oi.

ZH, conseqüente com o mau jornalismo que pratica, distorce o pensamento do ouvidor. Todo o texto do relatório aponta duras críticas às privatizações das telecomunicações e ao fatiamento do antigo Sistema Telebrás, chegando a propor uma empresa nacional robusta (ele não chega a afirmar que essa empresa seria estatal, mas também não afirma que seja o resultado da fusão Oi/BrT) para reacomodar o setor em bases que convirjam mais com os interesses nacionais, com a pesquisa e a tecnologia brasileira. Se Aristóteles dos Santos passa o relatório inteiro criticando o monopólio regional das teles, como irá aceitar a fusão BrT/Oi, que constituirá não mais um monopólio regional, mas nacional?

A fusão da Brasil Telecom com a Oi é deletéria e lesiva para os interesses do consumidor/usuário da telefonia no Brasil. Irá verticalizar mais ainda o setor, trazendo apenas benefícios corporativos ao novo conglomerado de telefonia, praticando preços abusivos, serviços sofríveis e inobservância no atendimento a áreas remotas, carentes ou deficitárias de infraestrutura. A fusão atenderá somente o aspecto corporativo e tecnológico, e não há nenhuma garantia de que o usuário será beneficiado com o mega business, haja vista as críticas pertinentes e corretas da ouvidoria da Anatel, ratificando o que já se sabia, qual seja: a própria Anatel é inútil e impotente para fazer cumprir as normas e resoluções do setor e o próprio código de defesa do consumidor brasileiro.

Se a Anatel é impotente para coibir abusos com os atuais monopólios regionais, imagine-se a sua fragilidade para com o monopólio nacional que resultará da fusão BrT/Oi.


Anatel declara-se impotente e inútil

Um relatório produzido pela ouvidoria da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) coloca em xeque o próprio serviço da autarquia. Apresentado ontem (14) à imprensa, o trabalho do ouvidor Aristóteles dos Santos chega até a falar em crise. A informação é da Agência Brasil/Radiobrás.

“Após dez anos de criação, a Anatel, por não cumprir ou não fazer cumprir integralmente os propósitos que justificaram a sua criação, vive, a nosso ver, uma relevante crise existencial”, diz Santos, apontando diversas causas e fatos para isso.

As principais críticas são a falta de competitividade – o consumidor não tem opções de escolha de operadora nas assinaturas de telefone fixo; a ausência total de planos para a telefonia rural; os reajustes elevados da assinatura básica; e o alto preço pago pelo serviço de banda larga.

De acordo com o relatório, em 1998, as assinaturas básicas de telefone fixo custavam cerca de R$ 13. Hoje elas saem por R$ 40 aproximadamente. Em dez anos, um reajuste de 200%, enquanto o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA - a inflação oficial) do período foi de 83%.

“Ou seja, somente a assinatura básica é responsável por mais de 50% do lucro das companhias telefônicas, que se valem do atual modelo tarifário e do monopólio local em detrimento da sociedade", comenta Santos. "O faturamento do setor já ultrapassa R$ 130 bilhões por ano”, acrescenta.

O ouvidor também destaca os altos preços da internet banda larga. “Com baixos investimentos, as concessionárias dominam esse outro mercado regional praticamente sem concorrência. Cobra altos preços e tarifas elevadas dos usuários pelos acessos que operam em velocidades limitadas”, disse, ao acrescentar que isso só dificulta o acesso dos brasileiros à internet.

O relatório também cita a falta de um plano para a telefonia rural. “É uma dívida da qual a Anatel não pode se esquivar”, diz o texto.

O documento também aponta as causas do fracasso do Aice, que seria o telefone fixo pré-pago e com assinatura básica mais baixa. Segundo o ouvidor, as concessionárias, temendo uma grande migração de usuários, estabeleceu com o consenso da Anatel tarifas inibidoras para esse produto, o que gerou grandes obstáculos à sua viabilidade.

Depois de concluir que “a Anatel não tem correspondido às expectativas e demandas da sociedade”, o relatório sugere a criação de uma empresa nacional [estatal] de telecomunicações e critica as privatizações, "em fatias", do antigo Sistema Telebrás.

“A existência de uma empresa nacional robusta, com capacidade de concorrer com as outras, é positiva porque pode dialogar com os interesses nacionais, com a pesquisa, a indústria, gerando emprego e tecnologia no Brasil", afirmou Santos, em alusão à essa nova empresa.

Segundo o ouvidor, o texto divulgado nesta segunda-feira foi encaminhado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última sexta-feira (11), incluindo a parte em que há a sugestão de se “reestruturar” a Anatel.
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Quinta-feira passada ainda este blog criticava duramente a Anatel por esses mesmos motivos agora apontados pela ouvidoria da autarquia. Aristóteles dos Santos, o ouvidor, foi muito objetivo e sincero ao apontar as deficiências da Anatel, tanto assim, que eu temo que ele esteja demissionário. Ninguém do meio critica impunemente um setor que fatura 80 bilhões de dólares/ano no Brasil e presta serviços tão precários e risíveis.

A propósito disso, o que tem a dizer o ministro das Comunicações, o serviçal da Globo, senhor Hélio Costa? Sua Excelência não irá se pronunciar sobre assunto tão relevante de sua alçada?

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008


A infância de um homem de bem.
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190 mil ricos detêm a metade do PIB brasileiro

Em um ano, o Brasil elevou o número de milionários em 60 mil, segundo levantamento do BCG (The Boston Consulting Group). No ano passado, havia 190 mil milionários no país. Em 2006, eles eram 130 mil - expansão de 46,1%. A informação está na Folha, de ontem.

A fortuna desses milionários está estimada em aproximadamente US$ 675 bilhões, o que equivale a praticamente metade do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro. Para o BCG, milionários são aqueles que têm mais de US$ 1 milhão aplicado no mercado financeiro. André Xavier, sócio-diretor do BCG no Brasil, diz que, para identificá-los, os especialistas entrevistaram gestores de fortunas de 111 instituições financeiras em 60 países.

Foi a primeira vez que uma equipe veio pessoalmente ao Brasil para fazer o levantamento."A concentração de riqueza no país é um fenômeno que está chamando a atenção dos bancos e dos gestores do mundo", diz Xavier, que monitora o comportamento dos endinheirados há cerca de sete anos.

Depois de cinco anos de lulismo no poder, já pode-se constatar, pois, o verdadeiro espetáculo do crescimento.... dos ricos.

Quem - de fato - paga imposto no Brasil?

Dois terços da atual carga tributária do país são pagas pelos consumidores. O restante fica para os trabalhadores assalariados, que descontam o imposto de renda direto na fonte salarial.

Diante desta realidade, o economista Evilásio Salvador, do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), defende que para haver uma reforma tributária justa é necessário mexer nas fortunas, na renda e no patrimônio. O pesquisador considera que o debate sobre o aumento do IOF e da CSLL é o momento para o governo Lula iniciar a reforma. No entanto, diz que os descontos de impostos devem ser progressivos, fazendo que o maior pagamento incida nas pessoas que ganham mais. E não nos trabalhadores e na população pobre, como ocorre hoje no Brasil. A informação é da Agência Chasque.

Resta saber se o governo Lula terá coragem - já que tem toda a legitimidade - para mexer nas grandes fortunas e no patrimônio do topo da pirâmide social.

Comércio total

"Veio enfim um tempo em que tudo o que os homens tinham olhado como inalienável se tornou objeto de troca, de tráfico, e podia alienar-se. É o tempo em que as próprias coisas que até então eram comunicadas, mas nunca trocadas; dadas, mas nunca vendidas; adquiridas, mas nunca compradas - virtude, amor, opinião, ciência, consciência, etc. - em que tudo enfim passou para o comércio.

É o tempo da corrupção geral, da venalidade universal
".

Karl Marx, em "Miséria da Filosofia" (1846-47).

MST ocupa novamente o latifúndio Guerra

Cerca de 1.500 trabalhadores rurais organizados pelo Movimento Sem-Terra ocuparam nesta madrugada (14) a sede da Fazenda Guerra, em Coqueiros do Sul. É a nona ocupação da fazenda, que possui o tamanho de nove mil hectares, mas gera apenas dois empregos fixos e vinte empregos temporários. A arrecadação de impostos da área é equivalente a de quatro pequenos aviários de agricultura familiar.

Além de exigir a desapropriação da área, os trabalhadores pedem o cumprimento do acordo assumido pelo INCRA, no final do ano passado, para o assentamento de mil famílias até o próximo mês de abril. Desde o encerramento das Marchas à fazenda Guerra, em novembro, quando o órgão assumiu a meta, até hoje, nenhuma família foi assentada. Segundo a rádio Gaúcha (RBS), a Brigada Militar está cercando o local, neste momento.

domingo, 13 de janeiro de 2008

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