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Surf no lixo contemporâneo: a que ponto chegamos! E que mundo deixaremos de herança para Keith Richards?

segunda-feira, 17 de setembro de 2007


A pilcha farrapista e gaucheira de dona Yedinha

Sem entender muito o objetivo e passando por cima dos pudores estéticos, dona Yedinha Crusius está fazendo o dever de casa na disputa simbólica pela imaginação popular.

A fotografia acima é um exemplo patético do seu esforço bem comportado de cumprir à risca o roteiro que a direita guasca lhe escreve no sentido de se legitimar como sucessora do (indigente) pensamento maragato e estancieiro, contemporaneamente identificado com a reluzente grife negocial do agribusiness.

Fantasiada com a pilcha (traje inventado como “típico” do Tradicionalismo guasca e da ideologia estancieira) do atraso, a tucana – nascida em São Paulo – não tem tempo a perder. Quer mostrar a muque que é uma autêntica filha da velha oligarquia meridional.

No vestido caturrita, que certamente representa o deserto verde das papeleiras pampeanas, dona Yedinha deve ostentar no peito ancho um pequeno broche de chumbo com um estilizado negrinho sendo açoitado pelos feitores do latifúndio pastoril de exportação – base econômica da ideologia que a sustenta na cadeira que foi de Júlio de Castilhos.

Dona Yedinha não faz nada de original, apenas cumpre o ritual solenizado e litúrgico de se apropriar das raízes inventadas do Rio Grande. O mito gaucheiro e farrapista deforma o passado e oferece um mingau ideológico para colonizar o imaginário das populações mais meridionais do País.

Pobre Rio Grande!


P.S: Observem que alguns estão com lenço vermelho. Não se trata de nenhuma identificação Farroupilha ou mera opção estética ou futebolística, mas sim identificação com as reacionárias forças maragatas do Partido Federalista na revolução de 1893-95, que se opunham à modernização positivista, burguesa e republicana dos chimangos (lenço branco).



Greenspan se diz positivamente surpreso com Lula

"Eu me surpreendi porque ele não fez o que prometera ao longo da campanha eleitoral. Parece ter compreendido que se cumprisse suas promessas, isso seria algo muito perigoso para a economia. Claramente, Lula está tentando manter o status quo. Mas em um país que tem a capacidade de criar uma inflação de 5.000% ao ano. Não sei como o país foi capaz de chegar a isso. Nos EUA, nós não temos de pagar um prêmio para as taxas de juros reais, mas vocês têm de fazer isso. É preciso pelo menos uns dez anos para as pessoas realmente acreditarem em vocês".

A avaliação é de Alan Greenspan (foto), ex-presidente do Federal Reserve (FED), o banco central dos EUA, em entrevista ao jornal Valor, de hoje, elogiando a política econômica do governo Lula.



Por que o Rio Grande do Sul é assim – parte V

A constituição republicana e revolucionária

Júlio de Castilhos e seus companheiros da vanguarda comtista intuiram que o Rio Grande do Sul estava pronto para se modernizar, mas que essa necessidade histórica não se realizaria por si só. O “espírito revolucionário” exige ações revolucionárias estratégicas materializadas em instrumentos institucionais-constitucionais decisivos. Neste sentido, em primeiro lugar, era preciso um marco jurídico-constitucional para a nova ordem, em segundo, era preciso uma imprensa partidária combativa, e terceiro, uma força militar estatal auxiliada por corpos provisórios politizados e treinados militarmente, a partir de militantes locais do PRR, com capilaridade em todo o território sulino.

A Constituição castilhista de 1891 é um marco legal singular. Trata-se de uma peça jurídica que garante um governo autoritário, cerebralmente autoritário, uma vez que não previa a divisão dos três poderes, segundo o modelo liberal clássico, atribuindo ao Presidente (hoje, governador) o direito de legislar e editar decretos que se referenciavam diretamente na Constituição e não em leis ordinárias escritas por uma Assembléia de Representantes.

A Constituição rio-grandense e a prática político-administrativa do castilhismo por quase 40 anos, garantiram ao Estado funcionar praticamente como uma República autônoma do resto da Federação brasileira. Desta forma, o PRR cumpria agora o ideário Farroupilha de 1836, quando da decretação da malograda República Rio-grandense em Piratini.

Como assinala muito bem Luiz Roberto Targa, “essa constituição inédita e original não se baseou na dos Estados Unidos da América, como foi o caso das outras constituições brasileiras, tanto a da União, quanto a dos Estados”.

Os positivistas tiveram uma administração marcadamente anti-oligárquica e anti-patrimonialista, com ações políticas, segundo Targa, que mostravam concretamente uma ruptura com a ordem latifundiária, tais como: transparência das contas públicas, coincidência entre o orçamento previsto e o realizado, política de proteção ao consumo das classes baixas (pelo contigenciamento de bens de primeira necessidade passíveis de serem exportados), pela estatização não-patrimonialista de dois dos mais importantes portos sulinos (Porto Alegre e Rio Grande) e de toda a rede férrea do Estado (de uma empresa francesa, mas explorada por norte-americanos), a realização de obras essenciais em infra-estrutura somente nas zonas minifundiárias e coloniais, tendo-se negado a privilegiar áreas de interesse da pecuária de exportação, bem como políticas de proteção fiscal e tarifária à indústria nascente das regiões de imigração européia.

Outro marco importante da gestão castilhista do Estado foi a reforma fiscal, cujo ponto central foi a substituição do imposto de exportação (quase sempre sonegado) pelo imposto territorial. Para tanto, era fundamental discriminar a esfera pública da esfera privada. Na prática, tratava-se de impor medidas efetivas de o Governo retomar as terras públicas ilegalmente apropriadas pela oligarquia rural nas últimas décadas do Império. Retomadas as terras, no período compreendido entre 1895-1906, legitimado pela vitória na guerra civil e com força militar suficiente para garantir o cumprimento da lei e da ordem estatal, o Governo castilhista entregou lotes rurais a posseiros, a companhias de loteamento e a pequenos proprietários.

Essas medidas cada vez mais afirmavam a consolidação do Estado burguês moderno, qual seja a de tornar autônoma a esfera estatal da esfera privada das oligarquias rurais tradicionais e atrasadas.

No Rio Grande do Sul isso foi conquistado a ferro, fogo e vontade revolucionária organizada e materializada em instrumentos concretos de mudança social.

No final desta série de pequenas notas, vamos linkar o artigo completo (que estará publicado num anexo), com bibliografia e indicação de leitura complementar.

Retrato de Júlio Prates de Castilhos, primeiro presidente eleito do RS, líder republicano que concebeu e escreveu a Constituição de 1891, quando tinha 30 anos de idade. Morreu em 1903, com apenas 43 anos de idade.



domingo, 16 de setembro de 2007


Nestlé se agiganta no governo Lula

“O multimistura é um programa que não existe mais”, informa a assessoria de imprensa do Ministério da Saúde. Clara Takaki Brandão, a nutricionista que criou o composto largamente utilizado pela Pastoral da Criança acusa o governo: “A multimistura começou a ser excluída da merenda escolar para abrir espaço para o Mucilon, da Nestlé”. A informação está na revista IstoÉ, desta semana.

A cena foi comovente. O vice-presidente José Alencar preparava-se para plantar uma árvore em Brasília quando foi abordado por uma nissei de 65 anos e 1,60 m de altura. Era manhã da quinta-feira, 6. A mulher começou a mostrar fotografias de crianças esqueléticas, brasileiros com silhueta de etíopes, mas que tinham sido recuperadas com uma farinha barata e acessível, batizada de “multimistura”.

Alencar marejou os olhos. Pobre na infância no interior de Minas, o vice não conseguiu soltar uma palavra sequer. Apenas deu um longo e apertado abraço naquela mulher, a pediatra Clara Takaki Brandão. Foi ela quem criou a multimistura, composto de farelos de arroz e trigo, folha de mandioca e sementes de abóbora e gergelim.

Foi esta fórmula que, nas últimas três décadas, revolucionou o trabalho da Pastoral da Criança, reduzindo as taxas de mortalidade infantil no País e ajudando o Brasil a cumprir as Metas do Milênio. E o que a pediatra foi pedir ao vicepresidente? Que não deixasse o governo tirar a multimistura da merenda das crianças. Mais do que isso, ela pediu que o composto fosse adotado oficialmente pelo governo. Clara já tinha feito o mesmo pedido ao ministro da Saúde, José Gomes Temporão – mas ele optou pelos compostos das multinacionais, bem mais caros. “O Temporão disse que não é obrigado a adotar a multimistura”, lamenta Clara.

Há duas semanas a energia elétrica da sala de Clara dentro do prédio do Ministério da Saúde foi cortada. Hoje, ela trabalha no escuro. “Já me avisaram que agora eu estou clandestina dentro do governo”, ironiza a pediatra. Mas ela nem sempre viveu na escuridão. Prova disso é que, na semana passada, o governo comemorou a redução de 13% nos óbitos de crianças entre os anos de 1999 e 2004 – período em que a multimistura tinha se propagado para todo o País.

Desde 1973, quando chegou à fórmula do composto, Clara já levou sua multimistura para quase todos os municípios brasileiros, com a ajuda da Pastoral da Criança, reduto do PT. Os compostos da multimistura têm até 20 vezes mais ferro e vitaminas C e B1 em relação à comida que se distribui nas merendas escolares de municípios que optaram por comprar produtos industrializados. Sem contar a economia: “Fica até 121% mais caro dar o lanche de marca”, compara Clara.

Quando ela começou a distribuir a multimistura em Santarém, no Pará, 70% das crianças estavam subnutridas e os agricultores da região usavam o farelo de arroz como adubo para as plantas e como comida para engordar porco. Em 1984, o Unicef constatou aumento de 220% no padrão de crescimento dos subnutridos. Dessa época, Clara guarda o diário de Joice, uma garotinha de dois anos e três meses que não sorria, não andava, não falava. Com a multimistura, um mês depois Joice começou a sorrir e a bater palmas. Hoje, a multimistura é adotada por 15 países. No Brasil só se transformou em política pública em Tocantins.

Clara acredita que enfrenta adversários poderosos. Segundo ela, no governo, a multimistura começou a ser excluída da merenda escolar para abrir espaço para o Mucilon, da Nestlé, e a farinha láctea, cujo mercado é dividido entre a Nestlé e a Procter & Gamble. “É uma política genocida substituir a multimistura pela comida industrializada”, ataca a pediatra.

A coordenadora nacional da Pastoral da Criança, Zilda Arns, reconhece que a multimistura foi importante para diminuir os índices de desnutrição infantil. “A multimistura ajudou muito”, diz. “Mas só ela não é capaz de dizimar a anemia; também se deve dar importância ao aleitamento materno.” A revista procurou as autoridades do Ministério da Saúde ao longo de toda a semana, mas nenhuma delas quis se pronunciar. “O multimistura é um programa que não existe mais”, limitou-se a informar a assessoria de imprensa do Ministério.


By Karmo

sábado, 15 de setembro de 2007


E agora, meu filho?

Diante deste fato consumado, o quê fazer?

As alternativas são as seguintes:

a) diz que é um engano, pede que ela não leve a mal, mas tu tens compromisso no Acampamento Farroupilha com o teu namorado, que é patrão de um CTG chamado “Quero-quero no Barranco”;

b) diz que vai buscar cigarro e já volta;

c) corre na geladeira e abre uma Fanta Uva para espantar o calor súbito;

d) bebe um trago forte pra esquentar mais;

e) bebe um trago e corre na vitrola pra disparar o CD da Paula Toller onde ela interpreta aquela música do argentino Kevin Johansen (ouça aqui)... e depois estreita a prenda nos teus braços...

Não vacila, meu filho!



Embriaguem-se

É preciso estar sempre embriagado. Aí está: eis a única questão. Para não sentirem o fardo horrível do Tempo que verga e inclina para a terra, é preciso que se embriaguem sem descanso.

Com o quê? Com vinho, poesia ou virtude, a escolher. Mas embriaguem-se.

E se, porventura, nos degraus de um palácio, sobre a relva verde de um fosso, na solidão morna do quarto, a embriaguez diminuir ou desaparecer quando você acordar, pergunte ao vento, à Vega, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que flui, a tudo que geme, a tudo que gira, a tudo que canta, a tudo que fala, pergunte que horas são, e o vento, a Vega, a estrela, o pássaro, o relógio responderão:

É hora de embriagar-se! Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriaguem-se; embriaguem-se sem descanso.

Com vinho, poesia ou virtude, a escolher.


Charles Baudelaire


sexta-feira, 14 de setembro de 2007


Por que devemos boicotar a Dell Computadores

Se algum consumidor-usuário brasileiro de produtos da Dell tenha sido vítima de constrangimentos por parte deste fabricante de computadores deve denunciar o fato às autoridades, especialmente ao Ministério Público. Estão acontecendo situações inusitadas envolvendo a Dell e, caso se confirme a denúncia, essa empresa norte-americana deve ser boicotada pela cidadania brasileira.

O MCT (Ministério da Ciência e Tecnologia) solicitou ontem à Dell Computadores do Brasil esclarecimentos sobre a tentativa da empresa de policiar o uso de computadores da marca por físicos da Universidade Federal Fluminense. A informação está na Folha de hoje.

A Dell exigiu que o físico nuclear Paulo Gomes, que comprara máquinas da empresa, assinasse um documento se comprometendo a não transferir os equipamentos a países do "eixo do mal", como Cuba, Irã, Coréia do Norte e Síria, e a não utilizá-los para produzir "armas de destruição em massa". A exigência foi feita depois que a empresa descobriu, por meio de gravações feitas enquanto a compra era acertada, que as máquinas iriam para um instituto de física.

Gomes se recusou a assinar o termo e denunciou o caso à comunidade dos físicos. Vários deles passaram a pedir boicote à Dell. A Sociedade Brasileira de Física manifestou solidariedade a Gomes e recomendou anteontem que seus sócios não assinassem nenhum termo desse gênero.

A filial brasileira da Dell, em Porto Alegre, alegou que o termo era uma exigência da lei americana e que a matriz da empresa nos EUA, uma das maiores fabricantes de computadores do mundo, poderia ser punida pelo governo americano caso a determinação não fosse aplicada. Os EUA têm restringido exportação de alta tecnologia para vários países por temerem seu uso militar. Cientistas brasileiros têm sofrido essas restrições.

O secretário de Política de Informática do MCT, Augusto Cesar Gadelha, vê a questão de outra forma. Para ele, a Dell do Brasil é uma empresa brasileira, que recebe inclusive dinheiro do próprio MCT via Lei de Informática. "A Secretaria de Política de Informática surpreende-se que uma empresa brasileira, localizada em território nacional, esteja fazendo exigências, com base em normas de outro país, para venda de seus produtos", afirmou o secretário em nota.


Fotografia promocional da Dell tirada numa feira de informática. A empresa norte-americana usa um marketing desqualificado onde a mulher é fetichizada como um suporte simbólico para a venda das mercadorias da Dell Computer Inc.


Lula desobedece a Maquiavel

Há algo que as elites não engolem: alguém fora do clube adentrar no salão do poder, ainda que com passinhos silenciosos para não atemorizá-los, quase pedindo perdão. Esta foi a escolha do PT e de Lula. Aceitaram o jogo puramente institucional, sem ao menos colocar algum condicionante com o propósito de alargar o espaço democrático.

Teria sido necessário, desde a primeira posse presidencial, ter feito um chamamento direto às massas como meio de pressão para que, no mínimo, se votasse no Congresso, sem as chantagens habituais (sob o nome elegante de presidencialismo de coalizão) um projeto de reformas cuja pauta básica tivesse como objetivo a distribuição real da riqueza, com efetiva igualdade de oportunidades, ainda que nos marcos do capitalismo.

Já teria sido um avanço.Todavia, os passos tem sido tímidos, quase mortificados. E em que pese as concessões e os mega-lucros dos setores empresariais hegemônicos, a presença do PT e de Lula seguem imperturbáveis.

O presidente mostrou todo o seu espírito conciliador quando nomeia o proto-tucano Nelson Jobim para o governo, pagando um pedágio perigoso e indevido ao Cansei. A nomeação de Jobim, um agente infiltrado de José Serra, é uma violência simbólica indireta aos milhões de eleitores que repudiaram os tucanos optando pelo ex-metalúrgico do ABC.

Quase tudo já foi tentado para desestabilizar Lula, em parte os pretextos foram dados pelo próprio oficialismo petista - a penúltima tentativa foi a criação malograda do Cansei e a última o Caso Renan, personagem que serviu e servirá a todos, desde que seus interesses pessoais (legais ou ilegais) e de classe sejam preservados. A tática desta vez será tentar bloquear por vias transversas - com ou sem posições de decúbito dorsal, isto saberemos se valem a pena ou não na próxima edição da Playboy - as atividades congressuais. A tática escolhida de bloqueio, combinada com o fogo moralista/espetacular da imprensa visará a guerra permanente em qualquer votação.

O efeito será o reforço perverso do chamado presidencialismo de coalizão e o enredamento do governo em uma armadilha, em parte escolhida no início do primeiro mandato. A única oportunidade seria a realização de uma reforma política com financiamento público, lista fechada e reforma das atribuições do Senado.

Isto exigiria a coragem do governo e do PT em mobilizar as massas. Uma boa leitura de Maquiavel seria necessária. A aliança preferencial do Príncipe é com o povo, a única maneira de legitimar-se efetivamente aos olhos do populus minor.

Entretanto, Lula caprichosamente desobedece a Maquiavel. Na consecução dos seus objetivos, invariavelmente conciliatórios, opta sempre por apelar para os seus próprios algozes de classe.


Artigo remetido pelo nosso leitor, professor e sociólogo José Bento Monteiro.




Agrocombustíveis trazem de volta velhos problemas brasileiros

Infeliz coincidência. Enquanto o presidente Lula visitava os países nórdicos para divulgar o álcool como a salvação para eliminar a polução dos combustíveis fósseis, a Pastoral dos Migrantes noticiava, no dia 11 de setembro, a morte da quinta vítima por exaustão nos canaviais brasileiros, só este ano. Desde 2004, já são 21 vítimas.

Mesmo sem estar no Brasil, o presidente Lula não escapou de ser confrontado com as contradições da produção do álcool combustível. Poucos dias antes da viagem, a equipe da rede estatal sueca, Sveriges Television (STV), a maior rede televisão deste país, esteve no Brasil e fez entrevistas com trabalhadores rurais, cortadores de cana-de-açúcar – produto base do etanol – e pesquisadores em São Paulo e Pernambuco.

A reportagem foi exibida em rede nacional e levou para conhecimento dos suecos o real custo social a que vem se desenvolvendo a indústria dos chamados biocombustíveis no Brasil. A Suécia, um dos países visitados ao lado da Dinamarca, Finlândia e Noruega , é um dos maiores pesquisadores dos agrocombustíveis e está entre os maiores importadores do álcool brasileiro A rede de televisão entrevistou o presidente brasileiro e o questionou sobre a situação precária dos canavieiros. Lula respondeu que o Brasil vai criar uma espécie de "Certificado Social", para tentar evitar este tipo de trabalho que, muitas vezes, é análogo ao escravo.

Ainda por ocasião desta visita do presidente Lula, João Pedro Stédile, do MST, e Dom Tomás Balduíno, da CPT, produziram um artigo que trata das silenciadas conseqüências da expansão da cana-de-açúcar e da produção do etanol. O texto atenta para vários efeitos que já podem ser vistos, como: a degradação do meio ambiente. Segundo os autores, a expansão vai "ampliar a área de fronteira agrícola para a Amazônia e o cerrado (savana) — duas das regiões mais ricas em biodiversidade e berço dos principais rios do país, além de impedir que a sonhada reforma agrária seja realizada no Brasil".

Outro fator agravado pela indústria da cana é a precarização do trabalho nos canaviais, pois ainda segundo Stédile e Dom Tomás, "A meta de cada trabalhador é cortar entre 10 e 15 toneladas de cana por dia, o que tem causado problemas de saúde e no Estado de São Paulo (maior produtor do país), foram contabilizadas entre 2005 e 2006, 17 mortes por exaustão, dado o excesso de fadiga. O Ministério do Trabalho estima que 1.383 cortadores de cana morreram entre 2002 e 2006, no mesmo estado, por diversos problemas de saúde, ligados ao trabalho". As informações são do jornal Brasil de Fato.

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