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terça-feira, 17 de julho de 2012

Golpistas paraguaios têm partidários no Brasil


As mentiras paraguaias das elites brasileiras

Mal havia terminado o golpe de Estado contra o presidente Fernando Lugo e flamantes porta-vozes da burguesia brasileira saíram em coro a defender os golpistas.


Seus argumentos eram os mesmos da corrupta oligarquia paraguaia, repetidos também de forma articulada por outros direitistas em todo continente. O impeachment, apesar de tão rápido, teria sido legal. Não importa se os motivos alegados eram verdadeiros ou justos.


Foram repetidos surrados argumentos paranoicos da Guerra Fria: "O Paraguai foi salvo de uma guerra civil" ou "o Paraguai foi salvo do terrorismo dos sem-terra".


Se a sociedade paraguaia estivesse dividida e armada, certamente os defensores do presidente Lugo não aceitariam pacificamente o golpe.


Curuguaty, que resultou em sete policiais e 11 sem-terra assassinados, não foi um conflito de terra tradicional. Sem que ninguém dos dois lados estivesse disposto, houve uma matança indiscriminada, claramente planejada para criar uma comoção nacional. Há indícios de que foi uma emboscada armada pela direita paraguaia para culpar o governo.


Foi o conflito o principal argumento utilizado para depor o presidente. Se esse critério fosse utilizado em todos os países latino-americanos, FHC seria deposto pelo massacre de Carajás. Ou o governador Alckmin pelo caso Pinheirinho.


O Paraguai é o país do mundo de maior concentração da terra. De seus 40 milhões de hectares, 31.086.893 ha são de propriedade privada. Os outros 9 milhões são ainda terras públicas no Chaco, região de baixa fertilidade e incidência de água.


Apenas 2% dos proprietários são donos de 85% de todas as terras. Entre os grandes proprietários de terras no Paraguai, os fazendeiros estrangeiros são donos de 7.889.128 hectares, 25% das fazendas.


Não há paralelo no mundo: um país que tenha "cedido" pacificamente para estrangeiros 25% de seu território cultivável. Dessa área total dos estrangeiros, 4,8 milhões de hectares pertencem brasileiros.


Na base da estrutura fundiária, há 350 mil famílias, em sua maioria pequenos camponeses e médios proprietários. Cerca de cem mil famílias são sem-terra.


O governo reconhece que desde a ditadura Stroessner (1954-1989) foram entregues a fazendeiros locais e estrangeiros ao redor de 10 milhões de hectares de terras públicas, de forma ilegal e corrupta. E é sobre essas terras que os movimentos camponeses do Paraguai exigem a revisão.


Segundo o censo paraguaio, em 2002 existiam 120 mil brasileiros no país sem cidadania. Desses, 2.000 grandes fazendeiros controlam áreas superiores a mil ha e se dedicam a produzir soja e algodão para empresas transnacionais como Monsanto, Syngenta, Dupont, Cargill, Bunge.


Há ainda um setor importante de médios proprietários, e um grande número de sem-terra brasileiros vivem como trabalhadores por lá. São esses brasileiros pobres que a imprensa e a sociologia rural apelidaram de "brasiguaios".


O conflito maior é da sociedade paraguaia e dos camponeses paraguaios: reaver os 4,8 milhões de hectares usurpados pelos fazendeiros brasileiros. Daí a solidariedade de classe que os demais ruralistas brasileiros manifestaram imediatamente contra o governo Lugo e a favor de seus colegas usurpadores.


O mais engraçado é que as elites brasileiras nunca reclamaram de, em função de o Senado paraguaio sempre barrar todas as indicações de nomes durante os quatro anos do governo Lugo, a embaixada no Brasil ter ficado sem mandatário durante todo esse período.


Artigo do economista João Pedro Stedile, da coordenação do MST e da Via Campesina.

Em Tempo: A senadora Ana Amélia Lemos (PP/RS) foi uma das parlamentares brasileiras que se manifestou a favor do golpe no Paraguai. Que fique registrada essa marca indelével na biografia da parlamentar sul-rio-grandense, ligada aos setores mais conservadores e atrasados do estado. Muito embora, na aparência, Ana Amélia queira passar uma imagem mais atualizada e moderna.

7 comentários:

Anônimo disse...

O Requiao fez um discurso genial contra os golpistas no senado. O discurso é longo, 30 min, mas é dos melhores que eu já vi. http://youtu.be/dj4wYun3ytI

era com essa firmeza que a esquerda deveria estar atacando os golpistas tb, especialmente aqueles no nosso território...

marcelo

Anônimo disse...

Os direitistas que conheço aparecem no dia seguinte aos fatos, quando a blogosfera de esquerda sequer tem uma análise madura do ocorrido, com o mesmo discursinho podre, uniforme e decorado.
Eles têm uma rede de informação e formação de opinião separada, muito eficiente.
Apenas não conseguem material (ideias) que prestem, falta sempre aquela "embocadura" na explicação deles e os fatos.
Mas a rapidez e uniformidade é impressionante.
E é internacional.
Se articulam internacionalmente e tem gente traduzindo coisas 24 horas do dia.

Anônimo disse...

Eu nao sei se isso é um cálculo político de quem está no poder, de preferir ficar nos bastidores enquanto a direita esbraveja solta. Se for, é um cálculo político muito xarope.
marcelo

joao disse...

O que essa Senadora serve para nós Gaúchos?/ NADA!! Ela está a serviço do ranço ultrapassado que é o conservadorismo !!

Antonio Carlos de Holanda Cavalcanti disse...

Rançoso é esse discurso imbecil de que todo político de esquerda derrubado é através de golpe, se é político de direita chamam de revolução.
Se os paraguaios foram golpistas, o que dizer do Fidel Castro?
Ícone revolucionário???
Se fosse de direita pregariam um golpe de esquerda contra ele.
Esse tipo de gente que olha para um lado só e não possui princípios é que precisa ser atacada.

Prof. Daniel disse...

Interessante o nobre (ou burguês?) leitor e crítico do blog: Lugo e Fidel Castro no mesmo saco!!! Deveria encontrar formas mais coerentes de se manifestar contra petistas e comunas, hehe.

Anônimo disse...

a.a. lemos, mandalete e lacaia da rede bunda suja, a cruz-credo 2014.

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