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Surf no lixo contemporâneo: a que ponto chegamos! E que mundo deixaremos de herança para Keith Richards?

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Grito dos Excluídos 2012



Por que Sete de Setembro?

Desde 1995 foi escolhido o dia 7 de setembro para as manifestações do Grito dos Excluídos. A idéia era aproveitar o Dia da Pátria para mostrar que não basta uma independência politicamente formal. A verdadeira independência passa pela soberania da nação. Um país soberano costura laços internacionais e implementa políticas públicas de forma autônoma e livre, não sob o constrangimento da dívida externa, por exemplo. Relações economicamente solidárias e justiça social são dois requisitos indispensáveis para uma verdadeira independência.
Nada melhor que o dia 7 de setembro para refletir sobre a soberania nacional. É esse o eixo central das mobilizações em torno do Grito. A proposta é trazer o povo das arquibancadas para a rua. Ao invés de um patriotismo passivo, que se limita a assistir o desfile de armas, soldados e escolares, o Grito propõe um patriotismo ativo, disposto a pôr a nu os problemas do país e debater seriamente seu destino. É um momento oportuno para o exercício da verdadeira cidadania.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Manual para uma alimentação saudável nas escolas



Quem tem filho na escola, sabe da dificuldade para manter a criança longe dos apelos inoportunos das cantinas (ou lancherias) situadas no próprio recinto escolar. Hoje, a situação está se modificando, mas numa velocidade que não é a ideal.

As cantinas são viveiros de sódio, açúcares e gorduras indesejáveis. Mais grave: desencaminham as crianças dos hábitos alimentares saudáveis e corretos. Estimulam o consumo de produtos industrializados em detrimento da saúde da criança, longe do cuidado dos pais e responsáveis e sujeito a uma higiene, por vezes, discutível.

O Ministério da Saúde está distribuindo o “Manual das Cantinas Escolares Saudáveis”, que traz orientações sobre o consumo de alimentos saudáveis, os cuidados com as cantinas e demais dicas para pais, professores, direções de escola e sobretudo aos alunos.

Segundo a Pesquisa de Orçamento Familiar de 2009 (POF), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 34,8% das crianças com idade entre 5 e 9 anos está acima do peso recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde.

Já na faixa de 10 a 19 anos, 21,7% dos brasileiros apresentam excesso de peso – em 1970, este índice estava em 3,7%. Neste grupo, o índice de massa corporal (IMC) -- razão entre o peso e o quadrado da altura -- deve ficar entre 13 e 17. A manutenção do peso adequado desde a infância é um dos principais fatores para a prevenção de doenças na fase adulta.


Acesse aqui (na íntegra) o 'Manual das Cantinas Escolares Saudáveis'. 

A rejeição do tucano Serra é como a de Judas, Caim, Kassab


quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Manuela se acha predestinada ao cargo, Fortunati faz uma gestão medíocre


Em Porto Alegre, nem todos os gatos são pardos

Em Porto Alegre, muita coisa mudou, mas uma segue a mesma: há dois grupos políticos em disputa. Quando o PT perdeu as eleições para a prefeitura de Porto Alegre, em 2004, o grupo político que hoje está coligado, majoritária, porém não exclusivamente, na aliança da candidatura Fortunati vivia um momento de ascensão na cidade e no estado. 

O ponto culminante dessa formação de partidos que começou a se consolidar ainda em 1999 foi a eleição de Yeda Crusius para governadora, em 2006. A desagregação desse aglomerado de direita se deu com o desastre da gestão do PSDB, no RS. Outro fator de desagregação deste bloco gaúcho de centro-direita veio com a consolidação eleitoral do PT, no terceiro mandato no governo federal, conformando uma gestão, desta feita, diretamente vinculada ao PMDB e ao PDT. 

Visto de longe, como faz o longínquo candidato do PSDB local, tudo parece a mesma coisa. Fortunati, Manuela e Villaverde seriam representações do mesmo grupo, do lulo-petismo. Esse diagnóstico é grotesco e obscurantista e aceitá-lo envolve um grande risco.

Um destes riscos contamina a candidatura Manuela D’Ávila, cuja propaganda carrega as tintas no individualismo e numa suposta predestinação da candidata ao cargo. Mais do que um pateta desavisado da extrema direita católica, mais do que a grande aliança da direita local, o discurso que embala a candidatura Manuela pode ser a expressão de uma representação um tanto conservadora, num processo eleitoral. De modo geral, a campanha da deputada está centrada nos seguintes atributos: a candidata teve muitos votos, a candidata é mulher, a candidata trouxe 380 milhões para o RS em emendas parlamentares, a candidata “ajudou a trazer a Copa e as Olimpíadas para o Brasil”.

A campanha se desdobra em outros apelos. Inventou também de dizer que a candidata estudou em Harvard e na Universidade de Madri. Não fosse Manuela tão ligada nas redes sociais, jovem que é, esse tipo de postura seria compreensível. Fazer três dias de curso em Harvard não é estudar em Harvard, tampouco participar de seminário de mulheres, na Universidade de Madri, é estudar na Universidade de Madri. 

No plano político, essa candidatura encerra um formato mais grave: o apoio de Ana Amélia Lemos. Esta senhora de triste figura, representante do latifúndio, da RBS, da monocultura agroexportadora, dos golpistas do Paraguai, da Monsanto e grande elenco de entidades antirrepublicanas, como a turma das armas e do monopólio da comunicação, é pré-candidata da oposição ao governo do Estado do RS. No mercado da falta de almas dessa política espetacular, o apoio da Ana Amélia tem um preço: derrubar o PT em 2014, no RS. Este preço, vale dizer, não é cobrado, pelo menos não ainda, da candidatura Fortunati.

A gestão Fortunati é medíocre, como é sabido e vivido. 

Quando Fogaça saiu é inegável a melhora: a prefeitura passou a ter alguma existência. Fortunati tentou resolver o problema do lixo, e parece que a calamidade foi relativamente enfrentada. Mas a regressão dos avanços na coleta seletiva e nas incubadoras de cooperativas é inegável e, infelizmente, segue assim. As ruas e os parques estão mais limpos, deve-se dizer. É feio, para dizer o mínimo, ter placas da Coca-Cola e da Pepsi parasitando espaços públicos da cidade. É feio e sem justificação republicana, mas não muda voto. 

Voto é uma coisa mais séria do que uma marca, uma candidatura encerrada em si mesma e do que diferenças culturais. 

A candidatura Fortunati tem uma agenda, que pode ser medíocre, que pode ser, em certa medida, tão pessoal e individualista como a da Manuela. 

Mas tem lastro político, partidário, tem enraizamento na experiência política da cidade, inclusive desde a época das gestões do PT, visto que o OP segue aí, as escolas não sofreram grandes mudanças e há uma certa estabilidade institucional que se conformou, sobretudo depois da saída do grupo mais ligado ao Fogaça, que parecia cultivar uma certa repulsa a compromissos mais republicanos e populares, no que concerne à administração da FASC e às políticas sociais, exemplarmente.

A grande e única inovação da gestão Fortunati é a SEDA, a Secretaria Especial dos Direitos dos Animais. É uma inovação civilizatória e ambientalmente luminosa, além de uma política pública na acepção quase plena da palavra (esta coisa de ação de gabinete de primeira dama é politicamente regressiva), porque promove e fomenta e dá exemplo de educação e bem estar.

A Porto Alegre onde se inventava de verdade e se pensava e realizava políticas públicas republicanas, democratizantes e oxigenadas, todos os dias do ano, essa Porto Alegre não existe mais. Pode ser que volte a existir, mas não se deve menosprezar os períodos históricos em que as experiências se constituem. 

Hoje, o PT não é uma força política em ascensão na sociedade, cultivada na resistência ao neoliberalismo triunfante no país, num período recente pós ditadura. Não, o PT está no terceiro mandato no governo federal, não governa a cidade há quase dez anos e parte importante da atual gestão da prefeitura é formada por quadros de partidos que estão, tanto no governo federal, como no estadual, também do PT. 

A candidatura Villaverde tem como principal adversário, paradoxalmente, o seu maior aliado: o poder de que já dispõe o seu partido, a experiência consolidada de uma mudança epocal no país, protagonizada por Lula e a que Dilma dá continuidade, e a consistência de suas possibilidades, na cidade.

Só que as coisas não são tão fáceis quando se tem poder, mesmo que em bons governos. Mais uma vez, é preciso aprender a olhar sem perspectivas grotescas e obscurantistas.
Tudo se passa como se o PT, no governo federal, tivesse consolidado um certo projeto peemedebista dos anos 80, e o país inteiro esteja numa grande onda “centrista”. 

O custo político desse tipo de situação pode ser alto, mas o fato de que, no Brasil, essa onda tem se dado num marco democrático, que inclui e abarca a esquerda não tem interditado, a esta, as suas possibilidades. Em todo o país os movimentos sociais estão muito mais vivos e autônomos, seguem produzindo, criticando e mobilizando. Com todas as inflexões e mudanças localizadas de orientação do governo federal, não se pode dizer que há regressão alguma ou que a esquerda esteja em situação mais difícil, hoje. 

O que a estabilidade centrista das gestões do PT produziu, no país, tem a consequência peculiar de não interditar as possibilidades da esquerda, mas de assegurar a gestação de suas agendas. Hoje, temos mais democracia e mais república, menos desigualdade e menos barbárie. O país incluiu uma França em oito anos e o PT é responsável por isso.

A candidatura Villaverde tem consistência, trajetória e presente. A sua dificuldade parece ser uma dificuldade do próprio PT, de manter-se como partido vivo, oxigenado, que não sucumba ao jogo eleitoral. É como se o partido tivesse perdido a perspectiva de tal maneira que se tenta apresentar o Villa como um despachante do governo federal. 

Uma agenda para uma prefeitura, para uma cidade que tem na democracia um valor cultivado, pode e deve falar da vida, antes e além das obras das grandes empreiteiras e daquilo que é prerrogativa principal do governo federal.

Mobilidade, urbanidade, responsabilidade ambiental, assistência social, políticas e espaços para a juventude, políticas de gênero, políticas para os animais domésticos, política para o lixo. Um horizonte muito maior e mais civilizatório que a Copa do Mundo, que os despachos de ministros, que as figuras e imagens de grandes líderes.  Nada impede o PT de fazer a campanha mais pé no chão e a mais promissora de todas. Nada impede o PT de falar em disputa civilizatória. Bem ao contrário.

O centrismo triunfante neste momento produz uma ilusão que pode custar muito caro, tanto à cidade como à esquerda e ao PT. 

O risco é entregar a cidade a um acordo espetacular mercantil, sem lastro e sem agenda, cujo horizonte , em termos de consistência programática, é a derrocada do PT no estado e a retomada, pela direita, do terreno recentemente perdido. 

A perspectiva grotesca e obscurantista não pode obnubilar a democracia e o debate altivo sobre os destinos das forças vivas da política da cidade. 

Eleição não é uma feira de trocas de votos e de disfarces, e enxergá-la assim é renunciar à democracia.

Artigo de Katarina Peixoto, doutora em filosofia pela UFRGS, sub-editora da Agência Carta Maior, onde também é tradutora.

Ato público de identificação do Madre Pelletier como centro de tortura



Comitê Carlos de Ré – da Verdade e da Justiça realizará no dia 10 de setembro um ato de identificação do presídio feminino Madre Pelletier (foto), em Porto Alegre, como espaço de tortura durante a ditadura civil-militar de 1964/85. O ato ocorrerá em frente ao presídio, localizado na avenida Teresópolis, nº 2727, a partir das 11 horas, na próxima segunda-feira, 10/9. 

A manifestação é parte do processo de identificação de espaços de repressão e atos criminosos perpetrados por agentes do Estado, durante a ditadura em Porto Alegre. No ato público, haverá depoimentos de ex-presas políticas e mulheres em situação de carceragem, hoje.


A “política industrial” do governo Dilma é uma esquizofrenia só



Desconfiança empresarial

São abundantes os indícios de timidez em ampliações de capacidade produtiva, ou seja, timidez na elevação do investimento privado no Brasil. Contrasta, silenciosamente com a retórica barulhenta que repete, a cada indício desfavorável, a afirmação de que "o pior já passou" e de que estamos em rota batida para a "retomada do dinamismo". O ministro Mantega, em 31 de agosto, disse que "passamos a pior fase" e afirmou que "existe uma recuperação modesta, no momento". Os empresários, em sinal de respeito e de prudência vernacular, dizem vagamente que, talvez, haja uma recuperação de investimento em 2013, se houver melhoria nas vendas de eletrodomésticos no último trimestre de 2012. As empresas, em vez de apresentarem suas dúvidas, preferem afirmar que estão na "expectativa de maturação" das medidas do governo. O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Têxteis (Abit), Agnaldo Diniz, lembra que "o espírito animal do empresário também é racional. Ele só investe quando vê segurança no médio e longo prazos".
Hoje, há consenso de que a crise mundial está solidamente enraizada e com indícios de progressão. O interior da França apresenta um cenário pior que o da Espanha. Os EUA exportam uma imensa sensação de "não sabemos para onde vamos". A China começa a apresentar alguns sinais de dificuldade. No Brasil, o "PIBinho" apresentou o pior resultado desde o primeiro trimestre de 2009 e a indústria é o sistema de retrocesso que freia a economia. Setores como o de veículos, têxtil, eletrônicos e farmacêuticos acumulam estoques e não conseguem exportar diante da crise, e sofrem uma concorrência externa cada vez mais pesada.
Ao longo da última década de mediocridade, o segmento dinâmico foi o agropecuário e a reiteração das medidas de apoio ao consumo privado está produzindo uma resposta descendente das famílias, que ampliaram seu consumo apenas 0,6% no último trimestre, em comparação com o anterior. A resposta mais cautelosa das famílias aos incentivos ao consumo deve estar sendo reforçada pela alta nos preços dos alimentos, pela queda brutal do preço dos automóveis usados que, no passado, era de 10% e que hoje já supera 25% - provavelmente, a dívida do comprador do veículo está maior que o valor de seu carro usado, se fosse vendê-lo hoje.
Em vez de dizerem suas dúvidas, as empresas afirmam que aguardam as medidas do governo maturarem
Creio que a fobia pelo investimento produtivo merece tentativas de interpretação. Seria útil, olhando o sistema industrial brasileiro, procurar razões comportamentais diferenciadas nas grandes empresas, segundo a natureza de seu controle. Filiais das grandes multinacionais fazem parte expressiva ou são dominantes em diversos segmentos e, desde logo, é necessário dizer que estão prontas para adquirir empresas nacionais que disponham de frações relativas do mercado-alvo de sua atuação. Ocorre que, em muitos setores, esse "personagem" é inexistente: não há nenhum montador de veículos automotores nacional e raros são os empresários brasileiros no segmento de autopeças. O Globo de 29/8 apresentou dados estarrecedores: a margem de lucro do montador de veículos nos EUA é de 3%, no mundo como um todo é de 5% e no Brasil é de 10%. A carga tributária brasileira é de 25,6%, na Argentina, 21%, na França, 19,6%. O Honda Fit básico custa, no Brasil, mais que o dobro do que custa na França: o brasileiro paga R$ 57.480,00 e o francês paga o equivalente a R$ 27.898,00. Apesar de mais de 50 anos de instalação, a indústria automobilística brasileira não produziu modelos adaptados ao nosso clima e às nossas vicissitudes logísticas. É altamente duvidosa sua cooperação ao balanço de divisas. Na verdade, entre compra e venda de veículos, autopeças e remessas de juros, lucros e royalties, há déficit cambial no segmento.
Existem filiais estrangeiras praticamente monopolistas, com mais de 100 anos de instalação no Brasil, nos segmentos de alimentos processados, material de limpeza e higiene e produtos farmacêuticos, entre outros, cujos produtos fabricados no Brasil tem desempenho muito inferior aos mesmos produtos da marca de sua filial em um país europeu. Nosso Ministério de Ciência e Tecnologia deveria estudar o mistério da quase nula motivação na pesquisa de novos materiais nacionais e da sistemática baixa qualidade na análise comparativa intra-multinacional. O Brasil - país de periferia que aceitou a instalação em massa de filiais de toda a procedência, que operou uma privatização perigosa associada à desnacionalização, que agora assiste a desnacionalização em massa das cadeias de supermercados, das editoras de livros estudantis e das universidades privadas - em nada afeta a confiança e o papel que as diretorias das filiais no Brasil obedecem às orientações de suas matrizes. Esta é uma boa explicação para a desconfiança desse poderosíssimo grupo de empresas.
Nos poucos casos onde se consolidou um oligopólio nacional, vemos uma réplica tupiniquim: preferem adquirir filiais no exterior do que ampliar capacidade produtiva interna. [Nota do Blogueiro: vide o caso do grupo Gerdau, que prefere adquirir plantas siderúrgicas no exterior a investir no RS, que importa aços planos.] 
O surpreendente é a utilização, pelo governo, dos instrumentos de política econômica para que empresas nacionais ampliassem e se consolidassem no mercados interno nacional e estão sendo utilizados pelas filiais e pelas empresas nacionais que compraram plantas no exterior. De cerveja, passando por proteína vermelha, caminhando para ao aço redondo, mineração e até mesmo a nossa Petrobras comprando refinarias no exterior com a dramática tendência a uma explosão de importações de derivados de petróleo devido à política de atraso na instalação de refinarias. E, agora, para aumentar a desconfiança, a poderosa estatal coloca em dúvida a economia de petróleo, que consistia na peça principal de um projeto de longo prazo para o Brasil.
Artigo de Carlos Lessa, professor emérito de economia brasileira e ex-reitor da UFRJ. Foi presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES, no governo Lula. O artigo foi publicado hoje no jornal Valor Econômico.

O documentário 'Cidadão Caryuka'




Exibição do documentário e debate sobre violência e jornalismo a partir da história do músico Marcelo Yuka.

Dia: 10/09 (segunda-feira), 19h

Local: Comitê Latino Americano

Rua Vieira de Castro, 133 - quase esquina com Venâncio Aires - Porto Alegre

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Corrupção anual no Brasil: 7 bi. Sonegação fiscal: 200 bi




O Brasil ficou no 31º lugar em carga tributária
Compilei os dados da carga tributária de 183 países relativa a 2010. Muita gente precisa ver isto, principalmente os políticos da oposição e comentaristas econômicos da velha mídia.
A primeira tabela mostra a carga de impostos com relação ao Produto Interno Bruto (PIB), com dados da organização conservadora The Heritage Foundation

O Brasil ficou no 31º lugar em carga tributária. Existem 30 países com carga tributária maior que a do Brasil. Destes, 27 são países de grande desenvolvimento humano, europeus em geral.

Aí, confrontada com a realidade, a velha mídia vai dizer: "Ah, mas a população não vê o resultados dos impostos recolhidos". Para este tipo de mentalidade, preparei a segunda tabela, com os países ordenados pela arrecadação per capita. 

O Brasil está em 52º lugar em arrecadação per capita, recolhendo 5 vezes menos que os países desenvolvidos.

Querem nível de vida escandinavo com arrecadação de emergente? É a pobreza, estúpido!

Aí vão dizer: "A situação estaria bem melhor se não fosse a corrupção!". Será? Um estudo da Fundação Getúlio Vargas mostrou que a corrupção impacta 2% (dois por cento) de nosso PIB. Na década, o TCU apanhou 7 bilhões de reais por ano em corrupção, mas a sonegação fiscal anual atinge 200 bilhões de reais, segundo pesquisa de um instituto de estudos tributários.

Por que o movimento "Cansei 2.0" não vai às ruas contra a sonegação, que é 28 vezes pior que a corrupção? Espero que se indignem 28 vezes mais...

Essa neo-UDN!


Texto de José Antonio Meira da Rocha, publicado originalmente no blog Contexto Livre.

Ilustração: cartaz do chamado Movimento Cansei, que reúne parte da direita e reclama por moralidade pública e redução da carga tributária no Brasil. 

domingo, 2 de setembro de 2012

Comitê Popular pela Memória mobiliza três cidades do RS


Nos últimos dias, atos públicos promovidos pelo Comitê Popular Memória, Verdade e Justiça, pelo Levante Popular da Juventude e outras entidades reuniram centenas de pessoas em Porto Alegre, Três Passos e Caxias do Sul em defesa do resgate da memória do período da ditadura e da punição dos agentes do Estado que cometeram crimes contra os opositores.


Em Porto Alegre, foi feita a identificação do local do antigo Quartel da 6ª Companhia da Polícia do Exército, utilizado como centro de prisão e tortura durante a ditadura no Brasil. Com cartazes, músicas e fortes discursos os participantes homenagearam o Capitão Carlos Lamarca – que na época cumpria serviço no quartel. Em Três Passos, foi realizado um escracho silencioso em frente ao Hospital de Caridade para denunciar que em maio de 1970 centenas de pessoas foram presas e torturadas no local. A manifestação foi seguida de uma passeata até a Praça Reneu Geraldino Mertz, vereador da oposição e preso político e posteriormente prefeito de Três Passos
Outra ação ocorreu em Caxias do Sul e foi organizado pelo Levante Popular da Juventude do município, em parceria com a entidade ManifestaSol. As atividades lembraram o dia 28 de agosto de 1979, data em que o General João Batista Figueiredo sancionou a Lei nº 6.683, que anistiou parte dos torturados e perseguidos políticos, bem como garantiu impunidade aos militares responsáveis pelos atos de repressão. Leia aqui reportagem completa da jornalista Vânia Barbosa sobre as manifestações no RS.

sábado, 1 de setembro de 2012

Roy Orbison, o esquecido rei do cha-la-lá



O cara foi uma “sucessão de sucessos”, e muito inspirou os Beatles. Roy nasceu em 1936, um ano depois de dois contemporâneos seus, Elvis Presley e Jerry Lee Lewis, que eram de 1935. Os três podem ser considerados os pioneiros do rockabilly, o rock and roll no mundo branco estadunidense.

Aqui com Blue Angel, um cha-la-la-zão no capricho. A música foi cantada pela Isabela Rosselini, no filme do diretor David Lynch, 'Veludo Azul' (1986), onde Denis Hopper aparece balbuciando junto a letra de Blue Angel


Aqui Only the lonely. 

O rock foi um dos elementos culturais que ajudaram a dar visibilidade social ao jovem (estamos falando de anos 1940/50, coincidindo com a ascensão inexorável do fordismo). Ele - o rock - praticamente eleva a juventude à categoria de coadjuvante da cena pública, e pode-se afirmar que está na raiz daquilo que hoje constitui a chamada sociedade de massas - para o bem e para o mal. 

É certo que tudo isso foi invadido e colonizado pela publicidade, como braço auxiliar (e privilegiado) da necessidade de "realização da mercadoria" (esfera do consumo), onde o valor de troca esmaga o valor de uso, gerando mais alienação e fetichismos de toda a ordem. Mas isso é outra história, bem mais complexa e cabeluda.     


It's over


Oh, Pretty woman, com a participação dos jovens Bruce Springsteen, Tom Waits (piano) e Elvis Costello (que se recusa a tocar em Israel, enquanto lá estiverem instalados governos beligerantes e protofascistas).


Aqui I drove all night.

Vejam, pois, que o rock já foi revolucionário. Já foi um ponteiro indicando que caminhos (tortos) o mundo trilharia.

A arte, as manifestações artísticas em geral, aliás, têm essa propriedade, a de apontarem os esboços e os sinais (quase sempre embotados) do futuro.

É preciso estar atento à arte autêntica (excluindo portanto os Michel Teló, Paulo Coelho e lixinhos afins), nas suas múltiplas expressões (música, literatura, pintura, etc.) e buscar a interpretação das distintas gramáticas e linguagens que flutuam no real.

As novas tecnologias podem também fazer esse papel de oráculo do tempo pagão. Mas suas previsões são parciais, por que só levam em conta o mundo da objetividade e da consciência, enquanto as artes levam em consideração o homem como totalidade sensível, incluindo o nosso lado-escuro-da-lua, o inconsciente.

Aqui You got it. 

Roy Kelton Orbison (1936-1988) era chamado "The Big O". No Brasil, vários baladeiros pop se inspiraram no velho Orbison, mas ocultam essa condição de filhos estéticos do Big O. Exemplos: Lulu Santos, Ritchie e o próprio Roberto Carlos, antes de virar a torta indigesta e turbo-açucarada no qual se degradou. E tem muitos outros.   


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