quinta-feira, 9 de agosto de 2012
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
O drama atual das Universidades federais brasileiras
Para
onde vão as nossas Universidades
O primeiro grupo vivenciou uma expansão dos campi muito significativa, através da profusão de cursos - muitos dos quais, entretanto, pautados pela razão instrumental, de qualidade duvidosa e em sintonia com a era da flexibilidade.
O segundo grupo viu o governo do PT mostrar também um lado generoso em relação aos mercados.
Faculdades em sua grande maioria de fachada, autodefinidas como "instituições do ensino superior", carentes de rigor científico mínimo em sua docência e pesquisa (esta, salvo raras exceções, inexiste neste ramo empresarial), tiveram seus cofres inflados com o ProUni.
Já que os pobres são tolhidos em larga escala das universidades públicas - uma vez que frequentam o ensino fundamental em escolas públicas, que se encontram destroçadas -, o governo Lula encontrou uma saída bárbara: reuniu-os nos espaços privados do ProUni.
De outra parte, deu-se positivamente a ampliação das universidades públicas, através da expansão dos cursos nas instituições federais e da contratação significativa de docentes. Mas o governo o fez deslanchando o Reuni, programa de expansão das universidades federais.
Constrangidos pelo produtivismo (anti)acadêmico e calibrados pela competição, há precarização de condições de trabalho. Os salários são baixos. A carreira, mal estruturada.
Mas o governo não contava que essa ampliação quantitativa tivesse fortes consequências qualitativas: a nova geração de jovens professores, doutores em sua grande maioria, parece não aceitar sem questionamentos esse lado perverso do Reuni, que quer assemelhar Universidades públicas àquelas onde viceja o ProUni.
Dando aulas muitas vezes em galpões, sem salas de professores (quando há, sem condições de pesquisar), os docentes, cujos adoecimentos e padecimentos, para não falar de mortes, não param de se ampliar, decretaram uma ampla e massiva greve nas federais.
Querem melhores salários, condições de trabalho dignas e carreira efetivamente estruturada.
Os conservadores dizem, tentando mascarar o desejo pela completa privatização, que a greve dos docentes públicos é uma forma de "receber sem trabalhar". "Esquecem" algo elementar: qual docente, no juízo razoável de suas faculdades, quer arrebentar seu calendário e repor aulas quando deveria estar em férias?
Só mesmo as vozes conservadoras podem identificar uma greve, com suas atividades, assembleias, debates, desgastes, riscos e tensões, como "descanso remunerado", argumento histórico das direitas derrotado pela Constituição de 1988.
Para muitas dessas vozes, a pesquisa e a reflexão livres incomodam. Elas gostariam de privatizar as federais, convertendo-as ou em Universidades profissionalizantes ou, ao menos parte delas, em "universidades corporativas", uma flagrante contradição, pois universalidade não rima com corporação.
Há um segundo ponto importante: muitos alegam que é preciso investir no ensino básico, o que os leva a recusar o apoio à Universidade pública. Mas alguém seriamente acredita que aqueles que querem destroçar a Universidade pública querem, de fato, um ensino básico público, laico e de qualidade?
Artigo do professor Ricardo Antunes, titular de sociologia na Unicamp, e autor de "O Continente do Labor" (Boitempo). Publicado hoje na Folha.
domingo, 5 de agosto de 2012
sábado, 4 de agosto de 2012
Arquivos secretos da ditadura chilena mostram conexões com Vaticano, imprensa e FBI
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| Papa e Pinochet |
Estes documentos, durante décadas catalogados como reservados, confirmam que os órgãos repressivos chilenos, a DINA [Direção de Inteligência Nacional] primeiro e a CNI [Central Nacional de Informações] depois, mantinham correspondência quase diária com ministros e outras autoridades para coordenar operações em todo o mundo.
O coronel Manuel Contreras, que, como diretor da DINA, planejou ataques nos EUA, Argentina e Itália, tinha poder até para investigar funcionários do Estado, como revela a Circular Reservada 35 F-151 de 1975. "Sua Excelência (Pinochet) determinou que, a partir desta data, nenhum funcionário público seja contratado sem que previamente se anexe a seus antecedentes um relatório da DINA com relação às atividades que o interessado possa ter realizado", informou o ministro do Interior da época, general Raúl Benavides.
Em 1976, os poderes da DINA foram ampliados e detalhados. Ela podia investigar todos os funcionários, sendo a única responsável para instalar os interfones presidenciais na administração pública.
A polícia secreta, responsável por milhares de desaparecidos, executados e torturados, segundo relatórios oficiais, também passou a manter um arquivo com as fichas de todos os presos e perseguidos, cuja informação ela enviava aos ministérios que a pediam. A DINA, cujo diretor está hoje preso, cumprindo uma centena de condenações, tinha poder até para dar ordens a ministros, como revela o Plano de Operação Epsilon.
A iniciativa foi projetada em junho de 1975 por Contreras, antes da visita ao país da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, à qual acudiam centenas de denunciantes da oposição. O coronel Contreras, que sempre se gabou de tomar café da manhã diariamente com Pinochet, repartia nesse plano tarefas a todos os tipos de autoridades, às quais advertia que, perante qualquer dúvida, deviam contatá-lo diretamente por telefone.
A estratégia, contida em 11 páginas distribuídas a ministros e chefes de serviços, tinha por missão "realizar uma campanha de ação psicológica aberta e clandestina", para neutralizar no mundo as denúncias de violações aos direitos humanos.
As ações abrangem desde o uso de jornalistas, que não são nomeados, para que que "festejem" pela visita daComissão Interamericana de Direitos Humanos, até a eliminação de fitas da Segunda Guerra Mundial da programação televisiva por aludir ao nazismo.
Também são propostas campanhas de ataques à situação dos direitos humanos em Portugal, União Soviética, Cuba eVietnã, e a disputa de uma partida de futebol entre Chile e Brasil, como distração.
As coordenações entre a polícia secreta e os ministros continuaram mesmo após a dissolução da DINA em 1978, após a eclosão de uma crise com os EUA por causa do atentado explosivo em Washington contra o ex-chanceler socialista Orlando Letelier.
A CNI, órgão que substitui a DINA, impulsionou a partir desse ano as operações na Bolívia, Argentina e Brasil, por meio das embaixadas chilenas que remetem relatórios periódicos sobre a atividade dos exilados, os meios de comunicação e órgãos humanitários.
Prova disso é que, no dia 17 de marco de 1978, o vice-ministro das Relações Exteriores do Chile, o general-brigadeiroEnrique Valdés Puga, assinou e enviou o ofício secreto número 35 da Chancelaria ao então diretor da CNI, o generalOdlanier Mena.
"De acordo com o conversado com os Srs. sobre a necessidade de normalizar a situação de envio de oficiais da CNIcomo Conselheiros Administrativos ou Civiis a diversas representações diplomáticas do Chile no exterior, eu muito agradeceria que se remetesse, o mais brevemente possível, ao abaixo-assinado, um exemplar do Plano Condor", escreveu Valdés.
O chefe da polícia secreta, como era de costume, respondeu no dia 21 de fevereiro diretamente ao chanceler da época, o almirante Patricio Carvajal, ratificando os destinos dos militares José Aqueveque, León González e Raúl Valley aoPeru, Bolívia e Argentina, respectivamente.
Os arquivos secretos revelam também o esforço contínuo da ditadura (1973-1990) para desacreditar os seus opositores e conquistar aliados, operação em que também aparece envolvido o hoje deputado da Renovação Nacional Alberto Cardemil, correligionário do presidente Sebastián Piñera.
Cardemil, que atuava nos prolegômenos do regime pinochetista como vice-ministro do Interior, enviou à Chancelaria as fichas secretas dos funcionários da Vicaría de la Solidaridad, para pôr em marcha uma ampla ação de desprestígio dessa entidade defensora dos direitos humanos, liderada pela Igreja Católica.
"Conforme o conversado em nossa reunião almoço de dias passados, permito-me anexar uma pasta com antecedentes completos das pessoas que trabalham na Vicaría de la Solidaridad", escreveu Cardemil no dia 26 de abril de 1985, no ofício secreto 1.953.
As operações detalhadas nesses arquivos revelam ainda o rastreamento de centenas de correspondentes dentro e fora do Chile, como Pierre Kalfon, do Le Monde, e James Pringle, da Newsweek, entre quase mil referidos nesses documentos.
Também há preocupação com o trabalho de artistas como o escritor Ariel Dorfman, e as equipes de inteligência remetem às autoridades do governo detalhes dos debates em centros de estudo, o que chamam de "ativismo intelectual".
Os textos também revelam os diálogos com o Vaticano para neutralizar os setores da Igreja que criticavam as violações aos direitos humanos, liderados pelo cardeal Raúl Silva Henríquez.
Peças-chave em toda essa rede também são os Relatórios de Apreciação Sociológica que a Marinha preparava para a Junta Militar nos últimos anos do regime. Neles, é delineada a entrega do poder e as características que deveria ter a democracia nascente, em que se espera que os militares não abram mão do "princípio de autoridade".
"Isso merecerá a conveniência de considerar, em 1989, algumas mudanças na organização do Estado, preservando a substância institucional dos três primeiros capítulos da Constituição", propôs o capitão naval Rodolfo Camacho no dia 6 janeiro de 1989 nesses documentos.
As mudanças finalmente foram acordadas com a oposição de centro-esquerda. A Constituição, então redigida, rege o Chile até hoje.
Pescado do portal IHU-Unisinos. Publicado originalmente no portal Religión Digital, em 02/08/12. Tradução de Moisés Sbardelotto.
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Juan Carlos, parasita e rei, ilustra a situação em que a direita deixou a Espanha
O rei
espanhol Juan Carlos, fantasiado de militar - e conhecido pela pouca sobriedade e imensa sede
- tropeçou em um degrau ontem, quinta-feira (2/8), e caiu no chão,
na entrada da sede do Estado Maior de Defesa, em Madri (Espanha).
Após a queda, o rei se levantou e continuou a visita ao local,
segundo a agência EFE. Fotos (ótimas) de J. J. Guillén.
Como se
vê, o rosto do rei ficou bem danificado, tanto pelo tombo, quanto
pelo álcool, sobretudo por este último.
A queda
do monarca - e parasita - ilustra muito bem a situação no qual a
direita espanhola (seja o PP, seja a social-democracia) deixou o
País, hoje com taxa de desemprego de 25% da mão de obra ativa,
talvez o mais alto do mundo conhecido.
Juan
Carlos, parasita e rei, foi acusado meses atrás por autoridades da
Rússia de matar a tiros alguns ursos, fato esse que ocorreu sob
forte efeito do álcool em seu corpo nobre, segundo as mesmas fontes. Na África, por sua vez,
semanas atrás, Sua Majestade foi apanhado no mórbido esporte de abater
elefantes numa reserva legal de Botsuana, sul do continente, a um
custo de 30 mil dólares cada mamífero abatido.
“Governo Dilma corre o risco de perder a base social que o sustenta”
O
novo presidente da Central
Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas,
critica
a postura do Executivo federal no tratamento às categorias federais
em greve, Fala sobre a crise econômica, meios de comunicação,
conservadorismo do Congresso Nacional e a importância da unidade
política das Centrais para a garantia de direitos da classe
trabalhadora. A informação foi pescada do portal da CUT, postado
originalmente ontem, 2/8. Abaixo, trechos da entrevista do sindicalista Vagner Freitas (foto):
Negociação com os grevistas do setor público federal
“É inadmissível que o governo veja passar na sua frente uma greve forte, importante, sem demonstrar uma real fórmula para resolver o problema”.
Investimento no Serviço Público
“O governo precisa tratar melhor da questão do serviço público. Lógico, não há dúvida sobre a diferença de tratamento do governo Lula e Dilma em comparação ao governo Fernando Henrique. Os salários e as condições de trabalho melhoraram bastante, mas é preciso regar a planta para que ela cresça, porque se parar de colocar água, ela corre o risco de morrer. O investimento no serviço público tem que ser permanente e contínuo”.
Educação e Reforma Agrária
“Não é verdade que se vai investir em educação se não investir no professor. Não é verdade que se vai investir em saúde sem investir no servidor. Não é verdade que se vai fazer reforma agrária sem investir no trabalhador do Incra”.
Qualidade dos serviços
“O servidor não é um custo, mas um ativo importante na construção de políticas públicas que esse governo deve fazer porque prometeu fazer. A não-privatização, a qualificação e a extensão do serviço público como direito de todos os cidadãos significam investimento no servidor. É um direito da sociedade que paga por isso e o servidor faz parte dessa
trajetória”.
Sustentação social do projeto
“A análise que o governo precisa fazer é essa, não adianta apenas se orientar pela tabela da rigidez orçamentária, mas precisa fazer a tabela da importância política da sustentação social a um projeto diferente que está sendo aplicado no Brasil, que a CUT defende e que os trabalhadores querem defender”
Fomentar o mercado interno
“O argumento é fomentar desenvolvimento do mercado interno, colocar dinheiro em circulação, estimular o consumo, diferentemente do que fazem outros países de outros locais no mundo, que vão em sentido contrário. É só observar as medidas que tomam os governos espanhol e brasileiro. Na Espanha, o desemprego alcança 25%. Já no Brasil não há isso e o país ainda vive um processo de emprego e crescimento, embora menor nos últimos anos. É inequívoco que o governo brasileiro tem postura diferente e, se a ideia é fomentar consumo e o mercado internos, sem arrocho e aperto fiscal, também é necessário aumentar a quantidade de dinheiro que recebe o trabalhador”.
Fortalecimento da indústria nacional
“Todos os países que tiveram desenvolvimento calcado na recomposição do mercado interno, em projetos para indústria nacional, financiamento para avanço tecnológico e investimento em educação, só fizeram por meio de um sistema financeiro que capta recursos e oferece crédito. Por isso, elogios à presidenta Dilma por ter tido coragem de enfrentar os bancos já que ninguém nunca o fez de forma tão explícita, ouvindo a nossa voz, que estamos dizendo isso há tempos. E dizemos que o Brasil precisa de reformas essenciais, como a do sistema financeiro, a política e a tributária. Obviamente que nessa gestão vamos ter um olhar muito específico nesse tema”.
Interlocução com o Congresso
“Queremos estabelecer uma relação direta com o Congresso. É um espaço institucional importante e a pauta dos trabalhadores passa por lá. Vamos procurar as bancadas dos partidos, levar e explicar as demandas dos trabalhadores. Será uma postura pró-ativa, de buscar uma interlocução para temas como a ratificação das convenções 151, que trata do direito de negociação no serviço público e a 158 (trata da demissão imotivada), ambas da OIT [Organização Internacional do Trabalho]. Esse último caso revela um problema grave no Brasil que é a rotatividade, algo inexplicável: crescimento econômico e rotatividade no emprego. O governo divulga vários índices sobre aumento nas contratações, mas se buscarmos quantas demissões foram feitas, será possível perceber que, muitas vezes, se demite quem ganha mais para contratar que ganha menos”.
Fim do fator previdenciário
“Vamos lutar pelo fim do fator previdenciário, uma herança do governo FHC que é a penalização aos trabalhadores que começaram a trabalhar mais cedo, as contrapartidas sociais nas políticas de negociação do governos, para assegurar a via de mão dupla que eu disse. Tudo isso sem falar nos temas macro, que a CUT quer debater com a sociedade, como a reforma agrária, as reformas política e tributária”.
Financiamento públido de campanha
“Enquanto o poder econômico privado determinar quem vai ser eleito governador, senador e deputado não teremos democracia estabelecida. Hoje em dia, lamentavelmente, o candidato sem recurso financeiro individual não consegue estrutura para se eleger. Tem que haver reforma política com financiamento público de campanha para que não seja uma corrida injusta entre os que têm mais e os que têm menos, ou sempre teremos um Congresso conservador. Para cada trabalhador eleito, há um número muito mais expressivo de representantes do setor empresarial. O Congresso Nacional deve refletir o que é a sociedade brasileira, abarcar toda a rica diversidade de manifestação social que temos no Brasil”.
Democratização da comunicação
“O problema é que a mídia que temos não consegue captar a diversidade de opiniões do país. É normal, em todo o mundo, jornais com linha mais conservadora, outros com perfil progressista. Aqui é praticamente opinião única, expressa em um controle midiático, uma espécie de emaranhado em que o mesmo grupo controla o rádio, a televisão, o jornal, a internet. Nós achamos que tem que haver mais opinião, mais informação e mais discussão na sociedade. Cabe à mídia dar vazão a isso. Não se trata de diminuir, cercear ou impedir a liberdade da mídia. O que queremos é fomentar o debate nacional, captar a diversidade de pensamento. Por isso, nós achamos que tem que se aprovar um novo marco regulatório, não é possível que a mesma empresa controle todas as mídias, temos que valorizar a mídia regional, as emissoras comunitárias, os veículos vinculados à sociedade civil, como entidades de classe e empresariais”.
Unidade das Centrais
“Nós precisamos ter bandeiras comuns. E a CUT defende e sempre defendeu a unidade entre as Centrais. Talvez os avanços mais importantes nos últimos anos tenha sido quando as Centrais tiveram a condição de defender as mesmas pautas, como os aumentos no salário mínimo. E temos que continuar fazendo isso porque as Centrais não são inimigas entre si. O inimigo está do outro lado”.
Negociação com os grevistas do setor público federal
“É inadmissível que o governo veja passar na sua frente uma greve forte, importante, sem demonstrar uma real fórmula para resolver o problema”.
Investimento no Serviço Público
“O governo precisa tratar melhor da questão do serviço público. Lógico, não há dúvida sobre a diferença de tratamento do governo Lula e Dilma em comparação ao governo Fernando Henrique. Os salários e as condições de trabalho melhoraram bastante, mas é preciso regar a planta para que ela cresça, porque se parar de colocar água, ela corre o risco de morrer. O investimento no serviço público tem que ser permanente e contínuo”.
Educação e Reforma Agrária
“Não é verdade que se vai investir em educação se não investir no professor. Não é verdade que se vai investir em saúde sem investir no servidor. Não é verdade que se vai fazer reforma agrária sem investir no trabalhador do Incra”.
Qualidade dos serviços
“O servidor não é um custo, mas um ativo importante na construção de políticas públicas que esse governo deve fazer porque prometeu fazer. A não-privatização, a qualificação e a extensão do serviço público como direito de todos os cidadãos significam investimento no servidor. É um direito da sociedade que paga por isso e o servidor faz parte dessa
trajetória”.
Sustentação social do projeto
“A análise que o governo precisa fazer é essa, não adianta apenas se orientar pela tabela da rigidez orçamentária, mas precisa fazer a tabela da importância política da sustentação social a um projeto diferente que está sendo aplicado no Brasil, que a CUT defende e que os trabalhadores querem defender”
Fomentar o mercado interno
“O argumento é fomentar desenvolvimento do mercado interno, colocar dinheiro em circulação, estimular o consumo, diferentemente do que fazem outros países de outros locais no mundo, que vão em sentido contrário. É só observar as medidas que tomam os governos espanhol e brasileiro. Na Espanha, o desemprego alcança 25%. Já no Brasil não há isso e o país ainda vive um processo de emprego e crescimento, embora menor nos últimos anos. É inequívoco que o governo brasileiro tem postura diferente e, se a ideia é fomentar consumo e o mercado internos, sem arrocho e aperto fiscal, também é necessário aumentar a quantidade de dinheiro que recebe o trabalhador”.
Fortalecimento da indústria nacional
“Todos os países que tiveram desenvolvimento calcado na recomposição do mercado interno, em projetos para indústria nacional, financiamento para avanço tecnológico e investimento em educação, só fizeram por meio de um sistema financeiro que capta recursos e oferece crédito. Por isso, elogios à presidenta Dilma por ter tido coragem de enfrentar os bancos já que ninguém nunca o fez de forma tão explícita, ouvindo a nossa voz, que estamos dizendo isso há tempos. E dizemos que o Brasil precisa de reformas essenciais, como a do sistema financeiro, a política e a tributária. Obviamente que nessa gestão vamos ter um olhar muito específico nesse tema”.
Interlocução com o Congresso
“Queremos estabelecer uma relação direta com o Congresso. É um espaço institucional importante e a pauta dos trabalhadores passa por lá. Vamos procurar as bancadas dos partidos, levar e explicar as demandas dos trabalhadores. Será uma postura pró-ativa, de buscar uma interlocução para temas como a ratificação das convenções 151, que trata do direito de negociação no serviço público e a 158 (trata da demissão imotivada), ambas da OIT [Organização Internacional do Trabalho]. Esse último caso revela um problema grave no Brasil que é a rotatividade, algo inexplicável: crescimento econômico e rotatividade no emprego. O governo divulga vários índices sobre aumento nas contratações, mas se buscarmos quantas demissões foram feitas, será possível perceber que, muitas vezes, se demite quem ganha mais para contratar que ganha menos”.
Fim do fator previdenciário
“Vamos lutar pelo fim do fator previdenciário, uma herança do governo FHC que é a penalização aos trabalhadores que começaram a trabalhar mais cedo, as contrapartidas sociais nas políticas de negociação do governos, para assegurar a via de mão dupla que eu disse. Tudo isso sem falar nos temas macro, que a CUT quer debater com a sociedade, como a reforma agrária, as reformas política e tributária”.
Financiamento públido de campanha
“Enquanto o poder econômico privado determinar quem vai ser eleito governador, senador e deputado não teremos democracia estabelecida. Hoje em dia, lamentavelmente, o candidato sem recurso financeiro individual não consegue estrutura para se eleger. Tem que haver reforma política com financiamento público de campanha para que não seja uma corrida injusta entre os que têm mais e os que têm menos, ou sempre teremos um Congresso conservador. Para cada trabalhador eleito, há um número muito mais expressivo de representantes do setor empresarial. O Congresso Nacional deve refletir o que é a sociedade brasileira, abarcar toda a rica diversidade de manifestação social que temos no Brasil”.
Democratização da comunicação
“O problema é que a mídia que temos não consegue captar a diversidade de opiniões do país. É normal, em todo o mundo, jornais com linha mais conservadora, outros com perfil progressista. Aqui é praticamente opinião única, expressa em um controle midiático, uma espécie de emaranhado em que o mesmo grupo controla o rádio, a televisão, o jornal, a internet. Nós achamos que tem que haver mais opinião, mais informação e mais discussão na sociedade. Cabe à mídia dar vazão a isso. Não se trata de diminuir, cercear ou impedir a liberdade da mídia. O que queremos é fomentar o debate nacional, captar a diversidade de pensamento. Por isso, nós achamos que tem que se aprovar um novo marco regulatório, não é possível que a mesma empresa controle todas as mídias, temos que valorizar a mídia regional, as emissoras comunitárias, os veículos vinculados à sociedade civil, como entidades de classe e empresariais”.
Unidade das Centrais
“Nós precisamos ter bandeiras comuns. E a CUT defende e sempre defendeu a unidade entre as Centrais. Talvez os avanços mais importantes nos últimos anos tenha sido quando as Centrais tiveram a condição de defender as mesmas pautas, como os aumentos no salário mínimo. E temos que continuar fazendo isso porque as Centrais não são inimigas entre si. O inimigo está do outro lado”.
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
'Trabalho Interno', o documentário na íntegra
Um documentário que custou 20 trilhões de dólares. Cifra exorbitante? Talvez não para os responsáveis pela quebradeira que ocasionou o tsunami da crise financeira de 2008, quando milhares de pessoas perderam seus empregos e suas moradias.
Indicado ao Oscar como melhor documentário e conduzido pelo diretor Charles Ferguson, "Inside Job" (Trabalho Interno) é mais um filme que retrata os lados obscuros de Wall Street.
Narrado por Matt Damon, o documentário revela verdades incômodas da pior crise já vista desde 1929.
Baseado em uma extensa pesquisa e séries de entrevistas com políticos profissionais, economistas e jornalistas, o filme revela as corrosivas relações de governantes, agentes reguladores e a Universidade. “Inside Job” expõe também uma teia de mentiras e condutas criminosas que prejudicaram seriamente a vida de milhões de pessoas, principalmente pela cobiça, cinismo e mentiras.
“Se você não ficar revoltado ao final do filme, você não estava prestando atenção”, diz uma das frases promocionais do documentário. A revolta é clara: a principal economia do mundo mergulhou em uma forte crise, levando consigo diversas nações.
Os causadores de tudo isso já voltaram a dar “conselhos” para governos e sociedades.
Legendas em espanhol, 1h 48 minutos de vídeo (na íntegra).
Indicação de Jacques Alfonsin para a Comissão Estadual da Verdade
Excelentíssimo
Senhor
Tarso Genro,
DD Governador do Estado do Rio Grande do Sul
Senhor Governador,
Tarso Genro,
DD Governador do Estado do Rio Grande do Sul
Senhor Governador,
Ao
cumprimentá-lo pela grande iniciativa em instituir, no âmbito do estado do Rio Grande do Sul, a Comissão Estadual da Verdade, nos
dirigimos a Vossa Excelência para o que segue:
No
último dia 23 de julho, o Comitê Popular Memória, Verdade e
Justiça, instituído em âmbito estadual, realizou encontro aberto na
Assembleia Legislativa para debater propostas de apoio às Comissões
Nacional e Estadual da Verdade.
Neste
sentido e com forte representação popular, o Comitê defendeu e
aprovou, por unanimidade, a iniciativa de sugerir à Vossa Excelência
o nome do ilustre advogado e Coordenador
da ONG ACESSO – Cidadania e Direitos Humanos de Porto Alegre,
Jacques Távora Alfonsin,
para integrar a Comissão Estadual da Verdade.
Ressaltamos
que para a nossa indicação consideramos os requisitos de
“reconhecida idoneidade, conduta ética e notório saber com
trajetória na área dos direitos humanos”, dispostos no Decreto
Governamental nº 49.380, de 17 de julho de 2012.
Saiba
Vossa Excelência, que muito nos honrará a participação deste
ilustre advogado popular e educador na Comissão Estadual da Verdade,
pois é notório que ainda enriquece o seu currículo como professor
da Escola Superior do Ministério Público e da AJURIS, Conselheiro
do Instituto de Apoio Jurídico Popular do RJ, membro do Conselho de
Desenvolvimento Econômico e Social – CEDES, Procurador aposentado
do Estado RS, advogado do MST e Diretor do Departamento de Direito
Agrário do RS.
Por
fim, aos nos dispormos a contribuir com esta indicação, também nos
colocamos à disposição para atuar, como órgão de apoio e
consulta, à Comissão Estadual da Verdade.
Atenciosamente,
Porto
Alegre, 24 de julho de 2012
Calino
Pacheco Filho,
Pela
coordenação compartilhada do Comitê Popular Memória, Verdade e
Justiça, composto por militantes do PCR, UJR, PDT e PT, ex-presos
políticos, familiares de vítimas da ditadura, historiadores,
estudantes, organizações não-governamentais e demais lutadoras e
lutadores sociais, além dos seguintes movimentos sociais:
MST, MPA/VIA CAMPESINA, LEVANTE POPULAR DA JUVENTUDE, ACJM/RS, FENET/RS, Movimento de Mulheres Olga Benário, FEAB/RS, MTD, Federação dos Trabalhadores Metalúrgicos do RS, CPT/RS, SINDJORS, CTB/RS, CUT/RS e SINDJORS.
MST, MPA/VIA CAMPESINA, LEVANTE POPULAR DA JUVENTUDE, ACJM/RS, FENET/RS, Movimento de Mulheres Olga Benário, FEAB/RS, MTD, Federação dos Trabalhadores Metalúrgicos do RS, CPT/RS, SINDJORS, CTB/RS, CUT/RS e SINDJORS.
Foto: Palácio Piratini, sede do Poder Executivo do RS
Vejam só, Coreia do Norte lança tablet
O tablet Achhim (Manhã), criado para fins educacionais pela empresa estatal norte-coreana de desenvolvimento da eletrônica, goza de grande popularidade entre os estudantes locais, informa a Agência de Notícias Central Coreana.
O tablet de sete polegadas pesa 300 gramas. O sistema operacional e os sofwares são em várias línguas: coreano, chinês, inglês e russo. A carga da bateria dura cinco horas.
O usuário deste tablet multifuncional, segundo a agência noticiosa, adquire acesso a materiais educativos, dicionários e dados científicos.
................................
Comparando com o Brasil, causa grave inquietação essa conquista tecnológica da Coreia do Norte.
Convenhamos, a Coreia do Norte é uma nação modestíssima: para uma população de cerca de 24,5 milhões de pessoas, tem um PIB de apenas 40 bilhões de dólares. A criação de riqueza é pífia, se compararmos - não com o Brasil -, mas com o Uruguai, que para uma população de 3,4 milhões, possui um PIB de 52 bilhões de dólares.
No entanto, a Coreia do Norte está produzindo tablets num esforço de pesquisa e desenvolvimento tecnológico elogiável, sem olharmos para o cerrado regime stalinista-kimilsonguista imperante na dinastia Kim, que recentemente empossou o terceiro mandatário em um formato de escolha por hereditariedade (incrível!), como nos regimes monárquicos do velho colonialismo dos séculos 18 e 19.
Assim, o Brasil precisa repensar a sua atual (não) política de pesquisa e desenvolvimento tecnológico.
A greve das Universidades federais dá uma amostra do descaso do Estado para com o ensino superior público.
O ufanismo basbaque e despolitizado pelas conquistas sociais do lulismo de resultados não pode congelar o pensamento na busca de lograr mais e ampliados êxitos no campo da soberania tecnológica e da inclusão cultural.
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