Você está entrando no Diário Gauche, um blog com as janelas abertas para o mar de incertezas do século 21.

Surf no lixo contemporâneo: a que ponto chegamos! E que mundo deixaremos de herança para Keith Richards?

terça-feira, 5 de outubro de 2010

É preciso republicanizar o Theatro São Pedro


Um território patrimonialista e colonial encravado no coração do Rio Grande do Sul

Só vou acreditar que o Rio Grande está mudando mesmo para melhor, no sentido republicano, democrático e participativo, quando o símbolo do atraso for superado por uma gestão profissional, politizada, não-patrimonialista e pública.

O emblema do arcaísmo, na relação público-privado, no Rio Grande do Sul é a forma vertical como é administrado/apoderado o Theatro São Pedro. Há muitos anos temos uma donatária, nos moldes coloniais dos séculos 16 e 17, manejando a seu bel prazer o mais bonito espaço público e cultural do estado.

Até quando?

Clássico do punk



The Passenger (1977) de e com Iggy Pop, pop porém punk.

.....................

Punk mesmo, foi o que escutei hoje. Próximo de onde moro tem uma obra civil. Operários constroem um edifício de apartamentos. No início da tarde o proletariado estava alvoroçado. Em meio à gritaria da classe operária, escuto uma voz em tom de impiedoso deboche:

- Tu 'tá mal na parada, meu. Qualquer cu-de-cachorro manda em ti. Tu 'tá pior que a Yeda... tu 'tá desmoralizado, meu...

Agora é o seguinte: quem está ao lado e quem está contra Lula


Este é o lema político do segundo turno de 2010

O segundo turno da eleição presidencial de 2010 será a prova dos nove acerca do lulismo de resultados. Pessoalmente, o presidente Lula alcança cerca de 82% de popularidade no País. É um feito inédito, considerando a nossa história recente e menos recente. Somente dois outros presidentes da República tiveram tantos demonstrativos de estima e admiração dos brasileiros: Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek de Oliveira. Não por acaso, dois líderes reformadores que modificaram o país e projetaram-no a patamares de desenvolvimento institucional, social, político e econômico que até hoje são lembrados como definidores de traços da nossa identidade nacional. Também não é por acaso que estes dois brasileiros foram os que sofreram os maiores ataques dos seus adversários de então. Um, foi levado ao suicídio como arma política que prorrogou o golpe que afinal se abateu dez anos depois, em 1964. O outro, foi morto em circunstâncias até hoje não esclarecidas. Objeto de suspeitas sobre uma possível eliminação de adversários dos governos militares do Cone Sul, sob a sanha da chamada Operação Condor.

O teólogo Leonardo Boff, notabilizado pela intolerância do cardeal Ratzinger, depois papa da Igreja católica, tem sobre os seus ombros uma tarefa político-eleitoral de enorme significado. Me explico: Boff foi um dos pioneiros a fomentar a candidatura de Marina Silva à presidência da República. Temos informações confiáveis sobre esse fato. Depois de verificar a importância cada vez mais estratégica do tema ambiental, ainda que numa chave não-convergente com o pensamento hegemônico, Boff estimulou a vaidade da ex-seringueira acreana a ponto de fazê-la aceitar o desafio. Não podia ser dentro do PT, petreamente hegemonizado pelo lulismo. Acabaram achando uma sigla prostituída e sem nenhum caráter, a não ser a coloração Verde, sugerindo vagamente o compromisso ambiental, mesmo que em vigésimo lugar na sua interna hierarquia pseudo-programática. Mas faltava a chama essencial, a credibilidade de padrinhos políticos reconhecidos pelo establishment midiático nacional. É quando entram em cena os dois pajens de armas de Marina, a saber: Fernando Henrique Cardoso e Fernando Nagle Gabeira. FHC viu logo em Marina a possibilidade de promover uma fissura no lulismo e ao mesmo tempo anular o inegável caráter plebiscitário da eleição de 2010. Agora, Marina Silva deixava de ser tanto um projeto de vaidade pessoal da acreana, quanto um vago discurso rousseauniano em favor da sustentabilidade do planeta, para se constituir em potente vetor eleitoral - polido de Verde - de desconstituição do lulismo de resultados. Como se vê uma engenhosa arquitetura eleitoral de montagem de uma importante linha auxiliar da direita. Os fatos das últimas horas estão a evidenciar o acerto, ainda que provisório, do empreendimento antilulista. O diacho é que não se vence corrida eleitoral somente com descontrução e negatividade. Mais que isso, é precisar apontar para o futuro com dedos, olhos e mãos propositivas, com os braços carregados de esperanças e repletos de afirmações positivas. Eleição é sobretudo positividade, mesmo que seja apenas retórica, como acontece na maioria dos casos. Você pode e deve negar, mas simultaneamente deve propor ações objetivas e esperanças coletivas.

Isto posto, José Serra é um candidato improvável. Nos últimos sessenta dias experimentou uma dezena de personas, máscaras, discursos e retóricas de ocasião. Tentou ser lulista. Tentou ser denuncista. Tentou ser escandaloso. Tentou ser vítima. Tentou usar de forma instrumental a própria filha. Tentou ser experiente. Tentou ser líder. Tentou ser popular. Tentou ser religioso. Tentou ser crente. Só não tentou ser José Serra, filiado ao PSDB, companheiro do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, afetado, vaidoso, impopular e descrente de si próprio (renunciou ao seu legado intelectual) e do Brasil.

No laboratório mesmo, Leonardo Boff viu o monstrinho que acabara de dar vida política. Desde então tratou de se reconciliar com o lulismo, apoiando a candidata de Lula à presidência da República, expresso em diversos artigos publicados nas últimas semanas. Mas falta mais. Falta puxar a acreana do fundo do seu poço de vaidade e mostrar a ela a trajetória do seu descaminho. Mostrar que os seus 20% de votos são compostos por pedaços da própria vaidade, por pedaços de circunstâncias irrepetíveis, pelo fortuito e pela acidentalidade dos fatos. Marina Silva é a quintessência da casualidade e do conjuntural. Nela, quase tudo é falso e improvisado. Sua formação religiosa católica - chegou a ser noviça conventual - ficou subsumida a um credo evangélico flou e de ocasião. Suas sinceras convicções ambientalistas ficaram dependentes e subordinados a um projeto econômico liberal que se quer sustentável apenas na retórica e no manejo astucioso da palavra. Sua liderança episódica não se sustentará sobre a base insólita de um partido desfigurado e prostituído.

Assim, o segundo turno se afigura - agora, em definitivo - como um grande plebiscito: os que estão contra Lula e os que estão a favor de Lula. A eleição acabou retornando ao leito natural dos fatos e acontecimentos positivos dos últimos anos, quando quase 60 milhões de brasileiros tiveram graduação no seu status social, o país saiu da estagnação econômica das últimas três décadas, e o Brasil se projetou no plano internacional com força, identidade própria e soberania. Há, claro, muitas lacunas, falhas e omissões imperdoáveis mas é o que se conseguiu em oito breves anos, depois de uma espera de frustrações, golpes militares, derrotas e acertos pelo alto de quase meio século.

Dilma Rousseff é o indivíduo fio-condutor de um longo processo de afirmação da modernidade burguesa no Brasil. Arrisco a dizer que ela representa os ideais republicanos e modernizantes do castilhismo, ainda na rústica vertente pré-democrática, do getulismo, do juscelinismo, como aspiração das classes médias urbanas, do nacionalismo que pende para a esquerda (inclusive com raízes militares) e finalmente da esquerda não-stalinista, bem como da cidadania sincera (como dizia Basbaum), republicana e que aposta na Utopia.

Então decidamos: quem está com Lula, fica com Dilma. Quem está contra Lula e contra as últimas conquistas do Brasil e dos brasileiros, que fique com José Serra, essa improbabilidade ativa. Este é o ponto e a pauta do qual Dilma não pode se afastar.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

A "novata" venceu em quatro regiões, o que "se preparou a vida toda" venceu só na região Sul


A "novata" Dilma obteve desempenhos como o de Lula em 2002 e 2006, no primeiro turno

Com 100% das urnas apuradas, a candidata Dilma Rousseff (PT), que obteve 46,91% dos votos válidos, vai ao segundo turno com José Serra (PSDB), com 32,61%. Marina Silva (PV) conseguiu 19,33% e Plínio Sampaio (PSol) teve 0,87%.

Por uma diferença de quase 6,3 milhões de votos, a petista não conseguiu se eleger no primeiro turno. Dilma venceu em quatro regiões, mas perdeu para Serra no Sul. No Nordeste e no Norte, Dilma ganhou com folga, mas liderou com vantagem menor no Sudeste e no Centro-Oeste.

No Sul, Serra ganhou, com 43,01%. Dilma teve 42,10%; e Marina, 13,64%. No Centro-Oeste, Dilma venceu por pequena vantagem, com 38,89%, contra 37,97% de Serra e 20,94% de Marina.

No Nordeste, Dilma teve o melhor desempenho com 61,63%. Serra obteve 21,48%; e Marina, 16,14%. No Norte, Dilma ficou com 49,23%; Serra, 31,95%; e Marina, 17,88%.

No Sudeste, região com o maior número de eleitores, Dilma obteve 40,88%, contra 34,58% de Serra e 23,18% de Marina.

Dilma venceu em 18 estados e Serra liderou em oito: Acre, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rondônia, Roraima, Santa Catarina e São Paulo. Marina ganhou no Distrito Federal, onde conseguiu 41,96% dos votos válidos, e ficou em segundo lugar em cinco estados - Acre, Amapá, Amazonas, Pernambuco e Rio de Janeiro. No Ceará, ela empatou com Serra (16,36%).

Entre os votos no exterior, Dilma perdeu por cerca de quatro pontos percentuais. Ela obteve 36,81%, contra 40,25% de Serra e 20,43% de Marina. Entre os eleitores que votaram em trânsito, Dilma venceu com 39,15%. Serra obteve 31,18% e Marina ficou com 28,11%.

Os votos em branco somaram 3.479.320 (3,13%); e os nulos, 6.124.083 (5,51%). O Brasil tem 135,804 milhões de eleitores. A abstenção foi de 18,12%.

Nasce o argumento Verde, o novíssimo discurso da velha direita


Marina Silva em Wall Street

"Wall Street" é, entre outras coisas, o nome do novo filme do cineasta norte-americano Oliver Stone. Ele conta a história da crise financeira de 2008 tendo como personagem central um jovem especulador financeiro que parece ter algo semelhante ao que um dia se chamou pudor.

Sua grande preocupação é capitalizar uma empresa, que visa produzir energia ecologicamente limpa, dirigida por um professor de cabelos brancos e ar sábio. O jovem especulador é, muitas vezes, visto pelos seus pares como idealista. No entanto, ele sabe melhor que ninguém que, depois do estouro da bolha financeira, os mercados irão em direção à bolha verde. Mais do que idealista, ele sabe, antes dos outros, para onde o dinheiro corre. Enfim, seu pudor não precisa entrar em contradição com sua ganância.

Neste sentido, "Wall Street" foi feliz em descrever esta nova rearticulação entre agenda ecológica e mundo financeiro. Ela talvez nos explique um fenômeno político mundial que apareceu com toda força no Brasil: a transformação dos partidos verdes em novos partidos de centro e o abandono de suas antigas pautas de esquerda.

A tendência já tinha sido ditada na Europa. Hoje, o partido verde alemão prefere aliar-se aos conservadores da CDU (União Democrata-Cristã) do que fazer triangulações de esquerda com os sociais-democratas (SPD) e a esquerda (Die Linke). Quando estiveram no governo de Schroeder, eles abandonaram de bom grado a bandeira pacifista a fim de mandar tropas para o Afeganistão. Com o mesmo bom grado, eles ajudaram a desmontar o Estado do bem-estar social com leis de flexibilização do trabalho (como o pacote chamado de Hartz IV). Daniel Cohn-Bendit, um dos líderes do partido verde francês, fez de tudo para viabilizar uma aliança com os centristas do Modem. Algo que soaria melhor para seus novos eleitores que frequentam as praças financeiras mundiais.

No Brasil, vimos a candidatura de Marina Silva impor-se como terceira via na política. Ela foi capaz de pegar um partido composto por personalidades do calibre de Zequinha Sarney e fazer acreditar que, com eles, um novo modo de fazer política está em vias de aparecer. Cobrando os outros candidatos por não ter um programa, ela conseguiu esconder que, de todos, seu programa era o economicamente mais liberal. O que não devia nos surpreender. Afinal, os verdes conservaram o que talvez havia de pior em maio de 68: um antiestatismo muitas vezes simplista enunciado em nome da crença na espontaneidade da sociedade civil.

Não é de se estranhar que este libertarianismo encontre, 40 anos depois, o liberalismo puro e duro. De fato, a ocupação do centro pelos verdes tem tudo para ficar. Ela vem a calhar para um eleitorado que um dia votou na esquerda, mas que gostaria de um discurso mais "moderno". Um discurso menos centrado em conflitos de classe, problemas de redistribuição, precarização do trabalho e mais centrado em "nova aliança", "visão integrada" e outros termos que parecem saídos de um manual de administrador de empresas zen. Alguns anos serão necessários para que a nova aliança se mostre como mais uma bolha.

Artigo de Vladimir Safatle, professor no departamento de filosofia da USP. Publicado hoje na Folha.


.................................


Hoje cedo, a jornalista global, Miriam Leitão, disse o seguinte sobre Marina Silva:

- Ela está fazendo um discurso de estadista!

Sem comentário.

domingo, 3 de outubro de 2010

Soberania, de Manoel de Barros


Naquele dia, no meio do jantar, eu contei que tentara pegar na bunda do vento — mas o rabo do vento escorregava muito e eu não consegui pegar. Eu teria sete anos. A mãe fez um sorriso carinhoso para mim e não disse nada. Meus irmãos deram gaitadas me gozando. O pai ficou preocupado e disse que eu tivera um vareio da imaginação. Mas que esses vareios acabariam com os estudos. E me mandou estudar em livros. Eu vim. E logo li alguns tomos havidos na biblioteca do Colégio. E dei de estudar pra frente. Aprendi a teoria das idéias e da razão pura. Especulei filósofos e até cheguei aos eruditos. Aos homens de grande saber. Achei que os eruditos nas suas altas abstrações se esqueciam das coisas simples da terra. Foi aí que encontrei Einstein (ele mesmo - o Alberto Einstein). Que me ensinou esta frase: A imaginação é mais importante do que o saber. Fiquei alcandorado! E fiz uma brincadeira. Botei um pouco de inocência na erudição. Deu certo. Meu olho começou a ver de novo as pobres coisas do chão mijadas de orvalho. E vi as borboletas. E meditei sobre as borboletas. Vi que elas dominam o mais leve sem precisar de ter motor nenhum no corpo. (Essa engenharia de Deus!) E vi que elas podem pousar nas flores e nas pedras sem magoar as próprias asas.

E vi que o homem não tem soberania nem pra ser um bentevi.

sábado, 2 de outubro de 2010

Real é a moeda mais valorizada do mundo, diz Wall Street Journal



Elogios da mídia internacional sempre têm um viés de reserva cética e crítica velada

Uma reportagem publicada neste sábado (2) no site do jornal estadunidense Wall Street Journal afirma que o sucessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai herdar a moeda "mais valorizada do mundo".

"Época de eleições no Brasil costumava ser de preocupações sobre se a moeda nacional, historicamente fraca, iria desabar", escreve o jornalista John Lyons no site do Wall Street Journal. "Desta vez, as autoridades estão enfrentando um problema diferente: a moeda está tão forte que eles temem que isso vai prejudicar o boom da economia do País, liderado pelas exportações."

O jornal destaca que desde o final do ano passado o real já se valorizou mais de 30% diante do dólar, o que fez a consultoria Goldman Sachs apelidar a moeda brasileira de "a mais valorizada do mundo".

O jornal fala dos riscos de "desindustrialização" do País, com o forte impacto da moeda sobre o setor produtivo. "A valorização [do real] está rapidamente se tornando uma difícil tarefa para o próximo presidente", afirma o Wall Street Journal.

A eleição brasileira foi tema de reportagem da edição de fim de semana do jornal britânico Financial Times. Na reportagem, os correspondentes do jornal Jonathan Wheatley e John Paul Rathbone escrevem que o papel de Lula no próximo governo, seja qual for o vencedor nas eleições de domingo, ainda não foi definido, mas que o presidente brasileiro "certamente quer proteger o legado" da sua gestão.

Segundo o jornal, nas últimas semanas, Lula sinalizou que vai indicar ao seu sucessor "os problemas com os quais ele não conseguiu lidar". No caso de uma vitória da sua candidata, Dilma Rousseff, "é pouco provável que Lula tente dirigir o País sentado no banco de trás, como Néstor Kirchner fez na Argentina", escreve o jornal. "Mas ainda assim ele pode ser uma grande influência [em um eventual governo Dilma]."

O jornal espanhol El País afirma que Dilma Rousseff "voa para a Presidência graças ao carisma de Lula". A reportagem de Juan Arias afirma que a candidata deve muito do seu bom desempenho nas pesquisas ao presidente brasileiro, seu "tutor e criador".

"Isso quer dizer que quem vai continuar governando, ainda que na sombra, será Lula? Esta é a grande incógnita", escreve o El País. Caso seja eleita, Dilma "terá que demonstrar que é mais do que uma invenção do líder mais carismático que o Brasil já teve", afirma o jornal espanhol.

O grande Baden

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Um clássico em duas versões



Que nadie sepa mi sufrir é uma composição dos argentinos Angel Cabral e Enrique Dizeo. É uma valsa peruana, e foi gravada pela primeira vez por Hugo del Carril, em 1936.

Em 1953, Edith Piaf a escuta e se encanta, logo manda fazer uma versão para o francês que se chamou La foule, grande sucesso de Piaf, com arranjos menos sulamericanos, diríamos assim. Julio Iglesias e dezenas de outros intérpretes gravaram essa valsa peruana. Para o meu modesto gosto, as duas melhores interpretações são essas duas versões que trazemos, e como se pode notar, são bem distintas.

A gravação acima é da grande cantora argentina contemporânea Soledad Pastorutti. A gravação de baixo é da inigualável Edith Piaf. No YouTube tem várias gravações de Soledad com essa música, mas nenhuma é digna de trazer aqui, pela sua baixa qualidade sonora, o melhor som foi este (acima), mas as imagens são breguíssimas.


Quem tem jornal, tem medo


A mídia das poucas famílias começa a corrigir a rota

Caíram na dura realidade? Irão se modificar de vez? Sim, caíram na dura realidade, mas jamais irão se modificar em definitivo.

Ontem, nós já havíamos chamado a atenção para as correções de rota editorial levada a efeito pelo jornal da família Frias de Oliveira, a Folha de S. Paulo. Hoje, o jornal da família Sirotsky, o diário Zero Hora, de uma certa forma faz o mesmo, mas prefere fazê-lo de maneira oblíqua e dissimulada, por via de um anúncio institucional de página dupla inteira, criado pela agência Escala. Uma admissão menos confessional, institucional mesmo, do que a guinada da Folha. Repito, nada disso é definitivo ou que represente uma cambalhota político-ideológica da mídia das poucas famílias. Nada disso. É apenas uma acomodação pós-eleitoral (antecipada) para expiar os excessos militantes em favor de soluções heterodoxas, para não dizer, golpistas. Fragorosamente derrotados, resta-lhes trocar o uniforme de camuflagem por trajes civis menos belicosos.

Como algumas espécies de camaleões, as poucas famílias proprietárias da mídia brasuca procuram se adaptar, ainda que na aparência, aos novos cenários da política brasileira, especialmente por estes lhes serem adversos e antagônicos.

Essa gente é "muderna". Eles trabalham com pesquisas regulares que sondam empiricamente o terreno no qual estão pisando. Se as pesquisas do "mercado político" apontam numa dada direção, é para lá que eles migram, mesmo tendo que deixar a alma no século 19, de onde se originam e bebem no manancial do atraso.

Contato com o blog Diário Gauche:

cfeil@ymail.com

Arquivo do Diário Gauche

Perfil do blogueiro:

Porto Alegre, RS, Brazil
Sociólogo