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Surf no lixo contemporâneo: a que ponto chegamos! E que mundo deixaremos de herança para Keith Richards?

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Nossos alimentos diários estão envenenados


Todos os dias o povo come veneno. Quem são os responsáveis?

O Brasil se transformou desde 2007, no maior consumidor mundial de venenos agrícolas. E na última safra as empresas produtoras venderam nada menos do que um bilhão de litros de venenos agrícolas. Isso representa uma media anual de 6 litros por pessoa ou 150 litros por hectare cultivado. Uma vergonha. Um indicador incomparável com a situação de nenhum outro país ou agricultura.

Há um oligopólio de produção por parte de algumas empresas transnacionais que controlam toda a produção e estimulam seu uso, como a Bayer, Basf, Syngenta, Monsanto, Du Pont, Shell Química, etc.

O Brasil possui a terceira maior frota mundial de aviões de pulverização agrícola. Somente este ano [2010] foram treinados 716 novos pilotos [segundo dados da Anac]. E a pulverização aérea é a mais contaminadora e comprometedora para toda a população.

Há diversos produtos sendo usados no Brasil que já estão proibidos nos paises de suas matrizes. A ANVISA conseguiu proibir o uso de um determinado veneno agrícola. Mas as empresas ganharam uma liminar no “neutral poder judiciário” brasileiro, que autorizou a retirada durante o prazo de três anos... e quem será o responsável pelas consequências do uso durante esses três anos? Na minha opinião é esse Juiz irresponsável que autorizou as empresas a desovarem seus estoques.

Os fazendeiros do agronegóio usam e abusam dos venenos, como única forma que tem de manter sua matriz na base do monocultivo e sem usar mão-de-obra. Um dos venenos mais usados é o secante, que é aplicado no final da safra para matar as próprias plantas e assim eles podem colher com as máquinas num mesmo período. Pois bem, esse veneno secante vai para atmosfera e depois retorna com a chuva, democraticamente atingindo toda população sobretudo das cidades vizinhas.

O dr. Vanderley Pignati da Universidade Federal do Mato Grosso tem várias pesquisas comprovando o aumento de aborto, e outras consequências na população que vive no ambiente dominado pelos venenos da soja.

Diversos pesquisadores do Instituto Nacional do Câncer e da Universidade Federal do Ceará já comprovaram o aumento de câncer, na população brasileira, consequência do aumento do uso de agrotóxicos.

A ANVISA - responsável pela vigilância sanitária de nosso país - detectou e destruiu mais de 500 mil litros de venenos adulterados, somente este ano, produzido por grandes empresas transnacionais. Ou seja, além de aumentar o uso do veneno, eles falsificavam a formula autorizada, para deixar o veneno mais potente, e assim o agricultor se iludir ainda mais.

O dr. Nascimento Sakano, consultor de saúde, da insuspeita revista CARAS escreveu em sua coluna, que ocorrem anualmente ao redor de 20 mil casos de câncer de estômago no Brasil, a maioria consequente dos alimentos contaminados, e destes 12 mil vão a óbito.

Tudo isso vem acontecendo todos os dias. E ninguém diz nada. Talvez pelo conluio que existe das grandes empresas com o monopólio dos meios de comunicação. Ao contrário, a propaganda sistemática das empresas fabricantes que tem lucros astronômicos é o de que é impossível produzir sem venenos.

Uma grande mentira. A humanidade se reproduziu ao longo de 10 milhões de anos, sem usar venenos. Estamos usando veneno, apenas depois da Segunda Guerra mundial, para cá, como uma adequação das fabricas de bombas químicas agora, para matar os vegetais e animais. Assim, o poder da Monsanto começou fabricando o napalm e o agente laranja, usado largamente no Vietnam. E agora suas fábricas produzem o glifosato. Que mata ervas, pequenos animais, contamina as águas e vai parar no seu estômago.

Esperamos que na próxima legislatura, com parlamentares mais progressistas e com o novo governo, nos estados e a nível federal, consigamos pressão social suficiente, para proibir certos venenos, proibir o uso de aviação agrícola, proibir qualquer propaganda de veneno e responsabilizar as empresas por todas as consequências no meio ambiente e na saúde da população.

Artigo do economista João Pedro Stedile, membro da Via Campesina, Brasil.

A farra (atual) dos torturadores

Santiago, pescado do ótimo blog Caminhos de Santiago.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

A argelina Souad Massi

Jobim e os esquerdistas


A montagem do novo ministério marcha de forma bastante razoável, conforme o etos do lulismo de resultados. Duas grandes superações, para registro: a saída de Henrique Meirelles do Banco Central é digna de comemoração; dois, a "refundação" do Ministério das Comunicações e a consequente varrida da rede Globo do mesmo, depois de quatro décadas de domínio pleno e absoluto, é igualmente de se festejar.

A saída de Meirelles significa dizer que a Carta aos Brasileiros, o pacto entre Lula e os banqueiros de 2002, caducou? Ainda não sabemos. O que sabemos é que o País precisa rever a hegemonia acachapante do capital financeiro sobre a economia e sobre a política brasileira. Não é possível dar consequências e extensões à democracia substantiva que queremos com a atual força desestabilizadora dos bancos e dos rentistas. A república enfraquece na razão inversa do fortalecimento do capital financeiro. Num país onde há tamanha concentração de poder e dinheiro não se pode esperar grandes avanços e conquistas para as classes não-proprietárias. Políticas mitigadoras e compensatórias - como as implantadas pelo lulismo - têm um limite, seja temporal, seja político mesmo. Não se pode fugir da luta de classes o tempo todo. A realidade bate à nossa porta, mais cedo ou mais tarde.

Só ainda não consegui entender e assimilar é a permanência de Nelson Jobim no Ministério da Defesa e a saída de Celso Amorim do Itamaraty.

Claro, são motivações diversas, mas que ao juntarmos dá um contraste acentuado em favor de Amorim e em desfavor de Jobim. O ministro Jobim é um medíocre, não representa sequer o partido a que pertence, o PMDB, sem esquecer que trata-se de um reacionário de quatro costados. Sabe-se que a Defesa será desonerada das funções da Aviação Civil, diminuindo o poder do ministro e reduzindo-o à convivência com militares com sonhos napoleônicos e demais irrelevâncias (a escolha e compra de aviões e armamentos já não lhe competia, tinha apenas função homologatória formal). Assim, pelo andar da carroça, a Defesa pode virar uma grande Delegacia de Narcóticos (DeNarc) dos estados brasileiros, mandando tropas das forças armadas como braço-auxiliar das polícias civis e militares a combater traficantes recalcitrantes, seja através das UPP's, seja em ações bélicas como as do Rio de Janeiro. Já se vê que Nelson Jobim encontrou, finalmente, a sua verdadeira vocação policial-repressiva.  

A saída de Celso Amorim só pode ser entendida se for para promover um salto de (mais) qualidade à diplomacia brasileira, tão destacada e reconhecida (para o bem e para o mal) no mundo todo. As relações com a Casa Branca não estão nada róseas, ao contrário, segundo documentos divulgados pela WikiLeaks ontem, há uma indisposição em Washington pelo fato de o Brasil não ter montado dispositivos legais e repressivos contra a paranóia estadunidense que é a chamada "ameaça terrorista". Como se o Brasil tivesse obrigação de ser solidário na paranóia alheia.

Um telegrama de novembro de 2008 do então embaixador dos EUA no Brasil, Clifford Sobel, à Washington considerava que o Brasil não tem política antiterror por responsabilidade da ex-ministra Dilma Rousseff e, citando um especialista, afirmava que seriam mínimas as chances de ter essa legislação porque o governo Lula estava "amontoado de militantes esquerdistas".

Esquerdistas? Será que o embaixador estava se referindo ao ministro Jobim? Ou esquerdista seria o ministro Hélio Costa, ex-celetista da TV Globo e eterno servidor da família Marinho?

Portanto, mais um motivo para a futura presidenta evitar dissabores com a Casa Branca: Presidenta, evite os "esquerdistas", por favor.

domingo, 28 de novembro de 2010

A Companheira



Mais do que nunca a poesia, hoje, mais que nunca, com seu exorcismo de chacais, com uma chama purificadora e sua memória obstinada.

Açoitada por uma história vertiginosa, onde nos perdemos no redemoinho astronômico da informação, a poesia mais do que nunca: seus olhos seletores fixando o que não temos o direito de esquecer, salvando pássaros, instantes mágicos como o brilho de luzes cintilantes, como auroras soberbas, luas, a beleza, a dignidade da vida.

Mais do que nunca, ali onde abutres de fora e de dentro assanham-se contra os olhos abertos de um povo, arrancam e destroçam as flores do sorriso e o sonho: caricaturas de si mesmos, milionários e coronéis cheirando à morte; contra eles, mais que nunca, a poesia.

Na memória dos homens que lutam, ela é sempre uma fonte de armas, a chama do fogão e a espessura dos montes, o trago d’água, a que estende a mão à batalha e ao repouso.

Mais que nunca a poesia, porque nela faz ninho o futuro.

Julio Cortázar

sábado, 27 de novembro de 2010

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

E se os maragatos fossem os vencedores?



Se os maragatos - representantes do regime agropastoril exportador do século 19 - tivessem vencido a cruenta revolução burguesa de 1893-95, o Rio Grande do Sul, hoje, seria uma espécie de Grande Dom Pedrito, um dos rincões mais pobres e atrasados da Campanha fronteiriça guasca. E o nosso simpático Gildo de Freitas (no vídeo) seria incensado como a vanguarda da expressão cultural e artístico/musical da República de Dom Pedrito e Rio Grande.

Em Tempo: quero dizer que - mesmo assim - sou um admirador discreto do trovador Gildo, ele preserva traços de manifestações culturais atávicas, perdidas em algum lugar entre a península Ibérica e a velha África, mescladas com registros charruas e senso comum periférico. 


Já o Mano Lima (abaixo) é a brutalidade in natura, um autêntico outsider campeiro. Na República de Dom Pedrito ele seria admirado em silêncio, uma vez que tem alma de potro redomão e não índole de boi-de-canga, como preferem os barões (parasitários) do latifûndio pedritense. 



"Temo muito acadelado, meu cumpadre..." - é uma frase definitiva de Mano Lima, nesta música rude.

Pode se constituir numa epígrafe motivadora para quem um dia for escrever o balanço sócio-histórico-antropológico do quadriênio tucano-yedista-de-fracassos no Rio Grande. Período esse, quando o estado guasca resvalou rápido para ser a Grande Dom Pedrito, dos melhores sonhos maragatos, e dos piores pesadelos de todos nós.

Dilma está acabando - finalmente - com o ministério da Rede Globo


Franklin defende refundação do Ministério das Comunicações

O ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, Franklin Martins, disse ontem (25), em São Paulo, que o Brasil vive “um período de extraordinária liberdade de imprensa”, mas defendeu que é preciso “refundar” o Ministério das Comunicações para se discutir o tema comunicação no país. A informação é da Agência Brasil.

“Ficamos um tempão sem discutir comunicação, desde o tempo do Sérgio Motta [ministro das Comunicações no governo Fernando Henrique Cardoso]. Chegou a hora de discutir e é preciso um ministério que planeje, formule, execute e que seja um centro de gravidade da política de comunicação no Brasil”, afirmou o ministro, depois de participar da abertura do Seminário Cultura Liberdade de Imprensa, promovido pela TV Cultura.

Aos jornalistas, Franklin Martins voltou a dizer que não há cerceamento da imprensa no país que é “livre para falar o que quer e não falar o que não quer” e até mesmo para “botar o presidente da República sob crítica”. Segundo ele, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sempre garantiu a liberdade de imprensa não por ser uma “dádiva”, mas por ser uma conquista da sociedade.

Para o ministro, o estabelecimento de um marco regulatório para o setor, a exemplo do que ocorre em outros países, não significa um atentado à liberdade de imprensa.

“É um fantasma dizer que a imprensa está sendo ameaçada. Ameaçada por quem?”, indagou o ministro, ressaltando que seu compromisso pessoal com a liberdade de imprensa não é de “conveniência ou de circunstância”, mas de “alma”.

Franklin disse que deixará o governo no dia 31 de dezembro, assim que terminar o mandato do presidente Lula, por motivos pessoais. “Fico até o dia 31 de dezembro. A partir daí Franklin Martins vai desencarnar”, brincou o ministro.

Ele declarou ainda que deixará à presidenta eleita, Dilma Rousseff, um anteprojeto de lei complexo, mas consistente para modernizar a legislação sobre a mídia no país. “Estamos trabalhando para deixar para a ministra Dilma um anteprojeto em cima do qual ela possa trabalhar. Ela é livre para mandar ou não para o Congresso. Ela vai decidir.”

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Para bom entendedor, essa fala de Franklin Martins significa o seguinte: Deu pra TV Globo! Acabou. 

Depois de quase quatro décadas, o Ministério das Comunicações no Brasil não será um território cativo e dominado pelos interesses negociais e corporativos da família Marinho.

Comenta-se que o nome a ser indicado pela futura presidenta Dilma Rousseff pode ser o de Paulo Bernardo. Pessoalmente não acho um bom nome, faltam-lhe luzes (a meu ver), entretanto, ele é reconhecido como um servidor leal e cumpridor canino das determinações superiores. O que já é um bom re-começo.

O "refundado" ministério ficará com a tarefa - entre tantas outras - de horizontalizar o acesso público aos serviços de banda larga em todo o território nacional, especialmente em escolas, Universidades públicas, centros comunitários, espaços urbanos abertos, etcetera.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Polícia critica redes de TV por transmissão ao vivo de operações no Rio


O Serviço de Comunicação do Batalhão de Operações Especiais (Bope) no Rio de Janeiro criticou a Globo e a Record por estarem transmitindo ao vivo, de seus helicópteros, a operação policial que ocorre na Vila Cruzeiro (zona norte do Rio de Janeiro).

Para o Bope, a transmissão mostra o espectro da ação policial, e isso facilita a estratégia de defesa dos traficantes. "Um desserviço o prestado pelas aeronaves de Record e Globo", diz mensagem do Bope no Twitter.

"Estamos fazendo a cobertura jornalística de fatos graves e não recebemos nenhum pedido ou comunicação da Secretaria de Segurança Pública do Rio para deixar de filmar alguma coisa", respondeu a Record, por meio de sua central de Comunicação.

A Globo ainda não se manifestou sobre a declaração do Bope. A informação é do portal Uol.

América Latina é a região mais independente do poder dos EUA


Quem diz é Tariq Ali

A América do Sul é hoje a região mais independente do poder americano e a vitória do PT na eleição presidencial brasileira indica que os EUA continuarão sem contar com um "policial" que possa agir por eles nesta parte do mundo, diz o escritor paquistanês Tariq Ali.

Um dos editores da revista britânica "New Left Review" e colaborador da "London Review of Books", Ali é conhecido pela militância contra as intervenções externas americanas e veio ao Rio para participar de conferência com sindicalistas e ativistas de favelas sobre imprensa alternativa.

Seu penúltimo livro, "O Duelo", sobre a relação EUA-Paquistão, acaba de ser publicado no Brasil pela editora Record. Outra obra, "O Poder das Barricadas", sobre sua experiência nos anos 60, está sendo lançada pela Boitempo. No exterior, ele recém-lançou "Obama Syndrome", em que destaca as continuidades entre o ocupante da Casa Branca e seu antecessor, George W. Bush. "Só mudou a música ambiente."

Nesta entrevista, o escritor também analisou a situação no Paquistão, a falta de solidariedade mundial às milhares de vítimas das enchentes deste ano em seu país de origem e a guerra americana no Afeganistão. Disse que os EUA, que prometeram se retirar do país centro-asiático até 2014, gostariam de deixar para trás bases permanentes, como no Iraque, mas que a China tem feito saber sua oposição à presença da Otan (aliança militar ocidental) em sua fronteira.

Apesar de aprovar a política externa do governo Lula, Ali é crítico da política econômica. Se disse "no mínimo decepcionado" por ver o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, "arquiteto de políticas neoliberais", na equipe da presidente eleita Dilma Rousseff.

Ele diz que, se houve ingenuidade de Brasil e Turquia quanto tentaram mediar o impasse nuclear iraniano, foi em relação às intenções do governo americano. "Os dois países conseguiram fazer com que os iranianos concordassem com um plano que os EUA haviam proposto antes, e aí Obama recuou."

Apesar das constantes "reclamações e irritação" em relação a Washington, Ali não acredita que a hegemonia americana esteja em risco, diz que a China não pretende desafiar esse poderio no futuro previsível e avalia que o fórum Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) "não é coisa séria". "Os EUA estão mais fortes agora do que nos anos 60 e 70", afirma.


Como dizia o locutor de quermesse: "Uma sucessão de sucessos..."



É Arnaldo Antunes, com Longe, do seu CD Iê, Iê, Iê, de 2009.

Os muitos editorialistas de Zero Hora




Formalmente, o jornal Zero Hora publica dois editoriais nas edições do principal diário da família Sirotsky. Entretanto, muitos empregados da firma fazem as vezes de editorialistas informais do jornal. São os chamados leguleios, os formalistas, os que pegam ao pé da letra o pensamento e o vetor político-ideológico dos patrões. Entre estes, enumeram-se muitos articulistas, diagramadores, fotógrafos, colunistas, repórteres, editores, etcetera. Trata-se, sem dúvida, de um grupo coeso e untado pelo óleo da sabujice e o aroma da lã ovina in natura.

Vejam essa pretendida charge publicada hoje. Nada mais impertinente, irreal e de mau agouro. O Rio de Janeiro avisa que o futuro do RS é trágico, conforme o traço mambembe do chargista. A realidade não aponta nada disso, não há nenhum elemento ou indício que garanta essa conclusão estúpida, mas o celetista de ZH, sim. Ele está garantindo, ele está dizendo, através de um editorial particular, mas consoante a mentalidade corporativa da firma, que o Rio Grande do Sul pode se preparar para o pior: que viveremos quatro longos anos de choro e ranger de dentes, que o crime organizado vencerá e que a cidadania viverá acuada e em permanente pânico.

Os editorialistas de Zero Hora prometem dar muito trabalho ao futuro governo Tarso Genro.

Esquerda retoma DCE da UFRGS


Chapa 3 vence eleições no DCE/UFRGS legitimado por grande votação

Quase 20% dos estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul [foto] votaram, apesar de diversas tentativas de golpe por parte da situação, e legitimaram as eleições para o Diretório Central de Estudantes da UFRGS. Com dois mil e trezentos votos, a Chapa 3 – Oposição Unificada foi a grande vencedora. A situação, representada pela Chapa 1, ficou em segundo lugar, com 1300 votos, e a Chapa 2 teve 850 votos.

O último dia de votações não teve os problemas de agressão de segunda-feira, mas começou com nova tentativa de destruir o processo eleitoral democrático. E-mail recebido por esse repórter às 4h20min da madrugada, enviado pela lista da Comissão Eleitoral – ou seja, para todos os alunos – dizia que a eleição estava suspensa por decisão da Comissão Eleitoral.

O e-mail afirmava que o motivo era a perda de controle da Comissão sobre o processo, por atitudes da Reitoria, da Secretaria de Assistência Estudantil e da Chapa 3, que teria agredido o presidente e o tesoureiro da Comissão Eleitoral, Adrio de Oliveira Dias e Cleber Machado. Vídeos das ocasiões não mostram essas agressões, mas Cleber Machado aparece rasgando atas de votação da Faculdade de Educação.

O e-mail foi enviado também aos Diretores de Unidade onde estavam ocorrendo as votações, solicitando o fechamento das urnas. Adrio e Leonardo Pereira, que assinam o e-mail, porém, não foram atendidos. Eles já não eram mais reconhecidos como integrantes da Comissão Eleitoral por ela própria, pelos estudantes e pelos Diretores, por terem se manifestado publicamente a favor de uma das chapas (1) ou contrariamente a outra (3). Kátia Azambuja assumiu, então, como presidente da Comissão Eleitoral, e deu prosseguimento normal ao processo.

Rodolfo Mohr, integrante da Chapa 3, comemora: “Foi a grande vitória da democracia, daqueles que ousam lutar pra mudar nossa universidade, nosso mundo. Foi uma vitória contra os filhos da pior direita do RS, que não têm apego às liberdades democráticas, à garantia mínima de respeitar o direito de seus colegas, do povo. Foi a mostra de que a UFRGS não tolera a turma da Yeda, não tolera esse tipo de prática, uma verdadeira vitória da esquerda, dos estudantes.”

A informação é de Alexandre Haubrich, do blog Jornalismo B.

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Grosso modo, a identidade partidário-ideológica das três chapas que concorreram ao Diretório Central de Estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, é esta:

Chapa 1: Direita convicta, estudantes ligados ao PP (ex-Arena, aglomerado de oportunistas civis que apoiaram e se beneficiaram da ditadura 1964-85)

Chapa 2: Partido dos Trabalhadores (ou sabe-se lá o que isso represente, hoje, talvez o lulismo de resultados, o que os define menos ainda)

Chapa 3: PSol (partido cartorial-parlamentar que se quer genericamente de esquerda, o máximo que alcança é ser um PT em miniatura, mas que não vence eleições - no último pleito obtiveram um fracasso completo -, não tem a menor base social, nem identidade ideológica definida, sua inserção no movimento estudantil universitário faz parte de política de ampliação de militantes para certas tendências internas, que operam como meros comitês eleitorais de aspirantes ao parlamento)    

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Os desafios para a futura presidenta


É hoje, em Porto Alegre.

Uma mulher genial


A gloriosa pianista argentina Martha Argerich, neste vídeo de 56 minutos, recebe amigos, inclusive o brasileiro Nelson Freire, para tocar Mozart, Schumann, Rachmaninov, e Ravel.


Santa Teresa: um novo parque público estadual




Fotografia dos altos do morro Santa Teresa, em Porto Alegre, com o lago Guaíba ao fundo.

Junte-se ao movimento pela transformação do Santa Teresa em parque público estadual.


Eduardo Seidl/Fototaxia

terça-feira, 23 de novembro de 2010

O Continente Feminino


Parte 1

Um breve documentário sobre a escritora, feminista, intelectual Simone de Beauvoir. Realizado em 2007, por Virginie Linhart. Legendas em espanhol.


Parte 2


Parte 3


Parte 4


Parte 5 - Final

Nem a Igreja aguenta mais


"E sabe por que o Papa deixa usar camisinha com prostituta? Porque nem a Igreja aguenta mais tanto filho da puta." 


José "Macaco" Simão, (na Folha de S. Paulo, edição de hoje).

Uma grande brasileira



Guiomar Novaes, "a maior pianista do mundo"


Trecho do magnífico documentário de João Moreira Salles (Nelson Freire - Um Filme Sobre um Homem e sua Música, DVD duplo) , quando Nelson Freire homenageia, em escuta e piano, Guiomar Novaes. A música é da ópera "Orfeu e Eurídice", de Gluck.

Direita usa qualquer método para permanecer no DCE da UFRGS


Eleições para DCE da UFRGS ameaçadas por gestão atual

Se a campanha presidencial de 2010 foi marcada pela baixaria e por polêmicas, a eleição para o Diretório Central dos Estudantes de uma das maiores universidades do sul do país vai no mesmo caminho. Depois de sofrer sucessivas denúncias de corrupção, ameaçar impugnar a candidatura da principal chapa de oposição, a Chapa 3 – UFRGS Pública e Popular, a gestão atual do DCE da Universidade Federal do Rio Grande do Sul tenta agora impugnar o próprio pleito. As eleições começaram nesta segunda-feira, com votações nos dias 22, 23 e 24.

Circulou na imprensa local a informação de que, em uma reunião na noite da última sexta-feira, a Comissão Eleitoral teria aprovado a impugnação da Chapa 3, pois alguns de seus membros teriam agredido o presidente da Comissão, Adrio de Oliveria Dias, durante manifestação na manhã de sexta.

Adrio afirma que foi agredido por integrantes da Chapa 3 com socos e pontapés, tendo registrado, inclusive, Boletim de Ocorrência. Porém, os vídeos da manifestação mostram a saída do estudante com grande tensão, mas sem agressões. O estudante de jornalismo e integrante da Chapa 3, Rodolfo Mohr, um dos acusados de agredir Adrio, garante que o presidente da Comissão não foi agredido, apesar de ter passado hostilizando os manifestantes.

Mais tarde, confirmou-se que a impugnação na verdade não chegou a oficializar-se. Porém, a imprensa local já havia divulgado amplamente a “notícia”, contribuindo para causar confusão entre os estudantes aptos a votar.

Votação começa com confusões, agressões e novas ameaças

O primeiro dia de votação foi tenso. Qualquer pessoa estranha nos entornos das urnas causava expectativa. Mesmo assim, uma grande quantidade de estudantes já compareceu às urnas. Para votar, é preciso apenas o cartão da UFRGS e a senha correspondente.

Dois episódios, porém, tentaram macular o ambiente democrático buscado por três das chapas, a 2, a 3 e a 4. Ligados à Chapa 1, os ex integrantes da Comissão Eleitoral Adrio de Oliveria Dias, Claudia Thompson e Leonardo Pereira teriam ido ao Ministério Público tentar impugnar a eleição. Nenhuma notificação foi recebida por qualquer das chapas concorrentes.

Na urna em frente à Faculdade de Educação (FACED), outro problema. Segundo Nina Becker, estudante de Ciências Sociais e apoiadora da Chapa 3, uma integrante desta mesma chapa foi agredida com um soco por Cleber A. G. Machado, integrante da Comissão Eleitoral indicado pelo Diretório Acadêmico da Computação, ligado à situação. Além disso, ainda de acordo com Nina Becker, Cleber teria quebrado um vidro e rasgado as atas de votação, antes de sair do local preso pela segurança da UFRGS.

Formação da Comissão Eleitoral cercada de manobras

No dia 16 de setembro, os Centros Acadêmicos, responsáveis por garantir as eleições, formaram uma Comissão Eleitoral, que lançou um edital. Duas semanas depois, o DCE chamou nova reunião, na qual a proposta era retificar o calendário acertado no dia 16. Com a presença de 26 CA’s, o DCE se retirou da reunião, para, uma semana mais tarde, lançar um novo edital. Esse edital trazia novas regras, que subiriam os custos da campanha e dificultariam a inscrição de chapas maiores, como a 3. Por exemplo, a necessidade da presença de todos os integrantes das chapas no momento da inscrição e a obrigação de registrar todos os documentos de identidade dos apoiadores em cartório.

Mas o ponto mais polêmico defendido pela atual gestão do DCE era a votação pelo site da UFRGS, considerada insegura pela própria Reitoria da Universidade, por permitir que qualquer estudante votasse com a senha de outro. Além disso, o Estatuto do DCE prevê que o votante precisa apresentar um documento e assinar lista presencial. Caso a eleição ocorresse via internet, o temor é de que qualquer estudante vinculado a UFRGS poderia recorrer a Justiça e impugnar o pleito. Um acordo, por fim, uniu as duas comissões eleitorais e definiu a eleição por urna eletrônica, como na disputa pelo cargo de reitor.

A gestão do DCE, porém, mudou de ideia, e voltou a defender que o processo se realizasse via internet. A Reitoria da Universidade se demorava a liberar as listas de estudantes matriculados, impreterível para que a eleição fosse realizada, e uma manifestação foi convocada pela Chapa 3 para a última sexta-feira, na Secretaria de Atendimento Estudantil. O protesto reuniu cerca de 100 estudantes. Confirmada, enfim, a liberação das listas, Adrio, citado como um dos obstáculos para o processo eleitoral em um relatório que os estudantes pretendiam entregar, saiu pelo meio dos manifestantes.

Impugnação não foi comunicada oficialmente

Já no sábado, Rodolfo afirmava que a notícia da impugnação da candidatura poderia ser apenas um factóide, apenas mais uma manobra. A medida não foi comunicada oficialmente a Chapa 3, foi apenas vazada para a imprensa local. Para Rodolfo, seria mais uma forma de confundir os estudantes. “Mais uma” porque, no site da Comissão Eleitoral, os números das chapas 2 e 3 estão invertidos, segundo Rodolfo, deliberadamente.

Iur Priebe de Souza, um dos coordenadores da campanha da Chapa 2, critica as atitudes da Comissão Eleitoral e da atual gestão: “Estão querendo impugnar uma chapa por fatos que nem foram apurados. Isso é um abuso. Essa judicialização do processo é ruim para os estudantes. Precisam ganhar com programas e projetos, é isso o que tem que ser discutido”, afirma.

Gestão marcada por acusações de corrupção

No meio do ano, o advogado da atual gestão do DCE, Regis Coimbra, denunciou apropriação indébita de R$ 5 mil da entidade, pelo presidente Renan Pretto e o diretor de Relações Institucionais, Marcel van Haten. A investigação dos Centros e Diretórios Acadêmicos que se seguiu à denúncia apontou ainda outras irregularidades, como o favorecimento de amigos e familiares dos membros da gestão e remuneração desses mesmos membros, o que é vedado pelo Estatuto do DCE.

Texto de Alexandre Haubrich, editor do blog Jornalismo B.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

De como um homem forte faz fraca a filha




Sobre o artigo "Os maridos que queremos para (as) nossas filhas"

Texto constrangedor. Embaraçoso até para a Universidade em que o autor ministra aulas, no caso a Unisinos, dos criteriosos jesuítas de São Leopoldo. Refiro-me a um artigo publicado em Zero Hora, edição de ontem, domingo (21), de um certo professor de Administração, Gustavo Costa.

Quero dizer que é difícil iniciar uma crítica a um texto tão sub, tão indigente. O autor, caso fosse submetido à prova do Enem, alcançaria nota insuficiente em redação. A argumentação é pífia e a conclusão revela a tragédia pessoal do autor, do ponto de vista existencial.

O professor da Unisinos (alô, prezados jesuítas, o que está havendo aí?) confunde feminismo com feminilidade, a vida pessoal (dele) com a vida social e o fluxo da história. E se acha apto a propor um "Tema para Debate", conforme pauta dominical de Zero Hora. Mas debater o quê? A confusão mental de um sujeito varado pelos preconceitos mais rasos do senso comum? Debater com alguém que não sabe distinguir a sua vida pessoal dos fatos sociais? Alguém que insiste em ser professor mas não consegue definir o que é feminismo e o que é feminilidade? Masculinidade agora é ideal? Feminilidade agora é ideal?

Observa-se em cada frase do autor o desprezo pelo conhecimento sistematizado e pela experiência do maior movimento cultural do século 20, que foi o movimento feminista. Ele poderia contrapor argumentos culturais, políticos, talvez até biológicos, naturalistas e comportamentais, ao seu objeto de repulsa. Mas não, ele prefere dar crédito a sua própria experiência vivida, por certo infinitamente mais rica, variada e edificante que todo o movimento internacional das mulheres, durante quase sete décadas. Vejam que a ele foi incutido que se deve chamar médico de "doutor". Não é mesmo relevante e definitivo para uma criança? A ele foi introjetado, certamente por uma entidade superior e onissapiente, que o importante é ser "forte".

"Quando eu era garoto, na década de 1980, - diz o sábio professor - sem que ninguém expressamente precisasse me definir, eu já sabia o que um homem deveria ser". Permanece a incógnita sobre como ele logrou conseguir tal feito. Talvez seja a materialização do chamado "toque da luz divina", confirmando Santo Agostinho (século 4), segundo o qual os homens são esclarecidos por Deus para estarem habilitados ao verdadeiro conhecimento.

No último parágrafo do artigo, há uma pista sobre o seu conceito de homem forte, portanto, com plena capacitação para desposar a filha dele, sábio professor da Unisinos. Observem a pérola: [...] "homens fortes transformam o mundo em que vivem. Eles começam e terminam um trabalho. Eles movem coisas pesadas. Eles constroem estruturas que duram anos. Eles estudam com afinco. Eles fazem todas as coisas assustadoras, feias e sujas que as mulheres não conseguem, não podem ou não precisam fazer. E este é, provavelmente, o tipo de marido que queremos para nossas filhas".

Tão profundo quanto as águas de um pires!

Como observou um conhecido conservador, eminente direitista do século 19, "todos os problemas são questões de opinião". A realidade material de homens e mulheres não conta. Só importam suas reações subjetivas e a marcha inexorável da tradição, dos costumes, dos tratamentos ("pai", "padre", "doutor"), da educação vazia e afetada por etiquetas tão inúteis quanto cínicas.

A história é explicada, por estes tipos primitivos (mas adornados pela toga da tradição), por interpretações psicologistas. Exemplo: "O fraco (a mulher) está possuído pelo desejo de vingança, pelo ressentimento; o forte tem o caráter agressivo". Estes fazem todas as coisas assustadoras, feias e sujas, como um dia o fizeram indivíduos másculos - da mesma índole e do mesmo aço de um Gustavo Costa - como Adolf Hitler, Benito Mussolini e tantos outros.

Simone de Beauvoir - que para o autor do artigo, deve ser uma bruxa que escapou da justa fogueira - dizia que "em linguagem burguesa, a palavra homem significa burguês". E completava, a grande "corruptora de mulheres": "Aos olhos dos pensadores da direita o privilegiado é o único dotado de uma verdadeira existência".

Eis pois o que quer o "homem forte" para a sua fraca filha: um burguês endinheirado que a sustente, ampare e a introduza no paraíso do consumo e das frivolidades mundanas. Com direito a umas migalhas para o sogro, claro.

Alerta final: esse sujeito representa uma grave ameaça social. Os filhos e filhas que o seguirem, se o seguirem, serão fracos e fracas, mesquinhos, egoístas e neuróticos, habilitados tão-somente a espancarem o Outro por este ser homossexual, índio, pobre, negro, mulher, idoso, deficiente ou apenas um homem/mulher emancipado e solidário.

Leia o artigo na íntegra aqui (mas, cuidado, só depois de ingerir um Plasil).

Para compensar, ouçam o AA:

O medo da Europa

Daniel Paz/Rudy 

Ipea realiza conferência sobre o desenvolvimento



Code terá entrada franca e reunirá importantes pensadores brasileiros

Entre os dias 24 e 26 de novembro, o Ipea vai levar ao centro da Esplanada dos Ministérios parte de seu conhecimento em pesquisas econômicas aplicadas para realizar a 1ª Conferência do Desenvolvimento (Code).

Durante os três dias, serão nove painéis temáticos sobre o desenvolvimento, 88 oficinas do desenvolvimento e 50 lançamentos de livros. São esperados mais de 200 palestrantes e debatedores.

O objetivo da Code é criar um espaço nacional de debates no coração do Brasil, no momento em que o país volta a discutir planejamento e estratégias de desenvolvimento. Para isso, a conferência terá vídeos, apresentações de livros, instalações, projeções, oficinas e palestras.

As exposições serão norteadas pelos sete eixos temáticos do desenvolvimento definidos pelo Ipea: inserção internacional soberana; macroeconomia para o desenvolvimento; fortalecimento do Estado, das instituições e da democracia; estrutura tecnoprodutiva integrada e regionalmente articulada; infraestrutura econômica, social e urbana; proteção social, garantia de direitos e geração de oportunidades; e sustentabilidade ambiental.

A programação é dividida em três tipos de atividades: painéis (palestras e debates mais abrangentes, no plenário da conferência); oficinas do desenvolvimento (exposições e mesas de debate realizadas em salas de aula dentro da Code); e desenvolvimento cultural (apresentações de experiências de desenvolvimento do ponto de vista da cultura).

Para obter outras informações sobre as atividades e anotar o horário das que mais interessam, acesse www.ipea.gov.br/code.

Aberta a toda a sociedade, a conferência será realizada no canteiro central da Esplanada dos Ministérios, em frente à Catedral de Brasília (foto ao lado). Estarão presentes conselheiros de orientação do Ipea, diretores e técnicos de planejamento e pesquisa do Instituto, além de acadêmicos e autoridades de todas as regiões do país. O Ipea não arcará com despesas de transporte, alojamento e alimentação, que ficarão a cargo do público.

sábado, 20 de novembro de 2010

A polissemia do refrão "Tô ficando atoladinha..."


Inesquecível participação de Tom Zé no programa do Jô, explicando porque o refrão de "Atoladinha" é um "metarrefrão microtonal e polissemiótico".

Tom Zé dá um cala-boca geral nos tolinhos e tolinhas da plateia joanina-global. 

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Tarso tem que visitar Brasília

Por que Portugal e Espanha, mergulhados na bancarrota?

Portugal, Espanha, Irlanda, Grécia e mais uma dezena de países europeus estão numa situação de crise fiscal profunda e quase sem saída. Não servem de exemplo para ninguém, muito menos para o Rio Grande do Sul (afundado pelo yedismo de fracassos e sua societas delinquentium).

Portugal e Espanha, simbolicamente, sugerem incertezas e maus presságios, além de uma imagem negativa para um futuro governante que se quer imbuído dos melhores propósitos e projetos.

O futuro governador Tarso Genro tem que visitar é Brasília, faz muito mais sentido, na presente conjuntura.

Quem projetou e criou o Ceitec?


Foi o governo Olívio Dutra, depois de fazer uma opção política estratégica para o estado

O jornal Zero Hora faz uma matéria na edição de hoje (página 26) sobre a primeira fábrica de chips da América Latina, o Ceitec - Centro de Excelência em Tecnologia Eletrônica Avançada - uma empresa estatal, ligada ao Ministério de Ciência e Tecnologia, da União Federal.

A matéria carrega visível má vontade com o governo que projetou e criou o Ceitec, o governo Olívio Dutra (1999-2003). Ocupando 90% do espaço de uma página, ZH consegue não informar - ocultar mesmo - que os governos petistas estadual e municipal de Porto Alegre, então, em parceria com a Motorola, conseguiram viabilizar a implantação de uma unidade de alta tecnologia no Rio Grande do Sul, em detrimento de uma montadora de automóvel, com tecnologia obsoleta, ambientalmente insustentável e exigente de incentivos estatais que exorbitavam o limite da responsabilidade de governantes responsáveis com a isonomia orçamentária. Aliás, o Ceitec simboliza a opção moderna que busca a autonomia tecnológica do estado, face à opção dependente, subordinada e obsoleta da montadora insustentável. Esse embate, a meu ver, pode ter resumido e sintetizado o governo petista de Olívio Dutra no Rio Grande do Sul. Trata-se de um patrimônio político que deve ser resgatado pelo PT/RS, como afirmação de projetos que olham para o futuro e não para o passado. A politização deste tema é tarefa permanente para os petistas, especialmente agora que se preparam para retomar a direção administrativa do estado.

O texto de ZH ainda zomba do atual presidente da estatal, Cylon Gonçalves da Silva, afirmando que este teria pedido desculpas a uma plateia na Fiergs pelo fato de a Ceitec ser "uma repartição pública". A fotografia de Silva, que ilustra a matéria, não poderia ser pior, mostra-o de boca aberta, com ar acuado de quase pânico. Os signos gritam. A subjetividade ouve.

Alguém poderá alegar que isso são detalhes pouco percebidos pelo leitor, blablablá... Não são detalhes ingênuos e desprovidos de astúcia. Ao contrário, são relevantes porque portadores de um discurso de desconstituição subjetiva, tanto do governo Olívio (por omití-lo do mérito do projeto inovador e modernizante), quanto dos futuros governos Tarso e Dilma, pela ameaça que estes podem representar ao ultraliberalismo desestatizante defendido por ZH e materializado na Ceitec.

Os editores do jornal sabem que certo leitorado não se interessa por determinados blocos de assuntos, mas não deixa de repassar as páginas e fixar os principais elementos gráficos-ilustrativos, motivo suficiente para absorver signos não-verbais habilitados a lhe aportarem um sentido (complementar e conclusivo ao texto). Assim, o texto escrito é somente parcela incompleta da comunicação. Esta se completa, ou seja, se preenche de sentido, quando combinada com as imagens, referências gráficas, fotografias, diagramação, e até fotografias/imagens da matéria vizinha.

Nesta toada, prevejo (mas quero estar errado): a RBS vai dar muito trabalho ao futuro governo Tarso Genro. Temo que este não esteja preparado, como não esteve o governo Olívio Dutra, e muito menos o Partido dos Trabalhadores - ontem, hoje e sempre.

Conceição Tavares analisa a guerra cambial

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                                           Parte 1
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                                           Parte 2
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                                          Parte 3

A professora Maria da Conceição Tavares faz uma análise da guerra cambial deflagrada hoje no mundo. Critica duramente o governo dos Estados Unidos, pela adoção da política de frouxidão monetária, pela qual  acabam de anunciar um aumento de liquidez inundando o mercado com US$ 600 bilhões de dólares. A entrevista é de terça-feira (16/11), feita pela TV Senado.


Pescado do blog Sátiro-Hupper

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Governadora Yeda Crusius volta a ser ré



A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), não está imune à Lei de Improbidade Administrativa. O ministro Humberto Martins, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), deu, hoje (18), decisão favorável a recurso do Ministério Público Federal para definir que a Lei nº 8.429/92 é aplicável também aos agentes políticos, o que inclui a governadora – acusada de envolvimento em caso de improbidade que tramita na Justiça Federal.

Mais informações sobre o processo de improbidade da governadora Yeda Crusius acesse aqui.


A ação de improbidade, movida pelo Ministério Público na Justiça Federal de Santa Maria (RS), foi consequência de operação policial que apontou desvio de recursos no Detran gaúcho, entre 2003 e 2007. Segundo se informou na época da operação, as fraudes alcançariam o valor de R$ 44 milhões. Além da governadora, foram acusadas mais oito pessoas, entre elas o marido dela, Carlos Crusius, e três deputados.

A governadora recorreu ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região, sediado em Porto Alegre, alegando que a Lei de Improbidade não seria aplicável aos agentes políticos, os quais apenas estariam sujeitos a responder por crime de responsabilidade, tratado em lei específica (Lei n. 1.079/1950). O Tribunal Regional acatou a tese dos advogados da governadora, que assim deixou a condição de ré na ação de improbidade. O Ministério Público entrou, então, com recurso no STJ.

Ao analisar o caso, o ministro Humberto Martins afirmou que a decisão do Tribunal Regional “foi proferida em claro confronto com a jurisprudência do STJ, na medida em que o entendimento aqui encampado é o de que os termos da Lei n. 8.429/92 aplicam-se, sim, aos agentes políticos”. Ele disse que essa posição vem sendo adotada por ambas as turmas julgadoras do STJ que tratam de direito público – a Primeira e a Segunda Turmas.

Num dos precedentes citados pelo relator, a Primeira Turma manifestou-se no sentido de que “o caráter sancionador da Lei n. 8.429/92 é aplicável aos agentes públicos que, por ação ou omissão, violem os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade, lealdade às instituições e, notadamente, importem em enriquecimento ilícito, causem prejuízo ao erário público e atentem contra os princípios da administração pública, compreendida nesse tópico a lesão à moralidade administrativa”.

A informação é do Superior Tribunal de Justiça, das 20h10, de hoje.

O nacionalismo tardio, oportunista e seletivo do PIG


Vamos falar de constitucionalidade? 

O deputado Eduardo Gomes (PSDB-TO) propôs ontem que a Câmara faça, com a ajuda do Tribunal de Contas da União (TCU), uma auditoria especial para saber como o governo fiscaliza a participação de capital estrangeiro nas empresas jornalísticas. A informação é do Estadão, de hoje.

A Proposta de Fiscalização e Controle, apresentada pelo deputado na Comissão de Ciència e Tecnologia, Comunicação e Informática, pode ser votada na próxima quarta-feira.

Se a proposta for aprovada, a Câmara vai designar uma comissão de três membros para checar se o governo está mesmo fiscalizando a participação do capital estrangeiro nó setor de mídia. Ele afirmou que a ideia é acabar com o "jeitinho estrangeiro" de driblar a Constituição - hoje, apenas 30% do capital dos veículos de comunicações podem ser de grupos internacionais.

Gomes deixa claro que pediu a auditoria tomando como exemplo o caso do jornal Brasil Econômico. Ele diz, nas justificativas da proposta, que a manutenção do controle exclusivo de brasileiros sobre os meios de comunicação é "uma das principais conquistas da Constituição", mas aponta "claras evidências de desvirtuamento do princípio constitucional". "Um dos casos que mais claramente ilustram essa situação é o do periódico Brasil Econômico, publicação especializada em economia que passou a ser editada recentemente no Brasil. O jornal é publicado pela Empresa Jornalística Econômico S/A, que, conforme amplamente divulgado na mídia, é controlado formalmente pela sra. Maria Alexandra Mascarenhas Vasconcelos, brasileira casada com o controlador do grupo português Ongoing, Nuno Vasconcelos, a quem cabe o comando efetivo do periódico", diz o deputado.

No texto, o tucano também diz que a auditoria deve levar em conta a "proliferação" na internet de sites de notícias "cujo controle é mantido por grupos internacionais". Para ele, "não há mais como deixar de equiparar legalmente as empresas jornalísticas do 'mundo concreto' a suas congêneres virtuais, os sites noticiosos de internet".

Para o presidente da comissão, deputado Eunício Oliveira (PMDB-CE), "se os portais da internet vendem conteúdos noticiosos, eles têm de seguir a Constituição".

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É interessante essa pauta sobre a constitucionalidade ou não de certos segmentos da mídia, proposto pela corporação do baronato midiático. É de topar e incentivar o debate nesta direção. Assim sendo, vamos avaliar detidamente o respeito estrito aos ditames constitucionais relativamente aos monopólios midiáticos que proliferam pelo Brasil afora. Exemplo: o monopólio (ilegal) do grupo RBS, tanto no Rio Grande do Sul, quanto em Santa Catarina. Vamos passar um pente-fino e verificar quem cumpre e quem burla a Constituição Federal.

Fac-símile parcial de página do portal corporativo do grupo RBS, acesse aqui.

Debate sobre o projeto Cais Mauá


É hoje. Na sede do IAB - Instituto dos Arquitetos do Brasil/RS, na rua General Canabarro, 363 (esquina com a Riachuelo), no Centro de Porto Alegre.

Informações pelo telefone (51) 3212 2552

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

A banda portenha Jóvenes Pordioseros

Agoniza o tigre celta




Celetista da RBS vivia elogiando a Irlanda, e agora?

Todas as agências de notícias estão dando, agora à tarde, como certo a ajuda dos países da zona do euro à Irlanda, para onde acorriam capitais de várias partes do mundo, anos atrás. A estimativa é de que o governo de Dublin precise de cerca de 70 bilhões de euros para fazer frente a sua grave crise fiscal e bancária.

Lembro que a primeira vez que ouvi a expressão - um tanto exagerada - de "tigre celta" foi de um certo comentarista-de-tudo do grupo RBS. O sujeito foi à Irlanda e mandava boletins prenhes de admiração e encantamento ao neoliberalismo de raiz dos neocons da terra de James Joyce. Os caras eram tão "bons" que acabaram levando o país ao abismo social e à ruína econômica, em menos de uma década. Receita para sair da crise, agora? O de sempre: socorro aos bancos (já na quase totalidade estatizados, nesta altura) e um choque fiscal de alta voltagem nos impostos, sem falar das restrições salariais, cortes previdenciários, arrocho no gasto público com repercussões nos orçamentos de educação, saúde, segurança, pesquisa científica, investimentos, etc.



Onde está o celetista da RBS, encantado-lajeado-estrela com a política do ex-tigre celta? Ah, sim, leio no editorial de Zero Hora, edição de hoje, que o comentarista-de-tudo foi promovido a pesquisador ad hoc da RBS para assuntos "carências dos gaúchos". La pucha!

O homem é citado em editorial! Quer dizer que a sua palavra é um editorial, do ponto de vista da empresa midiática.

Fazemos votos que ele não invente de criar uma antonomásia para o Rio Grande, chamando-o de tigre guasca. Se isso acontecer, preparemo-nos para o pior, ou simplesmente indaguemos como o rei da Espanha:

- Por que não te calas?


Recebo do leitor Eugenio Hansen essa contribuição generosa à heráldica familial do comentarista-de-tudo & pesquisador-ad hoc. Os motivos dos elementos brasonários são suficientemente conhecidos da galera guasca.

Folha manda recado curto e grosso para Dilma



A Folha de S. Paulo, em nome do PIG, recalcitrantes e metidos a valentes, está mandando dois claros e objetivos recados à futura presidenta, Dilma Rousseff.

1) Não dará trégua ao seu governo;

2) Combaterá ao (provável) projeto da lei regulatória dos meios de comunicação com armas lícitas e ilícitas.

Fac-símile parcial da capa da Folha de S. Paulo, edição de hoje.

Obama, o secular



Este discurso de Obama, proferido em 28 de junho de 2006, portanto, bem antes de ser presidente dos EUA, o que só veio a ocorrer em 20 de janeiro de 2009, é encorajador, porque mundano (no bom sentido), tolerante, e republicano (que nos EUA tem uma conotação partidária, não é este o caso).

Obama, sabidamente, é um cristão praticante, um homem de fé, como se diz, entretanto, mostra que tem noções e práticas abrangentes, para bem além do vil uso instrumental da fé religiosa - fator determinante de tantos conflitos intransponíveis e cruentos na história da humanidade, e que tende a recrudescer em nossos dias, especialmente no Brasil. José Serra, como vanguarda da direita brasuca, insistiu em pautar temas da alçada religiosa no debate presidencial de 2010, um fato inédito na agenda político-eleitoral brasileira, desde sempre.

A maldição de Zero Hora




A volta do mito PT-mandou-a-Ford-embora, agora repaginado 

Segundo o Houaiss, maldição significa: "ação ou efeito de amaldiçoar ou maldizer, de expressar, por meio de palavras solenes, que refletem ódio, cólera, aversão ou reprovação, o desejo de que algo ruim aconteça a (alguém ou algo)".

Maldição: é o que está desejando a coluna da abelhinha-operária da família Sirotsky na edição de hoje de Zero Hora, ao futuro governo Tarso Genro e grande elenco de aliados.

ZH reprova agora, e depois cuida para que se confirmem seus vaticínios funestos. Os cuidados, entretanto, vão muito além da mera espera passiva e muda. Eles montam uma verdadeira dramaturgia, criam os cenários, os personagens, escrevem as falas e preparam a trama novelesca. Ou alguém esqueceu que a construção do mito PT-mandou-a-Ford-embora contou com a RBS como principal protagonista do roteiro/direção de embustes, meias-verdades e sofismas? Ou alguém olvidou que sempre foi ocultada a "mão de Deus", no caso, o então presidente FHC e o senador ACM, que definiu pesado incentivo para que a montadora migrasse para a Bahia?

Sobre o lamentável projeto tucano-yedista do Cais Mauá, leia o texto deste blog DG publicado em 15 de outubro de 2010, "O projeto atual do Cais Mauá olha para trás e não é sustentável".

A nova opção pelo desenvolvimento em detrimento da financeirização da riqueza

Novo padrão de mudança social

Do final do Plano de Metas de Juscelino Kubitschek (1956-61) ao segundo governo Lula (2006-10), o Brasil conviveu com três distintos padrões de mudanças sociais, identificados por um conjunto amplo e profundo de transformações econômicas (estruturas produtiva, ocupacional e distributiva) e de reorientação nas políticas públicas (Estado de bem-estar social).

Ao se considerar a evolução de indicadores-sínteses da realidade brasileira, como os da renda per capita nacional e da desigualdade na repartição da renda pessoal, nota-se o ineditismo do momento atual, de conteúdo não esboçado plenamente no primeiro e no segundo padrões de mudanças sociais.

Entre as décadas de 1960 e 1970, o Brasil apresentou o primeiro padrão de mudança social, caracterizado pela forte expansão nacional da renda per capita, acompanhada de significativo aumento no grau de desigualdade na repartição da renda pessoal, responsável por brutal diferenciação no movimento de mobilidade social.

Na toada do projeto de industrialização nacional, sem planejamento e sem reforma agrária, houve excessiva transição populacional do campo para a cidade. Além do excedente de mão de obra gerado nos grandes centros urbanos, o valor real do salário mínimo registrou queda média anual de 1,6%, diante da elevação média de 4,6% ao ano do PIB per capita, entre 1960 e 1980.

Mesmo com a presença da informalidade, a cada ano a ocupação total aumentou 3,1% e a taxa nacional de pobreza decaiu 1,3%, enquanto a escolaridade dos brasileiros passou de 2,1 para 3,9 anos (3,1% de aumento anual) e o grau de desigualdade na renda pessoal cresceu 1%.

Em síntese, um contraste visível entre a rápida elevação da renda nacional por habitante e o forte aumento das iniquidades, especialmente na divisão dos frutos do crescimento econômico.

O segundo padrão de mudança social, ocorrido entre os anos de 1981 e 2003, foi demarcado pela estagnação na evolução da renda per capita e no grau de desigualdade na repartição da renda pessoal.
A vigência do regime de superinflação (até 1994) e de crises econômicas seguidas fez regredir a renda nacional em vários períodos (1981-83, 1990-92, 1998-99 e em 2002-03).

Sem a sustentação do crescimento da renda nacional per capita (variação de 0,2% ao ano), o grau de desigualdade praticamente não mudou (variação negativa de 0,1% ao ano), enquanto o desemprego cresceu fortemente (5,6% ao ano) e o valor real do salário mínimo foi reduzido 1,8% ao ano, em média.

Além disso, a cada ano a taxa de pobreza caiu apenas 0,8%, e a escolaridade foi ampliada somente em 2,1% (de 3,9 para 6,3 anos). Resumidamente, a interrupção da mobilidade social e das oportunidades econômicas.

Desde meados da década de 2000, percebem-se sinais de novo padrão de mudança social no país. Esse terceiro padrão possui como características principais a combinação da expansão média anual da renda nacional per capita (de 2,9%) com a queda na desigualdade pessoal da renda (de 1,5%) desde 2004.

Simultaneamente, registra-se a redução média anual nas taxas nacionais de desemprego (5,2%) e de pobreza (4,8%), com forte elevação do salário mínimo (7,1%), da ocupação total (3,2%), sobretudo formal, e dos anos de escolaridade (aumento de 3,8%).

Em especial, o novo padrão de mudança social relaciona-se à opção atual pelo desenvolvimento da produção de bens e serviços em detrimento da financeirização da riqueza - como observado nos anos de vigência do segundo padrão de mudança social - e pela defesa do Estado de bem-estar social, ausente durante o primeiro padrão de mudança social.

Artigo do economista Marcio Pochmann, presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e professor licenciado do Instituto de Economia e do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Unicamp. Publicado hoje na Folha.

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